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terça-feira, 26 de novembro de 2019

Sul - Temporada 1, por Eduardo Antunes


Título original: Sul (2019– )

Se Sul prometia uma interessante jornada criminal pelo contexto financeiramente crítico português, é demonstrada ironicamente a falta de economia, temporal, posta neste projecto. Como a sua congénere Filha da Lei, peca precisamente ao arrastar uma narrativa policial simples, rapidamente perdendo o rumo originário por entre fracas tentativas de mostrar o seu contexto particular, o que acontece aqui desde o primeiro episódio.

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

domingo, 5 de maio de 2019

Glass, por Eduardo Antunes

https://splitscreen-blog.blogspot.com/2019/04/glass-por-eduardo-antunes.html

Título original: Glass (2019)
RealizaçãoM. Night Shyamalan
Argumento: M. Night Shyamalan

Shyamalan sempre foi um realizador potencialmente desafiante nas suas narrativas, mas cuja concretização das suas ideias nem sempre igualou as expectativas subjacentes. Com Glass, volta a suceder o mesmo, de uma forma um pouco mais desapontante, dado querer ser a ligação entre possivelmente dois dos seus melhores filmes sem conseguir igualar a mestria de ambos.

sexta-feira, 16 de março de 2018

Tomb Raider: O Começo, por Eduardo Antunes


Título original: Tomb Raider (2018)
RealizaçãoRoar Uthaug

Se Assassin's Creed nos provou alguma coisa há dois anos é que, independentemente da equipa e valores de produção, filmes baseados em videojogos tendem a não saber adaptar os pontos fortes das respectivas histórias ao grande ecrã. E Tomb Raider volta a confirmá-lo, apesar do que as aparências pudessem dar a atender.

domingo, 22 de outubro de 2017

Kingsman: O Círculo Dourado, por Eduardo Antunes

https://splitscreen-blog.blogspot.com/2017/10/kingsman-o-circulo-dourado-por-eduardo.html

Título originalKingsman: The Golden Circle (2017)
Realização
Argumento: , Matthew Vaughn

Há uns tempos fizeram-me reparar que Matthew Vaughn nunca voltou aos seus filmes para fazer uma sequela, incluindo Kick-Ass ou X-Men: First Class, que tinham essa possibilidade. E, olhando para o que fez com Kingsman: The Golden Circle, só podemos olhar e pensar que teria uma boa razão para isso.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

A Rainha de Espanha, por Carlos Antunes



Título original: La reina de España
Realização: Fernando Trueba
Argumento: Fernando Trueba
Elenco: Penélope Cruz, Cary Elwes, Mandy PatinkinJavier Cámara


Esta é a sequela d' A Menina dos Teus Olhos, o último filme de Fernando Trueba a estrear comercialmente entre nós, não contando com a obra-prima Chico y Rita que outro Cine Fiesta mostrou.
Não há que conhecer o filme com quase vinte anos para ir ver este, embora ajude a perceber que o realizador continua a fazer cinema sobre as referências passadas que lhe dão prazer.
Era uma abordagem ainda surpreendente no final dos anos 1990, sobretudo num filme sobre a própria indústria que corria o melodrama para falar de questões políticas.
Tal como foi ainda uma abordagem refrescante no filme que realizou com Tono Errando e Javier Mariscal em que a animação lhe trazia possibilidades extraordinárias devidamente aproveitadas.
A Rainha de Espanha volta a tentar equilibrar o estado de um cinema tendencialmente patético com a questão social que faz duvidar da pertinência de tal indústria. Trata-se do mesmo filme que Trueba já havia feito mas desprovido de real tensão dramática.
Mesmo para aqueles que descobrem Macarena Granada (Penélope Cruz) pela primeira vez, o filme mostrar-se-á oco, precisamente no lugar onde deveria ter toda a sua intensidade.
Há uma magnífica recriação de elementos de época dentro do cenário de uma mega-produção sob o jugo Franquista. De tal maneira realista, sublinha a artificialidade de diversas componentes da imagem de grandiosidade que o cinema tentava passar na tela.
Dentro desse cenário passa-se a trama maior, a da filmagem de um épico sobre Isabel I com produção americana e dinheiro do General Franco que é o ponto de encontro dos que conspiram para se opôr ao ditador e salvar Blas Fontiveros, o realizador de La Niña de tus ojos entretanto caído em desgraça pelas suas convicções.
A par dessas muitas outras tramas menores decorrem, cada uma traçando um retrato da colorida vida de Hollywood ou da cinzenta realidade espanhola que ela veio afectar.
Um argumentista comunista proscrito que faz Macarena ver que o seu Método pouco importa perante um argumento que era sobre Colombo antes do dinheiro de Franco o transformar naquela farsa nacionalista.
A estrela máscula de Hollywood seduz abertamente um actor espanhol que para chorar tem de apertar um testículo
Tudo isto sob a supervisão de um realizador muito experiente mas no ocaso da sua vida, que não resiste a dormir na cadeira - uma caricatura de John Ford levada até à pala e que este não merece.
São retratos de uma forma de fazer cinema que já não existe e que apesar das suas muitas incoerências levava à criação de algumas obras-primas, além de muitas outras películas que ainda merecem a mística que lhes aplicamos hoje em dia.
Só que a presença americana não chega a causar confronto com Espanha, ela própria, pois aquela gente do cinema não chega a sair à rua.
Toda a despesa fica a cargo da trupe espanhola que se lança ao salvamento do antigo colega de filmagens preso num campo de trabalhos forçados onde os captores o tentam matar - por motivos que o filme mal explora e que não importam à trama.
Trama, o que o filme menos tem, solavacando por situações que se contentam em terminar no gag sem perseguirem a importância que deveriam ter numa visão mais lata da história daqueles personagens.
Fossem as piadas - mesmo as poucas que resultam - dirigidas a uma condenação da permissividade política da época e, mesmo que relutante, haveria brandura para as lentas duas horas do filme.
Quando Franco finalmente aparece não tem capacidade de se mostrar como o vilão capaz de ensombrar a vida de um país inteiro.
A alternativa passava pela vingança pelo ridículo. Estranhamente, Trueba não arrisca caricaturá-lo como fizera a Joseph Goebbels n' A Menina dos Teus Olhos.
O que antes era a mistura de amor ao Cinema e o sentido crítico dos termos em que este era feito é agora matéria de humor fácil a que o realizador parece obrigado a regressar.
O filme carece de gravitas, mesmo que expressa por um humor confrontacional. O sinal mais claro disso vem de uma piada envolvendo sodomia.
Trata-se de uma violação, explícita ainda que invisível no ecrã, à qual o público deve ser relativamente indiferente pois passa-se com um homem latino, sinónimo de um pouco homofóbico - apesar de trabalhar com dois homossexuais casados por conveniência.
Passar a noção de que a sexualidade era uma moeda de troca como qualquer outra perante a perspectiva de uma carreira em Hollywood não é um problema. Que tal aconteça sem consentimento do interessado e muito menos com uma concreta recompensa dele (embora tal não viesse amenizar essa realidade) é que se mostra como sinal de que o espírito desta sequela se limita ao humor de grande público e não ao da relevância do discurso sobre o amor ao cinema com um olhar crítico trazido pela distância temporal.
Apesar de falar da década de 1950, este é um filme sem sentido de urgência. Irrelevante na demonstração histórica dos muitos problemas de fazer cinema entre Hollywood e a Europa naquela época.
O seu sucesso só poderá vir da sua estrela, uma Penélope Cruz que parece imbuída do espírito da star que representa. Incapaz de envelhecer mas capaz de actuar de forma brilhante mesmo no seio do absurdismo.
Mesmo que o filme não tenha conseguido justificar o título de "rainha de Espanha" no momento em que se encerra com o iris shot do rosto de Macarena que é já Penélope aos nossos olhos.




sábado, 10 de junho de 2017

A Múmia, por Eduardo Antunes

http://splitscreen-blog.blogspot.com/2017/06/a-mumia-por-eduardo-antunes.html

Título original: The Mummy (2017)
Realização

Já há algum tempo que os estúdios da Universal tentam trazer os clássicos filmes de monstros para um ambiente mais moderno. E naquilo que a versão de 1999 conseguiu acertar, pelo compromisso em se assumir como algo completamente diferente, todas as tentativas seguintes falharam de uma ou outra forma. E esta versão de The Mummy não é excepção.

domingo, 28 de maio de 2017

Piratas das Caraíbas: Homens Mortos Não Contam Histórias, por Eduardo Antunes

http://splitscreen-blog.blogspot.com/2017/05/piratas-das-caraibas-homens-mortos-nao.html


Os realizadores desta quinta aventura na saga do famoso pirata Jack Sparrow disseram em tempos numa entrevista que o seu objectivo com este empreendimento era capturar de alguma forma a magia e novidade do filme original. Mas a única coisa que se esqueceram é que, para que tal aconteça é preciso que haja novidade.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Exterminador: Genisys, por Eduardo Antunes


Título original: Terminator Genisys (2015)
Realização: Alan Taylor

Mais promessas de revitalização de um franchise em decadência desde os seus tempos áureos com uma nova entrada na saga Terminator. E com vídeos promocionais que parecem não ter aprendido com o passado, não se preocupando com o que o público espera da narrativa, será que terão conseguido estimular velhos e novos fãs para esta franquia?

sábado, 13 de dezembro de 2014

Exodus: Deuses e Reis, por Carlos Antunes



Título original: Exodus: Gods and Kings
Realização: 

O material bíblico só pode continuar a servir ao cinema numa das suas duas vertentes mais radicais.
Como matéria de confronto da humanidade dos seus personagens  com a sua própria ilusão do divino. Ou como matéria de fantasia digna de um espectáculo sem limites.
Ridley Scott conta-se entre os realizadores indicados para ousar recuperar a opulência visual dos épicos bíblicos que até hoje não tiveram substitutos na memória cinéfila.
Assim o tenta recorrendo às melhores possibilidades que as imagens geradas por computador permitem, na expectativa de causar o mesmo espanto do cinema de há décadas.
As dúvidas sobre se tal assombro ainda é possível não ficarão dissipadas com Exodus: Gods and Kings.
É-nos permitido ver toda a técnica usada na concepção das cenas sem nos ser permitido apreciá-las pelo efeito gerado.
Cada uma de entre as cenas das sete pragas deixa-nos ver o quão perto estamos de alcançar um realismo que não enjeita o extraordinário.
Assemelham-se a amostras, pedaços de cenas que o realizador se escusou a levar mais longe, como se o espectáculo fosse uma obrigação a superar com rapidez.
A cena pela qual se vai ver o filme, da partição das águas do Mar Vermlho, é talvez a mais exemplar do indevido suporte dado ao trabalho visual.
O Mar Vermelho é, primeiro, uma muralha de água lá ao fundo - nunca o 3D nos colocou tão distantes do próprio filme! - para depois ser já uma onda que se desfaz deixando Moisés e Ramsés deitados na areia. Nunca tal cena foi tão anti-climática!
Em parte é pela personagem de Christian Bale que o filme se mostra tão telegráfico nas cenas que o deveriam marcar.
A composição de uma figura bélica e política ao serviço de um comandante que, por acaso é Deus, traz consigo algumas boas ideias da relação sofrida que Moisés teve a longo da sua missão, em colaboração e oposição simultâneas a Deus e à sua estratégia.
Boas ideias que não chegam a encorpar essa parte do filme, sujeita ainda a uma divisão do seu protagonismo com uma composição de Moisés à laia da reavaliação psiquiátrica dos textos: um homem guiado por alucinações de grandeza aceite pelos restantes devido à sua falta de esperança.
A verdadeira partição vista no filme é entre uma tentativa moderna de tratar o texto bíblico e a necessidade clássica de o ilustrar na sua grandeza.
A divisão reforça a noção de argumento desorientado, que desaproveita o impulso que algumas das suas cenas estão a ganhar para ir de encontro ao outro bloco de intenções incluído no resultado final.
O filme é mais do que desengonçado, é mesmo soporífero. Efeito que, aliás, parece ter tido sobre os próprios actores.
Verdade seja dita que a maioria deles está no elenco apenas para fazer figura de corpo presente; os melhores a receberem mesmo funções que, felizmente para eles e infelizmente para nós, conseguem fazer a dormir.
Até mesmo Joel Edgerton está por lá a fazer a figura de boneco de acção "bronco" mas cheio de poder.
E Bale limita-se a cerrar a face numa constante compunção que deve ser suficiente para expôr o (melo)drama deste Moisés para os tempos modernos.
Suficiente é, não pelo efeito que causa mas pelo que é o verdadeiro papel de Moisés. Ou melhor, pelo que não é.
Nem instrumento de Deus nem seu opositor - uma espécie de "grilo falante" de Deus para o qual uma cena ainda prepara o terreno.
A irrelevância no grande plano deste Êxodo é o que sobrou para Moisés, que deveria ser uma das personagens mais imponentes saidas do Antigo Testamento.
Apesar do avanço tecnológico ficamos cada vez mais longe de esquecer o encanto dos tempos em que um Charlton Heston era Moisés.




domingo, 17 de agosto de 2014

Tar, por Carlos Antunes



Título original: Tar


O elenco rico será a justificação para a estreia deste filme entre nós, resultado de um esforço de estudantes de cinema em torno da obra de um poeta que pouco dirá ao público português.
Elenco que é um dos primeiros empecilhos do filme. Não por falta de talento ou empenho mas por tipificação dos papéis.
Mila Kunis como feliz figura romântica encobrindo a tragédia pessoal que parece atrair apesar do seu desprendimento das coisas mundanas.
James Franco - também produtor e cada vez mais presente entre a produção "independente" actual que se torna saturante - a fazer mais uma desmonstração da sua intelectualidade numa continuação menor do seu Allen Ginsberg em Howl.
Jessica Chastain como dona de casa americana às voltas com um filho à procura de um lugar num mundo de pais ausentes e austeros.
Com Chastain a desconfortável sensação de repetição piora pois os realizadores assumem uma herança fílmica directa a Terrence Malick (limitada a The Tree of Life), numa contemplação poética da realidade.
Tal lirismo é justificado dado tratar-se de um trabalho com base na poesia de C. K. Williams que agrega muito do que é a vida quotidiana, mas os filtros de cor, o envelhecimento da imagem ou a delonga em pormenores (insignificantes) denotam uma indulgência criativa nada prometedora para trabalhos futuros - e nada agradável no actual.
Alguns momentos de beleza elevam-se sempre no seio do filme, sobretudo quando este se liberta da declamação dos poemas e aproveita as narrativas (de vida) que os compõem para estruturar o filme.
Momentos são breves e escassos no que não passa de um exercício de ilustração que deixa claro que funcionaria melhor como conjunto de pequenos segmentos mais limitados mas também mais definidos.
Os pedaços de poemas seleccionados não se combinam - ou não são estes os realizadores certos para o tentarem - num fôlego que sustente uma longa-metragem em jeito de biopic poético.
A exasperação toma conta do público ao fim de pouco, sobrando-lhe apenas o interesse pela beleza das palavras lidas.
A essas não lhes fazia falta as imagens no ecrã pois elas mesmas as transmitem com mais intensidade.




quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Sex Tape - O Nosso Vídeo Proibido, por Carlos Antunes



Título original: Sex Tape
Realização: 
Argumento: Kate AngeloJason SegelNicholas Stoller
Elenco: 


Desapontante.
Um filme cuja premissa é o sexo e que se atreve a citar a iconografia de Boogie Nights ser tão púdico e tão banal.
Era perfeitamente possível ter feito este filme a partir de um email insultuoso enviado por engano e quase nada tinha de mudar.
O sexo é apenas uma forma de chamar a atenção para o que não deixa de ser uma versão mais da recuperação de um casamento pela via da aventura mais absurda possível.
Um filme que, apesar de ser sobre sexo, se dedica a repisar todos os clichés que já se esperavam estar a ser superados: os filhos acabam com o sexo no casamento e as pessoas julgam que precisam de recorrer à extravagância para recuperar a chama que tinham no passado.
O mais perto que se está de haver humor sobre como o sexo é visto no tempo presente é na aparição de Jack Black como dono do YouPorn e a sua citação interminável e quase chocante dos seus rivais.
Infelizmente essa cena não termina sem um discurso moralista sobre a vida de casado, destruindo o pouco efeito conseguido aí.
Os argumentistas esqueceram-se por completo de incluir humor a sério, algo mais do que situações exageradas dependentes de gags físicos esgotados - Jason Segel contra um cão como um dos mais óbvios.
O mais perto que eles estão de alguma ironia é ao chamarem Rob Lowe para interpretar o papel de um bom pai de família que em segredo se dedica a Heavy Metal e linhas de cocaína. Afinal o actor é o pai dos escândalos com sex tapes e foi isso que o levou a abandonar a droga.
Mas eles não sabem o que mais fazer além de associarem o actor ao papel, confiando que a memória do público (ou parte dele) será suficiente.
Não ajuda em nada que Jake Kasdan, realizador de duas excelente comédias como são Zero Effect e Walk Hard: The Dewey Cox Story, continue por um caminho descendente que para já não vai terminar pois parece que vai continuar o seu (pouco) esforço de Bad Teacher.
Não há qualquer ideia com um toque de originalidade ou de risco neste trabalho de Kasdan. Muito menos qualquer vestígio de uma cena capaz de combinar verdadeiro erotismo à comédia - algo que, apesar de tudo, tinha mostrado saber fazer nos seus filmes mais recentes.
Essa falha em particular, mas a geral falta de ideias de comédia próprias torna-se inegável quando, ao jeito de The Hangover, os protagonistas vão ver a sex tape que perseguiram o filme todo. Nesse momento que poderia ser de libertação total, o vídeo é passado em fast forward e depois chega o fim do filme.
Contra este vazio os dois protagonistas, actores que parecem entre os mais propícios a liderar com uma dose de bom humor uma comédia atrevida como esta deveria ter sido, pouco podem fazer.
Não lhes foi realmente dado um papel a partir do qual pudessem criar um pouco de humor nascido dos actores e passado para as suas personagens. Nem sequer para si próprio, enquanto actor, o Jason Segel argumentista foi bom.
Um filme que por um momento até promete algo mais, com Cameron Diaz a ser uma mãe dos subúrbios desbocada - porque saudosa - acerca da sua antiga vida sexual.
Desapontante. E muito!




segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Bell e Sebastião, por Carlos Antunes



Título original: Belle et Sébastien
Realização: 
Argumento: Juliette SalesFabien SuarezNicolas Vanier
Elenco: 


Os Alpes sempre proporcionaram o cenário ideal para grandes aventuras de pequenos orfãos. Assim eram as séries de animação que nos anos 1980 se viam por cá.
A reinvenção japonesa dos clássicos infantis europeus, não importa as suas limitações, criou fãs cuja nostalgia não é fácil de apagar.
Bell e Sebastião (é bom ver que acertaram com o título que a série tinha por cá) poderia facilmente beneficiar desse fenómeno - embora não me pareça que tal tenha sido feito - a par de um certo vazio de filmes de imagem real a que os pais possam levar os seus filhos.
Só esse conjunto de público adulto poderia vir a encontrar motivos para ver este filme e nem sequer eles ficariam satisfeitos com o resultado.
O início do filme não é mau, aquilo que está mais perto de uma certa construção dramática (básica, mas funcional), onde uma criança a braços com um certo abandono amiga-se com uma cadela.
Nessa fase até a captura "bilhete-postal" do cenário das montanhas parece funcionar em favor da sugestão de liberdade e abandono simultâneos.
Com a adição de elementos de maior complexidade dramatúrgica - sobretudo a presença Nazi - vem aquilo que, quase por paradoxo, reduz o filme a uma caricatura.
Sob a aparência da maravilha quase mágica que é uma dupla aventureira nos Alpes, o filme opta por situações facilitistas que coloquem os protagonistas no caminho dessa aventura de atravessar os Alpes.
Mais do que a conveniência com que a história avança, é no uso de clichés ridículos que o filme mais se vai tornando insustentado, sobretudo porque estes chegam a causar contradições de lógica interna.
Nem mesmo um olhar benevolente de emoção pode resistir ao que essa inépcia narrativa vai fazendo ao filme, mas o mal não termina aí.
O lado infantil(izado) do filme inspira-se na degeneração do modelo Disney, querendo isso dizer que há uma inclusão de interlúdios musicais injustificados que não compensam nenhuma sensação de tristeza ou terror - não é por acaso que o MOTELx este ano passo um trio de clássicos Disney - já que essas foram arredadas por completo.
Nem mesmo no momento em que Bell e Sebastião são perseguidos por Nazis por escarpas geladas tal se sente.
Esses minutos finais são mal conduzidos pelo realizador, incapaz de lhes dar qualquer vislumbre de tensão, nem mesmo quando Bell fica suspensa de uma corda e tem de ser salva - o que, ainda para mais, é uma cena absurda quando o cão deveria ser o herói.
É uma evidência que o cenário dos Alpes em fundo e o protagonismo de um cão de bela presença podem ser suficientes para trazer o filme ao nosso país.
Mais difícil é perceber o que justifica a estreia deste filme por cá em detrimento de outros cujo modelo é em tudo igual com resultados melhores.
Penso especificamente em Tainá – A Origem que passou no mais recente FESTin e que, além de ser em Língua Portuguesa, tem uma consciência ambiental que está totalmente ausente deste filme - algo estranho tendo em consideração que o seu realizador é o mesmo de O Último Caçador.
A isso somaria ainda o cenário tropical mais propício a uma estreia por esta época do ano. Não será por acaso que Bell e Sebastião se tornou num enorme sucesso comercial no seu país de origem tendo estreado por altura do Natal...




sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Semana em Crítica - 24 de Outubro

Capitão Phillips (2013), de Paul Greengrass


A cena mais calma do filme são os seus minutos iniciais e vai servindo de crescendo para uma sensação de tensão. Vai correr mal e já sabemos, a câmara trémula de Greengrass antevê-o e subitamente entramos na acção intensa e frenética do filme, que só termina duas horas depois. De uma tensão esmagadora que inflama o espectador, o filme tem momentos tão bela e terrificamente filmados que se assemelham a um filme de terror (veja-se a cena do navio às escuras), perpetuando o clima tenso e claustrofóbico que permeia toda a narrativa. Mas não se fica por aí e se a narrativa segue um caminho de certo modo linear - até porque quase todos saberão o seu desfecho - não deixa de preocupar o espectador. Isto porque a par de uma realização intensa e uma duração extensa (que servem para recriar no espectador o clima de terror e fadiga do seu protagonista), o filme está também repleto de interpretações soberbas. A maioria delas absolutamente inesperadas: a começar pelos actores somali (principalmente Barkhad Abdi) e que carregam no olhar e na expressão corporal uma carga dramática tão aterradora que já seria por si só impressionante, mas que é digna de nota também, porque é a primeira vez que trabalham como actores. E depois Tom Hanks com uma das melhores (será a melhor?) interpretações da sua carreira, com pouquíssimos diálogos, apenas ele próprio, despido de artifícios e maneirismos, a ser simplesmente humano, herói e anti-herói em simultâneo, bastando-lhe apenas os dois minutos finais para merecer lugar na História do Cinema. Um filme cheio de testosterona, mas também de humanidade. Uma estrelaUma estrelaUma estrelaUma estrela½ Tiago Ramos



Grand Central (2013), de Rebecca Zlotowski


Grand Central é uma peça de cinema antiquado, escrito num classicismo formal que ao invés de roubar liberdade à execução da história trata de oferecer ao espectador uma obra que se enquadra numa visão ampla (e esquecida?) de cinema popular. Um cinema capaz de equilibrar a história de amor que está no seu cerne com um tratamento de personagens colectivas e com uma noção da realidade social contemporânea. Mais do que equilibrar, repercurtir a simbologia que uma central nuclear - e a família de trabalhadores - tem sobre a incendiária história de amor vivida por Gary e Karole. Rebecca Zlotowski continuar a fazer de Léa Seydoux um ícone do cinema francês, agora surgindo como modelo absoluto de incandescência feminina depois de ter encorporado a solidão adolescente. Com La vie d'Adèle prestes a chegar pela mão do Lisbon & Estoril Film Festival, vale a pena chegar a esse filme com esta outra interpretação bem presente. Ainda para mais quando, a seu lado, tem um Tahar Rahim que não se via assim desde Un prophèteUma estrelaUma estrelaUma estrelaUma estrela Carlos Antunes



Fuga (2012), de Jeff Nichols


Que Jeff Nichols era um dos autores norte-americanos mais interessantes do momento já sabíamos (para isso tinham bastado apenas dois filmes, Shotgun Stories e Take Shelter), mas que o podíamos encontrar simultaneamente tão intenso quanto encantador neste Fuga já parecia improvável. E curiosamente resulta tão bem e sem ficar aquém dos seus brilhantes trabalhos anteriores, num filme que parece revisitar as clássicas histórias sulistas, assim como Huckleberry Finn e Tom Sawyer. Filme de aventuras, tão simples, quanto humano, apresenta Matthew McConaughey mais uma vez com uma genial interpretação, mas talvez a maior surpresa seja mesmo o jovem Tye Sheridan (que já tinha sido uma das melhores coisas de The Tree of Life ). Uma estrelaUma estrelaUma estrelaUma estrela Tiago Ramos





Este deveria ser um grande épico de encontro entre duas famílias com várias gerações ligadas à Guerra, de mentalidades incompatíveis por se encontrarem devido à morte da matriarca de ambas - que trocou a americana pela inglesa. Um encontro que teria de acabar por levar à reconciliação mútua para gerar reconciliações internas. O problema é que a errância do argumento entre as relações que criou - muito óbvias, um viúvo com o outro e cada um com uma filha e um filho para se juntarem em pares românticos - não consegue criar uma ligação global mas compartimentaliza cada momento da história. Como os cubos de um puzzle, cada pedaço da história toca nas restantes nos pontos certos mas não se unem e a imagem destas famílias não tem sustentação. Famílias em que os vários elementos são caracterizados segundo ideias muito estreitas das imagens de época, quase sempre próximos do cliché, e exibidas durante demasiado tempo retirando todo o ritmo ao filme. Uma estrela½ Carlos Antunes




Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios (2011), de Beto Brant e Renato Ciasca


Baseado no romance homónimo de Marçal Aquino, o filme é mais uma daquelas pérolas que o cinema brasileiro contemporâneo nos trouxe. Utilizando uma estrutura fragmentada e complexa, os seus realizadores tentam compensar a linearidade do argumento, um improvável e intenso triângulo amoroso. Mas dentro do seu espaço, um melodrama com traços religiosos e sexuais, surpreende pela sua atmosfera intensa e pela magnífica direcção de fotografia que em muito beneficia do corpo dos seus protagonistas. Mas é sobretudo Camila Pitanga que carrega em si quase todo o filme e que entrega uma das mais sensuais, apaixonadas e intensas interpretações femininas dos últimos anos. Não fosse isso por si só já motivo de apreciação, até o título é um dos mais belos de sempre. Uma estrelaUma estrelaUma estrela½ Tiago Ramos



Quatro Leões (2010), de Christopher Morris


Brilhante paródia sobre o terrorismo e formas de extremismo (que não apenas a islâmica), o argumento está repleto de humor negro e críticas inteligentíssimas que subvertem a habitual imagem ocidental e estereotipada do "terrorista islâmico". Com uma câmara ágil e uma edição inteligente, estamos perante um filme sobre o absurdo e que por isso exige também do espectador que este saiba rir ou que pelo menos esteja treinado para um humor subtil e que diga mais do que aparenta. Uma estrelaUma estrelaUma estrela½ Tiago Ramos



Plano de Fuga (2013), de Mikael Håfström


A premissa, que aguenta o filme durante quinze minutos e que até parece indicar que Stallone sabe assumir o envelhecimento da sua persona cinematográfica de durão, é a de que um antigo criminoso passou a ganhar a vida testando a fiabilidade das prisões de alta segurança. Depois disso começa um filme de acção com um grau significativo de ridículo por contar com dois protagonistas que não sabem admitir que a idade não lhes permite tornar credível este tipo de exageros - por melhor que seja a forma em que se mantém! Uma estrela½ Carlos Antunes



Ernest e Célestine (2013), de Stéphane Aubier, Vincent Patar e Benjamin Renner


Deliciosa animação clássica, desenhada à mão, de temática sobretudo infantil, mas de valores intemporais. De um nível de caracterização impressionante para um filme aparentemente tão simples, repleto de situações caricatas, momentos divertidos, mas também enternecedores. Execução brilhante e encantadora. Uma estrelaUma estrelaUma estrela½ Tiago Ramos