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domingo, 5 de maio de 2019

Glass, por Eduardo Antunes

https://splitscreen-blog.blogspot.com/2019/04/glass-por-eduardo-antunes.html

Título original: Glass (2019)
RealizaçãoM. Night Shyamalan
Argumento: M. Night Shyamalan

Shyamalan sempre foi um realizador potencialmente desafiante nas suas narrativas, mas cuja concretização das suas ideias nem sempre igualou as expectativas subjacentes. Com Glass, volta a suceder o mesmo, de uma forma um pouco mais desapontante, dado querer ser a ligação entre possivelmente dois dos seus melhores filmes sem conseguir igualar a mestria de ambos.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Depois da Terra, por Tiago Ramos


Título original: After Earth (2013)
Realização: M. Night Shyamalan
Argumento: Gary Whitta e  M. Night Shyamalan

Não se pode dizer necessariamente que filmes como Depois da Terra representam uma ruptura completa com o trabalho anterior de M. Night Shyamalan ou a ausência da sua, digamos, assinatura. Pelo contrário. Até porque a sua personalidade parece quase evidente logo pela forma manuseia a câmara: veja-se a utilização de campos/contracampos frontais, por exemplo. Mas se há temática que sempre foi transversal à sua filmografia foi o medo, aqui um mecanismo usado para servir de alegoria à sociedade contemporânea e tantas vezes reforçada pelos protagonistas ao longo da história. Daí que o problema deste Depois da Terra não passa necessariamente pela ausência da sua personalidade enquanto realizador, como passará sobretudo pela estrutura narrativa (e pela narrativa per se), abdicando Shyamalan de ser ele um realizador-autor, para um mero veículo de uma história pensada - curiosamente ou não - pelo seu protagonista, Will Smith. E o que acabamos por ter em mãos é uma história previsível, num formato a fazer lembrar os videojogos (não só pelo seu tom), mas também na forma como estrutura a acção - temos até direito a uma espécie de "boss final", tão previsível como profundamente banal. E essa história passa por uma tentativa quase spielbergiana - mas frustrada - de abordagem da relação pai/filho, como um relato moralista de contornos (pouco) subtilmente ambientalistas, como uma espécie de "aviso à navegação". A nós, terrestres.

E se a história já não entretém particularmente, os seus protagonistas menos ajudam. Will Smith, do último reduto de actores-canastrões de Hollywood, faz o seu papel, mas sem grande emoção. Já Jaden Smith, tenta ser a sua cópia, mas consegue soar quase sempre forçado, com uma interpretação feita à base de constantes "caretas" para demonstrar emoções extremas. O co-protagonismo de ambos - pai e filho na tela e na vida real - parece fazer demonstrar que Depois da Terra não é mais que uma forma de Will promover o seu filho e lançá-lo para os escaparates de Hollywood, como já havia feito, por exemplo, quando produziu o remake de Karate Kid (2010), protagonizado por Jaden Smith. Aqui, além da história ser da sua autoria, assume tanto o papel de produtor (também a sua esposa e mãe de Jaden, Jada Pinkett Smith, tem a mesma função) como de protagonista, servindo como uma espécie de mentor à distância no argumento, assim como também na vida real. Safa-se Zoë Kravitz, pela sua jovialidade e talento, mesmo que na história esteja reduzida apenas a uma série de memórias.

Depois da Terra é frequentemente uma sucessão de eventos previsíveis e comuns, assim como uma série de afectações dos blockbusters de ficção-científica. A forma como os apresenta, tal como as suas graves incoerências narrativas e um incompreensível e fraco trabalho no que diz respeito aos efeitos visuais (não tinha este filme custado 130 milhões de dólares?), reduzem-no à insignificância que se calhar nem merecia e surge como mais um filme do género, entre tantos outros estreados anualmente. Sem graça e sem carisma.


Classificação:

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O Último Airbender, por Carlos Antunes


Título original:
The Last Airbender
Realização: M. Night Shyamalan
Argumento: M. Night Shyamalan
Elenco: Noah Ringer, Dev Patel e Nicola Peltz

O pior indício para um filme será o momento em que não se consegue apontar uma causa única para o seu mau resultado geral. Quando o que de mau há no filme provem de um sentimento generalizado de falhanço.
Trata-se do caso exacto que ocorre com este filme.


Posso tentar apontar alguns defeitos mais claros: os diálogos escritos para crianças ignorantes em que um interlocutor repete como pergunta a afirmação anterior do outro interlocutor; as filosofias orientais salpicadas à pressa a partir de um livro de bolso comprado no aeroporto; a geral inconsistência da história que não se preocupa com os detalhes e nem sequer com os traços mais latos e essenciais.
Poderíamos engrossar a lista, mas isto são detalhes, apesar de tudo.


Os grandes traços de falhanço vêm de o filme parecer desprovido de ritmo enquanto a narrativa vai saltando de forma cada vez mais espaçada tentando cobrir várias centenas de episódios em hora e meia exacta.
Com tudo isto, parece que os actores estão todos a interpretar a personagem errada.
Não há nem um grão de emoção no filme, nem entre as personagens nem nas cenas de acção com os elementos a permitirem ideias mais extravagantes.


Numa daquelas histórias saídas directamente de um curso de escrita de guiões - só quem não queira é que não prevê como vão correr as duas sequelas anunciadas deste filme - ou há um pouco de chama ou começa tudo a ruir.
Shyamalan até pode gostar do material de origem, mas fazer resumos interessantes não é com ele.



quinta-feira, 21 de maio de 2009

DVD: A Senhora da Água, por Tiago Ramos



Título original: Lady in the Water (2006)
Realização: M. Night Shyamalan
Argumento: M. Night Shyamalan
Elenco: Paul Giamatti, Bryce Dallas Howard, Cindy Cheung e M. Night Shyamalan

Ou se ama ou se odeia. É esse o estigma de M. Night Shyamalan desde The Sixth Sense (1999). Da minha parte não lhe reconheço nenhum fiasco na verdadeira acepção da palavra, sendo grande fã do trabalho do criativo realizador e argumentista. Este A Senhora da Água ganhou dois dos quatro prémios para os quais esteve nomeado... mas não era bem o esperado. O filme venceu dois Prémios Razzie, considerados os piores do Cinema, nos quais M. Nigh Shyamalan foi considerado o pior realizador e o pior actor secundário.



Lady in the Water é um filme totalmente díspar em relação à anterior filmografia do realizador, cruzando os conceitos religiosos e fantásticos numa trama improvável. Shyamalan convida-nos a retornar à infância durante quase duas horas e é essa humildade que devemos ter e deixarmo-nos conduzir até um espaço onde normalmente não se arrisca no cinema. Não nos é escondida a tentativa de elevar esta bedtime story a um thriller fantástico, num argumento rico e sensível.

São exploradas também as crenças espirituais e religiosas em mundos transcendentais e criaturas divinas. É um ensaio sobre as diferenças entre acreditar e não acreditar, questionar ou não e sobre os perigos iminentes de quem pretende destruir algo mais do que a natureza humana e a sua ligação com outros seres.

No argumento de M. Night Shyamalan prima constantemente este fervilhar de ideias diversas e a coragem em "remar contra a maré" de Hollywood. A história é simples e, mesmo longe de ser perfeita, consegue funcionar bem, com detalhes interessantes, rumando a uma tentativa de tornar o filme numa fábula encantada.



Paul Giamatti
tem um desempenho credível, com uma prestação discreta, mas bastante bem conseguida, consolidando o seu talento enquanto actor. Bryce Dallas Howard tem também um bom desempenho, mas não tão equilibrado como em The Village (2004).

Lady in the Water é para mim, um dos melhores trabalhos do realizador, mesmo que incompreendido pela crítica e público em geral.

Classificação:


Extras:


  • A Senhora da Água: Uma história para Adormecer
  • Conhecer A Senhora da Água - Documentário em 6 partes
  • Cenas Adicionais
  • As Audições
  • Apanhados
  • Trailer para DVD e PC
  • Ligações de Internet

Classificação dos Extras:

quinta-feira, 26 de março de 2009

DVD: O Protegido, por Tiago Ramos


Título original: Unbreakable (2000)
Realização: M. Night Shyamalan
Argumento: M. Night Shyamalan
Elenco: Bruce Willis, Samuel L. Jackson, Robin Wright Penn, Spencer Treat Clark e Charlayne Woodard

“A vida real não cabe nos quadradinhos desenhados para ela”.

M. Night Shyamalan é dos casos mais bicudos da indústria cinematográfica. Odiado e amado, poucos realizadores possuem tanta ambiguidade como este. Tão depressa foi considerado como um dos realizadores mais promissores da actualidade, como um génio na sua fase decadente. Pessoalmente, é dos meus realizadores preferidos e poucas vezes me desiludiu. O problema maior é que todos os trabalhos lançados por Shyamalan são alvo de comparação entre o seu primeiro grande sucesso O Sexto Sentido, sem se aperceberem que essa é uma pequena parte do seu currículo.

Unbreakable será certamente dos melhores filmes da carreira de M. Night Shyamalan e aquele que possui um dos melhores elencos. A temática deste argumento baseia-se na banda desenhada, que é das formas de expressão preferidas do realizador. O Protegido é negro e filosófico, com as raízes de Shyamalan bem vincadas, no que diz respeito à narrativa lenta, a que já nos habitou.

Esse poderá ser o maior defeito que muitos apontam ao filme: o facto de algumas partes serem bastante enfadonhas e aparentemente pouco acrescentarem ao argumento. Contudo, cada pequeno pormenor, após um visionamento atento, realmente importa. O Protegido é feito de pormenores simples, que o melhoram com o passar do tempo e nos revela uma obra original e surpreendente.

Um ponto a destacar são as interpretações de Bruce Willis e Samuel L. Jackson, tendo este último a seu cargo, um dos papéis mais misteriosos e fascinantes dos últimos anos. Interessente e sem revelar muito do argumento, é o facto de ambos as personagens resultarem como ying e yang do filme, matéria e anti-matéria no ramo da Física.



O Protegido brinda-nos, por fim, com um dos melhores twists finais dos filmes de Shyamalan e da história do cinema. Quer gostemos, quer não, não podemos desconsiderar o papel de M. Night Shyamalan na indústria cinematográfica e para isso, Unbreakable contribui bastante.

Classificação:
Extras:



  • Menus Interactivos
  • Acesso Directo a Cenas
  • Trailer de Cinema
  • Cenas Eliminadas
  • Making Of de O Protegido com Bruce Willis


Classificação dos Extras: