domingo, 5 de junho de 2011

Águas Agitadas, por Carlos Antunes


Título original: DeUsynlige
Realização: Erik Poppe
Argumento: Harald Rosenløw-Eeg
Elenco: Pål Sverre Valheim Hagen, Trine Dyrholm e Ellen Dorrit Petersen
Editora: PRIS Audiovisuais

Este filme é feito em contrabalanço em torno da vida de duas crianças que quase se confundem como uma só, não só pela sua idade e pelo seu aspecto, mas pelo acidente em que ambas se vêem envolvidas.
Por causa dessa(s) criança(s) há um jovem saído da prisão que vai trabalhar como organista numa igreja, naturalmente aproximando-se da redenção, não tanto à conta de Deus mas do amor pela Pastora local.
Por causa dessa(s) criança(s) há uma mãe em sofrimento que evita a fuga planeada para cair num erro que lhe poderia pesar pelo resto da vida muito mais do que a sua perda o fizera até aí.
O ex-recluso foi culpado da morte de uma criança mas parece disposto a superar o seu receio e cuidar de outra, o filho da mulher com quem se relaciona.
Ela é a mãe que perdeu o seu filho por culpa dele e que apenas vê mais culpa na relação do homem que a atormenta com essa nova criança e, por isso, a rapta e quase a mata.
Enquanto ele persegue a redenção e o retorno a uma vida normal guardando a culpa dentro de si, ela consegue finalmente exteriorizar o seu sofrimento que a trazia manietada para a vida que teve de continuar a suportar.
O erro dele leva ao erro dela, mas leva também a que ela encare o que resta da sua família de forma mais lúcida e leva a que ele consiga fazer uma boa acção cuja magnitude se equipara à do acto mais cruel da sua vida.
O mal encaminha o bem - um certo bem - que pode ajudar a reparar o caos. Anulá-lo é uma tarefa mais difícil e que fica para nós pensarmos como pdoeria ser isso feito por estas personagens.
Extremamente bem executado por um realizador que já deveríamos ter tido oportunidade de conhecer antes, Águas Agitadas é belo sem ceder a exageros. É um filme de enorme cuidado plástico que não negligencia uma dose de credibilidade realista que depende dos seus actores.
São duas interpretações corajosas, de Pål Sverre Valheim Hagen e Trine Dyrholm, que têm de levar as suas emoções a dois limites opostos ao longa do filme e onde um desses limites é cruel de incorporar pela responsabilidade da morte.
As suas interpretações são vividas pelo público a um nível perto do devastador e isso basta para assinalar o feito destes actores.


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