quarta-feira, 22 de maio de 2019

John Wick 3 - Implacável, por Eduardo Antunes

https://splitscreen-blog.blogspot.com/2019/05/john-wick-3-implacavel-por-eduardo.html

Título originalJohn Wick: Chapter 3 - Parabellum (2019)
RealizaçãoChad Stahelski

Se John Wick acompanhava o desespero de um homem sem nada a perder, e o segundo capítulo expandia o universo subjacente sem perder o foco que queria dar às cenas de acção e às motivações do seu protagonista, este terceiro filme perde a novidade que nos surpreendeu da primeira vez, esforçando-se demasiado por nos entreter com movimentos demasiado repetidos e uma história que promete mais do que oferece.

Ainda que disséssemos que, num filme como estes, o realce está nas cenas de acção, os demasiados argumentistas envolvidos demonstram neste caso isso ser uma mentira, já que o filme dedica muito tempo numa constante cobrança de favores por parte de Wick, um atrás de outro, até o filme se lembrar que não houve uma cena de acção durante uns largos minutos.
É pena, inclusivemente, que face os primeiros momentos da narrativa, em que Wick corre contra o tempo para fugir ao prémio posto sobre a sua cabeça, numa constante tensão e incerteza de quem em qualquer momento o pode querer matar, o ritmo do filme abrande completamente para um desinteressante visitar de personagens do passado de Wick que nunca tínhamos ouvido falar. 

E se há uma simples âncora emocional que estes filmes têm tentando demonstrar, é a relutância com que John volta à única vida que conhecia antes da sua mulher. Mas essa âncora é completamente lançada borda fora quando, no final de todos os favores cobrados, John está disposto a comprometer-se novamente com essa vida, em troca da memória da sua mulher. Aqui jaz o contra-senso, visto que John tem sido levado a entrar na vida que deixara apenas para que no final o deixem em paz, enquanto que agora parece ser o contrário. Ainda que esse facto seja chamado à atenção quase de seguida, as motivacões já não parecem alinhar com o que conhecíamos da personagem.

Seria mais interessante que John estivesse disposto a enfrentar o sistema inteiro como forma de finalmente poder viver uma vida "livre", voltando no entanto sempre a essa faceta assassina sem nunca admitir o seu conforto na mesma. E fica essa promessa para um quarto capítulo, apesar de no final da anterior narrativa ter já ficado subentendido o confronto contra um homem já sem nada a perder. Tenta-se aqui, forçadamente, expandir um universo que tinha interesse na sua simplicidade, e que quanto mais complexo, mais atenção chama para as incongruências que não pedíramos.

Já no que toca às cenas que tornaram este agora (infelizmente) franchise conhecido, enquanto que o primeiro capítulo beneficiava de um claro orçamento limitado, o que lhe permitiu ser mais poupado e focado nas suas pretensões e cenas de acção, assumindo-se como uma simples história de vingança, o segundo capítulo já expandia o protagonista, universo sugerido e cenas de acção de pequenas mas imaginativas maneiras, tirando partido das localizações ao invés de outros factores mais bombásticos.
 


Mas se os primeiros se esforçavam por oferecer situações o máximo realistas, este terceiro capítulo, em favor de oferecem um contínuo crescendo no que toca aos assassinatos, perdem qualquer sensação de realismo. Esta situação chega ao seu epítemo quando, numa cena passada numa estação de comboios, face os vários corpos que caiem no chão em pleno centro da mesma, não existe qualquer reacção por parte dos trauseuntes. 

Para além disso, quando assassinos com armas automáticas nem sequer um tiro de raspão conseguem acertar no nosso protagonista, qualquer sensação de risco deixa de existir. Junte-se a isso os exagerados efeitos sonoros dados aos socos, que pouco dano parecem causar de cada vez, e parecemos estar já na presença de um qualquer super-humano invencível, mais que um assassino capaz. 
Isso torna-se particularmente patente numa cena partilhada com dois actores dos filmes The Raid, em clara homenagem a estes mas sem qualquer intuito se não fazer-nos perder tempo até chegar ao final, naquilo que parece uma repetição de movimentos, quedas e recomeços que, no final, a nada leva.

Algumas destas sequências perdem alguma inventividade, não tendo até uma sequência final decorrida numa sala de vidros qualquer caractér, o que se torna imperdoável face outras cenas semelhantes, como é exemplo a sequência final de acção de John Wick 2, que tira total partido, visual e coreográfico, de um cenário quase igual. Ainda assim, continua a existir criatividade em algumas destas cenas, como é exemplo uma luta pelo meio de uma perseguição de motas.

Mas isso não se estende, por exemplo, à cena partilhada com Halle Berry, que se apresenta demasiado longa e sem interesse, tornando-se rapidamente esquecível uma cena que deveria ter tido um claro impacto, por toda a sua configuração narrativa e cinemática. Mesmo o final compõe-se de uma sequência de longos tiroteios e lutas, que já não serve tanto para demonstrar as capacidades da personagem de John Wick, mas antes as capacidades dos duplos e Reeves (que não deixa de impressionar na sua dedicação física a esta personagem), durante demasiado tempo e sem grande consequência.

No final, este terceiro capítulo pede-nos para preparar para a guerra, mas não oferece o suficiente para querer-mos continuar a ver o que destacou o primeiro filme (e, consequentemente, o segundo) de outras séries de acção. Resta-nos olhar agora para esta como mais uma série de filmes que perde constantemente o seu carácter original para uma vontade de fazer mais sem intuito.



1 comentário:

  1. Falou muita besteira hein, amigo. Vai ver é por isso que praticamente ninguém comenta suas críticas.

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