
Título original: Nothing Personal
Realização: Urszula Antoniak
Argumento: Urszula Antoniak
Eis um filme que se intui e não se explica. Um filme no qual não se buscam perguntas mas pressentem-se respostas.
Um filme que é um verdadeiro olhar de Cinema, uma experiência absorvente e gratificante.
Um filme que é um verdadeiro olhar de Cinema, uma experiência absorvente e gratificante.

Como os seus dois protagonistas, que se inibem de perguntas pessoais, também o filme se inibe de explicar de onde surgiram e porque surgiram estas duas personagens ali.
Haverá razões para que surjam no mesmo espaço e no mesmo momento, para se encontrem quando se tentam perder por completo do mundo.
Mas essas razões são a bagagem que ambos abandonaram. Os seus nomes, aquilo que até ali os definiu não contribui em nada para o seu encontro e para o seu entendimento.
Haverá razões para que surjam no mesmo espaço e no mesmo momento, para se encontrem quando se tentam perder por completo do mundo.
Mas essas razões são a bagagem que ambos abandonaram. Os seus nomes, aquilo que até ali os definiu não contribui em nada para o seu encontro e para o seu entendimento.
Ele e ela apaixonam-se por aquilo que são naquele momento, tábua rasa um perante o outro, inicialmente pouco dispostos a preencherem-se mas inevitavelmente sujeitos a tal processo.
Vão admirar-se, entender-se, amar-se. Sem necessidade de rótulos ou explicações, sem necessidade de contextualização ou comparação.
Sem nada de pessoal eles são descobertas próprias e para o outro, terreno virgem para que floresça o mais belo que guarda a humanidade - por oposição às derrotas (talvez amorosas) que intuímos que eles sofreram anteriormente e que deixaram para trás da forma mais radical possível.
Vão admirar-se, entender-se, amar-se. Sem necessidade de rótulos ou explicações, sem necessidade de contextualização ou comparação.
Sem nada de pessoal eles são descobertas próprias e para o outro, terreno virgem para que floresça o mais belo que guarda a humanidade - por oposição às derrotas (talvez amorosas) que intuímos que eles sofreram anteriormente e que deixaram para trás da forma mais radical possível.

O isolamento é fonte de beleza, como fica aliás bem patente pelo fabuloso domínio dos silêncios que a realizadora faz e pela fotografia rica mas discreta. Fazem da expectativa e da intuição formas visuais de emoção crescente.
E, claro, Lotte Verbeek é arrebatadora, uma actriz com uma expressão única e que fica vincada no espectador, uma actriz que torna a austeridade inebriante para depois nos premiar com uma emoção acolhedora e que parece quase genuína.
E, claro, Lotte Verbeek é arrebatadora, uma actriz com uma expressão única e que fica vincada no espectador, uma actriz que torna a austeridade inebriante para depois nos premiar com uma emoção acolhedora e que parece quase genuína.

Nada Pessoal é um filme onde ver e sentir tem uma importância rara e mesmo radical. O seu trunfo é ser um labor colado à pele da sua autora e dos seus actores e, por isso mesmo, do seu público.
