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segunda-feira, 20 de março de 2023

John Wick: Capítulo 4, por Eduardo Antunes


Título originalJohn Wick: Chapter 4 (2023)
RealizaçãoChad Stahelski

Quando se torna uma franquia uma paródia de si própria? Quando ultrapassa esta o seu inicial contributo e se torna no mesmo cansativo processo contra o qual estava a trabalhar? Questões que me cruzaram o pensamento anteriormente, mas que regressaram nos primeiros minutos deste John Wick, ao ver o mesmo tipo de ameaças expressadas pela lenta rouquidão do protagonista, a qualquer substituível personagem ou extra que repita o seu nome ad infinitum.

sexta-feira, 29 de julho de 2022

Loki - Temporada 1, por Eduardo Antunes


Título original: Loki (2021)
Criadores: Michael Waldron

A personagem interpretada por Hiddleston volta a reforçar o seu carisma num primeiro esforço em almejar o que será o futuro do universo do qual deriva, não explorando totalmente o potencial informado, mas mostrando-se como uma das mais entretidas incursões por estas histórias serializadas em que a Marvel começa a vir apostando.

segunda-feira, 27 de setembro de 2021

Um Lugar Silencioso 2, por Eduardo Antunes


Título originalA Quiet Place Part II (2020)
Realização: John Krasinski
Argumento: John Krasinski

Como tantos outros casos, o sucesso do que se poderá considerar um relativamente pequeno empreendimento sob a forma de A Quiet Place levou à inevitável e talvez injustificada criação de uma sequela, no que se revelou um claro lucro dado o baixo orçamento patente no primeiro filme mas que acaba por não recapitular a novidade do primeiro, antes repetindo e tirando o efeito do mesmo.

domingo, 26 de setembro de 2021

Os Dois Papas, por Eduardo Antunes


Título original: The Two Popes (2019)
RealizaçãoFernando Meirelles
ArgumentoAnthony McCarten
Elenco: Anthony Hopkins, Jonathan Pryce, Juan Minujín
 
Tentativa bem delineada de dar a conhecer de forma mais pessoal a relação entre duas pessoas que à partida não se permitem serem vistas como mais que marcos da instituição que representam, The Two Popes acaba por falhar na forma como pretende apontar os erros subjacentes ao surgimento da relação em causa.

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

O Falcão e o Soldado do Inverno - Temporada 1, por Eduardo Antunes


Título originalThe Falcon and the Winter Soldier (2021)

A segunda série adjacente ao universo cinemático da Marvel pretende instaurar finalmente duas das suas personagens mais secundarizadas como passíveis de almejar o seu próprio projecto. Atingindo esse objectivo, fá-lo infelizmente através de fraca escrita, a qual foca os seus mais interessantes pontos narrativos apenas superficialmente, no que poderia ter sido uma arrojada serialização.

domingo, 20 de dezembro de 2020

The Mandalorian - Temporada 2, por Eduardo Antunes


Aquela que se tornou um fenómeno na sua generalizada e positiva apreciação, pela utilização de elementos narrativos e estéticos reconhecidos mas aplicados a uma história e personagens inteiramente novas, começa The Mandalorian a desligar-se, no entanto, do seu material original para (se) alimentar (d)as relíquias da história da saga, na permanente vontade de desnecessariamente interligar os diversos materiais de uma galáxia tão vasta.

domingo, 19 de abril de 2020

O Homem Invisível, por Eduardo Antunes


Título original: The Invisible Man (2020)
Realização: Leigh Whannell
Argumento: Leigh Whannell

Não é a premissa de um filme controlado no seu orçamento e narrativa, sobre a possível paranóia de uma mulher abusada psicologicamente por uma força inescapável, suficiente para transpor este recontar da clássica história para lá de uma fraca tentativa de modernizar, mais que apenas superficialmente, um simples thriller tedioso.

sábado, 8 de fevereiro de 2020

Bombshell - O Escândalo, por Eduardo Antunes


Título original: Bombshell (2019)
Realização: Jay Roach 
Argumento: Charles Randolph 
Elenco: Charlize Theron, Nicole Kidman, Margot Robbie, John Lithgow

Aproveitando a boa vontade por trás do movimento feminista que cresceu na América do Norte, este é um filme que arrisca muito pouco, retirando, ainda assim, todo o seu potencial das interpretações que enchem as próprias imagens promocionais. Não ficará na memória para além do reportar da situação a quem não a conheça a fundo.

domingo, 29 de setembro de 2019

Marte - Temporadas 1 e 2, por Eduardo Antunes


Título originalMars (2016– )

O elemento que apresentou desde o início esta série é o mesmo que apresenta maiores desafios à medida que a mesma vai avançando. Entre as duas primeiras temporadas, a comunicação entre uma parte documental e uma outra ficcional, em cada episódio, faz com a que nossa atenção esteja constantemente dividida, sempre à espera que uma parte termine, para que possamos assistir à qual realmente foi focada a atenção.

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

O Pintassilgo, por Eduardo Antunes


Título original: The Goldfinch (2019)
Realização: John Crowley
Argumento: Peter Straughan
Uma história vencedora de um Pulitzer, um bom elenco. Pareceriam os ingredientes suficientes para um filme de extrema competência e emoção. Mas um final que se destaca demasiado da restante história de crescimento de uma criança e deixa questões em aberto sobre o protagonista que atentamente acompanhamos, não fugindo no processo a vários dos clichés habituais, acaba por não destacar o suficiente esta de outras narrativas semelhantes, para lá da premissa que oferece o título.

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Stranger Things - Temporada 3, por Eduardo Antunes

https://splitscreen-blog.blogspot.com/2019/08/stranger-things-temporada-3-por-eduardo.html

Título originalStranger Things (2016– )
CriadoresMatt Duffer, Ross Duffer

É engraçado que a frase que vende esta temporada demonstra que num pequeno período tudo pode mudar. E de facto verifica-se uma mudança substancial no que nos cativou na temporada de estreia, sem que se dediquem inteiramente a isso, tentando inteligentemente contrariar uma estagnação que se reconhece em diversas outras estórias serializadas, mas mantendo inexplicavelmente um pé na estrutura original, desfasada da acção diferenciada que pretendem inserir na série.

terça-feira, 9 de julho de 2019

Homem-Aranha: Longe de Casa, por Eduardo Antunes

https://splitscreen-blog.blogspot.com/2019/07/homem-aranha-longe-de-casa-por-eduardo.html

Título originalSpider-Man: Far From Home (2019)
RealizaçãoJon Watts

A mais recente narrativa dedicada ao trepador de paredes da Marvel sofre de um mesmo problema base que Avengers: Endgame. Se à primeira visualização é possível a apreciação de um filme com muito e bons momentos de puro entretenimento, face uma análise posterior começam a surgir os problemas que parecem estar escondidos. Neste caso, essa análise revela uma falta de equilíbrio entre duas visões opostas sobre como interpretar esta personagem no seu novo contexto, que cada vez mais parece afectar as personagens que surgem neste universo narrativo cada vez maior e mais complexo.

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Aladdin, por Eduardo Antunes


Título originalAladdin (2019)
RealizaçãoGuy Ritchie
ArgumentoJohn August, Guy Ritchie

As reimaginações da Disney dos seus próprios filmes clássicos de animação em imagem real sempre pareceram uma tarefa ingrata, principalmente no que toca aos mais amados pelo público e/ou fantasiosos, por não serem transpostos da melhor forma para um meio mais realista. Este Aladdin não prova o contrário, mas é bem vindo em muitos dos aspectos em que faz por diferir do original.

terça-feira, 5 de março de 2019

Capitão Marvel, por Eduardo Antunes


Título originalCaptain Marvel (2019)
RealizaçãoAnna Boden, Ryan Fleck
Argumento: Anna Boden, Ryan Fleck, Geneva Robertson-DworetNicole Perlman, Meg LeFauve

Captain Marvel assemelha-se bastante a um número das bandas desenhadas que está na sua origem. Infelizmente, isso não abona a favor do filme, já que, em detrimento de uma exploração das motivações desta personagem, este filme está mais preocupado com uma narrativa maior baseada no que veio e poderá vir para além de si próprio.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Bumblebee, por Eduardo Antunes


Título original: Bumblebee (2018)
RealizaçãoTravis Knight
ArgumentoChristina Hodson

Apesar do sucesso crescente por territórios asiáticos desta série de filmes baseada nos velhos brinquedos da Hasbro, os últimos filmes demonstraram também um crescente desinteresse neles próprios, muito pelo cansaço do realizador, que não mostrava grande imaginação desde a primeira tentativa. Poderá a oferta de um novo realizador à frente de uma prequela justificar um novo olhar sobre este franchise?

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Aquaman, por Eduardo Antunes


Título original: Aquaman (2018)
Realização: James Wan

Após a demonstração da insegurança por parte dos estúdios responsáveis pelas personagens da DC em arriscar com Justice League, Aquaman demonstra de forma muito peculiar a faca de dois gumes que pode ser apostar numa visão e universo ambiciosos em total liberdade.

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Beuys, por Carlos Antunes



Título original: Beuys
Realização: Andres Veiel
Argumento: Andres Veiel
Elenco: Joseph Beuys, Caroline Tisdall, Rhea Thönges-Stringaris


Beuys é menos um documentário do que uma performance adicional do homem que quis democratizar a definição do que é e de onde se faz arte.
Uma performance construída por mãos alheias com o material filmado de uma vida e a adição de alguns extractos de entrevistas dos que colaboraram de perto com Joseph Beuys.
Sem ser uma glorificação, é um filme discursivo, que propaga o sentido das ideias que o artista alemão expressou ao longo da vida, não só para a arte como para a política.
A componente biográfica que o filme tem surge para que se leiam alguns episódios da vida de Beuys como potenciadores da sua performance pública.
Nenhum deles é confrontado. Nem por verificação factual da mitificação que Beuys deles faz, nem por uma discussão das repercussões morais que eles devam ter tido.
Episódios de carga política não vão além de utensílios para que a dimensão da filosofia artística de Beuys seja elevada.
O acidente de avião que sofreu é dado como matéria de mito e inspiração em algumas das suas instalações. As suas acções como integrante da Luftwaffe ficam sem serem comparadas ao que o seu discurso posterior.
A sua participação na criação de um partido político de mensagem ecológica é mostrado como a sua tentativa de intervir socialmente, em expansão da sua mensagem artística. Fica por discutir a falta de um sentido crítico interno sobre a origem ideológica dos membros ali aceites.
Longe de se reivindicar uma necessidade de julgamento do homem, queria-se do filme o aprofundar do entendimento de Beuys.
Fica longe de retratar Beuys para quem não seja já um conhecedor do seu trabalho e da sua vida, evitando pisar as muitas contradições.
Os atentos a Beuys tentarão extrair alguns detalhes adicionais das imagens que nunca viram, sem terem um desafio à construção que já dele fizeram.
Para os não iniciados, algumas ideias sobressairão como pistas a seguir, além das imagens das performances de Beuys que ficarão como o que de mais atraente o filme tem, embora não se demore nelas o suficiente.
Sem uma interrogação por parte de Andres Veiel, Beuys não pode ir além de um apontamento demasiado satisfeito consigo próprio.
Não acrescentando matéria ao que de revolucionário Joseph Beuys trouxe ao mundo da arte, o filme tem de ser apreciado pela suas qualidades técnicas.
A fluidez da montagem é excelente, empurrando para diante o visionamento mesmo quando o filme frusta os desejos do público para um desafio.
Fica valorizada a pesquisa de materias de Andres Veiel e a construção narrativa a partir deles, alcançando um último discurso articulado que produz a tal performance referida a abrir o texto.
A atitude do filme inspira-se muito na atitude de Beuys, indo adiante e crendo na popularidade (a roçar o populismo) como rebate às críticas que possam surgir.
Não se pode ficar é pela aceitação deste discurso, tendo de se avaliar como a sua obra e a sua vida bate com o discurso.
No fundo, o filme é mais fiel a Beuys e ao que ele inspira noutros artistas do que à vontade que o público possa ter.




sábado, 23 de dezembro de 2017

Star Wars: Episódio VIII - Os Últimos Jedi, por Eduardo Antunes


Título original: Star Wars: Episode VIII - The Last Jedi (2017)
RealizaçãoRian Johnson
Argumento: Rian Johnson

Passados dois anos sobre a que seria a revitalização de um franchise tão adorado durante agora quatro décadas, chegou-nos finalmente o segundo capítulo desta nova trilogia de Star Wars. Depois de um primeiro filme que se apoiava demasiado em ideias anteriores mas se esforçava por criar novas personagens tão interessantes como as suas antecessoras, resta-nos perceber se este universo conseguiu crescer para além dos arquétipos explorados nos filmes originais e consegue levar esta saga para novos lugares.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Vingadores: A Era de Ultron, por Eduardo Antunes


Título original: Avengers: Age of Ultron (2015)
Realização: Joss Whedon
Argumento: Joss Whedon

Foi-nos prometido que este filme se aproximaria de um certo The Empire Strikes Back, naquele que agora conhecemos como o Universo Cinemático da Marvel. A grande questão é se o filme consegue manter as promessas que fez e corresponder às expectativas (talvez exageradamente) criadas, ou se acaba por cair sobre a sua montanha de sucesso pré-determinado e já garantido.

domingo, 5 de abril de 2015

A Ilha de Giovanni, por Carlos Antunes



Título original: Jobanni no shima
Realização: Mizuho Nishikubo
Argumento: Shigemichi Sugita, Wendee Lee, Yoshiki Sakurai
Elenco: Aleksandr Golovchanskiy, Natalie Hoover, Masachika Ichimura


Afirmar que o contexto histórico é o mais chamativo n'A Ilha de Giovanni não implica desde logo desprezar os resultados gráficos ou narrativos do filme. Antes compreender que os momentos em que a história das duas crianças interage de forma mais modesta com a História poderosa e desconhecida do Japão pós-Segunda Guerra Mundial.
A transformação que a inocência das crianças pode ter no espectro das relações entre ocupantes (Russos) e ocupados (Japoneses) não é tema novo mas tem sempre a eficácia de uma perspectiva mais inocente.
O interesse jovem mútuo particularizado pelos dois irmãos e a loira Tanya, gera mesmo uma belíssima cena que termina com um beijo no pátio da escola.
Nessa cena o realizador resgata uma música - Katyusha - que aprendemos a associar ao Exército Russo e ao belicismo (era a alcunha de várias peças de artilharia) e devolve-lhe o sentido original na voz de crianças de ambas as nacionalidades cantando em uníssono.
A ternura e o entendimento - até linguístico - que pode surgir por entre o choque dos povos sugere um olhar que tem algo mais além da inocência, como um revisitar dos frutos daquele período feito à distância temporal de muitas décadas. Algo que se pressente na discussão sobre a electricidade que os Russos trazem à ilha.
Só que mais adiante os dois irmãos são levados da ilha e o filme deriva para uma fuga melodramática entre campos de concentração que reduz por completo os opositores a figuras vagas de arma em punho e sem tempo para compaixão.
O filme abdica da potencial construção dramática que vinha da primeira metade e se assim foge ao idealismo impossível da reconciliação acaba por ceder ao fantasioso pela via quase aventurosa para carregar os traços de comoção.
Nesta segunda metade do filme as personagens têm mais relevo do que os cenários. Se esses eram o que de mais belo o filme mostrava, o trabalho pouco evoluído - datado talvez seja mais justo - com que lida com as figuras humanas remete para as séries animadas de outrora protagonizadas por jovens à sua própria sorte.
Essa lembrança é, apesar de tudo, menos prejudicial do que a d'O Túmulo dos Pirilampos a que a segunda parte do filme muito se assemelha. Não conviria a este filme ser comparado com a obra-prima de Isao Takahata...
Ainda para mais o elemento fulcral da história que poderia ligar o realismo à dose de fantasia é explicado tarde demais para ter propósito.
A obsessão dos irmãos com comboios e a sua fuga para o Comboio Galáctico só farão sentido imediato para os iniciados na cultura nipónica.
Sem desmerecer o trabalho em torno das músicas populares quer russas quer japoneses ou a coragem na escolha dos temas, este filme deixa uma sensação de falhanço.
Haveria para explorar os problemas das relações entre os próprios japoneses sem sequer sair da ilha e fazê-lo através dos pai e tio de Giovanni e Campanella (uma escolha de nomes que requer uma pesquisa acerca do trabalho de Kenji Miyazawa) e como tal se reflectiria nas próprias crianças.
O argumento opta por adicionar elementos avulsos, como um triângulo amoroso inútil porque sempre adiado.
Voltando ao início, o contexto histório é o que fica com o público que será comovido por traços de beleza e por cenas a puxar ao lamento sem que se veja tais elementos unirem-se para criar um filme devidamente memorável.