quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Temporário 12, por Tiago Ramos


Título original: Short Term 12 (2013)
Realização: Destin Cretton
Argumento: Destin Cretton
Elenco: Brie Larson, Frantz Turner, John Gallagher Jr., Kaitlyn Dever, Stephanie Beatriz, Rami Malek, Alex Calloway, Kevin Hernandez, Lydia Du Veaux e Keith Stanfield

O Cinema sempre foi rico em filmes sobre a educação ou particularmente sobre a interacção entre professores e alunos. Dentro de uma lista extensa e transversal a quase todas as décadas, talvez se possa destacar - apreciações qualitativas à parte, até porque à crítica não convenceu - Dangerous Mind, especialmente porque enquanto ícone pop que se tornou, aproximou o género do grande público (e até dos jovens), fazendo dele um dos filmes que mais facturou nas receitas de bilheteira norte-americanas em 1995 (décimo terceiro lugar para sermos mais precisos). Antes e depois muitos outros filmes abordaram o tema, com melhor ou pior resultado, com um caso muito feliz e criativo em 2011, com Detachment.

Isto para dizer que Short Term 12 poderá não trazer nada de novo a um subgénero já comummente abordado no Cinema, mas traz em si um tom tão genuíno e emocional que se torna difícil não o colocar já como um dos melhores filmes do ano. Um filme que se nota tão próximo das personagens logo pela câmara intimista de Destin Cretton (certamente um realizador a descobrir) que prima pelos close-ups - nada invasivos, contudo - pela câmara trémula em jeito de hesitação e criando uma atmosfera naturalista que dá espaço à narrativa, personagens e espectadores, para parar, observar, escutar e interiorizar cada momento. Um trabalho brilhantemente orquestrado que dentro de algum humor e ligeireza, consegue transmitir um profundo e denso peso emocional, porque eleva cada cena a um nível superior de compreensão e maturidade, que explora a natureza humana com uma sensibilidade única e até rara de encontrar. Cada personagem, seja ela mais ou menos problemática (e aqui há espaço para tudo), tem o condão de transmitir veracidade, possível através de um guião simples, mas riquíssimo e sobretudo das excelentes interpretações de todo o elenco.

O destaque óbvio vai para Brie Larson, com uma personagem cresce com o espectador e com a história, cuja construção não é obviamente linear e que vai enriquecendo a narrativa com vários patamares de força e interesse. Impressionante trabalho a nível de expressão corporal, mas sobretudo apaixonado, individualmente desenvolvimento, profundamente comovente e tocante, que melhora ainda em cada interacção com novas personagens. E mesmo quando algumas maquinações narrativas parecem querer ameaçar o equilíbrio do argumento, a actriz consegue sempre superar esses entraves, transmitindo gestos humanos e íntimos, criando credibilidade suficiente para que o espectador possa considerar esta personagem como uma pessoa real.

Short Term 12 vence o espectador em coração, sinceridade e carisma. Raras são as vezes em que a adolescência e os jovens no geral são tratados com tanto carinho e honestidade, criando grande proximidade (quase imediata) com o espectador e fazendo-nos partilhar das suas desilusões e vitórias. Maravilhosa e despretensiosamente simples, toca o coração e isso é o que lhe basta.

Crítica possível através de um screener gentilmente cedido pela Cinedigm.

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