sexta-feira, 23 de junho de 2017

Transformers: O Último Cavaleiro, por Eduardo Antunes


Título original: Transformers: The Last Knight (2017)
RealizaçãoMichael Bay

Se recentemente 13 Hours (ainda por ver) e Pain & Gain mostraram alguma coisa é de que Michael Bay não tem receio e consegue perfeitamente atacar outros géneros e histórias com grande sucesso, no caso do segundo. Mas o dinheiro certamente falará mais alto para Michael Bay, e assim aqui regressa ele, sem grande investimento extra posto na sua própria realização, para mais um filme de Transformers cheio de acção e com muito pouca emoção.

sábado, 10 de junho de 2017

A Múmia, por Eduardo Antunes

http://splitscreen-blog.blogspot.com/2017/06/a-mumia-por-eduardo-antunes.html

Título original: The Mummy (2017)
Realização

Já há algum tempo que os estúdios da Universal tentam trazer os clássicos filmes de monstros para um ambiente mais moderno. E naquilo que a versão de 1999 conseguiu acertar, pelo compromisso em se assumir como algo completamente diferente, todas as tentativas seguintes falharam de uma ou outra forma. E esta versão de The Mummy não é excepção.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Ciclo e Colóquio O Cinema e a Cidade


No próximo mês de Setembro, a Cinemateca apresentará um ciclo de filmes dedicados à relação entre o cinema e a cidade, que incluirá um colóquio sobre o tema e será seguido por sessões de projeção e debate em outras salas de Lisboa e do país. No colóquio, a realizar nos dias 28 e 29 de Setembro, para além de intervenções de participantes convidados, serão também acolhidas comunicações de outros potenciais intervenientes que desejem abordar o tema, escolhidas entre todos os que para isso nos contactarem 

O tema será O Cinema e a Cidade, focando-se no que acontece às cidades quando perdem as salas de cinema, ou, nas grandes metrópoles, as redes de salas que as marcaram ao longo de quase todo o século XX; e o que acontece ao cinema quando os seus lugares de contacto com o público deixam de ser lugares de referência nas cidades e de encontro regular e intenso das comunidades urbanas.

Clique aqui para mais informações sobre o tema e sobre a selecção de comunicações.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Mulher Maravilha, por Eduardo Antunes

http://splitscreen-blog.blogspot.com/2017/05/mulher-maravilha-por-eduardo-antunes.html

Título original: Wonder Woman (2017)
Realização: Patty Jenkins

Com a reputação medíocre que as adaptações cinematográficas de histórias baseadas nas personagens das bandas desenhadas da DC Comics têm tido desde 2013, e face à pressão que os estúdios da Warner Bros. têm claramente sentido relativamente às adaptações por parte dos Estúdios Marvel, poderá finalmente a Mulher Maravilha ser a esperança por detrás da Warner Bros. em finalmente conseguir chegar a críticos e fãs da mesma maneira?

domingo, 28 de maio de 2017

Piratas das Caraíbas: Homens Mortos Não Contam Histórias, por Eduardo Antunes

http://splitscreen-blog.blogspot.com/2017/05/piratas-das-caraibas-homens-mortos-nao.html


Os realizadores desta quinta aventura na saga do famoso pirata Jack Sparrow disseram em tempos numa entrevista que o seu objectivo com este empreendimento era capturar de alguma forma a magia e novidade do filme original. Mas a única coisa que se esqueceram é que, para que tal aconteça é preciso que haja novidade.

De Cannes 2017 para Portugal


Leopardo Filmes
Hikari, de Naomi Kawase (Selecção oficial - Prémio do Júri Ecuménico)
L'amant double, de François Ozon (Selecção oficial)
Happy End, de Michael Haneke (Selecção oficial)
The Day After, de Hong Sangsoo (Selecção Oficial)
Barbara, de Mathieu Amalric (Un Certain Regard - Prémio para a Poesia no Cinema)
Western, de Valeska Grisebach (Un Certain Regard)
Las hijas de Abril, de Michel Franco (Un Certain Regard - Prémio do Júri)
A Ciambra, de Jonas Carpignano (Quinzena dos Realizadores)
Frost, de Sharunas Bartas (Quinzena dos Realizadores)
Jeannette, de Bruno Dumont (Quinzena dos Realizadores)

Midas Filmes
120 Battements par Minute, de Robin Campillo (Selecção oficial - Prémio FIPRESCI & Grande Prémio do Júri)
Good Time, de Joshua Safdie e Ben Safdie (Selecção oficial)
In the Fade, de Fatih Akin (Selecção oficial - Melhor Actriz)
Vilages, Visages; de Agnès Varda & JR (Selecção oficial - Sessão Especial)
Un Beau Soleil Intérier, de Claire Denis  (Quinzena dos Realizadores - Filme de Abertura)
L'amant d'un jour, de Philippe Garrel (Quinzena dos Realizadores)

Netflix
Okja, de Bong Joon Ho (Selecção oficial - 28 de Junho)
The Meyerowitz Stories, de Noah Baumbach (Selecção oficial)

NOS Audiovisuais
Wind River, de Taylor Sheridan (Selecção oficial)

"A Fábrica de Nada" vence prémio FIPRESCI da Quinzena dos Realizadores 2017


O filme A Fábrica de Nada, do português Pedro Pinho, venceu o prémio FIPRESCI, atribuído pela Federação Internacional de Críticos de Cinema, da Quinzena dos Realizadores, secção paralela ao Festival de Cannes 2017.


A história, mistura de ficção e documentário, com toques de musical anti-capitalista, inspirou-se numa fábrica dos arredores de Lisboa, que sobreviveu em autogestão pelos operários. A produção da Terratreme Filmes é um filme colectivo, feito também pelas mãos de Leonor Noivo, Tiago Hespanha, João Matos e Luísa Homem.

domingo, 23 de abril de 2017

"The X-Files" regressa com dez novos episódios


Depois da FOX ter reavivado The X-Files o ano passado, quatorze anos depois do fim da última temporada da série, Mulder e Scully regressarão de novo ao pequeno ecrã. Apesar dos seis novos episódios não terem sido bem recebidos pelos fãs e crítica, a FOX quer manter a série viva e encomendou uma décima primeira temporada, composta por quatorze episódios.

O criador Chris Carter regressará como showrunner, depois da temporada anterior ter terminado num frustrante cliffhanger, criando a expectativa que a nova temporada contrarie o desapontamento sentido.

sábado, 25 de março de 2017

Syfy renova "Expanse" e "12 Monkeys"


O canal Syfy encomendou uma quarta e última temporada para 12 Monkeys, série baseada no filme homónimo de Terry Gilliam. A série segue um viajante do tempo (Aaron Stanford) e uma virologista (Amanda Schull) que trabalham juntos para salvar o futuro de uma praga que afectará a Humanidade. A terceira temporada da série regressa em Maio, com o canal a exibir os dez episódios em três noites consecutivas, começando com os quatro primeiros a 19 de Maio.

Entretanto, também The Expanse terá uma nova vida no canal, com a renovação da série para uma terceira temporada, de treze episódios, a exibir em 2018. A acção toma lugar numa galáxia colonizada, 200 anos no futuro, quando dois estranhos se vêem envolvidos numa vasta conspiração.

domingo, 12 de março de 2017

"Lucifer" e "Superstore" são renovados para uma terceira temporada


O canal FOX anunciou a renovação de Lucifer para uma terceira temporada. A segunda temporada da série estreou com 4,4 milhões de espectadores e permaneceu estável durante toda a temporada por volta dos 3,8 milhões de espectadores. A terceira temporada contará com vinte e dois episódios.

Também a NBC garantiu a Superstore uma terceira temporada de vinte e dois episódios. Até à data a actual temporada da série (continuamente bem recebida pela crítica) tem registado a média de 5,7 milhões de espectadores e um rating de 1,8 na faixa demográfica 18-49,

Canal CBS cancela "Doubt" depois de dois episódios


O canal CBS cancelou abruptamente a exibição da nova série Doubt após a exibição dos dois primeiros episódios. A estreia da série foi vista por apenas 5,3 milhões de espectadores, enquanto que na segunda semana, a audiência decresceu 25%.

A série conta com Katherine Heigl como uma bem-sucedida advogada de defesa que se apaixona pelo seu cliente (Steven Pasquale). Laverne Cox era também uma das principais personagens, naquele que é o primeiro papel de uma actriz transgénero num drama em horário nobre.

BBC e FX renovam "Taboo" para uma segunda temporada


Inesperado sucesso, Taboo situa-se em 1814 e conta a história de James Keziah Delaney (Tom Hardy), um homem que se acreditava morto e que regressa de África para Londres, irremediavelmente mudado, para herdar o que sobrou do império do pai e reconstruir a sua própria vida.

Os canais BBC e FX anunciaram a renovação da série para uma segunda temporada, de oito episódios, a estrear em 2018. A primeira temporada de Taboo foi vista por cerca de 1,24 milhões de espectadores ao vivo, mas a audiência de DVR nos primeiros sete dias na BBC ascendia aos 5,8 milhões.

domingo, 5 de março de 2017

Segunda temporada de "Feud" será sobre o Príncipe Carlos e Diana de Gales


Ainda antes da estreia de Feud: Bette and Joan, o canal FX anunciou a renovação da série sobre disputas históricas para uma segunda temporada. Ryan Murphy irá contar a história do Príncipe Carlos e Diana de Gales, conhecida como Princesa do Povo.

A segunda temporada será o «dilema humano da dor e incompreensão» e contará com dez episódios (a primeira terá apenas oito). Jon Robin Baitz (Brothers & Sisters) será co-argumentista de Feud: Charles and Diana e deverá estrear em 2018.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Trailer de "Feud: Bette and Joan", com Susan Sarandon e Jessica Lange


Foi revelado o trailer completo para a primeira temporada da nova antologia de Ryan Murphy. Feud: Bette and Joan abordará a disputa que envolveu, durante anos, as estrelas de cinema Joan Crawford e Bette Davis.


A rivalidade iniciou-se em 1962, durante as filmagens de What Ever Happened to Jane?. A disputa no grande ecrã passou para os bastidores, enquadramento que a narrativa abordará. Entre os momentos mais icónicos desta inimizade estão a cena no filme em que Jane maltrata a sua irmã - pessoas dizem que Davis realmente pontapeou Crawford - ou na cena em que Jane tinha de arrastar Blanche pelo chão - Joan colocou pesos nas roupas; Bette teve de ausentar-se das filmagens por três dias, devido às dores na coluna. Apenas Bette Davis foi nomeada ao Óscar de Melhor Actriz pelo filme: Joan Crawford entrou em contacto com as outras nomeadas para aceitar o seu prémio no dia da cerimónia. Nesse ano, Bette Davis perdeu o Óscar para Anne Bancroft; Joan Crawford aproximou-se da rival, disse "Com licença" e subiu ao palco para aceitar o prémio da colega de profissão.


Na série, Jessica Lange (American Horror Story) será Bette Davis e Susan Sarandon (Thelma & Louise) fica com o papel de Joan Crawford. Alfred Molina (The Normal Heart) interpreta o realizador Robert Aldrich, Stanley Tuccy (The Lovely Bones) será Jack Warner, Judy Davis (Husbands and Wives) a colunista social Hedda Hopper e Dominic Burgess interpretará o actor Victor Buono.

Feud: Bette and Joan estreia a 5 de Março, no canal FX.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Trailer de "The Circle", com Emma Watson e Tom Hanks


Foi revelado o primeiro trailer para The Circle, realizado por James Ponsoldt (The Spectacular Now) e adaptado do romance de Dave Eggers (Where The Wild Things Are):


O filme ambiente num futuro não muito distante, onde Mae (Emma Watson) é contratada para trabalhar para a maior e mais poderosa empresa tecnológica do mundo. À medida que sobe na empresa, é encorajada pelo seu fundador Eamon Bailey (Tom Hanks) a participar numa experiência científica revolucionária, que estica as fronteiras da privacidade, ética e a sua liberdade pessoal.

Em Portugal, O Círculo deverá estrear a 27 de Abril.

Annette Bening protagoniza nova temporada de "American Crime Story"


Annette Bening (20th Century Women) será protagonista da segunda temporada da série antológica American Crime Story.

Na história sobre o furacão Katrina, a actriz será Kathleen Blanco, que foi Governadora de Louisana, durante e depois dos eventos trágicos, que originaram um dos mais graves casos de negligência na história norte-americana.

Katrina: American Crime Story estreará em 2018, no canal FX. Mas a produção da terceira temporada, focada no assassinato do designer Gianni Versace, irá começar antes desta. Isso permitirá ao canal exibir ambas as temporadas, com uma diferença de apenas seis meses entre si.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

"Grey's Anatomy", "Scandal" e "How To Get Away With Murder" são renovadas


O canal ABC renovou as três séries dramáticas, produzidas por Shonda Rhimes, que integram a programação do canal às quintas-feiras: Grey's Anatomy, Scandal e How To Get Away With Murder. O sucesso deste bloco de séries originaram a marca TGIT (Thank's God Its Thursday). O seu poder foi notório quando, devido à gravidez de Kerry Washington, a midseason de Scandal foi adiada: o recente drama do canal, Notorious, não vingou e acabou por afectar negativamente as audiências de How To Get Away With Murder.

Grey's Anatomy chega assim à sua décima quarta temporada, enquanto Scandal é renovada para uma sétima e How To Get Away Withy Murder atinge a quarta temporada.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Jack Nicholson e Kristen Wiig protagonizarão remake de "Toni Erdmann"


É um dos filmes do ano, sensação no Festival de Cannes 2016 onde ganhou o prémio FIPRESCI e nomeado para Melhor Filme Estrangeiro nos Golden Globes e Oscars. Mas Toni Erdmann, da alemã Maren Ade, já tem garantido um remake em língua inglesa.

O filme será protagonizado por Jack Nicholson, o seu primeiro papel em sete anos, depois de ter sido anunciada a sua aposentação. O remake estará a cargo da Paramount, com Maren Ade como co-produtora executiva e Adam McKay (The Big Short) e Will Ferrell (Step Brothers) entre os produtores. Kristen Wiig (Downsizing) será a sua co-protagonista.

Toni Erdmann é uma hilariante comédia sobre a depressão e as ligações entre pai e filha.

Trailer de "The Beguiled", de Sofia Coppola


Depois de The Bling Ring (2013) e A Very Murray Christmas (2015), a cineasta Sofia Coppola regressa ao activo com The Beguiled, remake do filme homónimo de Don Spiegel.


A história é baseada no romance A Painted Devil, de Thomas P. Cullinan e ambienta-se durante o período da Guerra Civil norte-americana. A versão de Coppola foca-se agora mais no conjunto de muheres pertencentes a uma escola de jovens da Confederação e a sua relação com um soldado da União que se encontra ferido (Colin Farrell). Ao elenco feminino juntam-se Nicole Kidman (Lion), Kirsten Dunst (Hidden Figures) e Elle Fanning (20th Century Women).

The Beguiled deverá estrear no Festival de Cannes 2017, mas tem estreia marcada para os cinemas norte-americanos a 23 de Junho.

Netflix renova "Love" e "The OA"


O serviço de streaming Netflix anunciou a renovação de duas das suas séries originais. Love, com produção de Judd Apatow, foi renovado para uma terceira temporada, semanas antes da estreia da segunda temporada da série (a 10 de Março). Esta segue o relacionamento conturbado de Gus (Paul Rust) e Mickey (Gillian Jacobs) à medida que navegam entre as excitações e humilhações da intimidade, comprometimento, amor e outras coisas que ambos tentam evitar.

The OA, a série-surpresa de ficção-científica criada por Zal Batmanglij (Sound of M Voice) e Brit Marling (Another Earth), foi também renovada para uma segunda temporada. Na série seguimos a história de uma jovem cega, Prairie, que regressa a casa depois de sete anos desaparecida - mas a sua visão foi restaurada e agora pede que a chamem de "OA".

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Patriots Day - Unidos por Boston, por Tiago Ramos


Título original: Patriots Day
Realização: Peter Berg
Argumento: Peter Berg, Matt Cook, Joshua Zetumer
Elenco: Mark Wahlberg, Michelle Monaghan, J.K. Simmons

Dentro de todos existirá, eventualmente, a fantasia do herói: a necessidade de nos afirmarmos como importantes e necessários, de salvarmos o irreparável. Mais do que recordar momentos históricos ou contar histórias reais, talvez seja precisamente isto que os filmes que retratam eventos trágicos da história recente pretendem ser. Um veículo para a nossa própria fantasia de querermos ser os heróis, de acharmos que se lá estivéssemos, de alguma forma a história seria contada de outra forma. Patriots Day pretende usar a figura da Lei, no retrato de um homem comum e com defeitos, mas com traços de herói, para recontar a tragédia do atentado terrorista na Maratona de Boston, em 2013.

Embora os minutos iniciais sejam auspiciosos, com uma câmara a fazer lembrar a estética de Paul Greengrass, rapidamente percebemos que longe da tendência orgânica do autor de United 93, a câmara ao ombro de Peter Berg, não é mais que uma câmara que treme muito para nada. Apenas para reforçar uma ideia de found footage, que não consegue eliminar nunca a sua artificialidade, nem distanciar-se da mera reconstituição dos factos. Uma reconstituição sobretudo mediática, filmando tudo com uma violência gráfica, carniceira e abusiva, que continua ao longo da narrativa. E embora como opção de autor pudesse ter resultado, Berg não consegue nunca demarcar-se da imagem de um tarefeiro, adepto de explosões e sem grande espaço para ideias próprias.

Mark Wahlberg enquanto Tommy Sanders é precisamente a tal figura com que se espera que o espectador se identifique. O homem errante e problemático, que cometeu erros no passado e que espera pela oportunidade de redenção. E que em face aos atentados assoma-se-lhe o espírito do herói incansável, pela determinação de fazer "justiça", mas apenas e só, pela captura dos terroristas, como forma de tornar o mundo melhor. Embora a interpretação do actor não seja de todo incompetente, o seu retrato peca pela unidimensionalidade da personagem. Facto transversal a todo o filme, onde seria mais interessante isolar uma daquelas histórias de vítimas reais (e não só como acessórios a puxar ao melodrama) ou até e especialmente, focar-se nos terroristas, nunca os reduzindo ao estereótipo religioso e racista.

Não obstante, o filme ter um trabalho de investigação e reconstituição interessantes, nem que seja pela nossa tendência de voyeuristas, Patriots Day nunca deixa a sua visão patriótica e panfletária. Uma propaganda nacionalista, que não dá margem para uma discussão politicamente sustentável e sem ideias preconceituosas. Sobretudo, mantém sempre uma ideia oportunista de explorar as vítimas reais, de uma forma hipócrita e que funcionaria melhor se assumisse as suas ideias políticas (como American Sniper fez) ou tomasse forma num documentário dramático. Ainda que a espaços consiga surtir emoções no espectador, nem o realizador nem os argumentistas são capazes de escapar à ideia de filme-tributo, com ideias inconsequentes.

domingo, 22 de janeiro de 2017

Manchester by the Sea, por Tiago Ramos


Título original: Manchester by the Sea (2016)
Realização: Kenneth Lonergan

A lente de Kenneth Lonergan movimenta-se em redor da personagem de Lee como se obedecesse a um princípio geométrico da dor. São padrões, rotinas, deambulações e sobretudo expressões de apatia, que movimentam a personagem em redor de um fosso muito seu, que embora ainda não conheçamos, já conseguimos antever. Lee está morto por dentro. Enquanto deita móveis velhos de outros ao lixo, desentope sanitas e conserta canalização, os outros falam. Falam e muito, sobre a sua vida, a dos outros, as suas expectativas, Lee é um faz-tudo, mas podia ser também um psicólogo, não fosse ele estar tão absorto na sua própria dor, que em seu redor tudo lhe é aparentemente alheio.

Casey Affleck faz uma construção poderosa e até desconcertante da personagem de Lee. Sufocante e até deprimente, mas chega a ser, por vezes, de tão marginal aos princípios da sociedade que se tornou, difícil ao espectador não esboçar um sorriso. Um sorriso ou até um riso nervoso, do desconcertante que é observar a figura deste homem simples, consumido por uma dor avassaladora, que é ao mesmo tempo a sua razão de viver. O espectador ri porque se sente constrangido, porque aquelas reacções extremas, são simultaneamente tão distantes quanto próximas.

Também porque dentro de todo aquele cinzentismo, há lugar para o coração. Mas é também aí nesses pequenos ensaios de redenção, que a narrativa tende a cair num excesso de melodrama. Dentro do Inverno profundo de Manchester, há também aquela ideia poética de afirmar que mesmo no cenário mais negrume há tempo para uma segunda oportunidade. E por mais que nos possamos identificar com isso, é aí que o filme perde, a espaços, por se refugiar em subterfúgios do drama que não necessitava.

Ainda assim, entre tantos ensaios de redenção, Manchester by the Sea nunca chega a ser um filme sobre tal. É sim, uma história crua e dura (aqueles minutos de confronto entre Lee  e Randi são extraordinários) sobre o cinzentismo da vida e sobre como, apesar de tudo, há dores na vida que são inultrapassáveis. Nem sempre há finais felizes.


Classificação: