sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Lie to me - Série 1, por Edgar Coelho


Não haja dúvidas que o primeiro e maior chamariz desta série é a presença de Tim Roth. E é, certamente, a marca que distingue a série.
A série tinha uma premissa a postos para o falhanço, por ser demasiado parecida com o que já vimos em Mentalista e por ser um “truque” limitado para servir recorrentemente à resolução dos mistérios.
Claro que a técnica de observação que lhe permite desvendar a mentira nas expressões físicas é interessante. Ninguém deixa de ficar (um pouco) obcecado em passar, ele próprio, a apanhar alguns erros no “mundo real”.
Ainda que, na série, não se limitem a fazer essa observação, acrescentando outras formas de estudar o comportamento, vendo duas ou três vezes como se faz, já sabemos o que vai sair dali.
Um pouco como a chatice de ver “sacar” informação a um aparelho de cromatografia no CSI. Fica um bocadinho enfadonho.


Por outro lado, as histórias não têm grande originalidade, mesmo variando regularmente a área criminal em que se enquadram. Se quiserem mistérios intensos e mais criativos, a escolha irá para outro programa.
Mas são bem contados, têm alguma (im)pertinência na forma como falam da sociedade actual e guardam algumas surpresas que lhes permitem sustentar bem a dinâmica de grupo que se estabelece.
Sendo que o grupo, com as suas personalidades peculiares, não deixa de ser o show de Tim Roth.
Claro que Kelli Williams chega a responder-lhe à letra e que a “verdade absoluta” de Eli (Brendan Hines) gera boa dose de momentos inapropriados e divertidíssimos.
Só que é aquela maneira arrogante e sedutora da personagem de Tim Roth tratar com as pessoas que nos leva a voltar uma e outra vez.
É a possível encarnação de um Sherlock Holmes moderno, até pensando no poder de observação dele. Ou, para uma referência mais recente, é aquilo que nos fez gostar tanto de House nas primeiras temporadas.
A série já tem o essencial resolvido, o motivo de nos levar a vê-la de semana a semana. Agora tem uma grande margem por onde progredir no que toca ao argumento.
Estarei por cá para assistir à sua evolução.

Editado por Carlos Antunes

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