quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Seis Sessões, por Tiago Ramos


Título original: The Sessions (2012)
Realização: Ben Lewin
Argumento: Ben Lewin
Elenco: John Hawkes, Helen Hunt e William H. Macy

Nos momentos iniciais deste Seis Sessões, o espectador poderá achar que conhece esta história de qualquer lado, não fosse ela sobre uma figura real que à partida, e devido às suas limitações físicas, poderá ter semelhanças a outras retratadas em Mar Adentro (2004) ou Le scaphandre et le papillon (2007). Última comparação à parte, já que estas podem levar a juízos de valor injustos, rapidamente se nota que há aqui uma fuga ao dramatismo solene que se vive nos outros dois filmes acima referidos. Falar de sexo e religião poderia parecer por si só uma combinação perigosa de temas, mas adicionar-lhe de uma forma tão descomplexada e genuína, um tema como uma deficiência física tão grave, poderia parecer a receita ideal para o desastre. Felizmente não é isso que temos e Seis Sessões é um pequeno filme, mas muito corajoso na forma como aborda um tema potencialmente depressivo - nunca ignorando a seriedade do problema físico da personagem - de uma forma alegre e bem-humorada.

Muito desse trabalho é possível dada a forma precisa com que o veterano Ben Lewin dirige os seus actores - peças essenciais para a consolidação deste trabalho. John Hawkes encabeça o elenco com uma interpretação poderosa e tocante que não deixa nada a desejar por comparação com qualquer dos nomeados ao Óscar de Melhor Actor deste ano (ou até com as interpretações dos protagonistas dos filmes acima referidos). O actor interpreta Mark O'Brien de uma forma genuína, repleta de detalhes físicos, de uma entrega incrível, mas transmitindo-lhe sempre um toque de humor negro, perfeito para o tom do filme. Já Helen Hunt surpreende, especialmente porque estava afastada dos holofotes de Hollywood desde há bastantes anos, mas também porque nunca foi uma actriz de grandes feitos, apesar de competente. Contudo, o que comove e impressiona no seu desempenho, é sobretudo a forma natural com que lida com a nudez da sua personagem e em acções potencialmente comprometedoras. É um desempenho corajoso e a que muitas actrizes não se sujeitariam de um modo tão explícito e honesto.

Seis Sessões nunca atinge a perfeição que poderia ter, mas também porque não almeja tanto. A sua intenção de ser honesto, simpático, divertido e comovente é suficiente e motivo para ser do agrado do público. Mas mais que isso, não é apenas entretenimento descomprometido, deixando as suas personagens e narrativa atingir lentamente um estado emocional e humano, muito subtil, mas também facilmente tocante. É refrescante e positivo, adjectivos que não se podem usar muitas vezes no cinema.


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