quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Baby Driver - Alta Velocidade, por Eduardo Antunes

https://splitscreen-blog.blogspot.com/2017/08/baby-driver-alta-velocidade-por-eduardo.html

Título original: Baby Driver (2017)
RealizaçãoEdgar Wright
Argumento: Edgar Wright

Se existe uma palavra que descreva o realizador de filmes tão distintos quanto Shaun of the Dead, Hot Fuzz e Scott Pilgrim vs. the World é a paixão com que se entrega à exploração do tema em que a cada filme se propõe explorar, com uma imaginação e dedicação tamanhas como se vê em tão poucos cineastas hoje em dia, qualidades as quais Edgar Wright volta a demonstrar com Baby Driver.

Algo que Edgar Wright consegue fazer com cada filme seu é desafiar as expectativas da sua audiência. Shaun of the Dead, como referia a frase de promoção, era uma comédia romântica com zombies, conseguindo o melhor desses três mundos nuns meros cem minutos. Hot Fuzz era uma homenagem aos melhores filmes de acção, envolta num mistério digno de uma série policial inglesa. E por aí adiante, Wright continuou a desafiar-nos enquanto espectadores naquilo que devemos estar à espera dos seus filmes, ao mesmo tempo que se desafia a si próprio, não só a abraçar um género diferente (ainda que sempre envoltos num tipo de humor negro transposto de um forma visual muito própria), como também naquilo que consegue fazer cinemática e visualmente, nunca se deixando cair na mesma fórmula.

E aqui se insere também Baby Driver, em que a premissa recai sobre a ideia de perseguições de carros coreografadas ao som das mais variadas músicas. Como novamente nos afirma a tagline, "All you need is one killer track", e de facto a banda sonora é, de forma óbvia, dos aspectos mais fortes desta experiência, não só na escolha como na forma como é integrada em todas as cenas.
Atirando-nos imediatamente para o meio da acção, com um primeiro assalto e consequente perseguição ao som da música "Bellbottoms" (cena inicial que poderão ver mais abaixo), é-nos imediatamente dado o tom, ritmo e alguns dos protagonistas a seguir ao longo da narrativa.
Segue-se uma cena que poderia ser retirada de um recente La La Land, em que o nosso protagonista segue pelas ruas de Atlanta para ir buscar o típico café da manhã, reagindo à vida em sua volta ao som de "Harlem Shuffle". Ainda sem imediatamente termos conhecimento directo do(s) nosso(s) protagonista(s), já conhecemos o seu mundo.


A partir daí, vamos acompanhando o percurso de Baby, percebendo as suas motivações, o seu passado, sempre ao som de música. Ansel Elgort, sem ser extremamente carismático, tem o charme suficiente para nos fazer gostar dele à medida que se vai definindo enquanto homem (visto que aos olhos de todos os seus parceiros no crime ele é visto ainda como uma criança, boa no que faz), até ao ponto em que, quando é levado aos seus limites, entendemos as suas razões e não deixamos de ver a bondade que inerentemente existe naquele que sabemos ser desde o início um criminoso, ainda que de circunstância.

Poder-se-á afirmar que, precisamente a partir desse momento em que Baby chega ao seu limite e decide-o cruzar, num momento que descreverei apenas como brutalmente inesperado, o filme torna-se em algo completamente diferente de variadas maneiras. Mas ainda que isso seja verdade, e a narrativa torne-se mais apressada no ritmo de "narração" dos acontecimentos, não é desprovido de motivo e a tensão que existe a partir daí permanecerá até quase ao final, em que as nossas expectativas vão sendo sempre e felizmente traídas pelo que Wright nos vai oferecendo a cada momento. Nunca sabemos bem quem são verdadeiramente os antagonistas nem sabemos como as suas decisões vão de facto impactar os seus destinos.

Tudo isto permite com que, a partir do minuto em que as luzes se apagam, entremos numa experiência de pura adrenalina e mestria técnica, sem que se ponha em causa o contar desta história, ainda que simples, que Edgar Wright nos propõe seguir. O nosso par romântico, sem ser excepcional, é rodeado de uma panóplia de actores "secundários" que completam um elenco fortíssimo, de onde se destacam Jamie Foxx e, claro, Kevin Spacey. Ainda que soe um pouco cliché, esta é definitivamente uma viagem que vale a pena tomar, ainda para mais numa sala de cinema completamente às escuras e com o som no máximo. Take the ride.

[3,5.png]






Sem comentários:

Enviar um comentário