quinta-feira, 29 de junho de 2017

Review: Rupaul's Drag Race - Temporada 9

Por Joaquim Silva.

"When Love Takes Over, You Know You Can't Deny"

Neste momento, já todos devem estar familiarizados com o fenómeno da cultura LGBT internacional RuPaul's Drag Race - um reality show em que um grupo de concorrentes, drag queens, atua numa série de desafios pelo direito ao título de America's Next Drag Superstar (relativamente aproximado do ainda mais popular America's Next Top Model).

Tipicamente, não me debruço sobre programas televisivos não roteirizados. Tecnicamente, RuPaul's Drag Race é um reality show, de natureza muito pouco scriptada (suspendamos a descrença, por uns momentos, e acreditemos). Assim, importa ressalvar: RuPaul's Drag Race é um fenómeno de popularidade, e isso sim justifica uma crónica de opinião.

Desde a sua estreia, em 2007, transmitida pela LogoTV (canal exclusivo dos EUA) que RuPaul's Drag Race apelou a um segmento específico de público. No entanto, a sua nona temporada foi transmitida pelo canal VH1, contou com o episódio mais visto de sempre (Oh My Gaga - episódio 1) e mais uma vez sofreu uma metamorfose artística e de storytelling. Os seus episódios consistiam numa fórmula mais ou menos constante: mini-challenge, main challenge, runway, lipsync for your life. Alguns desafios, como o Snatch Game, ou o Reading is Fundamental, são recorrentes em todas as temporadas e esperados ansiosamente pelos fãs do formato.

Mais do que um showcase de Drag Queens, o programa dá uma plataforma para a discussão de assuntos de interesse da comunidade LGBT, com uma leveza séria que só pessoas do meio artístico com maior expressão no mundo homossexual conseguem imprimir. Desde as pageant queens, às shady queens, às comic queens, até àquelas que ainda estão a descobrir a sua identidade (looking at you, Aja), o programa conta com um elemento chave que une todas estas personagens: a luta. Pela identidade, seja de género, de expressão, artística ou simplesmente o direito à existência.

Contudo, o que de mais impressionante existiu na temporada 9 foram as concorrentes: Charlie Hides, a mais velha participante de sempre, com 52 anos; Trinity Taylor, a maior surpresa da herstory; Shea Coulée, dançarina exímia e sempre preparada; Aja e Valentina, duas front-runners simultaneamente amadas e odiadas pelo público, que protagonizaram os dois momentos mais memoráveis dos episódios regulares ("You're perfect, you're beautiful" | Untucked ep 2) e o momento mais tenso de sempre no lipsync for your life ("maskgate" | Episódio 7).

O episódio final, com a coroação, criou a sua própria controvérsia: através de um modelo de morte súbita por lipsync, RuPaul criou intriga, expectativa, interesse e surpresa. Sasha Velour, uma das concorrentes com o histórico mais consistente, acabaria por gravar para sempre o seu nome nas páginas da história com as suas performances impressionantes de duas músicas do ícone Whitney Houston.

Assim, concorde-se ou não, Sasha Velour mereceu indubitavelmente a vitória na corrida, e torna-se legitimamente America's Next Drag Superstar. Com uma fórmula renovada, com algumas falhas mas acima de tudo com passagens inesquecíveis, RuPaul's Drag Race é uma aposta ganha, tanto do criador, RuPaul Charles, como da VH1, como de todos que um dia duvidaram que a cultura LGBT pudesse ter tanta expressão, importância e relevância na sociedade como hoje a vemos.



VH1

Temporada 9

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