domingo, 22 de novembro de 2009

Nova Iorque Fora de Horas, por Carlos Antunes

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Título original:
After Hours
Realização: Martin Scorsese
Argumento: Joseph Minion
Elenco: Griffin Dunne, Rosanna Arquette, Linda Fiorentino e Teri Garr

After Hours é quase inconsequente, um pedaço de comédia burlesca que poderia ser protagonizada por Buster Keaton.
Mas sem ter de carregar com qualquer tipo de pretensão senão essa, permite a Scorsese libertar o melhor da sua veia cinematográfica.
A atormentada personagem principal, vivendo a noite num corropio de bizarria, embatendo vezes sem conta com a mais estranha das situações.
É um crescendo, quando parece que não se pode cair em nenhuma situação mais estranha, algo ainda mais tresloucado vem de encontro ao protagonista.
É um labirinto de pura estranheza, num retrato de uma Nova Iorque alternativa, desconhecida, underground, que só se descobre quando se é obrigado a entrar na loucura.

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Scorsese delicia-se com este argumento, que lhe dá a liberdade de voltar a filmar em condições limite: de noite, em poucos dias e sem planificação.
Mas o improviso permite-lhe ir brincando com a própria linguagem do Cinema, subvertendo-a com pequenos pormenores que contribuem para dar ao espectador a mesma sensação de eminente desvario que o protagonista também sente.
Há uma certa incerteza Hitchcockiana dos pormenores mais banais que depois pode explodir em nada senão a nossa envolvência no filme.

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Uma noite alucinante que é tão repleta e excitante para Griffin Dunne como é para o espectador que se disponha a ver a filigrana cinematográfica de Scosese.
Uma delícia, capaz de fascinar o espectador, que só parece inconsequente à superfície desta deliciosa comédia.



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