domingo, 11 de setembro de 2011

Cartas de amor de uma freira portuguesa, por Carlos Antunes


Título original: Die Liebesbriefe einer portugiesischen Nonne
Realização: Jesus Franco
Argumento: Erwin C. Dietrich e Christine Lembach
Elenco: Susan Hemingway, William Berger e Ana Zanatti

Sala cheia para ver a difícil de encontrar versão não censurada do clássico "infame" do prolífico e nunca categorizável realizador espanhol.
O filme mostra que o realizador, quando teve um orçamento razoável à sua disposição, conseguia algo mais do que filmar em close-up nudez feminina.
A sua composição é inteligente e cuidada e os valores de produção com que trabalhou aqui são dignos de nota.
Um período em que conseguiu atrair óptimos intérpretes aos seus filmes, neste caso destacando-se Ana Zanatti, não só pela sua nacionalidade, mas porque em muitos momentos chega a superiorizar-se a William Berger que eleva o papel acima daquilo que a história merece.
A história é, naturalmente, limitada ao explorar o escabroso que se esconde por detrás da capa da religião.
No entanto estamos perante o que chamaram de nunexploitation, portanto não é a falta de complexidade que prejudica a história, mas antes a sua falta de ritmo e o desperdício sistemático
A cada momento que surge a oportunidade de explorar o grotesco da dor feminina e a tortura (nem sempre original) parece que o filme se retrai e evade o olhar mais afoito.
Jesus Franco também não explorou a fundo a nudez dos corpos, como se perante a qualidade do que tinha ao dispôr tivesse sentido alguma restrição para com a sua habitual exploração gráfica.
A excepção é a orgia demoníaca em que os variados corpos femininos são vilipendiados com admiraçãopela câmara, sem pudores na sua admiração para todo o tipo de corpos e não apenas jovens.
Para contextualizar o filme entre duas obras - mais importantes e, também, mais facilmente visíveis - da mesma época do realizador, Cartas de amor de uma freira portuguesa está demasiado perto do enfado de Jack the Ripper, em que os elogios vão somente para os actores e os cenários, e ainda muito longe do risco bem conseguido de Doriana Grey.
Um momento interessante como descoberta de um cinema de género com traços portugueses, mas pouco mais do que isso.


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