domingo, 10 de março de 2013

E se Vivêssemos Todos Juntos?, por Tiago Ramos


Título original: Et si on vivait tous ensemble? (2011)
Realização: Stéphane Robelin
Argumento: Stéphane Robelin
Elenco: Guy Bedos, Daniel Brühl, Geraldine Chaplin, Jane Fonda, Claude Rich e Pierre Richard

Parece notar-se uma tendência recente no cinema em focar as suas histórias em temas como o envelhecimento. Recentemente tivemos filmes como Late Bloomers (2011), The Best Exotic Marigold Hotel (2011), Quartet (2012), Robot & Frank (2012) ou Amour (2012), todos que de uma forma ou de outra abordam o tema, não sabendo se isso partirá de uma coincidência, consciência social ou uma forma actual da indústria potenciar a presença no cinema das suas estrelas, agora envelhecidas. Esta produção francesa que chegou recentemente aos cinemas portugueses parece utilizar da mesma lógica, abordando o tema de um ponto de vista cómico e emocional. Stéphane Robelin filma a noção do envelhecimento como uma etapa óbvia da vida de uma pessoa, não caindo nos facilitismos e moralismos para contar uma simples história, que aproveita para reunir no mesmo ecrã grandes veteranos do cinema, como Geraldine Chaplin, Jane Fonda, Guy Bedos, Claude Rich e Pierre Richard. O maior destaque que podemos fazer é precisamente o modo como o faz, abordando o tema de um modo natural e descontraído, não ignorando uma teia de relacionamentos, sexo, romance e segredos do passado, só porque os seus protagonistas situam-se na chamada terceira idade.

Sem cair numa dose excessiva de caricato, o filme acaba por seguir a história com bastante coração e delicadeza. O problema é que muitas vezes tem a tendência para trabalhar mais com arquétipos que com personagens reais, fazendo com que a afectividade dos espectadores para com estes, venha mais do reconhecimento dos actores fora do ecrã do que necessariamente de uma aproximação provocada pelo argumento. Contudo e mesmo convencional, E se Vivêssemos Todos Juntos? desconstrói levemente o tema das relações e do envelhecimento de um modo simpático e acessível, mesmo que com limitações, direccionando ainda o cinema para um público mais específico, também ele a aprender a viver numa nova etapa da sua vida.


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