segunda-feira, 19 de março de 2012

Denis Villeneuve e Jake Gyllenhaal filmam "O Homem Duplicado", de José Saramago


Depois de Jangada de Pedra (2002), A Flor Mais Grande do Mundo (2007), Blindness e Embargo, a obra do Nobel da Literatura português, José Saramago, voltará a ser adaptada ao cinema. Desta vez será a vez de O Homem Duplicado, um romance em forma de thriller onde se abordam questões ligadas à identidade e cuja história se centra num homem que ao assistir a um vídeo encontra um sósia seu.

O Homem Duplicado, publicado em 2002, será adaptado ao cinema pela lente do realizador canadiano Denis Villeneuve, nomeado ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2011 por Incendies e protagonizado por Jake Gyllenhaal (Brokeback Mountain), que desempenhará os dois papeis principais da história. A adaptação do livro terá argumento de Javier Gullón (Hierro). O filme chamar-se-á An Enemy e deverá ser filmado em 2013.

Recorde-se que também a obra de José Saramago, O Evangelho Segundo Jesus Cristo, será adaptada ao cinema pelas mãos do português Miguel Gonçalves Mendes (José e Pilar). Ainda não existe cronograma definido para esta produção.

Monstra 2012 começou hoje em Lisboa


Na sua décima primeira edição, a Monstra - Festival de Animação de Lisboa regressou hoje a Lisboa para dar início a mais uma mostra do que de melhor se faz no campo da animação, a nível mundial. Em anos ímpares, o certame dedica-se às longas-metragens de animação, num ano par como este, será focado nas curtas-metragens do género.

A Monstra 2012 continua o seu trajecto de sempre e este ano dedica-se ao cinema de animação da Alemanha, destacando nomes como George Pal e Gil Alkabetz, Oskar Fischinger, Solveig von Kleist, Lotte Reiniger e Bruno Böttge (estes dois últimos terão direito a retrospectivas).

A nível competitivo (este ano dedicado às curtas-metragens) divide-se entre várias secções: Internacional (com mais de dez trabalhos portugueses), Estudantes, Curtíssimas (curtas-metragens com dois minutos ou menos) e Portugueses (com 11 filmes nacionais a concurso, incluindo o mais recente de João Fazenda). Este ano foi criado um novo prémio, em parceria com a Sociedade Portuguesa de Autores: Prémio SPA/Vasco Granja que irá premiar o Melhor Filme de Animação Português produzido em 2011.

Várias retrospectivas irão fazer parte do programa do festival, entre as quais uma dedicada ao Japão (que contará com a exibição de Ghost in the Shell 2: Innocence, Evangelion: 1.0, Winter Days e The Secret World of Arriety), aos Óscares da Animação (com exibição de curtas-metragens de animação vencedoras ou nomeadas), Históricos (com destaque para Fritz the Cat e Allegro non troppo), Best of the World e Animação e Música, com várias sessões na Fundação Calouste Gulbenkian. Entre as várias actividades paralelas que a Monstra 2012 irá promover encontram-se ainda duas exposições ligadas ao do cinema de animação, Marionetas de Animação e PROJECTO [RE]Animar, ambas em parceria com o Museu da Marioneta.

A Monstra 2012 decorre de 19 a 25 de Março em Lisboa, dividindo-se entre o Cinema São Jorge e o Cinema City Alvalade. A programação completa pode ser vista no sítio oficial.

Novo TV spot de "The Hunger Games"


Continuamos a antecipar a estreia nacional de The Hunger Games, divulgando um novo TV spot do filme (que não acrescenta material adicional):


Curiosamente a campanha de marketing em redor de The Hunger Games tem sido inteligente na divulgação de material, nunca revelando em demasia, deixando sempre o suspense do que se passa na Arena. O filme estreia esta quinta-feira, dia 22 de Março, nas salas de cinema portugueses.

Novos trailers de "Prometheus", de Ridley Scott


O fim-de-semana foi repleto de surpresas para os fãs de Ridley Scott, já que foram revelados vários trailers e material viral de Prometheus, a suposta (não-)sequela de Alien. Um dos novos trailers completo expande, de certa forma, o já revelado nos teasers anteriores, mas mostrando que ainda tem muito para contar:


Foi ainda revelado um trailer internacional destinado ao mercado britânico:


Entretanto a campanha viral também já se encontra online há algumas semanas. O mais recente foi um vídeo intitulado "Our Family is Growing" que se foca na personagem interpretada por Michael Fassbender e que vem na sequência do anterior com um TED talk da personagem de Guy Pearce:


Há umas semanas, a imagem que ilustra este post foi ainda descoberta no sítio viral das Weyland Industries. Entretanto, Ridley Scott não descartou a hipótese de existir um segundo filme de Prometheus «se tivermos sorte».

Trailer de Game of Thrones "The Price for our Sins"

Explorando uma nova vertente, esta semana saiu um novo trailer de Game of Thrones intitulado "The Price for our Sins", focado não só nas consequências das acções das personagens, como nas consequências das acções de outros. Além desta componente, este trailer explora também a luta pelo poder entre os vários pretendentes ao trono e aquilo que estão dispostos a fazer, embora esta última seja talvez mais perceptível para quem acompanhou o livro A Clash of Kings, já que alguns pequenos momentos são facilmente identificáveis e importantes para quem já o leu.

Faltam apenas duas semanas para a estreia da segunda temporada da série, a 1 de Abril.



"Taxi Driver" é o melhor filme de Martin Scorsese para os membros do CCOP


O Círculo de Críticos Online Portugueses elegeu Taxi Driver (1976) como o melhor filme da filmografia do cineasta Martin Scorsese. Num top especial onde todos os seus filmes foram sujeitos a votação, os maiores clássicos do cineasta figuram nos lugares cimeiros. Já o seu mais recente filme, Hugo (2011), figura na quinta posição, seguido do documentário George Harrison: Living in the Material World (2011), recentemente exibido no Espaço Nimas, em Lisboa.

Podem conhecer os restantes lugares do top no sítio oficial do CCOP.

domingo, 18 de março de 2012

Lobos de Arga, por Tiago Ramos


Título original: Lobos de Arga (2011)
Realização: Juan Martínez Moreno
Argumento: Juan Martínez Moreno
Elenco: Carlos Areces, Luis Zahera, Mabel Rivera, Gorka Otxoa e Manuel Manquiña

Lobos de Arga é uma comédia de público. Merece e enriquece-se quando vista em conjunto com uma plateia predisposta a divertir-se. Isto porque o filme desenvolve-se de uma forma bastante divertida, nunca tentando ser inovador, mas assumindo um tom clássico de comédia utilizando o que já sabe que resulta para divertir o espectador. Começa bem por assumir um registo bastante particular e regional (não faltam piadas sobre o interior de Espanha) que pela sua realidade que nos é bastante próxima, criando empatia com o espectador. E até curiosamente nos faz pensar que, houvesse disposição e ideia,  poderia ter sido filmado em Portugal.

Remete para o cinema dos anos 80 e equilibra-se bem enquanto género híbrido de comédia de terror, raras vezes caindo no ridículo e um ritmo quase constante, que quando parece abrandar, rapidamente é instigado por um novo evento ou acontecimento. É o caso, por exemplo, quando surge a personagem interpretada por Luis Zahera: secundária, mas tremendamente divertida e bem construída. É o caso quando o seu argumento entrega diálogos genuinamente bem-humorados ou até na própria aparência dos lobisomens que dão mote ao filme e que, numa época de CGI e efeitos especiais, representam uma lufada de ar fresco pela sua simplicidade e honestidade, com um bom trabalho de maquilhagem e guarda-roupa. As personagens são carismáticas e as interpretações são competentes, com especial destaque para o actor Carlos Areces que apesar de ser secundário na trama contribui para os momentos mais hilariantes do filme.

Juan Martínez Moreno faz um bom trabalho, tanto na realização como no argumento, apresentando-se de uma forma segura. No fundo, Lobos de Arga é uma paródia honesta, inteligente dentro da sua patetice, que consegue oferecer momentos tensos na sua comédia, belamente construída para agradar e divertir o espectador. Um divertimento garantido.


Classificação:

The Innkeepers, por Carlos Antunes


Título original: The Innkeepers
Realização: Ti West
Argumento: Ti West
Elenco: Sara Paxton, Pat Healy e Kelly McGillis

O primeiro dos sustos que Ti West prega a uma das suas personagens, ao mesmo tempo que ao espectador, é conseguido através de um daqueles vídeos que prolongam o silêncio até fazerem surgir um grito de incontáveis decibéis.
Tal susto serve como explicação simplificada do que o realizador entende como terror, uma espera calma e intrigante que só se revela num final súbito e intenso.
Se não estíssemos avisados, julgaríamos que The Innkeepers não era senão um filme sobre a relação de contornos esbatidos entre os dois trabalhadores no último fim de semana de actividade de um hotel assombrado.
Eles brincam com a ideia de encontrarem provas dos fantasmas que ali caminham, mas estão no campo seguro de quem não acredita realmente que haja algo a descobrir ali.
Mas se ele é o fanático armado com câmaras e microfones, ela é a rapariga ligeiramente ingénua mais tentada a aceitar essas possibilidades.
A descoberta destes personagens neste contexto específico, que ocupa a maior parte do filme, é agradável, sendo possível criar um gosto por estas personagens sem necessitar que nos dêem uma visão do seu passado e, ainda mais, não tendo a certeza se algum dos dois irá ter um futuro passado este fim de semana.
Através deles ficamos a conhecer a história do lugar sem vermos reconstituições do passado e começa a instalar-se a dúvida sobre se há realmente algo ali para ser descoberto ou apenas uma esperança deles em que surja ainda uma solução - nem que sejam fantasmas que os persiguem - que permita a estas duas pessoas sem perspectivas nenhumas na vida, ao menos manterem o trabalho.
A dúvida continua a insinuar-se, tanto sobre as personagens como sobre nós próprios, à medida que os acontecimentos inexplicáveis se dissipam por motivos que os (ou nos) fazem sentir tontos por terem cedido aos receios mais insubstanciais da mente.
Ficamos sem saber se é loucura, desespero por atenção - uma das poucas hóspedes é uma actriz agora ganhando a vida com a sua sensibilidade aos espíritos e energias - ou crendice aquilo que depois começa a acontecer à personagem de Sara Paxton (que está surpreendentemente bem aqui).
Só sabemos que, o terrível desfecho, é culpa dela própria, fechando um círculo através do qual ela própria se colocou a jeito do que a esperava.
Todo o filme é essa maneira de nos obrigar a fazer esse investimento, a complementar o que está no ecrã dizendo-nos que os sustos são causados por nós tanto quanto pelo realizador.
Se bem que Ti West sabe usar a arquitectura do hotel, com o seu isolamento e a impositiva solidão sobre os personagens para criar o mais propício ambiente a que nos assustemos a nós próprios. Ele conhece as ferramentas clássicas do género e sabe como usá-las.
The Innkeepers é um conto de terror que se vale do ambiente e das nossas próprias expectativas - tanto desejo como insegurança face ao medo - para levar as suas intenções a resultarem.
Vale, por isso, bem mais do que muitos filmes de terror que se enchem de cenas escabrosas e truques de feira que obrigam muitos dos espectadores a fecharem os olhos em vez de os seduzirem a ver com cada vez mais atenção.


Stake Land, por Carlos Antunes


Título original: Stake Land
Realização: Jim Mickle
Argumento: Nick Damici e Jim Mickle
Elenco: Connor Paolo, Nick Damici e Kelly McGillis

Saí de Stake Land com a impressão de ter visto um interessante jogo de equilíbrio entre dois outros filmes, The Road e Zombieland.
Todo o trio fala, no essencial, do acto de comunhão possível entre uma figura tutelar e o jovem que o acompanha.
E este Stake Land combina a passagem de testemunho através da emoção silenciosa mais acentuada em The Road com a ressonância do futuro pós-apocalíptico como metáfora da actualidade que preenche o espaço significativo em torno da comédia de Zombieland.
É um filme que, por pouco, não se lhes equipara e que mereceu a honra de encerramento do MOTELx.
Um filme que reduziu as suas cenas de terror de acção (quase) a um mínimo para ir trabalhando a road trip contemplativa.
Viagem que se inicia como tema do filme quando o rapaz fica orfão e o caçador de vampiros parece sentir a falta de uma obrigação humana no seu percurso solitário.
O argumento consegue encontrar forma de criar um grupo heterogéneo de sobreviventes que se agrega a este duo essencial.
Um grupo de pessoas que são mal tratadas pelo futuro tenebroso mas que são também mal tratadas pelo presente: o veterano de guerra, a mãe adolescente e a religiosa "pura".
Todos foram vítimas indecentes de uma má escolha de em quem depositaram a sua confiança anteriormente. E o grupo que formam parece querer mostrar que ainda tem de haver 
Como as pequenas comunidades que visitam, compostas totalmente por americanos das classes mais baixas, mostram que reina a desconfiança mas ainda há momentos em que a felicidade pode brotar apesar do desastre eminente que pende sobre a sua cabeça.
O discurso toca ainda mais o presente estado dos EUA quando incluí um grupo de criminosos sobre a égide de se chamarem cristãos. Um extremismo interno e encapuzado que é evidente em vez de ter a construção mais subtil como cenário de fundo.
Substitua-se os vampiros pela crise e o resultado seria aproximado ao daquele país de casas abandonadas e falta de recursos que tem de criar valor do mal acidental com que sofre.
É outro dos traços interessantes do filme que, apesar de não dar explicações sobre o ponto a que chegou o mundo, demonstra com pormenores simples a dinâmica para a qual ele evoluiu. Como os caninos dos "vamps" (seres com traços de zombies, também) tornados moeda numa economia de troca (e mais paralelos com o presente se apresentam, então).
O cenário apocalíptico em que o filme se move é criado com enorme inteligência. Trata-se de saber escolher os lugares, saber onde colocar a câmara e saber iluminar ou obscurecer o enquandramento para, com recursos mínimos, sugerir o espaço em torno da tela e ganhar uma expressividade à responsabilidade do público.
Mas se a contemplação no seio desse cenário é importante, depende demais da voz narrativa que vem facilitar a expressão do que deveria ser traduzido em cenas - de diálogos, mas porque não silenciosas - entre personagens.
A voz narrativa - e explicativa, em muitos momentos - aproxima o filme do que acaba por sentir como a abusada "sensibilidade indie" que vemos repetida algumas vezes ao ano.
Isto torna o filme numa alegoria que se expressa na mistura entre terror e sentimento humano, tudo com traços vulgares dos quais o filme consegue extravasar algo superior à soma das suas partes.


Hobo with a Shotgun, por Carlos Antunes


Título original: Hobo with a Shotgun
Realização: Jason Eisener
Argumento: John Davies, Jason Eisener, Rob Cotterill e John Davies
Elenco: Rutger Hauer, Pasha Ebrahimi e Robb Wells

Hobo with a Shotgun tem uma vantagem em relação a Machete, ser genuinamente mau como os filmes que emula e não uma fabricação com pretensões a validação autoral de uma cinefilia feita à margem das escolhas habituais (além do lucro massivo ou não viesse aí a primeira sequela do filme de Robert Rodriguez).
A honestidade de Hobo with a Shotgun merece elogio pois torna-o no primeiro exemplo de toda a vaga saída ou derivada de Grindhouse - e que parece ainda longe de acabar - que é um dos filmes de exploitation que veio apresentar à audiência presente em vez de uma memória reconstituída à imagem do seu criador.
Escrito em torno do que, depois dos vingadores de Charles Bronson, se tornou um vazio de ideias que glorifica a violência como resposta aos problemas sociais, leva ao extremo do mau gosto gráfico esse tipo de acção até que o gore se torna ridículo.
A realização acrescenta um desleixo profundo que respeita a rapidez de processos que fazia valer a quantidade de vísceras no ecrã para desviar a atenção da geral falta de qualidade do resto.
As décadas de 1970 e 80 que o filme traz à memória ficam completas com a escolha da banda sonora e acessórios, mas sobretudo com aquela composição visual que abusa dos filtros de cores garridas para conseguir o efeito de salão de arcada a fazer as vezes de discoteca até que tudo se torne doentio para os sentidos.
Mas o mais bizarramente impressionante é a forma como o filme consegue escapar ao mais pequeno traço de coerência para fazer aparecer dois cavaleiros com armaduras de sucata surgidos em motas que dificilmente conseguiriam conduzir e que têm tão mau aspecto que teriam sido mesmo rejeitados como figurantes em 2019: After the Fall of New York!
Um filme que tenta tão ferozmente ser mau tem de acabar por sê-lo e ouvir Rutger Hauer a falar de ursos ou a fazer um discurso motivacional para bebés que faz o público constringir-se no seu assento é a prova disso mesmo.
Se era suposto isto ser divertido como regresso nostálgico a um passado de categoria duvidosa, não consegue.
Preferia ter visto os vídeos de sem-abrigos em cenas de combate e auto-mutilação que um dos personagens anda a fazer ao longo do filme. Ao menos aí era violência gratuita sem mais nenhuma intenção ou tratamento estético!



 

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