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sexta-feira, 20 de março de 2015

Corre, Rapaz, Corre; por Carlos Antunes



Título original: Lauf Junge lauf
Realização: 
Argumento: Heinrich Hadding
Elenco: 


Revela-se difícil não pensar em Forrest Gump quando até o título para ele remete pela sua semelhança com uma das citações mais habituais dessa obra de Robert Zemeckis.
Não é custoso ver neste filme o mesmo estilo de personagem que vai ao encontro casual da História quando nela procura manter a sua discrição.
Um personagem que nesse caminho episodicamente se cruza com eventos que adicionam importância à vida que não a teria de outra forma.
Só que neste caso se tratam de episódios de violência - ou consequentes dela - e não felizes acasos como na fantasia Hollywoodesca.
Um rapazinho judeu em fuga solitária aos invasores nazis através da Polónia ocupada corre sempre de um sofrimento para outro pior.
O filme acrescenta uma dimensão lúdica a este relato, em que a história se pontua com momentos idílicos - dentro daquele contexto - e até um ou outro próximos da comédia.
O amainamento que isso traz à carga emocional pesada, até por se tratar da história de uma criança, faz pensar ainda em La vita è bella, embora ainda longe da sugestão de maravilhas de Roberto Benigni.
A dureza de Lauf Junge lauf é maior e não está escudada pelo seu realizador. As imagens ferozes estão no ecrã sem que o realizador chegue a um aproveitamento ao género da exploitation.
Tal é louvável, sobretudo sabendo que a história parte de um caso verídico, pois não mascara nem extrema as muitas adversidades cruéis - humanos ou naturais - a que aquela criança se sujeitou apenas para continuar viva.
Esse contexto faz dele um filme sem heróis, em até aqueles que assistem o rapaz acabam por optar pela sua própria sobrevivência e não por um altruísmo sacrificial.
Nem o protagonista o é, com a saga da sua sobrevivência a evidenciar que ele dependeu do acaso e de algumas artimanhas de moral discutível, vendo-se ainda contrariado pela sua própria inépcia - natural numa criança!
A assumpção de que não houve heróis ao longo desta história é um pressuposto que não chega para formar personagens.
O carácter episódico da relação de Srulik com quem se cruza implica que estes se tornem tipificações de comportamentos vários que dão uma imagem abrangente e exemplificativa do período em causa.
Isto dá ao filme uma função de consciencialização - ou rememoriação - para uma história mais entre as relativas à perseguição do povo Judeu durante a II Guerra Mundial.
Ao mesmo tempo assemelha-o a uma história aventurosa com ideias genéricas e difusas de "bons" e "maus". Um efeito que contraria a dose de realismo transmitida pela qualidade da produção.
Daí que com o decorrer do filme se desenlace a relação do público com o filme, apesar da sua continuada carga de tristeza reconfortante (porque o rapaz sobreviveu e o mundo já não vai a tais extremos).




domingo, 8 de março de 2015

Noutro Lugar, por Carlos Antunes



Título original: Anderswo
Realização: Ester Amrami
Argumento: Momme Peters e Ester Amrami
Elenco: Neta Riskin, Golo Euler, Hana Laszlo


Será um acaso de leitura interessante que um filme em que a protagonista tem um projecto de um dicionário de palavras intraduzíveis não consiga traduzir para o público que diferença há entre uma família Israelita e as de outras partes do mundo.
Isso torna o filme mais facilmente "traduzível" para o público, seja ele de que parte do mundo for, mas retira à história a pertinência de se passar em Israel e, particularmente, com uma Israelita emigrada em Berlim.
Estamos perante uma pequena saga de reencontro familiar, despoletada por uma saudade - a primeira palavra do dicionário que ficamos a conhecer - que não permite a racionalização a que obriga a falta de dinheiro de Noa.
Uma saga cuja intensidade vem do matriarcado, com as relações com Noa a agravarem-se de geração em geração, do carinho da avó, à rabugice da mãe e ao confronto da irmã, nada de muito diferente do que costumam ser estes casos de regressos dos familiares que estão longe da casa-mãe.
A relação amorosa de Noa e a saúde débil da avó são os acontecimentos principais daquela visita que só se distingue como sendo a Israel devido ao dia de homenagem aos soldados caídos que antecede a celebração da formação do estado judaico.
Esse é, naturalmente, o período mais interessante do filme, sobretudo porque a aparição do namorado alemão de Noa acrescenta um elemento de desconforto e estranheza ao cenário.
Entre a piada sobre os nazis que o irmão (militar) de Noa faz e a perturbação de Jörg perante as homenagens que o faz sair do cemitério, o filme tenta aproximar-se do que parecia ser o seu tema inicial.
A impossibilidade de diálogo perfeitamente compreensível entre uma judia e um alemão devido aos passados dos respectivos povos. Ou, como diz Noa, o amor entre eles é intraduzível, para os que estão à volta deles depreende-se.
Essa questão do passado tem o potencial de criar sérios problemas na relação familiar, só que o filme não lida com isso.
Afinal de contas a avó de Noa perdeu o seu marido num campo de concentração e todos assumem que ela não aceitará aquele namorado simplesmente devido à sua nacionalidade.
O que o internamento da matriarca da família - e o seu estado de pouca consciência - permite é uma fuga em frente que evita essa complicação da história que, admita-se, mantém sempre um perfil emocional muito calmo.
Quando essa questão é levantada, a avó responde apenas com uma pergunta de ponderação sábia: Ele cuida de ti?
O filme acaba por contornar por completo o tema que o dicionário de Noa anunciava para ele, dos problemas de diálogo, para se mostrar como uma história de contornos universalmente entendíveis porque são genéricos e sem capitalizar na dose de diferenciação que tinham.
Desse projecto, condenado pelas mentes científicas alemãs que não lhe vêem lógica, vamos conhecendo algumas palavras explicadas por emigrantes na Alemanha.
O projecto não se liga à história central do filme senão assemelhando-se a epígrafes para uma suposta divisão em capítulos do filme.
Essa falha de ligação demonstra de forma conclusiva que Ester Amrami não tem ainda a mão experiente para destacar as boas ideias que o argumento tem e fazer valê-lo como filme em torno delas, sem deixar uma série de conclusões sem sustentação, como a tentativa de deserção do exército ou a deportação da empregada da família.
Ainda assim vale a pena destacar-lhe a sensibilidade, sobretudo sustentada pela interpretação de Neta Riskin que consegue traduzir - sem apoio suficiente, diria - a difícil fase de transição para uma idade adulta obrigada à auto-suficiência.




Natan, por Carlos Antunes



Título original: Natan
Realização: Paul Duane, David Cairns
Argumento: David Cairns
Elenco: Serge Bromberg, Gisèle Casadesus, Niall Greig Fulton


Natan é um dos melhores e mais desafiantes filmes que o público português verá este ano, sobretudo aquele com uma maior militância cinematográfica.
O filme é um documentário em torno de um produtor essencial para a História do Cinema Francês que só será descoberto através deste trabalho.
Só isso chegaria para tornar o trabalho especial no coração dos cinéfilos, só que o trabalho em torno da sua vida vai revelando temas de reflexão que são definidores do século XX e dos seus avanços, até mesmo no campo do Cinema.
Bernard Natan é o responsável pela criação de uma indústria cinematográfica em França, pelo avanço dessa arte para o campo do negócio que a tornou duradoura.
Neste filme ficamos a saber como foi a reacção europeia ao nascimento da indústria americana e, por acréscimo, ficamos igualmente a saber como esta se reaproveitou do que se fazia deste lado do Atlântico.
Uma lição de inovação técnica e esforço artístico no cinema francês que é apaixonante e que coloca Natan como um dos apelidos a memorizar e a conhecer a fundo.
Só que são os próprios franceses a crer que Pathé é o nome por excelência de tal feito, quando foi Bernard Natan quem levou essa marca mítica para diante.
Obrigatório reconhecer que foi por questões financeiras - nascidas de uma visão ele teve e que Pathé não - que Natan terminou afastado da memória pública, muito embora o contexto da altura, com o avanço Nazi, tenha ajudado.
O julgamento de Bernard Natan poderá ser considerado um segundo Affaire Dreyfus, para dar uma referência clara do que lhe foi feito por ser judeu. Mas com resultados ainda mais graves.
Muito mais do que pela morte que ele havia de sofrer num campo de concentração, o resultado grave deste caso contra o do século XIX está na manipulação que tudo sofreu.
Não foram apenas falsificadas as provas contra Natan mas foi manipulado o registo fílmico do seu julgamento e, depois disso, apagado o seu nome de todos os registos acerca do cinema.
Num meio estruturante como esse foi para a memória do século XX, haver quem possa ser eliminado - mesmo sendo parte integrante dele - é uma surpresa tão grande quanto a própria fragilidade do conceito de verdade em filme.
A história é escrita pelos vencedores. Em certos casos, como fica demonstrado, esta continua a ser indevidamente escrita - melhor seria dizer apagada - pelos vencidos. Neste caso os colaboracionistas e os Franceses que lucraram com o ataque aos Judeus.
Isso acontece, sobretudo, porque quase ninguém está disposto a questionar a História e a procurar figuras como aquela aqui retratada.
Nunca, nem mesmo através de documentários, se atingirá uma verdade livre de interpretação e/ou manipulação.
O problema é quando a manipulação é técnica e lançada como a verdade, pois isso é quase impossível de contrariar.
Os realizadores mostram no documentário o excerto filmado do julgamento de Bernard Natan que foi mostrado ao público da época. E depois revelam a verdadeira filmagem do mesmo, demonstrando que a voz havia sido alterada de forma a que esta cumprisse com o estereótipo do "ridículo judeu".
Não apenas à época mas tambám no momento presente, os que escrevem sobre cinema parecem capazes de utilizar os fotogramas contra Bernard Natan, fazendo dele o actor de filmes pornográficos de qualidade rasteira.
No filme há a comparação de fotografias de Natan com as feições dos actores de tais filmes e é quase impossível não admitir que a única semelhança é um perfil de cara, em mais um preconceito acerca dos judeus e do seu nariz.
Paul Duane e David Cairns estão dispostos a defender Bernard Natan, embora não estejam a tentar limpar a sua imagem e torná-lo num herói.
A dupla não deixa de reconhecer, cumprindo com a exigência do olhar documentarista, que Bernard Natan teve os seus momentos de erro, fosse quando foi preso em posse de material pornográfico fosse quando cometeu uma ilegalidade para salvar da ruína os estúdios Pathé-Natan.
Uma das opções estéticas, de colocar um actor com uma máscara inspirada nas feições de Bernard Natan, é prova disso mesmo. Num reflexo da procura tanto das verdades como das falsidades de Gainsbourg (Vie héroïque), esta figura sobre a qual pende ainda tanta incerteza surge representada ao mesmo tempo com monstruosidade e com afectividade, pois ambas parecem ser características a ele atribuídas.
Só que eles, tal como o público acabará por fazer, reconheceram que Natan foi um homem cujo castigo superou em muito qualquer crime que pudesse ter cometido.
A injustiça que o próprio Cinema cometeu para uma das suas figuras essenciais havia que ser corrigida e se não o será por completo através deste filme, terá de continuar a partir dele e enquanto a verdade estiver esquecida e os mitos forem reproduzidos.
Se alguma vez será possível conseguir a correcção dos segundos pela primeira é uma questão difícil de responder através de uma previsão presente.
Aquilo de se tem a certeza é que Bernard Natan se importava em absoluto com a preservação da memória daqueles que contribuíram para que o Cinema fascinasse o público e, por isso, merece ele próprio que tal honra lhe seja garantida.
Se mais não fosse, porque o próprio Natan nunca deixou que Georges Méliès - o homem que o fascinara pela cinema - acabasse na pobreza e só isso merecia uma retribuição de igual medida mesmo a esta distância da sua morte.




sábado, 7 de março de 2015

Vencedores do passatempo Judaica - Mostra de Cinema e Cultura



5 Março | 21h30 - Escravo de Deus




Diamantino Martins de Castro

Miguel António Ventura



6 Março | 19h30 - Corre, Rapaz, Corre




Antónia Craveiro Estrela

Marta Canha e Sá



7 Março | 22h - Gett: O Processo de Viviane Amsalem




Luís Fonseca Judícibus

Cátia Dias Duarte






Inês da Silva Barbosa

Patrícia Lapas Ramalhete

Escravo de Deus, por Carlos Antunes



Título original: Esclavo de Dios
Realização: Joel Novoa
Argumento: Fernando Butazzoni
Elenco: Mohammed Alkhaldi, Vando Villamil, Daniela Alvarado


Apesar do seu título de referência indivual, Escravo de Deus é um título que se aplica a ambos os homens envolvidos nesta perseguição.
Admed é o infiltrado na sociedade argentina, terrorista em dormência à espera de ser chamado. David é o agente da Mossad que não sabe estar em mais parte alguma.
Ambos são escravos de uma luta de religiões que os traz em suspenso em relação à possibilidade de uma vida normal.
Além dos extremos de "matar" e "morrer" a que estão dispostos, estes homens partilham o sacrifício das suas famílias.
Admed porque mente à mulher e ao filho desde o início quando os usou para criar uma fachada. David porque negligencia mulher e filho em troca da memória nítida daqueles que pretende apanhar e que o assombram da parede do seu gabinete.
Sendo mais semelhantes do que imaginam, estes homens são igualmente representativos da distância a que se colocam os peões do extremismo islâmico e judaico.
Persuadido a sacrificar-se em nome de Alá na sua juventude, quando ainda era incapaz de uma leitura correcta dos acontecimentos, Admed mostra o quão perigoso é a falta de interrogação de uma mente facilmente manipulável. Através dele a limitação das origens do terrorismo torna-se mais evidente na sua dependência de mentes imberbes.
David, pelo contrário, mostra a impossibilidade da mente judaica em seguir adiante, em superar a obsessão com a sua própria defesa. Tal como mostra que essa determinação ficou apenas para aqueles que guardam a memória da sucessão de inimigos para o povo de Israel sendo colocada de parte pelos que herdaram a memória - do Shoah, do massacre de Munique - que definiu uma identidade.
O contraste é usado em favor da discussão da essência do confronto que nasce de diferenças muito vincadas entre quem combate um preconceito injustificado que - na sua versão mais recente - dura há mais de um século e quem combate um inimigo recente que errou para com os povos árabes mas que também tem sido um inimigo de ocasião e de utilidade política.
Todo este confronto entre duas posições tão belígeras é importante para o próprio filme, pois ajuda a adensar a caracterização dos dois personagens que têm de ser, como se percebe, funcionais e representativos de identidades abrangentes.
Personagens entregues a dois actores que captam o olhar com grande intensidade.
Vando Villamil mostra que merecia há muito estar na memória cinéfila para lá dos territórios da América do Sul com uma conquista calma do espaço e do tempo de cena mesmo quando a sua personagem se envolve em momentos que se chamaria de acção.
A réplica de Mohammed Alkhaldi é extraordinária, por completo afastada da hipótese de revelar que se trata da sua primeira experiência de interpretação. O actor confronta e seduz a câmara e, com isso, o público.
Ao trabalho deles acresce o mérito do realizador Joel Novoa que lhes dedica cuidados de composição abdicando do espalhafato - da afirmação de poder que antecede os próprios atentados, por exemplo.
Ele trabalha as cenas de tiroteio com uma noção de eficácia que vem da experiência e que revela tanto sabedoria quanto desalento com a repetição daquele caos injustificado.
Apesar da sua juventude, Novoa tem a inteligência de trabalhar ambos os personagens em cenas que os desviam do caminho recto do julgamento de Correcto e Errado para fazer dos desvios morais que os afectarão algo natural.
A alegria do convívio entre Admed e os restantes membros sugere um gosto pela vida que a existência da sua família apenas reforçará. A indiferença com que David tira a vida de um informador mostra o quanto ele se move por objectivos muito mais egoístas do que profissionais.
Ambos os escravos de Deus acabam por se confrontar com as opções humanas que os comandam e que, no final, determinam as vidas humanas que destroem.
Embora a dúvida interna - sobretudo de Admed - pudesse ter sido explorada de forma mais vincada, no âmbito de um thriller as reflexões sobre os piores dos limites das convicções religiosas e políticas têm mais poder do que a violência representada e isso faz de Escravo de Deus uma convincente obra.




domingo, 1 de março de 2015

Passatempo Judaica - Mostra de Cinema e Cultura







O Split Screen e a Judaica voltam a associar-se este ano, desta vez com a oferta de bilhetes para algumas das sessões que decorrem no cinema São Jorge.

Apoiaremos uma sessão em cada um dos cinco dias em que decorre o festival na cidade de Lisboa, sempre com a oferta de dois convites duplos em cada caso.



4 Março | 20h00 - Sessão de curtas-metragens



O Nariz de Salomea: Salomea, com a voz de Barbara Sukowa, recorda o dia em que os seus queridos irmãos, Max e Karl, a desfiguraram a ela e a si mesmos para toda a vida. O Dia da Tragédia é como a mãe deles lhe chama, e atribui a culpa ao destino dos seus filhos. No entanto, o destino e a tragédia têm um significado diferente no final deste conto. Uma tragicomédia sobre a rivalidade entre irmãos, desfiguração e a dor que nos une.

Uma Boa História: Quando Helga Landowsky descobre o vaso partido num antiquário perto da fronteira germano-polaca, decide que o quer a qualquer preço. Mas Jakub Lato, o antiquário, não quer vender a peça a troco de dinheiro. Ele quer que Helga lhe conte uma história. E que história ela pode contar. Afinal começam a perceber que as suas vidas estão maravilhosamente interligadas e que ambos estão agora, quase 70 anos depois, a contar o último capítulo da história juntos. Só desta maneira a história pode finalmente tornar-se uma boa história.

Estranhos em Xangai: “Estranhos em Xangai” espelha o dilema de uma jovem mulher, Xiu Xiu, na China pós-comunista, onde a riqueza material em rápido crescimento e o vazio espiritual dão origem a um anseio por uma era mais autêntica, quando o amor era mais difícil, mas também muito mais significativo. Um encontro fortuito, uma descoberta inesperada, uma tarde fatídica, uma canção e um barco... Realizado por Joan Chen, mundialmente famosa como actriz por “O Último Imperador”, segundo a autora deste filme é “o meu haiku de amor a Xangai – a cidade onde nasci e cresci, uma paisagem urbana que frequento muito nos meus sonhos…”



5 Março | 21h30 - Escravo de Deus



Infelizmente mais actual do que nunca, este thriller venezuelano-argentino pleno de tensão e enorme eficácia técnica mergulha nos bastidores de uma célula terrorista a operar na América do Sul. A história é baseada nos acontecimentos reais do atentado ao Centro Comunitário judaico de Buenos Aires (AMIA) em 1994, cujos desdobramentos ainda hoje persistem como comprova o assassinato em Janeiro 2015 do procurador que investigava o caso e, mais recentemente ainda, a acusação feita à Presidente de Argentina por obstrução da Justica. Esta obra de Joel Novoa cruza o destino de dois homens, um médico treinado para cometer um atentado e um obsessivo agente especial argentino-israelita que investiga vários dos suspeitos. Mais do que um retrato político estigmatizado, o filme avança pelas nuançes de duas personagens fortes em situações psicológicas limites. Vencedor do Excellence in the Art of Filmmaking em Palm Beach e prémios e passagens por festivais como Mar del Plata, Huelva e Gramado.



6 Março | 19h30 - Corre, Rapaz, Corre



Embora muitos filmes tentem captar o espírito de resiliência durante a era Nazi, poucos realizadores conseguiram contar estas histórias a partir do ponto de vista das crianças. Corre, Rapaz, Corre conta a extraordinária história verídica de “Jurek” Srulik, um menino polaco de 8 anos que foge do gueto de Varsóvia em 1942. Tal como o herói do filme Europa, Europa, Jurek tenta ocultar a sua identidade judaica enquanto procura refúgio seja onde for e junto de quem puder. Uma das suas ligações mais memoráveis é com Magda, uma bela jovem polaca que arrisca a sua vida para ajudar judeus como Jurek, a passarem por católicos. O filme do realizador Pepe Danquart, vencedor de um Óscar e baseada numa obra do autor israelita Uri Orlev, oferece-nos uma série de episódios notáveis na vida de Srulik, realçando o filme com um ambiente claustrofóbico inquietante – e com uma fotografia deslumbrante.





7 Março | 22h - Gett: O Processo de Viviane Amsalem




Um dos mais poderosos filmes de 2014, nomeado aos Globos de Ouro de Melhor Filme em Língua Estrangeira e candidato de Israel aos Óscar na mesma categoria. Viviane Amsalem, a protagonista, decide separar-se legalmente do seu marido. O que em qualquer país ocidental significaria, na pior das hipóteses, um divórcio litigioso mas ao abrigo de um código civil reconhecido, em Israel torna-se uma batalha de contornos épicos por uma simples razão: não existe divórcio civil no país. Isso significa que só as relutantes e conservadoras autoridades religiosas podem autorizar o fim da união. Os realizadores conseguem criar um filme de uma tensão incrível, revelando numa proposta cinematográfica entusiasmante as mazelas de uma sociedade em tantos aspectos modernas que, ao mesmo tempo, insiste em formas de comportamento arcaicos. O filme teve 11 nomeações aos prémios de Israel e foi premiado em inúmeros festivais, incluindo San Sebastián, Jerusalém, Hamburgo, Palm Springs e indicado nos Asian Pacific Awards, entre outros.



8 Março | 16h  - Faça Hummus, Não Guerra



Este filme é mais do que um simples documentário. "Faça Hummus, Não Guerra" é, sobretudo, uma forma inventiva e engraçada de tratar o difícil relacionamento entre árabes e israelitas através de uma pergunta simples: quem afinal inventou o hummus, um prato típico do Médio Oriente? Enquanto uns e outros juram que foram eles próprios, o realizador australiano Trevor Graham tenta encontrar as raízes comuns de ambos os povos para concluir que paz na região pode estar na ideia de que "é mais aquilo que nos une do que aquilo que nos separa".



Cada participante poderá concorrer para duas sessões diferentes bastando, no entanto, preencher o formulário uma vez.

De forma a darmos o máximo de oportunidade a todos os participantes, nenhum participante poderá ser premiado mais do que uma vez.

Os vencedores dos convites das sessões serão seleccionados e o nome publicado no blogue durante o dia imediatamente anterior a estas acontecerem.






Regulamento:

- Cada uma das participações no passatempo deve conter dados únicos relativamente a todas as outras. No caso de se verificar utilização abusiva de dados, todas as participações em incumprimento serão excluídas do sorteio.
- Além da adequação das respostas às questões lançadas, também o preenchimento dos dados pessoais são factor de exclusão, devendo por isso corresponderem às normas como são solicitados.
- Os premiados serão escolhidos entre todos aqueles que apresentarem uma participação válida e a escolha será definitiva a menos que se apresente um caso de fraude.
- A escolha é feita através de um sistema de selecção aleatória.
- O Split Screen reserva-se o direito de fazer uma selecção das respostas validadas quando se apresentarem circunstâncias duvidosas da legitimidade da origem das mesmas.
- O nome dos vencedores será publicado neste blogue e os mesmos serão avisados por email.
- Em caso de não concordar com alguma destas regras, deverá abster-se de participar.
- O presente regulamento não substitui o conjunto de regras gerais definido para todos os passatempos do blogue, que deve ser consultado na secção "Termos e Condições" para qualquer dado omisso ou qualquer caso de dúvida.

domingo, 27 de abril de 2014

Entrevista com Ziad Doueiri, realizador de "O Atentado"



O realizador Ziad Doueiri esteve em Lisboa a propósito da projecção do seu filme O Atentado na Judaica - Mostra de Cinema e Cultura que seria, igualmente, alguns dias depois estreado em sala pela ZON Audiovisuais.
A convite de ambas as entidades, o Split Screen teve a oportunidade de estar à conversa com o realizador no International Design Hotel.


Apesar de ser a última entrevista - de uma longa série delas - que teria antes de um período de pausa, o realizador mostrou toda a disponibilidade para as muitas perguntas que levámos.
E mesmo tendo de enfrentar os imprevistos de uma constipação, de uma sirene que colocou em evidência a falta de isolamento sonoro do local e até de uma câmara que teimava em parar de funcionar nos momentos mais significativos, o realizador foi colaborando nos vários "takes" de que precisaram algumas das perguntas.


Mesmo assim o resultado foi altamente satisfatório para ambas as partes, com o realizador a mostrar um gosto crescente pela entrevista, sobretudo à medida que esta evoluía para temas diferentes dos que tinham constituído a maioria das outras entrevistas desse dia.
Além d'O Atentado falámos ainda das dificuldades de concretizar qualquer projecto na indústria cinematográfica e das memórias do tempo que o realizador guarda do tempo em que era um "faz tudo" em filmes no extremo oposto daquele que pode agora mostrar ao público português.


O resultado é uma entrevista que se fica pelos trinta minutos - depois de terem sido editadas algumas partes que já caíam no domínio da troca de ideias pessoais entre entrevistador e entrevistado - que temos o orgulho de apresentar de seguida.