terça-feira, 16 de março de 2010

Solomon Kane, por Tiago Ramos



Título original: Solomon Kane (2009)
Realização: Michael J. Bassett
Argumento: Michael J. Bassett e Robert E. Howard
Elenco: Rachel Hurd-Wood, Jason Flemyng, Ryan James, Pete Postlethwaite e James Purefoy

Solomon Kane teve honras de abertura naquele que é o maior festival de cinema fantástico e de terror de Portugal e um dos mais reconhecidos internacionalmente, o Fantasporto. O produtor Samuel Hadida e o realizador Michael J. Basset estiveram presentes na apresentação do mesmo, numa excelente oportunidade de dar a conhecer ao público português em antestreia a superprodução épica que terá estreia comercial ainda esta semana.



Solomon Kane é um homem extremamente ambíguo. Tem tanto de mau como de bom. De facto, quando o conhecemos, damos de caras com um homem extremamente agressivo, um lutador nato, sanguinário, cuja guerra é a sua vida e que foge da morte, simplesmente porque sim. Porque pode, porque lhe está no sangue, porque a guerra é o que o faz mover-se. De tal experiência traumatizante, de quase iminente morte, resulta um arrependimento extremo, que tem como consequência a clausura e a vontade de não cometer mais guerra, de não liberar mais sangue. Mas nem sempre a paz resulta e para o arrependimento, o caminho é mais complexo e violento do que à partida poderíamos supor.

Inspirado na criação homónima de Robert E. Howard, Solomon Kane pretende viver das influências dos filmes épicos semelhantes a The Lord of The Rings. De facto, toda a ambiência do mesmo assemelha-se a esse universo fantástico trazido ao cinema pelas mãos de Peter Jackson. Um universo de criaturas fantásticas, magia e algum terror. Uma visão negra de quem fez um pacto com o demónio e agora tenta, com todas as forças, fugir das suas responsabilidades e simultaneamente erradicar o mal do planeta.



Numa realização competente de Michael J. Basset, mas sem grande inspiração, o filme segue um desenvolvimento recheado de clichés e sem grande profundidade, o que se revela um enorme desperdício de material. Isto porque a obra original – que tivemos a oportunidade de oferecer em passatempo aos nossos leitores – permitira uma maior desenvoltura do carácter emocional das personagens. Isto porque o Solomon Kane que conhecemos no filme é mais superficial que o original. Move-se pela vingança e pela esperança, sim. Mas o modo como o faz, acaba por fazer com que o filme se arraste a dada altura, sem grande estímulos e com uma fraca exploração da temática religiosa que seria bastante mais interessante.

James Purefoy (Resident Evil) consegue criar de uma forma competente o retrato de um guerreiro, às avessas consigo próprio, pleno de dúvidas e certezas, e de conflitos internos. A sua composição é de facto a melhor do filme, mas está longe de ser perfeita. De qualquer forma, tal desempenho é auxiliado pelo excelente trabalho de caracterização e guarda-roupa, sendo John Bloomfield (The Mummy). responsável por este último. Tecnicamente o filme é agradável, com um cuidado na sua produção e efeitos especiais, com grande destaque para o design de produção de Ricky Eyres (Heartless, que curiosamente venceu o Grande Prémio Fantasporto 2010) e fotografia de Dan Luastsen (Deliver Us from Evil, também em competição no certame).



Vencedor do Prémio do Público do Fantasporto 2010 (apenas porque teve duas sessões e por conseguinte, mais espectadores?), Solomon Kane é entretenimento agradável, recomendado para fãs do género fantástico, mas acaba por se perder demasiado num desperdício de ideias. Quando o argumento poderia realmente acabar por dar a volta a isso e surge uma ponta solta cuja conclusão poderia de facto culminar em algo de grande interesse e entretenimento, acabamos por nos desiludir ao constatar que tal não foi mais que apenas um pretexto para concluir algo que, desde o início, soava a previsibilidade. Porém, como entretenimento, não deve ser desconsiderado.

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