Mostrar mensagens com a etiqueta Mostra Syfy de Cinema Fantástico. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Mostra Syfy de Cinema Fantástico. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 30 de julho de 2013

Hóspedes Indesejados, por Carlos Antunes


Título original: The Innkeepers
Realização: Ti West
Argumento: Ti West
Elenco: Sara Paxton, Pat Healy e Kelly McGillis

O primeiro dos sustos que Ti West prega a uma das suas personagens, ao mesmo tempo que ao espectador, é conseguido através de um daqueles vídeos que prolongam o silêncio até fazerem surgir um grito de incontáveis decibéis.
Tal susto serve como explicação simplificada do que o realizador entende como terror, uma espera calma e intrigante que só se revela num final súbito e intenso.
Se não estivéssemos avisados, julgaríamos que The Innkeepers não era senão um filme sobre a relação de contornos esbatidos entre os dois trabalhadores no último fim de semana de actividade de um hotel assombrado.
Eles brincam com a ideia de encontrarem provas dos fantasmas que ali caminham, mas estão no campo seguro de quem não acredita realmente que haja algo a descobrir ali.
Mas se ele é o fanático armado com câmaras e microfones, ela é a rapariga ligeiramente ingénua mais tentada a aceitar essas possibilidades.
A descoberta destes personagens neste contexto específico, que ocupa a maior parte do filme, é agradável, sendo possível criar um gosto por estas personagens sem necessitar que nos dêem uma visão do seu passado e, ainda mais, não tendo a certeza se algum dos dois irá ter um futuro passado este fim de semana.
Através deles ficamos a conhecer a história do lugar sem vermos reconstituições do passado e começa a instalar-se a dúvida sobre se há realmente algo ali para ser descoberto ou apenas uma esperança deles em que surja ainda uma solução - nem que sejam fantasmas que os perseguem - que permita a estas duas pessoas sem perspectivas nenhumas na vida, ao menos manterem o trabalho.
A dúvida continua a insinuar-se, tanto sobre as personagens como sobre nós próprios, à medida que os acontecimentos inexplicáveis se dissipam por motivos que os (ou nos) fazem sentir tontos por terem cedido aos receios mais insubstanciais da mente.
Ficamos sem saber se é loucura, desespero por atenção - uma das poucas hóspedes é uma actriz agora ganhando a vida com a sua sensibilidade aos espíritos e energias - ou crendice aquilo que depois começa a acontecer à personagem de Sara Paxton (que está surpreendentemente bem aqui).
Só sabemos que, o terrível desfecho, é culpa dela própria, fechando um círculo através do qual ela própria se colocou a jeito do que a esperava.
Todo o filme é essa maneira de nos obrigar a fazer esse investimento, a complementar o que está no ecrã dizendo-nos que os sustos são causados por nós tanto quanto pelo realizador.
Se bem que Ti West sabe usar a arquitectura do hotel, com o seu isolamento e a impositiva solidão sobre os personagens para criar o mais propício ambiente a que nos assustemos a nós próprios. Ele conhece as ferramentas clássicas do género e sabe como usá-las.
The Innkeepers é um conto de terror que se vale do ambiente e das nossas próprias expectativas - tanto desejo como insegurança face ao medo - para levar as suas intenções a resultarem.
Vale, por isso, bem mais do que muitos filmes de terror que se enchem de cenas escabrosas e truques de feira que obrigam muitos dos espectadores a fecharem os olhos em vez de os seduzirem a ver com cada vez mais atenção.




Crítica originalmente publicada a 18/03/2012

terça-feira, 20 de março de 2012

Atrocious, por Carlos Antunes


Título original: Atrocious
Realização: Fernando Barreda Luna
Argumento: Fernando Barreda Luna
Elenco: Cristian Valencia, Clara Moraleda e Chus Pereiro

Cada vez é mais difícil assistir a um filme feito a partir de imagens encontradas no rescaldo de um evento brutal sem começar a colocar em causa a coerência interna do filme.
Já assim era com [REC], o filme que parece ser usado como referência para este modelo (afasto-me da palavra género o mais possível) de filmes muito mais do que The Blair Witch Project, e aqui repete-se a sensação de desmoronamento da integridade que devia existir em tal objecto a tentar alcançar o estatuto de cinema.
A questão levanta-se logo a partir do momento em que se vê o aviso da polícia no início do filme, tornando as 37 horas de filmagem em material de prova da qual nos preparamos para ver apenas hora e meia que terá sido montada por algum funcionário mais afoito a usar a montagem para estabelecer uma narrativa (ou algo aproximado).
O final do filme traz de volta a pertinente questão sobre a qualidade do conceito - da desculpa, se preferirem - que sustenta a forma do que estamos a ver. A montagem do material encontrado é interrompida por imagens de noticiário que são pobres em informação perante um resto de filmagens - e o devido desenlace a tentar a reviravolta inesperada - que ainda temos o direito a ver.
Quem, senão o realizador de ideias e recursos esgotados, teria montado o filme desta maneira tão absurda? E, portanto, que lógica há no conjunto destas imagens?
Nenhuma é a resposta que o filme dá a esta pergunta mais do que uma vez, mas com particular assertividade quando depois de termos visto um conjunto de imagens da noite de 1 de Abril os protagonistas discutem porque um deles mexeu num cabo e impediu que a câmara gravasse o que havia acontecido nesse período.
O filme reduz-se à nota única de que é o efeito visual - a filmagem do ponto de vista da personagem, a instabilidade dos planos e o (muito básico mas inevitável) recurso à visão nocturna - que leva à escolha deste formato como premissa, substituindo-se assim à substanciação narrativa ou à exploração dramática.
Sem isso, a demorada tentativa de criar uma dinâmica familiar na primeira metade do filme torna-se num suplício totalmente injustificado quando sabemos que a morte daqueles personagens está a chegar (ou as imagens não estariam a cargo da polícia).
Mais injustificado pela revelação do culpado que coloca de lado os jogos de medo primitivo (que não resultam, adiante-se) feitos através das imagens deambulatórias através de um jardim disposto como um labirinto. O filme não vai ter nenhuma relação a essas insinuações de sobrenatural com que tenta manter-nos engajados.
Para ser devidamente feito (a ser feito de todo...) o filme deveria contextualizar brevemente a realidade em que tudo decorre e, depois, evidenciar o comportamento errático de quem se mostrará culpado. Pelo contrário, esse culpado está sempre fora de cena e a sua culpa é extemporânea e inacreditável no contexto do que se viu.
Ponderando tudo isto, a falta de ritmo do filme, preenchido de cenas inúteis mas inesgotáveis, ou a má escolha dos actores, para personagens mal delineadas, parecem de somenos importância para abordar aqui.

 

domingo, 18 de março de 2012

Lobos de Arga, por Tiago Ramos


Título original: Lobos de Arga (2011)
Realização: Juan Martínez Moreno
Argumento: Juan Martínez Moreno
Elenco: Carlos Areces, Luis Zahera, Mabel Rivera, Gorka Otxoa e Manuel Manquiña

Lobos de Arga é uma comédia de público. Merece e enriquece-se quando vista em conjunto com uma plateia predisposta a divertir-se. Isto porque o filme desenvolve-se de uma forma bastante divertida, nunca tentando ser inovador, mas assumindo um tom clássico de comédia utilizando o que já sabe que resulta para divertir o espectador. Começa bem por assumir um registo bastante particular e regional (não faltam piadas sobre o interior de Espanha) que pela sua realidade que nos é bastante próxima, criando empatia com o espectador. E até curiosamente nos faz pensar que, houvesse disposição e ideia,  poderia ter sido filmado em Portugal.

Remete para o cinema dos anos 80 e equilibra-se bem enquanto género híbrido de comédia de terror, raras vezes caindo no ridículo e um ritmo quase constante, que quando parece abrandar, rapidamente é instigado por um novo evento ou acontecimento. É o caso, por exemplo, quando surge a personagem interpretada por Luis Zahera: secundária, mas tremendamente divertida e bem construída. É o caso quando o seu argumento entrega diálogos genuinamente bem-humorados ou até na própria aparência dos lobisomens que dão mote ao filme e que, numa época de CGI e efeitos especiais, representam uma lufada de ar fresco pela sua simplicidade e honestidade, com um bom trabalho de maquilhagem e guarda-roupa. As personagens são carismáticas e as interpretações são competentes, com especial destaque para o actor Carlos Areces que apesar de ser secundário na trama contribui para os momentos mais hilariantes do filme.

Juan Martínez Moreno faz um bom trabalho, tanto na realização como no argumento, apresentando-se de uma forma segura. No fundo, Lobos de Arga é uma paródia honesta, inteligente dentro da sua patetice, que consegue oferecer momentos tensos na sua comédia, belamente construída para agradar e divertir o espectador. Um divertimento garantido.


Classificação:

Hobo with a Shotgun, por Carlos Antunes


Título original: Hobo with a Shotgun
Realização: Jason Eisener
Argumento: John Davies, Jason Eisener, Rob Cotterill e John Davies
Elenco: Rutger Hauer, Pasha Ebrahimi e Robb Wells

Hobo with a Shotgun tem uma vantagem em relação a Machete, ser genuinamente mau como os filmes que emula e não uma fabricação com pretensões a validação autoral de uma cinefilia feita à margem das escolhas habituais (além do lucro massivo ou não viesse aí a primeira sequela do filme de Robert Rodriguez).
A honestidade de Hobo with a Shotgun merece elogio pois torna-o no primeiro exemplo de toda a vaga saída ou derivada de Grindhouse - e que parece ainda longe de acabar - que é um dos filmes de exploitation que veio apresentar à audiência presente em vez de uma memória reconstituída à imagem do seu criador.
Escrito em torno do que, depois dos vingadores de Charles Bronson, se tornou um vazio de ideias que glorifica a violência como resposta aos problemas sociais, leva ao extremo do mau gosto gráfico esse tipo de acção até que o gore se torna ridículo.
A realização acrescenta um desleixo profundo que respeita a rapidez de processos que fazia valer a quantidade de vísceras no ecrã para desviar a atenção da geral falta de qualidade do resto.
As décadas de 1970 e 80 que o filme traz à memória ficam completas com a escolha da banda sonora e acessórios, mas sobretudo com aquela composição visual que abusa dos filtros de cores garridas para conseguir o efeito de salão de arcada a fazer as vezes de discoteca até que tudo se torne doentio para os sentidos.
Mas o mais bizarramente impressionante é a forma como o filme consegue escapar ao mais pequeno traço de coerência para fazer aparecer dois cavaleiros com armaduras de sucata surgidos em motas que dificilmente conseguiriam conduzir e que têm tão mau aspecto que teriam sido mesmo rejeitados como figurantes em 2019: After the Fall of New York!
Um filme que tenta tão ferozmente ser mau tem de acabar por sê-lo e ouvir Rutger Hauer a falar de ursos ou a fazer um discurso motivacional para bebés que faz o público constringir-se no seu assento é a prova disso mesmo.
Se era suposto isto ser divertido como regresso nostálgico a um passado de categoria duvidosa, não consegue.
Preferia ter visto os vídeos de sem-abrigos em cenas de combate e auto-mutilação que um dos personagens anda a fazer ao longo do filme. Ao menos aí era violência gratuita sem mais nenhuma intenção ou tratamento estético!



 

The Woman, por Carlos Antunes


Título original: The Woman
Realização: Lucky McKee
Realização: Lucky McKee e Jack Ketchum
Elenco: Pollyanna McIntoshAngela Bettis, Sean BridgersLauren Ashley Carter

A luxúria de um homem condu-lo a levar para casa uma mulher em "estado selvagem" no desejo de a domesticar e, como viremos a descobrir, submetê-la a ele como os restantes seres que o rodeiam.
Os cães e a família. Este é mais do que um homem dominador, é um violento modelador do predomínio de uma mentalidade machista.
A sua família está notoriamente isolada da sociedade que a poderia ajudar a fugir ao medo imposto.
A casa está isolada, a mulher não trabalha, a filha vive num medo silenciado e o filho é o único ser aceite - desde que cumpra com os desígnios do pai e se modele através dele.
O domínio masculino é de tal ordem que, contra toda a lógica e apesar de todo o entendimento do que aquela mulher faz ali, todos o acabam por ajudar nas tarefas que ele determina para cuidar da mulher que trouxe dos bosques.
Lucky McKee não prima pela subtileza. Ele deixa tudo à mostra nas suas cenas, todos os momentos que causam ânsia ao espectador pela sua surpresa.
Mas é, muitas vezes, esse olhar directo para o inesperado em vez da sua mera sugestão que o torna tão mais eficaz.
Uma opinião (da mulher) interrompida por um estalo (do marido) e depois ele sorri e dirige-se para a cama. Enquanto durou o sorriso que ele prepara para o mundo de nada desconfiar não suspeitamos que é aquele o grau de sujeição daquela mulher. Depois disso nunca saberemos até onde mais pdoerá ir porque o sorriso está sempre à tona e não revela nada.
Somos como o círculo de pessoas que se cruza com aquela família, incapazes de confirmar a verdade debaixo das aparências, ainda que saibamos que algo está mal.
A forma alheada de marcar presença de Angela Bettis é um acto extraordinário de uma actriz que não vemos vezes suficientes. E o ar naturalmente agradável de Sean Bridgers ajuda a que nos surpreendamos com a brutalidade que é capaz de representar - veja-se como os olhos sugam as personagens à sua frente e como as inflexões de voz são como ataques demasiado rápidos para alguma vez terem defesa.
Com eles como casal-modelo do estado errado da realidade doméstica, Pollyanna McIntosh desaparece. Nem tanto por estar fechada e longe da vista a maior parte do tempo, mas porque a sua violência está à vista e em modo de espera. Mas a verdadeira violência imposta pelo homem à mulher e pela mulher a si mesma. Pollyanna McIntosh está ali apenas para fazer o corte final na história.
E o final do filme é um problema de coerência com o restante. O salto para a violência toma de assalto a lógica das personagens.
A figura dominadora que se mostrava violenta de forma calculista torna-se, de súbito, um assassino movido pelas emoções incontroladas.
É o mote para a liberação e revolta feminista, com um grau de violência que não poupa, sequer, uma das vítimas do machismo dominante.
Era o que o público estava à espera desde o início, o grafismo brutal com uma surpresa exagerada pelo meio, mas é o que derruba o melhor da composição dramática prévia.
Aquele lançar no mundo das bases de um novo núcleo familiar, matriarcal e com o único homem submisso, tem um poder reduzido pela forma como foi alcançado. E nem a metáfora da ligação pelo sangue melhora o momento.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Vencedores do passatempo SyFy Fest - 3.ª Mostra de Cinema Fantástico: "Dictado"

 

E os vencedores dos convites duplos para a sessão de abertura do  SyFy Fest - 3.ª Mostra de Cinema Fantástico com a exibição do filme espanhol Dictado são:

Dia 16 de Março (Sexta-feira) - Lisboa | Cinema São Jorge às 21h 
Elsa Teresa Fernandes Pereira Nunes 
Luís Miguel Santos da Costa e Silva
Marina Renata Moço Chaleira
Rita Isabel Monarca
Tiago Gomes Colaço

Parabéns! Receberão um e-mail com informações de como podem levantar o vosso convite.

terça-feira, 13 de março de 2012

Passatempo SyFy Fest - 3.ª Mostra de Cinema Fantástico: "Dictado"


O Split Screen associa-se à SyFy Fest - 3.ª Mostra de Cinema Fantástico, que se realiza este ano no Cinema São Jorge, em Lisboa, entre 16 a 18 de Março.

A sessão de abertura este ano realizar-se-á com a antestreia do filme espanhol Dictado, que esteve em competição no Festival de Berlim 2012. O filme de terror centra-se na história de um homem que aceita tomar conta da filha de um amigo que se suicidou.


Dictado não tem data de estreia nacional prevista, mas os nossos leitores terão a oportunidade de assistir à sua exibição. Temos 5 convites duplos para oferecer:
  • Dia 16 de Março (Sexta-feira) - Lisboa | Cinema São Jorge às 21h

Para se habilitarem a ganhar devem preencher correctamente o seguinte formulário:


Notas:
- O passatempo decorre até às 20h00 do dia 15 de Março, sendo excluídas todas as respostas que chegarem depois desse prazo.
- Apenas será aceite uma participação por e-mail e por pessoa.
- Os premiados serão escolhidos entre todos aqueles que apresentarem uma participação válida - com as respostas correctas às questões, juntamente com todos os dados solicitados - e a escolha será definitiva a menos que se apresente um caso de fraude. A escolha é aleatória.
- O nome dos vencedores será publicado neste blogue e os mesmos serão avisados por email.
- Em caso de não concordar com alguma destas regras, deverá abster-se de participar.
- Antes de participarem certifiquem-se que poderão comparecer no dia indicado. Em casos de força maior, deverão comunicar atempadamente a vossa ausência através do e-mail acima indicado. Reservamo-nos o direito de excluir de futuros passatempos todos os que não cumprirem estas regras.
- Os convites estão limitados à lotação da sala. O Split Screen não se responsabiliza por eventuais lotações esgotadas que possam ocorrer na data indicada.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Novidades na programação da Syfy Fest - 3.ª Mostra de Cinema Fantástico


Foram anunciadas algumas novidades na programação da Syfy Fest - 3.ª Mostra de Cinema Fantástico, a realizar-se entre 16 a 18 de Março, no Cinema São Jorge, em Lisboa.

Além dos títulos já anunciados (Hell, Hobo with a Shotgun, The Woman e 4:44 Last Day on Earth), a programação remete agora para o primeiro dia da mostra com a antestreia nacional de Dictado, do espanhol Antonio Chavarrías. O filme de terror esteve em competição no Festival de Berlim 2012 e centra-se na história de um homem que aceita tomar conta da filha de um amigo que se suicidou.

No Sábado, haverá ainda (e com entrada gratuita) a exibição do último episódio da primeira temporada de Game of Thrones, em jeito de antecipação da segunda temporada que estreia a 1 de Abril na HBO e em breve no canal SyFy. À programação junta-se ainda o filme The Inkeepers, um filme de terror ambientado num hotel prestes a encerrar e com fama de ser assombrada; a co-produção entre Espanha e México, Atrocious, que inclui a técnica do found footage para contar a história de uma família vítima de um assassinato brutal;  Stakeland, que estreou no MOTELx 2011 e centra-se num jovem que inicia uma caçada implacável após uma epidemia de vampirismo ter como consequência a morte da sua família e ainda Lobos de Arga, vencedor do Prémio da Crítica e Menção do Júri Internacional no Fantasporto 2012, uma divertida produção espanhola de comédia de terror.

Leia também:

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

3.ª Mostra de Cinema Fantástico regressa com "Hell", "Hobot with a Shotgun", "The Woman" e "4:44 Last Day on Earth"


O SyFy Fest - Mostra de Cinema Fantástico regressa a Lisboa para a sua terceira edição, este ano com sede no Cinema São Jorge. A mostra decorrerá de 16 a 18 de Março e contará de novo com o crítico de cinema Rui Pedro Tendinha como anfitrião.

Entre os títulos já anunciados surgem o sci-fi pós-apocalíptico Hell, que está em competição no Fantasporto 2012; o Hobo with a Shotgun, que tal como Machete (2010), nasceu de um falso trailer no filme Grindhouse (2007); o terror The Woman, que estreou no MOTELx 2011 e o drama sci-fi apocalíptico de Abel Ferrara, 4:44 Last Day on Earth, estreado no Festival de Veneza 2011.

terça-feira, 15 de março de 2011

Dream Home, por Carlos Antunes


Título original: Wai dor lei ah yut ho
Realização: Ho-Cheung Pang
Argumento: Ho-Cheung Pang
Elenco: Josie Ho, Michelle Ye e Eason Chan

Dream Home é uma matança, uma sequência de 11 assassinatos movidos por um desejo do qual até se pode dizer ser justo mas que se torna louco e arbitrário na sua expressão violenta.
O filme está longe de se resumir a um festival de sangrenta luxúria, embora esse seja um aspecto evidente e imponente no cômpito geral.



Há uma enorme dose de gore no filme, mas há igualmente um outro lado, talvez difícil de captar entre corpos.
A verdade é que há um comentário feito ao continuado desrespeito pelas pessoas que só o mercado imobiliário gera.
Desrespeito que, em Hong Kong, foi iniciado pela máfia e pelo governo que desejavam rentabilizar espaços em nome de dinheiro e evolução, depois continuado pelos especuladores que acabaram por originar a "Bolha" e, eventualmente, perpetuado pelas próprias pessoas que perderam a noção do valor de uma casa como elemento essencial para outras pessoas.
O trauma que esta sequência causou à protagonista do filme é contado em flashback e dá ideia do que cada um luta pelo que precisa e o que deseja tendo em vista o seu bem estar.


Aquilo que a protagonista faz para ter o que deseja é contado no presente, uma forma pouco subtil de desvalorização do imóvel, a batalha que ainda se pode travar contra o "sistema".
O seu processo para fazer tal coisa parte daquele fundo negro que todos temos (e escondemos) de racionalização de um evento que deveria originar pena e empatia.
A partir daí o realizador explora o gore ao limite, variando um pouco arbitrariamente entre o cruel e o absurdo, sendo que é este último método de violência que parece funcionar melhor.
Não só porque traz um dose de riso agregada que evita um distanciamento emocional total da protagonista - apesar de tudo, uma sofredora - mas também porque é ele que melhor cimenta a crítica generalizada.

Claro que tentando combinar dois aspectos tão extremos num filme tem os seus custos no resultado final.
A crítica eficaz e o horror eficaz não são antagónicos mas o valor de choque inibe a subtileza da mensagem a reter.
Há costuras imperfeitas bem à mostra no processo de unir duas sensibilidades tão diferentes.
Ainda assim admiro como Ho-Cheung Pang não teve pudores de andar a remexer em temas e géneros distintos para fazer o filme que desejava.



Cherry Tree Lane, por Carlos Antunes


Título original: Cherry Tree Lane
Realização: Paul Andrew Williams
Argumento: Paul Andrew Williams
Elenco: Rachael Blake, Tom Butcher e Jumayn Hunter

Apesar de não ultrapassar a hora e um quarto de duração, Cherry Tree Lane consegue definir o essencial do quem e do porquê de um casal se ver sujeito à violência exercida por um trio de jovens violentos.
Um casal que está preocupado com os companheiros que o filho ltem igados ao mundo da droga, mas que prefere silenciar a discussão essencial que devia ter acerca disso mesmo.
Desse grupo social temido mas colocado num canto silencioso da consciência nasce o terror que lhes entra em casa.
O que o autor do filme depois se decide a mostrar é o comportamento direccionado à violência dos três jovens e não a violência em si.
O acto de agressão é simples de executar, mecânica corporal pura. A sustentação dessa acção no período de espera é que parece difícil.


Mas no seio do grupo executante há quem tenha consciência, há quem reaja apenas a ordens e há quem tome o gosto pela violência e a comece a executar variantes daquela que está planeada apenas para passar o tempo.
Seja como for, acabam por se revelar miúdos a cederem rapidamente a um grau de violência pouco comum mas igualmente mal pensado.
A sua inépcia fica patente em pequenos apontamentos, seja a falta de conhecimento para lidar com um comando ou um telefonema para a mãe feito às escondidas.
As personalidades dentro do grupo são funcionais para mostrar que não há forma de alguém tomar posição e travar o erro a partir do momento em que está dominado pelos seus pares.
A facilidade de influência e a inconsciência facilitam a captação de elementos para a violência mas perpetuam a dependência de um modelo dominante que serve, depois, como mau exemplo.


Se não parece haver um grau-limite para a violência que essa geração irresponsabilizada é capaz de cometer, há por outro lado um limite para a violência que a restante sociedade, personificada pelo casal, é capaz de admitir antes de reagir.
O embate de consciências dentro de uma mesma sociedade acaba por ser um dos temas do filme.
Ainda que o filme, através do seu fim em suspenso, sugira a facilidade da inversão da dinâmica de violência de forma que atravesse estratos sociais, não se sente que ele tome isso como sugestão global do que está a relatar.
Por aí o filme não atinge um patamar mais elevado, porque a sua afirmação ideológica é casual, urdida pelo espectador entre os pormenores do argumento sem que este seja (discretamente) trabalhado como indicador da situação-limite que se vive na sociedade britância.


Com ou sem tese, aquilo que se reconhece é a capacidade do autor extrair um realismo tenso do filme.
A espera decorrendo em tempo real e limitada a uma sala onde decorre um convívio pouco ortodoxo entre agredidos e agressores, sublinha a angústia e a incerteza do desfecho que aguarda estas pessoas.
Pessoas pois quase não nos parecem personagens tal é o grau de envolvimento dos actores que acabam por dar uma vida invisível e mais complexa aos seus actos limitados no tempo e no espaço.
Se a isto se adiccionasse um traço mais determinado do argumento Cherry Tree Lane seria essencial como retrato extremo da sociedade actual



segunda-feira, 14 de março de 2011

Captifs, por Carlos Antunes


Título original: Captifs
Realização:
Yann Gozlan
Argumento: Yann Gozlan e Guillaume Lemans
Elenco: Zoé Félix, Eric Savin e Arié Elmaleh

Captifs insere-se num género de terror de sobrevivência que já não tem segredos e que investe cada vez menos em estabelecer algo para lá do limitado período e espaço de cativeiro.
Captifs coloca três personagens sem contexto nem definição num percurso perigoso de pós-guerra que os leva directamente para as mãos de uns sujeitos violentos e bárbaros que precisam de matéria-prima para alimentar o mercado negro de orgãos.
Nem a premissa nem a justificação para ela são originais – basta recordar Turistas como um exemplo óbvio – e, a partir do momento em que a engrenagem narrativa está em movimento, tudo o resto cai no mesmo saco.


Linearmente escrito, seguindo ponto por ponto a inevitabilidade que o público já sabe que vem aí – uma morte, uma tentativa de fuga, um confronto e uma perseguição – o filme não compensa isso sequer com uma boa execução.
Em nenhum momento se consegue sentir tensão ou angústia para com a situação que se nos apresenta. Muita da culpa é do tempo morto entre marcos de acção. Morto porque não consegue, na sua espera, gerar expectativa.
Outra tanta é da tal falta de composição de ambientes, de personagens ou de cenários apesar da adição de elementos de (ridícula) profundidade psicológica relacionados com a infância da protagonista e que, no final de contas, serve apenas à introdução de umas cenas com cães.


Sem ritmo nem ambiente, apesar de tudo o filme dura 80 minutos mas estaria mais do que despachado em metade disso.
Trata-se aqui de esticar o que seria o fulcro do filme para o tornar no filme inteiro, como se o início de um filme fosse dispensável.
Sem porta de entrada na vida das personagens ou no contexto geográfico da acção, o filme parece um trabalho inacabado que partiu logo das componentes a que o trabalho devia chegar, sobretudo no que toca a uma ilusão de virtuosismo visual envolvendo um milheiral.



sábado, 12 de março de 2011

Buried, por Carlos Antunes


Título original: Buried
Realização: Rodrigo Cortés
Argumento: Chris Sparling
Elenco: Ryan Reynolds, Samantha Mathis (voz), Robert Paterson (voz) e José Luis García Pérez (voz)

Diria que é quase impossível sair desta sessão e não fazer comparações com 127 Horas dado que a mecânica de ambos é a mesma.
Um homem sozinho num espaço extremamente limitado, o que exige que um actor sozinho componha o filme sem acesso a quase nenhum estímulo exterior.
Feita essa comparação a balança começa a tender favoravelmente para Rodrigo Cortés que fez aquilo que censurei a Danny Boyle: ser inflexível com a situação criada.
Cortés não tem um único plano externo ao espaço confinado da sua história e apenas promove um pequeno fluxo de informação através de um telemóvel.
Fluxo de informação cuja tendência é a de reduzir o espaço mental do protagonista e aumentar a tensão que se sente sobre o seu destino.


Apesar disto, o filme de Cortés é mais enérgico e activo, ao mesmo tempo que nos envolve irremediavelmente na situação retratada.
Claro que este se trata de um thriller enquanto 127 Horas é um relato verídico. Mas o thriller aqui é quase uma desculpa para um exercício de claustrofobia e tensão.
Se a história implausível deste filme deveria fazer-nos duvidar e afastarmo-nos automaticamente para uma posição de avaliação distanciada do filme, a sua sucessão de infortúnios bem doseados e melhor manipulados engancha-nos.


Nesta conjugação de factores, admira-se o trabalho de Ryan Reynolds, um actor limitado que não mudou aqui o rumo da sua carreira mas que se pode orgulhar de ter criado um grupo de admiradores esporádicos em torno desta sua performance que tem mais de investimento e expressão física do que emocional.
Isso é, também, aquilo que melhor define este filme, um filme bem executado mas que se tornará importante como filme de culto.
Até porque a escolha do cenário de fundo – um Iraque em processo de pós-Guerra e uma América em crise económico-social – tem intenções críticas de pouca relevância que caiem mal com o espectador.
Fosse este um thriller pelo mero prazer da inventividade (como Hitchcock fez alguns) e a sua influência seria mais generalizada.