sábado, 29 de dezembro de 2012

Entre Irmãs, por Tiago Ramos


Título original: Your Sister's Sister (2012)
Realização: Lynn Shelton
Argumento: Lynn Shelton
Elenco: Mark Duplass, Emily Blunt e Rosemarie DeWitt

Há um imenso burburinho nos últimos anos em redor da "cena" mumblecore - um subgénero recente no cinema norte-americano onde produções com micro-orçamentos utilizam actores amadores (muitas vezes o realizador assume funções de argumentista e protagonista). Para muitos algo refrescante no mundo do cinema e também bastante subvalorizado (Sundance tem sido o palco ideal para a sua valorização), para outros é altamente sobrevalorizado dentro da sua perspectiva de nicho. Este Entre Irmãs quebra o conceito lato do género ao utilizar actores profissionais e reconhecidos, mas tem bem flagrante o espírito do género ou não fosse escrito e dirigido por Lynn Shelton, uma exemplar portadora do estandarte do género e que estreou em Portugal o seu (interessante) Humpday, em 2010. Ame-se ou odeie-se, o bom neste género (que é simultaneamente o negativo para muitos dos seus detractores) é a sua semelhança com a vida real e a forma simples como vemos pessoas reais a lidar com problemas quotidianos, com uma curiosa dose de ironia. O mesmo se passa neste caso: a história é bastante simples, mas funciona por pegar numa situação potencialmente problemática e explorá-la com tanta doçura e empatia, como com o nível certo de comédia. Funciona simplesmente por que o trio de actores evidencia um estilo naturalista nas suas interpretações, aproximando-os de uma química real que em muito beneficia a apreciação do espectador. Rosemarie DeWitt é contudo a que mais destaque merece devido ao seu brilhante desempenho, sendo seguida bem de perto por Mark Duplass e Emily Blunt.

Ao encontrar o equilíbrio certo entre o sarcasmo e a suavidade, Entre Irmãs apresenta-se espontâneo e livre, sendo menos actores a interpretar um guião e mais pessoas reais a interagirem entre si. É claro que se vitima também no seu niilismo absoluto, o que para alguns pode ser visto como simples falta de algo importante a dizer, aborrecido e desinteressante. Dependerá sempre do olhar do seu espectador, mas encontramos aqui um interessante trabalho afectivo e um olhar comovente sobre as relações humanas. É simples e natural, mas por isso também tão refrescante.

*Crítica possível através de um screener gentilmente cedido pela Sundance Selects e IFC Films.

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