sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Elegia, por Carlos Antunes

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Título original: Elegy
Realização: Isabel Coixet
Argumento: Nicholas Meyer e Philip Roth
Elenco: Penélope Cruz, Ben Kingsley, Dennis Hopper e Patricia Clarkson

Elegia é um profundo lamento pela vida perdida, pelo amor desperdiçado, pela juventude desaparecida.
Elegia é uma longa revisão da vida contra a última descoberta do amor.



Elegia é, afinal de contas, a revisão da serena impossibilidade de um homem viver uma vida amorosa saudável, sem se impedir de destruir a verdadeira felicidade, sem se impedir de destruir a relação que poderia ter com o seu filho, sem se impedir de chorar o seu próprio e auto-imposto Fado.



A verdade é que o homem parece, independentemente da sua idade, sempre um garoto perante uma mulher bonita e, mais grave, perante o amor.
Um garoto capaz de dar cabo de tudo, ainda que comporte consigo um conhecimento imenso sobre as mulheres, ainda que seja na verdade um mestre idolatrado pela mulher que ama.

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Elegia é, visivelmente, uma adaptação literária.
Esse é o ponto mais fraco do filme, a sua excessiva e omnipresente narração, sempre como uma terrível obrigação de se manter fiel ao material de origem, sem saber como o atraiçoar ao ponto de o filme se poder tornar uma obra de méritos próprios.

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O verdadeiro drama não se vê nas personagens, mas nas palavras que se ouvem.
As visões de Ben Kingsley são como pequenas ilustrações daquilo que a sua personagem nos conta.
A sua interpretação tem a eficiência que o seu talento lhe permite atingir sem dificuldade mas à qual falta verdadeiro investimento.
A interpretação está em piloto automático, bem como a de Penélope Cruz a ter de passar por uma atraente e rendida aluna.

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Tais interpretações rimam bem com o filme, inconcretizadas, demasiado cerebrais e teóricas, mas meramente funcionais.
O longo (demasiado mesmo) lamento que é todo o filme acaba por terminar de forma inconsequente, num fade-out que afinal de contas não resultou de nada mais senão do acabamento do discurso.


1 comentário:

  1. Kingsley parece feito de madeira e Cruz fez bem em mostrar os seios, porque não mostrou mais nenhum talento.

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