Servirá esta minha alongada apreciação, visto este filme servir como finalizar do que seria o primeiro acto de um universo iniciado dois filmes antes, como uma crítica retrospectiva à visão contínua e particular do realizador em causa, presente nesta trilogia não oficial e, de alguma forma, ao suposto movimento #ReleaseTheSnyderCut, previamente a uma crítica especificamente direccionada à versão original de Justice League que nos foi possibilitada finalmente visionar.
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domingo, 25 de abril de 2021
quarta-feira, 22 de novembro de 2017
Liga da Justiça, por Eduardo Antunes
Título original: Justice League (2017)
Realização: Zack Snyder
Argumento: Chris Terrio, Joss Whedon, Zack Snyder
Elenco: Ben Affleck, Gal Gadot, Jason Mamoa, Ezra Miller, Ray Fisher, Jeremy Irons, Ciarán Hinds, Henry Cavill, Amy Adams, Diane Lane, Connie Nielsen
Depois do sucesso crítico de Wonder Woman, ficou claro que a fórmula pela qual os filmes da DC se regiam e a direcção geral que Zack Snyder pretendia injectar nestas narrativas, estavam necessitadas de uma revisão. E por muito que este Justice League tente revitalizar o tom deprimente em que Batman v Superman insistia, a volta é tão grande que acaba por falhar em quase tudo.
quinta-feira, 27 de junho de 2013
Homem de Aço, por Tiago Ramos
Título original: Man of Steel (2013)
Realização: Zack Snyder
Argumento: David S. Goyer
Elenco: Henry Cavill, Amy Adams, Michael Shannon, Diane Lane, Russell Crowe, Antje Traue, Kevin Costner, Ayelet Zurer e Laurence Fishburne
Para fins contextuais, devo admitir que nunca fui muito fã de super-heróis, já que para isso tinha que assumir o seu irrealismo (naturalmente, no género, tem de existir espaço para a suspension of disbelief), algo que para mim sempre foi difícil de lidar. Daí que este quase-subgénero, relativamente recente, do super-herói negro, dolorido, menos super e mais humano, me agrada bastante mais e cria para mim um interesse maior nestas jornadas que chegam aos cinemas, com frequentes adaptações de bandas-desenhadas da Marvel ou DC Comics. Isto para dizer que, se me agrada particularmente esse tom mais sério e negro aplicado aos super-heróis, temos que assumir também que essa forma de trabalhar o material de origem nem sempre resulta. Caso (bastante) evidente de Homem de Aço. Primeiro porque a figura do Super-Homem sempre me pareceu, dentro do grande rol de super-heróis, uma das menos verosímeis e até mais patetas, passando pelas "cuecas por cima do fato", à capa vermelha ou à "habilidade" de se camuflar entre os humanos com uns simples óculos de massa (habilidade cada vez mais frequente no mundo lá fora, admito). Mas para ver um filme sobre essa figura icónica dos super-heróis temos, obviamente, de admitir essas características como naturais. Ora, parece que em Homem de Aço, nem David S. Goyer nem Christopher Nolan (que emprestaram o tom hiperrealista que já tinham criado para Batman), parecem perceber que dar dilemas e crises existenciais a essa mesma figura inusitada das comics, faz tudo parecer ainda mais bizarro e estranho. Daí que haja um conflito entre o sentido de verosimilhança impresso nesta revisão de Super-Homem e os ícones que o popularizaram. Perde-se assim a identidade do super-herói e faz tudo parecer uma grande amálgama desprovida de objectivo.
O problema deste Homem de Aço é a forma genérica com que veste a capa do blockbuster assumido que é, sem uma ponta de personalidade própria, muita câmara ao ombro e muita acção, explosão, quase ininterrupta e personagens incrivelmente rasas. E a culpa disso parece ser precisamente de Christopher Nolan que apadrinhou este filme, como uma espécie de salvador dos super-heróis modernos e ao qual Zack Snyder pareceu particularmente permeável. Abdica assim do seu tom estilizado (que sim, costuma ser bastantes vezes irritante), mas assume um método de trabalho que não é o seu e que faz o filme ser um objecto ainda menos distinto e mais igual a tantas outras super-produções megalómanas. Entre explosões e lutas sem sentido - algumas das quais nem dá bem para o espectador perceber, já que a câmara é particularmente irrequieta - lá se tenta dar uma originalidade e complexidade à história que nunca chega a resultar. Primeiro porque aqui resultaria melhor uma estrutura narrativa linear e não uma à base de flashbacks constantes e aborrecidos - o que é uma pena, já que o "drama" familiar com as personagens de Kevin Costner e Diane Lane é particularmente interessante. Segundo porque a narrativa é pouco coesa e permite-se a uma espécie de saltos temporais bizarros (veja-se a cena da nave escondida, resolvida assim tão rapidamente) que em nada ajudam a compor as personagens. Falta assim espessura às figuras humanas (curiosamente logo num filme que tenta ser tão real e... humano), com um Super-Homem cheio de conflitos, mas também pouco interessante e uma Lois Lane, ela sim, quase uma super-heroína, mas com pouca química com o seu protagonista.
O elenco até faz um trabalho bastante bom. Desde Amy Adams, a Henry Cavill, passando pela figura mais ou menos maquiavélica de Michael Shannon, até aos secundários Costner e Lane, assim como Crowe e Zurer. O problema não é deles - apesar de algumas falhas de química - mas sim do argumento que não lhes dá material para trabalhar. Como pode, claro, se grande parte do tempo é gasto em explosões monstruosamente destrutivas e ruidosas, sem qualquer sentido? Ou se ocupa outro tanto a um tom irritantemente moralista, dado a um "existencialismo poético" e a (óbvias) alusões religiosas? O problema é sobretudo essa má gestão de tempo com que os argumentistas não se preocuparam e uma figura de realizador que sucumbe ao tom - ironicamente quase messiânico, como se viesse daqui a "salvação" do género - com que os próprios produtores ditaram que também este super-herói tinha de ser mais negro. Pois nem sempre resulta e isso destruiu a tentativa de recriar de forma poderosa uma figura icónica como Super-Homem.
Para fins contextuais, devo admitir que nunca fui muito fã de super-heróis, já que para isso tinha que assumir o seu irrealismo (naturalmente, no género, tem de existir espaço para a suspension of disbelief), algo que para mim sempre foi difícil de lidar. Daí que este quase-subgénero, relativamente recente, do super-herói negro, dolorido, menos super e mais humano, me agrada bastante mais e cria para mim um interesse maior nestas jornadas que chegam aos cinemas, com frequentes adaptações de bandas-desenhadas da Marvel ou DC Comics. Isto para dizer que, se me agrada particularmente esse tom mais sério e negro aplicado aos super-heróis, temos que assumir também que essa forma de trabalhar o material de origem nem sempre resulta. Caso (bastante) evidente de Homem de Aço. Primeiro porque a figura do Super-Homem sempre me pareceu, dentro do grande rol de super-heróis, uma das menos verosímeis e até mais patetas, passando pelas "cuecas por cima do fato", à capa vermelha ou à "habilidade" de se camuflar entre os humanos com uns simples óculos de massa (habilidade cada vez mais frequente no mundo lá fora, admito). Mas para ver um filme sobre essa figura icónica dos super-heróis temos, obviamente, de admitir essas características como naturais. Ora, parece que em Homem de Aço, nem David S. Goyer nem Christopher Nolan (que emprestaram o tom hiperrealista que já tinham criado para Batman), parecem perceber que dar dilemas e crises existenciais a essa mesma figura inusitada das comics, faz tudo parecer ainda mais bizarro e estranho. Daí que haja um conflito entre o sentido de verosimilhança impresso nesta revisão de Super-Homem e os ícones que o popularizaram. Perde-se assim a identidade do super-herói e faz tudo parecer uma grande amálgama desprovida de objectivo.
O problema deste Homem de Aço é a forma genérica com que veste a capa do blockbuster assumido que é, sem uma ponta de personalidade própria, muita câmara ao ombro e muita acção, explosão, quase ininterrupta e personagens incrivelmente rasas. E a culpa disso parece ser precisamente de Christopher Nolan que apadrinhou este filme, como uma espécie de salvador dos super-heróis modernos e ao qual Zack Snyder pareceu particularmente permeável. Abdica assim do seu tom estilizado (que sim, costuma ser bastantes vezes irritante), mas assume um método de trabalho que não é o seu e que faz o filme ser um objecto ainda menos distinto e mais igual a tantas outras super-produções megalómanas. Entre explosões e lutas sem sentido - algumas das quais nem dá bem para o espectador perceber, já que a câmara é particularmente irrequieta - lá se tenta dar uma originalidade e complexidade à história que nunca chega a resultar. Primeiro porque aqui resultaria melhor uma estrutura narrativa linear e não uma à base de flashbacks constantes e aborrecidos - o que é uma pena, já que o "drama" familiar com as personagens de Kevin Costner e Diane Lane é particularmente interessante. Segundo porque a narrativa é pouco coesa e permite-se a uma espécie de saltos temporais bizarros (veja-se a cena da nave escondida, resolvida assim tão rapidamente) que em nada ajudam a compor as personagens. Falta assim espessura às figuras humanas (curiosamente logo num filme que tenta ser tão real e... humano), com um Super-Homem cheio de conflitos, mas também pouco interessante e uma Lois Lane, ela sim, quase uma super-heroína, mas com pouca química com o seu protagonista.
O elenco até faz um trabalho bastante bom. Desde Amy Adams, a Henry Cavill, passando pela figura mais ou menos maquiavélica de Michael Shannon, até aos secundários Costner e Lane, assim como Crowe e Zurer. O problema não é deles - apesar de algumas falhas de química - mas sim do argumento que não lhes dá material para trabalhar. Como pode, claro, se grande parte do tempo é gasto em explosões monstruosamente destrutivas e ruidosas, sem qualquer sentido? Ou se ocupa outro tanto a um tom irritantemente moralista, dado a um "existencialismo poético" e a (óbvias) alusões religiosas? O problema é sobretudo essa má gestão de tempo com que os argumentistas não se preocuparam e uma figura de realizador que sucumbe ao tom - ironicamente quase messiânico, como se viesse daqui a "salvação" do género - com que os próprios produtores ditaram que também este super-herói tinha de ser mais negro. Pois nem sempre resulta e isso destruiu a tentativa de recriar de forma poderosa uma figura icónica como Super-Homem.
Classificação:
sexta-feira, 6 de março de 2009
Watchmen - Os Guardiões, por Carlos Antunes

Título Original: Watchmen (2009)
Realização: Zack Snyder
Argumento: David Hayter e Alex Tse
Elenco: Malin Akerman, Billy Crudup, Matthew Goode, Jackie Earle Haley, Jeffrey Dean Morgan, Patrick Wilson, Carla Gugino, Matt Frewer e Stephen McHattie
Nestas ocasiões é sempre difícil segurar o confronto que se dá entre o cinéfilo e o bedéfilo que existe em mim.
Não sou dos que clamou insistentemente por um filme baseado em Watchmen. Pelo contrário, gosto que a BD seja BD e que o Cinema seja Cinema e que se encontrem o mínimo de vezes possíveis com os melhores resultados possíveis.
Mas desde o boom das adaptações que tenho vindo a aprender a suster a minha angústia.
Fundamentalmente aquilo que reclamo - sobretudo desde que Sin City estreou - é que não se confunda a banda desenhada com um storyboard.
Por mais que a linguagem da BD se tenha aproximado da do Cinema, o Cinema não pode depois reduzir a sua linguagem à da mera cópia da da BD.

Isso seria aliás, praticamente impossível com Watchmen.
A intricada composição de Watchmen exigiria uma versatilidade, quer do argumento quer da realização, absolutamente ímpar de forma a reconstruir no novo formato o que Alan Moore e Dave Gibbons haviam feito.
Não é o caso.
Zack Snyder e os seus argumentistas resumiram Watchmen à sua linha narrativa essencial e mais evidente, mas no processo perderam muito do que tornava Watchmen uma obra ímpar, reduzindo-o no Cinema a mais um filme de "super-heróis", mesmo que aparentado com o dramatismo negro de The Dark Knight.
O que antes era a descontrução dos "super-heróis" é agora a sua glorificação.

Mas o público genérico, deconhecendo a obra original, poderá apreciar este filme pelo seu visual - mesmo quando a intricada história exige de si conhecimentos que não tem - e pelas suas cenas de acção.
Cenas essas carregadas da inutilidade do slow motion, dando a Zack Snyder a possibilidade de caucionar a sua insuficiência criativa como figura de estilo.
Insuficiência ainda mais evidente quando percebemos que a sua fidelidade à obra se traduz num vazio de ideias de cinema, mesmo que haja planos dignos de nota por o serem desde logo originalmente pelos lápis de David Lloyd.
Falta dinâmica, inventividade e arrojo ao cinema de Snyder, mesmo quando arranca algo de mais substancial às suas cenas.
Esta é afinal a pecha mais grave do filme, o seu medo de ofender os fãs, caindo assim no facilitismo de não ter uma postura cinematográfica arrojada ou, pelo menos, consistente.
Não é mau o resultado, entenda-se, apenas desapontante, mesmo que durante o filme haja um gosto pelo reconhecimento dos diálogos e situações da BD.
A transposição é, no fundo, o melhor que pode ser nas condições presentes - aguardarei a versão de 4 horas em DVD e os restantes "extras" que saírão entretanto - mas, lá está, apenas isso.
Fica um gosto desapontante pelo filme como obra independente.

Porque nesta versão ficam claramente pontos por explorar devidamente.
Silk Spectre II (Malin Akerman) e Nite Owl II (Patrick Wilson) são pouco mais do que veículos de violência gráfica, até porque no caso de Akerman, a sua interpretação é de uma enorme pobreza.
Dr. Manhattan (Billy Crudup) tem uma presença que seria impossível de abafar mas falta-lhe maior sofrimento interior para que não pareça tão implausível a sua súbita passagem do distanciamento à emoção pela Terra.
The Comedian (Jeffrey Dean Morgan) e Silk Spectre (Carla Gugino) são as personagens que mais gosto dá seguir, apesar da sua secundariedade, enquanto Matthew Goode acaba por conseguir impor a sua quase não-actuação como o tom certo para Ozymandias.
Sobra, claro, o inevitável Rorscharch. Apesar de o filme parecer ir abusar da sua voz off, acaba por conseguir arrancar graças a ele e à magnífica interpretação de Jackie Earle Haley.
Mais uma, acrescente-se, e que apenas dá mais vontade de encontrá-lo ao serviço de Martin Scorcese e Dennis Lehane em Shutter Island!

Fundamentalmente, para o bedéfilo em mim, o filme proporcionou um deleite (temporário) pelo reencontro com o mundo que me era tão familiar.
Mas para o cinéfilo em mim o filme redundou nos mesmos erros que venho encontrando.
Nem o filme é assim tão mau, nem assim tão bom como poderá ser discutido pelos dois lados da barricada, mas com tanto à disposição, é pena que não tenha chegado mais longe!
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