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quinta-feira, 16 de abril de 2015

"A Despedida" vence o FESTin 2015


O filme A Despedida, do brasileiro Marcelo Galvão (Colegas), venceu o prémio para a Melhor Longa-Metragem de Ficção na sexta-edição do FESTin - Festival de Cinema Itinerante em Língua Portuguesa. O seu actor, Nelson Xavier, foi também premiado. O brasileiro Alemão recebeu uma dupla distinção também: Melhor Realizador para José Eduardo Belmonte e também uma menção honrosa para o seu elenco.

Ficção - Longas-metragens
Melhor Filme: A Despedida, de Marcelo Galvão
Menção Honrosa: Caio Blat, Gabriel Braga Nunes, Marcello Mello Jr., Mariana Nunes, Milhem Cortaz e Otávio Müller em Alemão
Melhor Actor: Nelson Xavier em A Despedida
Melhor Actriz: Priscila Fantin em Jogo de Xadrez
Melhor Realizador: José Eduardo Belmonte por Alemão
Prémio do Público: Lura, de Luís Brás

Ficção - Curtas-metragens
Melhor Filme: Urbanos, de Alessandra Nilo
Menção Honrosa: Balança, de Rui Falcão & O Mal e a Aldeia, de David Serôdio e Diogo Lima
Prémio do Público: A Boneca e o Silêncio, de Carol Rodrigues & O Mal e a Aldeia, de David Serôdio e Diogo Lima

Documentários
Melhor Documentário: Setenta, de Emília Silveira
Menção honrosa: Sem Pena, de Eugenio Puppo & Qitupo, Hoyé; de Chico Carneiro e Rogério Manjate
Prémio do Público: Água para Tabatô, de Paulo Carneiro

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Brasileiro "Cores" vence o FESTin 2014


A produção brasileira Cores venceu o prémio para a Melhor Longa-Metragem do FESTin 2014 - Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa. O filme venceu ainda nas categorias de Melhor Realizador (Francisco Garcia) e Melhor Actriz (Simone Iliescu), com a narrativa que segue três jovens que vivem histórias de amor e tristeza em São Paulo.

Melhor Longa-Metragem
Cores, de Francisco Garcia (Brasil)

Melhor Documentário
De Armas e Bagagens, de Ana Delgado Martins (Portugal)

Melhor Curta
Acalanto, de Arturo Sabóia (Brasil)

Melhor Realizador
Francisco Garcia por Cores (Brasil)

Melhor Actriz
Simone Iliescu em Cores (Brasil)

Melhor Actor
Juliano Cazarré em Serra Pelada (Brasil)

Menção Honrosa para Longa-Metragem
Impunidades Criminosas, de Sol de Carvalho (Moçambique)

Menção Honrosa para Curta-Metragem
Leve-me Pra Sair, de José Agripino (Brasil)

Prémio do Público para Longa-Metragem
Serra Pelada, de Heitor Dhalia (Brasil)

Prémio do Público para Curta-Metragem
Perto, de José Retré (Portugal)

Prémio do Público para Documentário
Azul Alvim, de José Paulo Valente (Portugal)

quinta-feira, 11 de abril de 2013

"A Coleção Invisível" vence FESTin 2013


A produção brasileira A Coleção Invisível foi considerada a Melhor Longa-Metragem do FESTin 2013, Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa. O filme que marca a estreia do realizador Bernard Attal inspira-se num conto de Stefan Zweig. Das curtas-metragens em competição o júri premiou também uma produção brasileira: Cowboy, do realizador Tarcísio Lara Puiati.

Melhor Longa-Metragem
A Coleção Invisível, de Bernard Attal (Brasil)

Prémio CPLP
Cartas para Angola, de Coraci Ruiz e Júlio Matos (Brasil)

Melhor Actriz
Leandra Leal em Bonitinha, mas Ordinária (Brasil)

Melhor Actor
Lázaro Ramos em O Grande Kilapy (Angola)

Menção Honrosa (Longa-Metragem)
Colegas, de Marcelo Galvão (Brasil)

Prémio do Público (Longa-Metragem)
Colegas, de Marcelo Galvão (Brasil)

Melhor Curta-Metragem
Cowboy, de Tarcísio Lara Puiati (Brasil)

Menção Honrosa (Curta-Metragem)
Fernanda Montenegro em A Dama do Estácio (Brasil)
Cristóvão Campos em Nylon da Minha Aldeia (Portugal)
Água Boa, Vida Saudável (São Tomé e Princípe)

Prémio do Público (Curta-Metragem)
O Bebé, de Reza Hajipour (Portugal)

quarta-feira, 16 de maio de 2012

"Febre do Rato" é considerada a Melhor Longa-Metragem do FESTin 2012


Depois dos prémios do público, o júri do FESTin 2012 - Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa decidiu atribuir o prémio de Melhor Longa-Metragem ao filme brasileiro Febre do Rato, de Cláudio Assis.

O júri atribuiu ainda duas menções honrosas aos filmes brasileiros Trampolim do Forte, de João Rodrigo Mattos e Amor?, de João Jardim. Na competição de curtas-metragens, o júri atribuiu um prémio ex-aequo também a duas produções brasileiras: Todos os Balões vão para o Céu, de Frederico Cabral e Marcovaldo, de Cíntia Lage e Rafael Andreazza. Duas menções honrosas foram atribuídas: A Ponte, da moçambicana Diana Manhiça e Revolução nos Rabelados, do cabo-verdiano Mário Benvindo Cabral.

"E Amanhã", de Bruno Cativo, vence prémio do público do FESTin 2012


O FESTin 2012 - Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa termina hoje no Cinema S. Jorge em Lisboa, com a entrega de prémios do certame, seguida da exibição de Amanhã Nunca Mais, do brasileiro Tadeu Jungle.

Antes de serem anunciados os prémios do júri, o festival divulgou o filme E Amanhã..., do português Bruno Cativo, como o vencedor do Prémio do Público para melhor longa-metragem em competição. Na secção de curtas-metragens, o público elegeu A Fábrica, do brasileiro Aly Muritiba.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

FESTin 2012: Os destaques


Começa já esta quarta-feira (dia 9 de Maio) a terceira edição do FESTin - Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa no Cinema São Jorge que terminará a 16 de Maio. O FESTin 2012 trará algumas novidades desde já o facto de passar a ser um festival pago (bilhetes entre 2,50€ e 3€) e de se ter fundido com a Mostra de Cinema Brasileiro, anteriormente organizada pela Fundação Luso-Brasileira. Aproveitando esta fusão e no âmbito das comemorações do Ano do Brasil em Portugal, esta edição do festival dedicar-se-á especialmente ao cinema brasileiro. O festival apresenta ainda uma retrospectiva do argentino Hector Babenco (Kiss of the Spider Woman) e do brasileiro Jardel Filho (Pixote). Este ano o festival apresentará uma secção musical com exibição dos documentários brasileiros As Batidas do Samba (2010) e Mamonas Para Sempre (2009), mantendo a secção Mostra Inclusão Social pelo Cinema, que entre doze curtas-metragens de âmbito social, exibirá o filme Nada Fazi, de Joao Miller Guerra e Filipa Reis, vencedor do Prémio de Cinema Português do Fantasporto 2012.

O Split Screen passa a apresentar os seus destaques do certame:

VIPs (2010), de Toniko Melo
Filme de abertura. Wagner Moura (Tropa de Elite) protagoniza a biopic de Marcelo Nascimento da Rocha, conhecido como o maior vigarista do Brasil, acusado de ter forjado dezasseis identidades, entre as quais ter fingido ser o filho do dono da transportadora aérea brasileira, Gol, conseguindo fazer amizade com famosos numa grande festa no Recife. Venceu o prémio de Melhor Filme, Melhor Actor, Melhor Actor Secundário e Melhor Actriz Secundária no Festival do Rio 2010.

Filme de encerramento do festival, marca a estreia no cinema de Tadeu Jungle. O filme é uma comédia centrada na história de um homem (Lazaro Ramos) que não sabe dizer "não", acabando por se envolver numa série de peripécias para agradar ao seu chefe e à sua família. 

Copa Vidigal (2010), de Luciano Vidigal
Documentário estreado no Douro Film Harvest 2011, centrado no campeonato de futebol de favelas no monte do Vidigal (Rio de Janeiro), com o objectivo de trazer a paz de volta numa área em constante disputa entre traficantes de droga.

Eu Eu Eu, José Lewgoy (2009), de Cláudio Kahns
Documentário sobre a trajectória profissional do actor José Lewgoy, traçando fases da história do cinema e da televisão brasileira. Falecido em 2003, o actor é conhecido pelo percurso internacional, raro no cinema brasileiro, tendo até participado no filme Fitzcarraldo (1982), filme de Werner Herzog.

Comédia sobre uma família em dificuldades financeiras que tentam que a filha (Marisol Ribeiro) engravide do cantor famoso Ivan Carlos (Caco Ciocler), para que assim garantam uma pensão. O problema é que não contavam com a mulher ciumenta do cantor, interpretada por Luana Piovani.

Primeira longa-metragem do cineasta Pola Ribeiro, que se foca em temas como o preconceito e os conflitos religiosos. A narrativa-se centra-se num bancário, negro e bissexual, casado com uma mulher branca e evangélica.

Comédia de humor negro na qual o narrador é um liquidificador que ganhou vida quando lhe foi trocada a hélice. No filme, a rotina de um casal é alterada quando o marido desaparece e a esposa vai à polícia comunicar o seu desaparecimento.

Primeira longa-metragem de Gustavo Pizzi sobre a vida de uma actriz que vê a sua carreira mudar depois de uma audição para um filme estrangeiro. Karine Teles (Madame Satã) ganhou o prémio de Melhor Actriz no Festival do Rio 2010.

Adaptação do livro homónimo de Ziraldo sobre uma professora com métodos didácticos muito diferentes do normal, nos anos 40. Protagonizado por Paola Oliveira, o filme marca o último trabalho do recém-falecido Chico Anysio.

A Antropóloga (2011), de Zeca Nunes Pires
O filme retrata Florianópolis com um novo olhar, falando da memória colectiva, usos e costumes da vida de uma comunidade localizada na Lagoa da Conceição, no mesmo cenário onde há 260 anos chegaram povoadores açorianos. O filme conta com co-produção da RTP Açores.

Primeira longa-metragem do português João Marco, produzida de forma independente e inteiramente filmada no Algarve. O filme centra-se em Tomás (Mário Spencer) e Sofia (Joana Costa), casados há cinco anos, mas que acabam por entrar numa grande crise emocional.

Amor? (2011), de João Jardim
Do co-realizador de Lixo Extraordinário (2010), chegam oito histórias diferentes de casos de violência, física ou psicológica, contra a mulher. Numa fusão entre cinema documental e ficção, baseia-se em depoimentos reais, reproduzidos por actores profissionais.

Dez anos após a sua separação e um dia antes da mudança de Júlio para a Noruega, Ana reencontra-o e a seu convite, visita lugares do seu passado e que poderão reacender a chamar desse amor.

Baseado no livro Por Trás do Véu de Isis, de Marcel Souto Maior, o filme segue três mulheres com problemas familiares que recorrem à ajuda do médium Chico Xavier (Nelson Xavier). A actriz Tainá Müller (Tropa de Elite 2) venceu o prémio do Público para Melhor Actriz Secundária, nos Prémios Contigo 2011.

Clara di Sabura, de José Lopes
Da Guiné-Bissau, o filme é inspirado num poema do jornalista Mussá Baldé e centra-se na história de uma menina que apesar de ter sido criada pela sua avó com carinho e protecção, acabou por não acatar os seus conselhos.

Estreia do português Bruno Cativo, centra-se num jovem estudante de cinema que escreve o seu primeiro best-seller aos 21 anos. Pedro Barroso (Doce Tentação) interpreta esse jovem, para quem os bens materiais têm pouco significado, ao contrário da sua namorada (Diana Nicolau).

Febre do Rato (2010), de Cláudio Assis
Vencedor de oito prémios do Festival de Paulínia 2011, incluindo Melhor Filme, centrado em Zizo, um poeta inconformado e de atitude anarquista. "Febre do rato" é uma expressão popular típica da cidade de Recife que designa alguém que está fora de controlo.

Sequela de O Bandido da Luz Vermelha (1968), que imagina a personagem principal trinta anos depois dos acontecimentos, como um presidiário que descobre que tem um filho e resolve encontrá-lo.

O Guri (2011), de Zeca Brito
O filme centra-se na maldição do lobisomem que paira sobre as terras da fronteira gaúcha, em tempos de guerra, sob o ponto de vista do menino Lucas.

O filme aborda a realidade de um jovem que vê o seu estilo de vida mudar quando acaba por ser posto fora de casa dos tios, por quem foi criado. É aí que acaba por conhecer um produtor musical que mudará o seu destino.

O filme relata os dramas sociais vividos no submundo da cidade de Salvador, entre exploração sexual, tráfico de drogas, pedofilia, trabalho infantil e delinquência, num registo da infância brasileira na primeira década do século XXI.

A programação completa pode ser consultada no sítio oficial.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Brasileiros "O Palhaço", de Selton Mello e "Riscado", de Gustavo Pizzi, entre os primeiros seleccionados do FESTin 2012


Considerados dois dos melhores filmes brasileiros do ano, O Palhaço, de  Selton Mello e Riscado, de Gustavo Pizzi, estão entre os primeiros seleccionados para as secções competitivas da 3.ª edição do FESTin - Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa. O primeiro, realizado, escrito e protagonizado por Selton Mello, é um road movie sobre a insatisfação humana, centrada numa dupla de palhaços. O segundo é a primeira longa-metragem de Gustavo Pizzi sobre a vida de uma actriz que vê a sua carreira mudar depois de uma audição para um filme estrangeiro.

Esta edição do festival dedicar-se-á especialmente ao cinema brasileiro, no âmbito das comemorações do Ano do Brasil em Portugal, passando a integrar anualmente a Mostra de Cinema Brasileiro. Aos dois filmes brasileiros juntam-se ainda Clara Sabura, da Guiné-Bissau, inspirado num poema de Mussa Balde e a curta-metragem cabo-verdiana Revolução nos Rabelados.

A 3.ª edição do FESTin - Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa decorrerá de 9 a 16 de Maio no Cinema S. Jorge em Lisboa.

sábado, 30 de abril de 2011

FESTin 2011: Os vencedores



Decorreu hoje no Cinema São Jorge, a cerimónia de encerramento do FESTin 2011 - Festival de Cinema Itinerante de Lisboa, onde foram anunciados os vencedores do certame desta segunda edição.

Melhor Longa-Metragem
Hortas di Pobreza, de Sara Sousa

Prémio do Público (Longa-Metragem)
Lixo Extraordinário, de Lucy Walker, Karen Harley e João Jardim

Menção Honrosa (Longa-Metragem)
Lixo Extraordinário, de Lucy Walker, Karen Harley e João Jardim

Melhor Curta-Metragem
Contagem, de Gabriel e Maurílio Martins

Menção Honrosa (Curta-Metragem)
Verónica, de António Gonçalves e Ricardo Oliveira
Vidas Deslocadas, de João Marcelo Gomes

Prémio do Público (Curta-Metragem)
Aos Pé, de Zeca Brito

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Lixo Extraordinário, por Tiago Ramos



Título original: Waste Land (2010)
Realização: Lucy Walker, Karen Harley e João Jardim

O mais interessante em Lixo Extraordinário são as vidas dos catadores da lixeira do Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro. As histórias de quem lá foi parar por não ter outra forma de sustento, as vicissitudes das suas vidas familiares no passado e presente e as expectativas em relação ao futuro de quem no fim de contas até tem orgulho no trabalho que faz. Personagens reais que atribuem ao documentário uma outra visão mais sincera, dentro de toda a ansiedade e frustração que os afectam, de quem pede direitos para uma classe que não os tem. É incrível a riqueza dessas vidas que pouco têm e que permitem um retrato social associado a uma crítica social e política. É essa realidade que nos faz perceber o porquê de o documentário ter sido tão bem recebido internacionalmente – foi nomeado para Melhor Documentário nos Óscares 2011, venceu o Prémio do Público em Sundance 2010 e na secção Panorama do Festival de Berlim 2010, onde também lhe foi atribuído o prémio Amnistia Internacional - dado o valor da lição moral subjacente.



O problema aqui é a figura que dá mote a este projecto. Vik Muniz, conceituado artista plástico e fotógrafo brasileiro com grande reconhecimento internacional, apresenta-se a si próprio como uma figura messiânica, que desce do alto do seu pedestal – ao qual ascendeu oriundo do mesmo tipo de mundo onde os catadores vivem – mas que parece que se esquece das suas origens, mesmo quando faz questão de as evidenciar. O projecto social por ele criado – a transformação do lixo em arte como forma de ajudar a financiar a associação de catadores – a dada altura cria a dúvida que não seja mais que uma forma de auto-promoção. Ele é o elo mais fraco de Lixo Extraordinário dentro do rol de personagens extraordinárias que por ali passam.

A questão é que o destaque que lhe é dado – especialmente dada a popularidade do seu nome – enfraquece a estrutura do documentário, especialmente quando Vik Muniz devia servir apenas para contextualizar o projecto. A postura que ele assume em dadas alturas, especialmente no início do documentário onde se nota o seu próprio preconceito em relação aos catadores – que refere serem na sua maioria toxicodependentes - transmite algo irreal e forçado. A forma como ele se vê a si como ao seu projecto desvirtua a ideia, colocando dúvidas sobre o seu mérito e consequências de futuro de quem se vê afastado de uma realidade e depois, após o fim do projecto, se pode ver subitamente atirado para uma realidade a que já não quer pertencer.



Contudo, a visão transformadora do poder da arte é absolutamente encantadora, assim como toda a concepção do projecto onde se transforma lixo em belas obras de arte que garantem aos catadores algum apoio monetário que anteriormente não existia. Quanto mais essa realidade é explorada, melhor se torna o documentário, especialmente nas brilhantes sequências musicais, engrandecidas por composições originais de Moby.

Lixo Extraordinário tinha tudo para ser medíocre e apenas não o chega a ser porque os catadores enchem o ecrã através do seu olhar e experiências. É neles que podemos ver humanidade e sinceridade e um poder quase redentor da criação como forma de aumentar auto-estima. São eles que camuflam o irritante factor auto-promotor da figura arrogante de Vik Muniz.



Classificação:

sexta-feira, 22 de abril de 2011

FESTin 2011 - Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa: Destaques


Com o objectivo de fomentar o intercâmbio cultural nos países de língua portuguesa, surgiu o FESTin - Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa que ganha agora a sua segunda edição, que se inicia a 26 de Abril e termina a 01 de Maio, no Cinema São Jorge em Lisboa. Além da exibição de filmes está previsto ainda para o FESTin 2011, a realização de debates, workshops (Cinema de Animação e Os primeiros passos no cinema) e outras actividades paralelas.

Depois de o ano passado o país homenageado ser Moçambique - acabando ser o filme Terra Sonâmbula (2007), de Teresa Prata, a ganhar o grande prémio - esta segunda edição do festival é dedicada a Portugal. Haverá tempo para se homenagear o cineasta português Manoel de Oliveira - com a atribuição do seu nome à Sala 1 do Cinema S. Jorge e exibição de O Estranho Caso de Angélica - e também João Botelho - através de uma retrospectiva de quatro filmes escolhidos pelo realizador: Conversa Acabada (1982) que será o filme de encerramento do festival, Um Adeus Português (1986), Tempos Difíceis (1988) e Três Palmeiras (1994).

Este ano o filme de abertura será o documentário brasileiro Lixo Extraordinário, de Lucy Walker, Karen Harley e João Jardim, que foi inclusive nomeado para o Óscar de Melhor Documentário. O filme terá estreia comercial em Portugal pela Midas Filmes a 28 de Abril, mas a sua antestreia decorrerá no FESTin com a presença do seu protagonista, o artista plástico Vik Muniz e e co-realizador João Jardim. Seguem-se alguns destaques para a programação do FESTin 2011:

Waste Land (2010), de Lucy Walker

Nomeado para o Óscar de Melhor Documentário, o filme venceu ainda o prémio do Público no Festival de Sundance 2010, o prémio do público na secção Panorama e prémio Amnistia Internacional ambos no Festival de Berlim 2010. Segue o trabalho do artista plástico brasileiro Vik Muniz e um grupo de pessoas que trabalham numa grande lixeira, o Jardim Gramacho no Rio de Janeiro. Com a sua ajuda criam arte através do lixo.

Também do Brasil e integrado na secção competitiva, Segurança Nacional é uma grande produção brasileira protagonizada por Thiago Lacerda e Milton Gonçalves sobre uma rede internacional de tráfico de drogas que ameaça a segurança do país, tendo o Presidente da República que accionar o serviço nacional de inteligência.

Estreado em Portugal o ano passado, Inimigo Sem Rosto é uma adaptação de Vicente Alves do Ó (Quinze Pontos na Alma) do livro da magistrada portuguesa Maria José Morgado e pelo jornalista José Vegar sobre fraude e corrupção em Portugal. O filme é um thriller policial em roda de três vigaristas com nomes de código - Feiticeiro, Albatroz e Turbo - e duas prostitutas, a quem confidenciam as suas vidas. O filme é protagonizado por José Wallenstein, Paulo Nery, António Melo, António Vitorino D'Almeida, São José Correia e Maria João Bastos.

Filmado sem quaisquer apoios financeiros, a não ser dos próprios actores, amigos do realizador, que aceitaram trabalhar sem receber nada, Um Funeral à Chuva fez uma carreira discreta mas de sucesso em Portugal. De uma forma despretensiosa, o filme centra-se num grupo de antigos amigos, estudantes da Universidade da Beira Interior, que voltam a reunir-se na Covilhã passados dez anos, por causa da morte de um deles. No Festival Caminhos do Cinema Português 2010, o filme venceu o prémio de Melhor Longa-Metragem, Prémio de Imprensa e Prémio do Público.

Documentário sobre o famoso Complexo do Alemão, o maior complexo de favelas da América Latina, no Rio de Janeiro, filmado do ponto de vista interno por dois irmãos portugueses que viveram 24 horas por dia, durante três anos, na favela. Estreado no DocLisboa 2010 e vencedor do Prémio Internacional de Direitos Humanos no Artivist Film Festival, o filme é realizado pelo português Mário Patrocínio.

O Milagre de Santa Luzia (2010), de Sérgio Roizenblitz

Documentário que começa a sua visão sobre Luís Gonzaga, um tocador de sanfona (nome pelo qual o acordeão é conhecido no Brasil), mas que abre portas para as mais diversas regiões brasileiras onde a sanfona ganhou destaque e de onde surgiram os seus maiores intérpretes, criando um segmento de música regional no país.

Tchiloli - Identidade de um Povo (2010), de Felisberto Branco

Realizado pelo jornalista Felisberto Branco, o documentário fala sobre a encenação de uma peça de teatro, de nome Tchiloli, que data do século XVI e que se transformou na representação histórica de São Tomé e Príncipe. Escrita por Baltasar Dias, a peça é um longo espectáculo com cerca de quatro horas, baseado num crime cometido pelo príncipe, herdeiro da coroa do imperador francês Carlos Magno. O documentário regista esse espectáculo, através de danças e discursos, mas cria ao mesmo tempo analogias com a realidade cultural das ilhas de S. Tomé e Príncipe.

Hortas di Pobreza (2010), de Sara de Sousa Correia

O filme retrata uma comunidade rural de agricultores numa aldeia remota no sul de Guiné-Bissau, onde os seus habitantes vivem como pequenos produtores. De nome Pobreza, esta aldeia de etnia balanta, embora isolada numa remota península de sal, não vive alheia às dinâmicas económicas globais.


Conheça a programação completa do festival FESTin 2011 aqui.