quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Orquestra Geração, por Tiago Ramos



Título original: Orquestra Geração (2011)
Argumento: Filipa Reis e João Miller Guerra

Lenta, mas notoriamente, a dupla João Miller Guerra e Filipa Reis começa a fazer carreira no circuito português de festivais. Começaram com Li Ké Terra que venceu no DocLisboa 2010, depois este, discreto mas honroso, Orquestra Geração (que competiu inclusive no Cinèma du Réel 2012), partiram para um prémio de Melhor Filme Português no Fantasporto 2012 por Nada Fazi e recentemente foram premiados com a Melhor Curta-Metragem Portuguesa do IndieLisboa 2012 por Cama de Gato, uma ficção. Este ano, estreiam-se timidamente nas salas de cinema portuguesas com Orquestra Geração que, embora não vá muito além da reportagem de teor social, apresenta aos espectadores uma dupla de cineastas portugueses que terá certamente muito a dizer no panorama nacional, nos próximos anos. E quando falamos em Orquestra Geração deste modo, não o fazemos com descrédito, já que embora simples, é um marco interessante para o cinema documental e para o carácter pedagógico que muitas vezes pode e deve assumir. O projecto é honroso e inspira-se num sistema criado nos anos 70 na Venezuela e que surgiu em Portugal, encetado pela Câmara Municipal da Amadora, Escola de Música do Conservatório Nacional e da Fundação Calouste Gulbenkina.

A dupla aproveita para filmar os moldes deste processo, mas refugia-se sobretudo nas histórias daqueles jovens e crianças que vêm a sua vida mudada pela influência positiva daquele projecto. E é precisamente esse foco, com um grande sentido cinematográfico na forma como utiliza a câmara para o fazer, que o tira da simplicidade de mais uma reportagem anónima. Equilibrado do ponto de vista técnico, é naquelas histórias de vida, simples, mas reais, que se sente a inspiração da música para a aspiração de sonhos que antes eram tidos como impossíveis. É um filme que a par destas narrativas permite uma reflexão interessante sobre a educação, partindo deste microcosmos com provas dadas na vida destes jovens que dão a cara. Orquestra Geração é um projecto social que arrisca sair do circuito dos festivais sabendo que a sua apreciação no circuito comercial será mínima. Mas tem arrojo suficiente para assumir o que é, atentando a realidade da periferia lisboeta e tomando um lado pedagógico, tanto através do projecto que apresenta, como através das intenções da sua distribuição nos cinemas. É a prova que os géneros a serem distribuídos comercialmente não devem ser limitados. Vale o que vale, mas fica a certeza que é uma dupla a seguir.


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