quinta-feira, 12 de julho de 2012

Magic Mike, por Tiago Ramos


Título original: Magic Mike (2012)
Realização: Steven Soderbergh

Assistir a Magic Mike numa salta de cinema cheia pode não ser tarefa fácil (eu que o diga), já que o factor eye candy parece ser para muitos razão suficiente para a constante verbalização e exteriorização. É, porém, injusto avaliar o filme à luz de quem o vai ver e da sua temática, já que mesmo sendo um filme sobre strip masculino, é também um competente filme que equilibra bem as vertentes de comédia e drama. É um dos seus filmes mais convencionais dos últimos anos (se contarmos desde Julho do ano passado, estrearam em Portugal quatro filmes do cineasta), o que se nota muito pelo argumento plano de Reid Carolin e pelos valores de produção altamente padronizados (mas competentes, diga-se). E apesar da sua estrutura narrativa seguir um caminho linear e previsível, Steven Soderbergh consegue construir um caminho gradual que vai da ilusão e da fantasia erótica para um lado menos bonito e mais negro. Mesmo quando rapidamente somos introduzidos a uma série de coreografias bem realizadas e que introduzem um valor cómico ao argumento que não é de se desprezar (os momentos de bastidores são, por vezes, deliciosos), há sempre uma consciência da volatilidade e ilusão daqueles momentos. 

Aquilo que vemos e nos é dado a conhecer é uma construção estudada, um jogo comercial, um espectáculo que oferece aquilo que os espectadores pedem, onde não interessa tanto o que és, mas apenas o que aparentas e o que fazes. Um pensamento cliché, mas que é bem interpretado por Channing Tatum (ou não fosse inspirado na sua própria vida) que começa a demonstrar que é mais que uma cara e corpo bonitos e cujo carisma e expressividade se, bem utilizados, pode produzir resultados interessantes. O mesmo se diz de Matthew McConaughey cuja interpretação é bastante boa (diga-se que uma das suas melhores, especialmente tendo em conta a baixa forma que a sua carreira tinha atingido nos últimos anos) e que espelha bem todo o lado ilusório e cruel de um mundo dominado pelo dinheiro. São precisamente estes dois actores que fazem a ponte para a espiral descendente que o filme começa a formar, muito também na pele do jovem Alex Pettyfer. Não no sentido negativo, até porque é precisamente esse lado negro que dá o conteúdo narrativo e interessante ao filme que se perde, porém, de forma abrupta na sua conclusão. Destaque negativo para o erro de casting (como é possível) de Cody Horn, cuja inexpressividade roça os limites do ridículo.

Mesmo não sendo um dos melhores filmes de Steven Soderberg, Magic Mike não é contudo um filme a ser desprezado de todo e deve ser visto sem preconceitos de género. Bem construído, com um interessante crescimento das personagens e que sabe ser divertido quando é preciso, mas que se perde talvez no classicismo e convencionalismo da sua estrutura narrativa.


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