sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

A Última Estação, por Carlos Antunes


Título original: The Last Station
Realização: Michael Hoffman
Argumento: Michael Hoffman e Jay Parini
Elenco: Helen Mirren, James McAvoy e Christopher Plummer

No ano em que passam 100 anos sobre a morte de Tolstoi é um erro de distribuição não aproveitar essa efeméride para promover um filme que conseguiu, ainda para mais, duas nomeações aos Oscares nas principais categorias de interpretação.
Lançar o filme no final do ano, apenas para garantir rotatividade, é condenar o filme a uma visibilidade menor do que aquela que merece e que poderia atingir.


Quem for, apesar de todas as contrariedades, ver o filme encontrará uma obra muito polida, uma produção de prestígio ao serviço dos seus dois actores principais, mas não um filme interessante.
As composições de Helen Mirren e Christopher Plummer são, de facto, fabulosas, como são sempre, mesmo que se limitem às suas vozes.
Ainda assim é Paul Giamatti quem mais se revela, certamente por ser um papel menos habitual para ele, mais delimitado e ao qual ele dá igual substância.


Sem brilho de outro tipo que não o dos seus actores, o filme falha em dar uma perspectiva rica sobre um homem determinante na História do seu século.
Limita-se a cruzar uma historieta de amor com a fase de ruptura de um longo e fértil casamento.
Manipulando boa parte da consciência dos espectadores entre os dois lados do conflito dentro da família Tolstoi, o filme nem se importa em ser abrangente e deixar a claro o quão preponderante era, naquela época, uma certa fixação pelo pensamento de um homem que conquistou o mundo como romancista.


Sem sentido crítico para o legado que o escritor deixou ao transformar-se em filósofo, o filme não tem realmente nada a dizer.
As incoerências reveladas e e as polémicas causadas por um homem maior que a sua vida apenas são afloradas.
O percurso de Tolstoi como pensador, por mais que tenha influenciado o mundo, tem na verdade de ser revista com sentido crítico.
Um filme que se limita a fazer um retrato polido do fim irrelevante de uma vida que marcou o mundo, não terá grande interesse, mas merecia ao menos mais respeito na hora da distribuição.




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