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domingo, 9 de outubro de 2016

"Te Prometo Anarquía" vence Queer Porto 2


A segunda edição do festival Queer Porto premiou Te Prometo Anarquía, do mexicano Julio Hernández Cordón, como o Melhor Filme da secção competitiva do festival. O júri composto pelo ilustrador Júlio Dolbeth, pelo cineasta Tom Kalin e pela produtora Sandra Lopes, considerou que o filme «evita clichés sobre a sexualidade na adolescência e capta uma visão fresca e moderna da variedade de expressões sexuais e é engrandecido por uma câmara intimista e arrojada». O filme recebeu um prémio monetário no valor de três mil euros, atribuído pela RTP2, pela compra dos direitos de exibição do filme no canal.


O júri atribuiu ainda o prémio de Melhor Curta-Metragem de Escola a Viagem, do realizador José Magro (da Universidade Católica Portuguesa), sob a forma de equipamento de vídeo e/ou serviços. «Com relativamente pouco diálogo e uma ênfase no comportamento e no mistério do rosto humano, o espectador é levado numa viagem épica através de pequenos momentos, sugerindo uma grande emoção sob uma superfície tranquila» enfatizou o júri como justificação ao prémio. O Prémio do Público para Melhor Filme foi entregue a La Vanité, de Lionel Baier

Mais que uma extensão do QueerLisboa - Festival Internacional de Cinema Queer, o Queer Porto tem quase um programa independente que beneficia em muito o espectador e que lhe garante uma programação pensada e direccionada para a cidade. No Queer Lisboa 2016, os vencedores foram Antes O Tempo Não Acabava (Melhor Longa-Metragem e Melhor Actor a Anderson Tikuna), Rara (Prémio do Público e Melhor Actriz a Julia Lübbert), Irrawaddy Mon Amour (Melhor Documentário), Coming Out (Menção Especial para Documentário), Waiting for B. (Prémio do Público para Documentário), 1992 (Melhor Curta-Metragem), Como En Arcadia (Menção Especial para Curta-Metragem), Pink Boy (Prémio do Público para Curta-Metragem), Children, Madonna and Child, Death and Transfiguration (Melhor Filme de Escola), La Tana e Climax (Menções Especiais para Filmes de Escola), A Paixão de JL (Melhor Filme Queer Art) e Trilogie de nos vies défaites (Menção Especial para Queer Art).

domingo, 28 de setembro de 2014

Sueco "Something Must Break" vence QueerLisboa 2014


O filme sueco Something Must Break, de Ester Martin Bergsmark, venceu o prémio para a Melhor Longa-Metragem do QueerLisboa 2014, «pela sua desafiante originalidade e visão pungente. Este é um filme eminentemente físico que mexe com os nossos sentidos de forma inesperada – é um filme do qual quase sentimos o sabor e o cheiro. Pela forma como questiona a natureza volátil do desejo e pelo modo como fluidamente mistura momentos de lirismo visual com realidade crua e nua».

Competição de Longas
Melhor Longa: Something Must Break, de Ester Martin Bergsmark
Menção Honrosa: Atlántida, de Inés María Barrionuevo
Melhor Interpretação: Saga Becker em Something Must Break & Kostas Nikouli em Xenia & Angelique Litzenburger em Party Girl
Prémio do Público: Rosie, de Marcel Gisler

Competição de Documentários
Melhor Documentário: Julia, de J. Jackie Baier
Prémio do Público: São Paulo em Hi-Fi, de Lufe Steffen

Competição de Curtas
Melhor Curta: Bonne Espérance, de Kaspar Schiltknecht
Menção Honrosa: Gabrielle, de Margo Fruitier e Paul Cartron
Melhor Curta Portuguesa: Frei Luís de Sousa, de SillySeason
Prémio do Público: Cigano, de David Bonneville

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

"Hoje Eu Quero Voltar Sozinho" e "Flores Raras" no Queer Lisboa 2014


O brasileiro Hoje Eu Quero Voltar Sozinho será o filme de abertura do Queer Lisboa 2014, três anos depois da curta que lhe deu origem (também realizada por Daniel Ribeiro) ter sido premiada pelo público do mesmo festival. O filme venceu os prémios Teddy e FIPRESCI do Festival de Berlim 2014.

A encerrar o Festival Internacional de Cinema Queer de Lisboa estará outra produção brasileira: Flores Raras, de Bruno Barreto. O filme segue o romance entre a poeta norte-americana Elizabeth Bishop (Miranda Otto) e a arquitecta brasileira Lota de Macedo Soares (Glória Pires).

Destaque na competição internacional para Party Girl, vencedor do prémio Golden Camera em Cannes 2014, assim como uma menção para o elenco na secção Un Certain Regard. Nas curtas, nota para Boa Noite Cinderela, do português Carlos Conceição (já estreada em Portugal no IndieLisboa) e que fez parte da Semana da Crítica de Cannes 2014; assim como o premiado internacionalmente Cigano, de David Bonneville. O festival fará ainda uma retrospectiva de John Waters, com exibição do clássico Pink Flamingos e Polyester (com os famosos cartões Odorama), entre outros. Este ano o Queer Focus destaca o continente africano, onde o cinema queer tem vindo a desenvolver-se.

Nota ainda para a uma extensão da retrospectiva John Waters, a ocorrer na Casa das Artes, do Porto (3 e 4 de Outubro) e o anúncio de um Queer Porto a estrear-se em 2015. A maior edição do festival até à data (com um total recorde de 135 filmes de 38 países diferentes), o Queer Lisboa 2014 decorrerá de 19 a 27 de Dezembro, no Cinema São Jorge.

sábado, 28 de setembro de 2013

Georgiano "A Fold in My Blanket" vence Queer Lisboa 2013


O filme A Fold in My Blanket foi o vencedor do prémio para Melhor Longa-Metragem do festival Queer Lisboa 2013, cuja cerimónia decorreu há instantes em Lisboa. A produção da Geórgia, realizada por Zaza Rusadze, foi premiada pelo júri composto por Andrei Rus, Cinta Pelejà e Gustavo Vinagre por ser «uma coreografia sobre a memória, sobre a intimidade relacionada com a história política de um país».

O público atribuiu ainda prémios ao filme iraniano Facing Mirrors, ao documentário espanhol Born Naked e à curta austríaca MeTube: Augusts Sings Carmen 'Habanera'.

Competição para a Melhor Longa-Metragem
Melhor Filme: A Fold in My Blanket, de Zaza Rusadze (Geórgia)
Menção Honrosa: Joven y Alocada, de Marialy Rivas (Chile)
Melhor Actor: Edward Hogg em The Comedian (Reino Unido)
Melhor Actriz: Alicia Rodríguez em Joven y Alocada (Chile)
Prémio do Público: Facing Mirrors, de Negar Azarbayjani (Irão)

Competição para o Melhor Documentário
Melhor Documentário: Quebranto, de Roberto Fiesco (Méxco)
Prémio do Público: Born Naked, de Andrea Esteban (Espanha)

Competição para a Melhor Curta-Metragem
Melhor Curta: Benjamin's Flowers, de Malix Erixon (Suécia)
Melhor Curta Portuguesa: Pedro, de Dário Pacheco e José Gonçalves (Portugal)
Prémio do Público: MeTube: Augusts Sings Carmen 'Habanera', de Daniel Moshel (Áustria)

Competição de Filmes de Escola
Melhor Curta: Depois dos Nossos Ídolos, de Ricardo Penedo (Portugal)
Menção Honrosa: Atomes, de Arnaud Dufeys (Bélgica)

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

"Continental" e "Out in the Dark" serão os filmes de abertura e encerramento do Queer Lisboa 2013


Foi hoje revelada a programação completa do Festival de Cinema Queer Lisboa 17, que decorrerá de 20 a 28 de Setembro, em Lisboa. A edição deste ano contará com 93 filmes - com quinze títulos de produção nacional.

Na Noite de Abertura, o festival exibirá o documentário Continental, de Malcolm Ingram, sobre a sauna homónima, em Nova Iorque. A seguir à cerimónia de abertura (que começará às 21h do dia 20 de Setembro, no Cinema São Jorge) dar-se-á uma festa no Teatro do Bairro, com a actuação ao vivo do rapper Cazwell. Como filme de encerramento, o festival exibirá no dia 28 de Setembro, o israelita Out in the Dark, de Michael Mayer.

De destaques competitivos teremos Interior. Leather. Bar, de James Franco e Travis Matthews, que reimagina os quarenta minutos de cenas censuradas do filme Cruising (1980), de William Friedkin. O filme estreará através da Lanterna de Pedra Filmes a 26 de Setembro, nos cinemas portugueses.

In the Name Of, da poloca Malgorzata Szumowska, vencedora do prémio Teddy no Festival de Berlim 2013, fará também parte da competição. Outros títulos de destaque são o polaco Floating Skyscrapers; o alemão Free Fall; o chileno Joven y Alocada ou Noches de Espera, do português Tiago Leão. Na competição documental haverá a presença de Me @ the Zoo; She Male Snails e O Carnaval é um Palco, a Ilha uma Festa, entre outros.

Destaque na secção panorama para o documentário do português Joaquim Pinto, E Agora? Lembra-me, vencedor do prémio FIPRESCI e Prémio Especial do Júri no Festival de Locarno 2013; assim como o norte-americano Joan Rivers: A Piece of Work. Boy Eating the Bird's Food - candidato grego ao Óscar 2014 - será exibido na secção Queer Focus.

A programação completa pode ser consultada em www.queerlisboa.pt.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Depois de Locarno, "E Agora? Lembra‐me" estreia no Queer Lisboa 2013


Um dos principais destaques da programação do Queer Lisboa 2013 - Festival Internacional de Cinema Queer é a estreia do documentário E Agora? Lembra-me, de Joaquim Pinto, integrado na secção Panorama do festival. Esta será a primeira exibição do filme em território nacional, após a sua antestreia mundial na Competição Internacional no Festival de Locarno 2013. O projecto segue um ano de ensaios clínicos para o tratamento do vírus da Hepatite C.

Este ano, na secção Queer Focus, estreará o muito aguardado filme grego Boy Eating the Bird's Food; enquanto que na secção Queer Art teremos a oportunidade de assistir ao documentário sobre o recentemente falecido escritor Gore Vidal, intitulado Gore Vidal: The United States of Amnesia, assim como o documentário sobre a evolução do conceito de heroína na televisão e cinema, Wonder Women! The Untold Story of American Superheroines. No Queer Pop deste ano destaca-se o trabalho de David Bowie, como ícone que desafiou os conceitos de sexualidade e género.

Foi também divulgada a programação completa da secção In My Shorts, competição de filmes de escola europeus, com a ESTC - Escola Superior de Teatro e Cinema, a ser a convidada portuguesa.

  • Atomes, de Arnaud Dufeys (Bélgica)
  • Blush, de Luciana Botelho (França)
  • Cartas de uma Escrita Comum, de Rui Esperança (Portugal)
  • Depois dos Nossos Ídolos, de Ricardo Penedo (Portugal)
  • As Flores do Mal, de Flávio Gonçalves (Portugal)
  • The Kiss, de Filip Gieldon (Polónia)
  • Noite de Aniversário, de Flávio Gonçalves (Portugal)
  • Plug & Play, de Michael Frei (Suíça)
  • Regras (experimento 2), de Renata Ferraz (Portugal, Brasil)
  • O Segredo Segundo António Botto, de Rita Filipe e Maria Azevedo (Portugal)
  • Si J'Étais Un Homme, de Margot Reumont (Bélgica)
  • Touch, de Panx Tabao Solajes (Hungria)


O Queer Lisboa 17 decorre de 20 a 28 de Setembro.

sábado, 29 de setembro de 2012

Festival Queer Lisboa 2012: Os vencedores


O júri do Queer Lisboa 2012 premiou o filme Keep The Lights On, de Ira Sachs, como a Melhor Longa-Metragem da competição. Thure Lindhart venceu o prémio de Melhor Actor pela sua interpretação no mesmo filme. Na secção documental, o prémio foi atribuído a Jaurès, de Vincent Dieutre. Pela primeira vez foi ainda atribuído um prémio à Melhor Curta-Metragem Nacional: Bankers, de António da Silva.

Longa-metragem de Ficção

Melhor Longa-Metragem
Keep The Lights On, de Ira Sachs

Menção Especial do Júri
Beauty, de Oliver Hermanus & She Monkeys, de Lisa Aschan

Melhor Actor
Thure Lindhart em Keep The Lights On & Deon Lotz em Beauty

Melhor Actriz
Claudia Ohana e Vanessa Giácomo em A Novela das 8

Documentário

Melhor Documentário
Jaurès, de Vincent Dieutre

Menção Especial 
Olhe Pra Mim de Novo, de Claudia Priscila e Kiko Goifman

Curta-Metragem

Melhor Curta-Metragem Internacional
Along the Road, de Anette Gunnarsson e Jerry Carlsson

Melhor Curta-Metragem Nacional
Bankers, de António da Silva

Prémio do Público

Melhor Longa-Metragem
A Novela das 8, de Odilon Rocha

Melhor Documentário
Vito, de Jeffrey Schwarz

Melhor Curta-Metragem
Ce N'Est Pas un Film de Cow-boys, de Benjamin Parent

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Queer Lisboa 2012: Os destaques


Esta sexta-feira, o Queer Lisboa - Festival de Cinema Gay e Lésbico de 2012 regressa ao Cinema São Jorge para a sua décima sexta edição. Novamente com a FUEL como responsável pela campanha televisiva do festival, o Queer Lisboa apresenta este ano um espantoso e divertido spot que satiriza a iconografia gay e lésbica dos anos 70, de forma a combater preconceitos e estereótipos ligados à sexualidade.


Este ano o festival pretende premiar também a Melhor Curta-Metragem Portuguesa, criando assim uma nova secção competitiva. Como júri dessa nova secção, o festival conta com a locutora de rádio Isilda Sanches; o programador e produtor do Glasgow Film Theatre, o britânico Paul Macgregor; e o actor português Vítor d'Andrade. A secção de Melhor Longa-Metragem este ano contará este ano com um júri composto pelo brasileiro João Federici, director do Mix Brasil; o realizador português João Rui Guerra da Mata e a actriz e encenadora Mónica Calle. Para Melhor Documentário contará com o artista lisboeta João Pedro Vale, a realizadora Leonor Noivo e o jornalista Travis Jeppesen.

A décima sexta edição renovará a parceria com a plataforma online MUBI (criada na edição anterior) e disponibilizará ao longo do festival e até 5 de Outubro mais de 15 filmes, maioritariamente curtas-metragens, algumas delas com visualização gratuita. Também, no ano em que se dá início às celebrações do Ano do Brasil em Portugal, o festival organiza a secção Queer Brasil; em paralelo organiza ainda dois workshops: Dança + Vídeo e Análise e Crítica de Cinema. Este ano o Queer Lisboa terá ainda direito a uma pequena extensão, a decorrer a 16 de Outubro, no TAGV - Teatro Académico de Gil Vicente em Coimbra.

O Split Screen apresenta alguns dos seus destaques para o festival:

Weekend (2011), de Andrew Haig
Como filme de abertura, o Queer Lisboa escolheu um dos filmes mais premiados do ano passado em festivais e pela crítica, em festivais como SXSW 2011, Roterdão 2012 e vencedor nas categorias Melhor Produção e Melhor Revelação dos British Independent Film Awards 2011. O filme, que conta com duas interpretações seguras de Tom Cullen e Chris New, segue um fim-de-semana entre dois jovens que se conhecem à noite, numa discoteca.

Documentário íntimo que aborda os direitos homossexuais no mundo islâmico, seguindo um grupo de jovens marroquinos que procuram a sua identidade sexual e religiosa. O documentário é construído à base de entrevistas e experiências pessoas de gays muçulmanos, entrevistados pelo realizador em Marrocos.

Without (2011), de Mark Jackson
Com uma carreira invejável por festivais (desde Locarno a Miami), o filme segue uma jovem que se tem a seu cargo um homem idoso em estado vegetativo, numa remota ilha. A sua rotina isolada desenvolve-se numa luta com a sexualidade, culpa e perda. A protagonista, a jovem Joslyn Jensen, foi premiada internacionalmente pela sua interpretação.

Documentário que segue os passos da complexa performer sérvia Marina Abramović enquanto esta se prepara para uma retrospectiva do seu trabalho no MoMa em Nova Iorque. Vencedor do Prémio do Público no Festival de Berlim 2012 e no Festival de Sarajevo 2012.

Vencedor do Teddy Award no Festival de Berlim 2012, o filme é uma crónica de uma viagem sexual e afectiva de dois homens em Nova Iorque. A história segue o encontro casual entre um documentarista e um advogado que rapidamente se torna numa relação complexa e disfuncional. Protagonizado pelo dinamarquês Thure Lindhardt e pelo norte-americano Zachary Booth.

Documentário uruguaio sobre um casal, entre os seus 60 e 70 anos, uma transsexual uruguaia e um ex-trabalhador da construção civil. Há vinte e um anos atrás, conheceram-se numa noite de Natal e não se separaram desde então.

Retrato íntimo de James Dean, antes deste se tornar num ícone americano abordando a sua vida íntima e sexualidade. O filme situado na década de 1950 apresenta uma várias sequências oníricas, que fundem biografia e ficção. No elenco constam os portugueses Rafael Morais e Edgar Morais.

Documentário voyeurista e segundo capítulo da série In Their Room, que tem como cenário a cidade de Berlim e que segue o que se passa nos quartos de gays cosmopolitas (uns solteiros, uns casais, outros frutos de meros engates) num único dia.

She Monkeys (2011), de Lisa Aschan
Vencedor de uma menção especial no Festival de Berlim 2011 e do prémio de Melhor Filme no Festival de Tribeca 2011, o filme sueco segue duas jovens mulheres envolvidas numa luta entre poder, tentação e atracção.

Lizzie Brocheré e Pierre Perrier protagonizam uma história de amor intensa entre um jovem instintivo e predador e a filha de um rico homem de negócios americano. Ambos com 20 anos, conhecem-se de um encontro casual, mas o seu desejo é tão excessivo que se pode tornar explosivo.

Nomeada para um Independent Spirit Award, a produção segue duas jovens mexicanas, de 15 anos, que crescem numa comunidade de imigrantes mexicanos em Los Angeles. Um incidente tem como consequência o crescimento de uma amizade mais complexa e sensual do que seria de esperar.

Habana Muda (2010), de Eric Brach
Documentário sobre um trabalhador da classe operária, surdo, que sustenta uma família (composta pela mulher, também surda, e dois filhos em Havana), à medida que mantém uma relação aberta com um homem que vive no México e que o ajuda financeiramente.

Produção brasileira, situada num Brasil sob ditadura, em 1978, mas que vive a euforia das discotecas graças à telenovela Dancin' Days (que tem actualmente um remake em exibição em Portugal). O filme segue uma acompanhante de luxo viciada em televisão e a sua empregada, que fogem para o Rio de Janeiro após um incidente fatal. Os seus destinos acabm por cruzar-se com o de outros cinco jovens, fascinados pela música disco e pela novela.

Beauty (2011), de Oliver Hermanus
Queer Palm do Festival de Cannes 2011 e candidato oficial aos Óscares 2012 pela África do Sul, o filme segue um homem branco, com 40 anos, pai de família e de duas filhas, que reacende o seu desejo sexual ao conhecer um jovem de 21 anos, filho de um velho amigo.

As oscarizadas Olympia Dukakis e Brenda Fricker protagonizam uma comédia romântica com nuances de road movie, centrada num casal de lésbicas que fogem do lar onde vivem e viajam até ao Canadá para se casar.


O Queer Lisboa decorre de 21 a 29 de Setembro.
A programação completa pode ser consultada no sítio oficial.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

We Were Here, por Carlos Antunes


Título original: We Were Here
Realização: David Weissman e Bill Weber
Elenco: Ed Wolf, Paul Boneberg e Daniel Goldstein

We Were Here é um documentário formalmente muito pouco distinto de tantos outros documentários, feitos para cinema ou mesmo televisão.
A estrutura de relato cronológico por meio de entrevistas - aqui e ali pontuado com material da época - é inversamente atraente para o público ao que é prático para os realizadores.
Mesmo assim o filme destaca-se dessas peças de formalismo limitado e a razão para tal é o percurso objectivo traçado pelos realizadores que não despreza as emoções necessárias ao cinema.
Ao escolher um grupo de cinco "sobreviventes" ao surgimento da epidemia da SIDA em São Francisco que tiveram perspectivas priveligiadas e complementares dos eventos daquela época.
Estiveram todos no centro do que acontecia, mas diferiam em orientação sexual, na forma de envolvimento, na motivação para agirem e no grau de entrosamento com a comunidade homossexual. Daí que, tanto pela visão de cada um como pelas noções de que partem, o documentário seja lúcido e não acabe contaminado com uma presença visível de um discurso dos realizadores.
Talvez o mais notável do filme seja a forma como os realizadores recuperaram um modelo de documentário que continua a ser comum mas que tem perdido a consideração dos cinéfilos perante trabalhos mais criativos. E recuperaram-no, não só de forma a manterem a característica principal de um documentário, mas de forma a explorarem a questão humana individual no seio da imagem maior que estão a filmar.
A seriedade objectiva do filme vem da sua forma que acaba por deixar que os próprios intervenientes revelem as suas emoções sem ser necessário montar uma narrativa que explora (de forma oportunista) esses mesmos intervenientes.
À medida que contam a história, os cinco intervenientes deixam vir à tona o sofrimento que tomou conta deles e que ainda ressurge.
A história, já de si pouco agradável de suportar ou não houvessem comparações da calamidade aos campos de concentração nazis, torna-se ainda mais intensa no coração do público quando a objectividade não se desvia dos soluços choramingosos. Porque a dureza daquele período pode entender-se contada mas só se pode sentir vista e isso é que o documentário tem para dar ao público.
Mais do que o tema da SIDA, o filme é um poderoso retrato do abismo a que pode ser submetida uma comunidade e a força que ela encontra para preservar a sua própria humanidade. Um retrato feito por uma mão cheia dos que resistiram até hoje mas que perderam um número incontável de amantes, amigos e conhecidos.





Uivo, por Carlos Antunes


Título original: Howl
Realização: Rob Epstein e Jeffrey Friedman
Argumento: Rob Epstein e Jeffrey Friedman
Elenco: James Franco, Todd Rotondi, Jon Prescott, Jon Hamm, Aaron Tveit e Andrew Rogers

Três partes bem distintas constituem Howl, cada uma delas com um género, um estilo e um objectivo próprios.
Por mais interessantes que essas partes sejam, não se fundem, mas baralham-se mutuamente, cada uma delas enfraquecendo as intenções e as qualidades das partes alheias.
Os segmentos de animação são os mais curiosos mas, infelizmente, os mais fracos do conjunto.
Tentando dar uma vida visual às palavras de Allen Ginsberg, acabam essas animações por se tornarem meras ilustrações que não conseguem fazer uma interpretação própria dos sentidos que o poema continha.
Esses segmentos são ainda mais infelizes porque a qualidade de animação é insuficiente e não faz jus - ou sequer combina - com a estética e o ritmo do poema.
Já a recriação do julgamento a que o poema (e o seu editor) foi submetido sob a acusação de obscenidade tem o valor histórico de mostrar o grau de receio e de limitada mentalidade que a sociedade americana tinha por aqueles dias, bem como a força da arte apesar das considerações pessoais - e morais, portanto - das pessoas que a julgam sem olharem para o contexto mais abrangente do que é dito e porquê e não somente como.
O problema é que a conversa de tribunal é sempre tratada com pouco ritmo e, às vezes, até parece ter pouco esclarecimento no que respeita ao papel do advogado de defesa (um apagado Jon Hamm) em contrariar os discursos tendenciosos que se ouvem das testemunhas - embora isso possa ser culpa da realidade e não da interpretação cinematográfica da mesma.
Só no momento do discurso final do juíz, com Bob Balaban a dar voz à típica forma de resolução democrática do cinema de Hollywood, é que se sente uma elevação daquele cenário.
A parte que falta - e que dá alguma alma ao filme - é a composição de Ginsberg por conta de James Franco. Uma composição excepcional, não por uma mera aproximação à "personagem real" do poeta, mas porque ele transmite uma sensação de apropriação e vivência da poesia criada pela figura a que dá corpo.
Comparando a leitura que Franco faz do poema com a animação do mesmo, não pode haver dúvidas de que é na voz do actor que o poema está vivo. E que, nessa mesma voz, reverbera a tocante beleza e a surpreendente importância que o poema teve naquela época.
Só esta parte subsiste na memória apreciativa do público e não é possível agregá-lo com os restantes num sentido uníssono para o que se viu.
Pelo contrário, tem-se sempre a sensação de que se está a ver a qualidade de interpretação de James Franco interrompida pela vontade de mostrar elementos em demasia no filme.
Talvez o filme fosse a oportunidade de mostrar talentos a um público pouco tentado pela temática aqui em jogo, mas James Franco não merecia que o filme nos deixasse com a sensação de que ele é o seu chamariz tanto quanto é uma das suas peças essenciais.

 

domingo, 25 de setembro de 2011

Festival Queer Lisboa 2011: Os vencedores


Decorreu hoje a cerimónia de encerramento do Festival Queer Lisboa 2011. O vencedor do prémio para Melhor Filme este ano foi para Rosa Morena, do brasileiro Carlos Augusto de Oliveira, enquanto que na secção documental, o indiano I Am, de Sonali Gulati acabou por ser o premiado.

Melhor Longa-Metragem
Rosa Morena, de Carlos Augusto de Oliveira

Melhor Actor
Roberto Farias em Mi Último Round, de Julio Jorquera

Melhor Actriz
Corinna Harfouch em Auf der Suche, de Jan Kurger

Melhor Documentário
I Am, de Sonali Gulati

Melhor Curta-Metragem
Eu Não Quero Voltar Sozinho, de Daniel Ribeiro

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Vencedores do passatempo Romeos - Queer Lisboa


Ficámos contentes em ver que há público desejoso de ver esta sessão do Queer Lisboa. Os três vencedores com direito a bilhetes duplos são...

Sónia Figueira

Lília Alexandre

Inês Mendes

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Passatempo Romeos - Queer Lisboa



Romeos propõe um olhar invulgar sobre o tema dos transgéneros, e com humor e alguma ousadia procura quebrar convenções estabelecidas sobre estes indivíduos. É um filme sobre o amor, a amizade e um muito particular despertar sexual.




O Split Screen associa-se ao festival Queer Lisboa deste ano oferecendo três convites duplos para a sessão do filme Romeos, a estreia da realizadora Sabine Nernardi nas longas-metragens de ficção.
A sessão decorre no dia 20 de Setembro pelas 19h30 na sala Manoel de Oliveira do Cinema São Jorge.
Quem quiser estar presente deve visitar o site do festival e responder a uma simples questão sobre o filme.







Regulamento:
- O passatempo decorre até às 14:00 do dia 19 de Setembro, sendo excluídas todas as respostas que chegarem depois desse prazo.
- Para participarem terão de preencher o formulário aqui apresentado com todos os dados solicitados.
- Os premiados serão escolhidos aleatoriamente entre todos aqueles que apresentarem uma participação válida e a escolha será definitiva a menos que se apresente um caso de fraude.
- O Split Screen reserva-se o direito de fazer uma selecção das respostas validadas quando se apresentarem circunstâncias duvidosas da legitimidade da origem das mesmas.
- O nome dos vencedores será publicado neste blogue e os mesmos serão avisados por email.
- Só serão permitidas participações a residentes em Portugal e apenas uma por participante.
- Antes de participarem certifiquem-se que poderão comparecer no dia indicado. Em casos de força maior, deverão comunicar atempadamente a vossa ausência através do e-mail acima indicado. Reservamo-nos o direito de excluir de futuros passatempos todos os que não cumprirem estas regras.
- Os convites estão limitados à lotação da sala. O Split Screen não se responsabiliza por eventuais lotações esgotadas que possam ocorrer na data indicada.
- Em caso de não concordar com alguma destas regras, deverá abster-se de participar.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Festival Queer Lisboa 2011: Os destaques

 

É já esta sexta-feira que o Queer Lisboa - Festival de Cinema Gay e Lésbico de Lisboa dá o ponto de partida para a sua 15.ª edição, no Cinema São Jorge. Como festival adolescente que é nada melhor que adoptar como temática deste ano a transgressão. Temática essa que acaba por ser convergente ao próprio festival, não porque procure esse objectivo, mas pela fama que adquiriu ao longo dos anos.

Este ano o júri da secção competitiva para Melhor Longa-Metragem conta com Albano Jerónimo (Mistérios de Lisboa) e Beatriz Batarda (Alice), bem como o designer Sam Ashby; enquanto que na secção documental estarão o cineasta português Miguel Gonçalves Mendes (José e Pilar), Claudia Mauti (directora e programadora do Festival de Cinema Mix Milano) e Franck Finance-Madureira (jornalista e director da Queer Palm do Festival de Cannes).

Além de algumas novidades já referidas por este blogue, o Queer Lisboa deste ano prescinde do apoio da embaixada israelita (como habitual) após uma campanha que apelava ao boicote a todas as iniciativas que envolvam o estado judaico, mas mais importante que isso este torna-se no primeiro festival nacional a criar uma parceria com a plataforma online MUBI, para disponibilizar uma selecção de mais de uma dezena de filmes online e gratuitamente por todo o mundo nas datas do festival.

O Split Screen apoia também o festival este ano e apresentamos alguns destaques desta edição:

Filme de abertura do festival e que conta com James Franco (associado à comunidade LGBT desde Milk) no protagonismo como o poeta Allen Ginsberg, na década de 50, altura em que o autor foi acusado de pornografia, devido ao seu poema "Uivo". Com uma estética muito própria, o filme conta ainda com Aaron Tveit (Gossip Girl), Todd Rotondi, Jon Prescott e Jon Hamm (Mad Men), entre outros. Howl - Uivo estreia em Portugal a 22 de Setembro.

Para a sessão de encerramento, a direcção do Queer Lisboa optou pela estreia no nosso país de uma obra alemã, dos anos 80, que foi relançada o ano passado na Alemanha e ainda em Abril deste ano no Reino Unido. O filme, de orçamento reduzido, segue um professor em Berlim com uma vida gay muito activa, enquanto tenta separar a sua vida profissional da sua vida pessoal.

Na secção Queer Art surge um documentário intimista sobre o escritor William S. Burroughs, os seus ideais anti-conservadores e os movimentos contracultura por si gerados, que marcaram a cultura do século XX em temáticas como a cultura queer e as drogas, na década de 50.

Competindo na secção para Melhor Documentário, foca-se na interessante figura de MIWA Akihiro, um dos mais conhecidos entertainers japoneses, celebrizado pelos seus espectáculos e como activista dos direitos LGBT no Japão.

Considerado um veterano do New Queer Cinema, Todd Verow apresenta a história de uma quarentão solitário (interpretado por si mesmo) que contrata um prostituto de forma a experimentar tudo o que nunca tinha feito: sexo sem preservativo, drogas e orgias.

Fjllet (2011), de Ole Giæver
Da Noruega chega a história de um casal lésbico, em crise, que decide fazer uma caminhada pela montanha, num local onde viveram uma experiência traumática há dois anos e que lhes mudou completamente a vida.

Candidato do Peru aos Óscares 2010, o filme Contracorriente centra-se na história de um pescador casado que se apaixona por um misterioso e simpático pintor homossexual. Prestes a ser pai, o jovem pescador vai acabar por ter que enfrentar um difícil dilema entre a sua paixão e as tradições da aldeia onde vive, bastante conservadora.

Ausente (2011), de Marco Berger
Fruto da nova vaga de cinema argentino, Ausente venceu o prémio Teddy no Festival de Berlim 2011. O filme centra-se num jovem aluno que se envolve com o seu professor de Educação Física, abordando a natureza do desejo e da sedução, aqui entre um menor e um adulto, invertendo os padrões habituais da sedução.

Uma drama centrado no relacionamento entre um jovem e um transsexual, nascido como rapariga, que se encontra numa puberdade masculina quimicamente induzida. O filme aborda a atracção entre um jovem popular e masculino e o jovem transsexual, centrado-se na amizade e no despertar sexual dos adolescentes.

Documentário sobre o processo de transformação de mulher para homem, de Chaz (anteriormente Chastity), filho de Sonny e Cher. Sendo esta uma viagem de busca de identidade própria, Chaz resolveu tornar pública a sua transição para que todos pudessem aprender com a experiência.

Primeira longa-metragem do brasileiro Carlos Augusto de Oliveira que se centra num arquitecto bem-sucedido de 42 anos que viaja para o Brasil de forma a adoptar uma criança, depois das autoridades dinamarquesas lhe terem negado esse pedido.

Documentário que faz um processo de retrospecção sobre a chegada e o impacto da SIDA na cidade de São Francisco, onde se deu uma explosão de casos de HIV positivo durante os anos 80. O filme será acompanhado de um debate com médicos portugueses.

Miss Kicki (2009), de Håkon Liu
Esta é história de uma mulher que, depois de vários anos fora, regressa à Suécia.  O seu filho adolescente, de 17 anos, foi criado pela avó e tem uma relação distante com a sua mãe. Sob o pretexto de reatar laços, esta convida o filho a juntar-se a ela numas férias em Taiwan, mas na realidade, a sua intenção é encontrar com um homem de negócios taiwanês, que conheceu na internet. O realizador estará presente no festival.


O Queer Lisboa 2011 decorre de 16 a 24 de Setembro. A programação completa pode ser consultada no sítio oficial do festival.