terça-feira, 10 de setembro de 2019

Antevisão Projecto Gemini


Tivemos a oportunidade de, previamente à estreia do filme, ter uma pequena antevisão do que Gemini Man, novo filme do realizador Ang Lee, nos poderá reservar. Apesar de não ficar ainda totalmente claro o que podemos esperar desta aparente experiência cinematográfica única, deixamos aqui alguns dos pontos que nos chamaram mais a atenção sobre um projecto que poderá surpreender.

Foi desde logo realçado o facto deste filme ser filmado com tecnologia HFR (High Frame Rate), o que significa que a quantidade de frames, de planos por segundo é maior e, por isso, a acção parece mais suave. Para uma rápida noção, a maioria das experiências cinematográficas são filmadas a 24 fps (frames por segundo), e a nossa visão estará próxima dos 30 fps. 
E se Peter Jackson com a sua trilogia The Hobbit há sete anos experimentou com este tipo de tecnologia, filmando os três filmes em 48 fps, o dobro do usual, os resultados poderão na altura ter sido algo divisivos.

Esta já não é a primeira vez que Ang Lee trabalha com esta tecnologia. Já em 2016, Lee filmou Billy Lynn's Long Halftime Walk a 120 fps, mesma definição empregada neste Gemini Man. E ainda que a Portugal não chegue esta versão, por não existir por cá a tecnologia necessária, os 60 fps a que pudemos assistir são já a promessa de algo que, sendo uma experiência muito suavizada na sua visualização, não parece causar qualquer estranheza.



De forma geral, apesar do que o material promocional possa dar a entender, Ang Lee faz questão de dar a entender de que, mais que o filme de acção com elementos de ficção científica na sua base, este pretender contar um verdadeiro drama humano. Tornou-se isso desde logo particularmente patente nas filmagens que foram exibidas. Compostas de três cenas, mais que apresentarem sequências de acção bombásticas, para melhor entendermos a tecnologia utilizada e o seu impacto mais óbvio, são apresentadas sequências que mostram mais do que será a narrativa, o conflito pessoal do filme.

Uma primeira mostra o primeiro confronto entre ambas as personagens interpretadas por Will Smith - Henry e Junior - já mostrado nos trailers. Passada numa pequena cidade, durante o dia, ainda que sem grandes sequências de acção, ficou patente de forma clara a utilização deste tipo de filmagem.
A segunda foca-se já num segundo confronto entre as mesmas personagens, de uma forma mais pessoal e directa, servindo para ilustrar aquele que será o principal ponto dramático da narrativa, que provocará as maiores dúvidas em ambos os protagonistas, e que termina num combate corpo-a-corpo entre ambos.



Mas foi a terceira cena apresentada que me cativou particularmente a atenção, não apenas por demonstrar a actuação de um Will Smith verosivelmente mais novo, mas por apresentar um pouco de uma particular dinâmica mais secundária. É nas palavras de Clay Verris (Clive Owen), o criador, o "pai" de Júnior, que sentimos o que pode ser o interessante conflito no filme. 
Se em tantas histórias do género, o objectivo de criar o substituto de alguém é a típica conquista das suas forças sem quaisquer das fraquezas, aqui, sendo o objectivo o mesmo, Verris refere que o tentou fazer criando Junior como um filho, fazendo por lhe trazer alguma felicidade que a Henry faltava, mesmo feito do ponto de vista de alguém que tenta criar um assassino. Se isto puder significar uma visão menos óbvia sobre o que parece ser o antagonista do filme, poderá ser uma pista sobre o que Lee pretende instaurar neste filme, mais que uma nova forma de filmar. 

No final - explicitado por Ang Lee, Will Smith e Jerry Bruckheimer, produtor do filme -, ficou patente um particular aspecto no que toca à concretização da personagem de Junior. A mesma não se trata de um rejuvenescimento de Will Smith mas, à semelhança do que Andy Serkis fez com Gollum ou Caesar, trata-se da transposição da interpretação de Smith para uma personagem inteiramente digital, que, por acaso, é um jovem Smith. 
Se por um lado, parece ser desnecessário esse trabalho, tendo vários filmes da Marvel Studios comprovado recentemente os resultados positivos de um "básico" rejuvenescimento, por outro, sabendo este facto, não deixa de permanecer um espanto de olharmos para uma recriação digital de um humano tão verosímil quanto o real. 



Mas sabendo que este trabalho foi realizado pela Weta Digital, companhia responsável pelas criações acima referidas, que tanto revolucionaram já as criações virtuais e sua contribuição para o enriquecimento das respectivas narrativas, este passa a ser apenas mais um passo numa caminho feito apenas de sucessos, e um bom sinal do que podemos esperar do filme completo. Para mais, a filmagem a 60 fps demonstra ainda melhor todos os pormenores patentes na criação, como Will Smith também aponta como uma das maiores dificuldades e desafios em termos de captação da sua interpretação, dado o grau de rigor necessário.

Fica assim uma antevisão do que, à primeira vista parecendo apenas mais um filme de acção com um artifício específico para captar a atenção, poderá ser uma agradável surpresa, não apenas no que toca à sua formalização técnica, mas também narrativa, na sequência do restante trabalho de Ang Lee.

Projecto Gemini estreia em Portugal no dia 10 de Outubro de 2019.

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