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domingo, 14 de fevereiro de 2010

New York, I Love You, por Tiago Ramos




A ideia era a mesma que deu origem a Paris, je t'aime: uma obra de amor colectivo por uma cidade. Sob o mote do projecto Cities of Love, do produtor Emmanuel Benbihy, New York, I Love You tentou atingir a mesma qualidade que o seu antecessor, mas sem igual sucesso. O problema maior é com certeza a concretização do projecto na sua globalidade, a que falta alguma coesão.



Aos projectos encomendados a estes dez realizadores falta-lhes identidade. Isto porque se o pano de fundo é a cidade de Nova Iorque, o que encontramos é o anonimato de ruas e esquinas, a imensidão de prédios e automóveis, que poderiam existir em qualquer outra cidade do Mundo. Falta-lhe elementos próprios da cidade, falta o brilho da cidade que nunca dorme, falta chegar e dizer que isto sim é Nova Iorque. A falha começa aí, porque nenhum dos realizadores soube manter a lógica unificadora do projecto que começou com Paris, onde cada uma das curtas-metragens era um postal da cidade.

Ainda, dentro das visões distintas de realizadores diferentes entre si, mais ou menos estilizados, o que se esperava era uma maior abrangência de temas, uma abordagem mais diversa ao tema do Amor. Mas o que encontramos em New York, I Love You é a contínua repetição dos velhos encontros e desencontros, o amor por acaso, o inesperado. Longe de serem necessariamente más escolhas são escolhas pouco inspiradas e que fazem questionar a intenção do realizador.



Daqui o que conseguimos tirar de melhor são os interlúdios. Porque são eles que nos fazem reconhecer a cidade - valham-nos ao menos os táxis caracteristicamente nova-iorquinos - e baseiam-se numa temática de montagem interessante e original, divertida e comovente em alguns momentos. São estes pequenos intervalos - que era suposto funcionarem como isso mesmo - que conseguem segurar o filme. Tecnicamente, as curtas-metragens estão bem construídas e fazem-se valer de boas escolhas musicais que conseguem, pelo menos, transmitir ao espectador alguma sensação de romantismo.

Desta grande mistura de realizadores os segmentos que podemos de facto destacar são os de Mira Nair, Shunji Iwai, Yvan Attal e Shekhar Kapur. Muito do restante que vemos é claramente mediano, desinspirado e por vezes, muito abaixo, da média. Já o elenco de estrelas não é suficiente para assegurar o restante, embora possamos destacar Orland Bloom e Christina Ricci, Bradley Cooper, Natalie Portman (como actriz, claro - a curta realizada por si é agradável, mas mediana), Shia LaBeouf (surpreendentemente), Ethan Hawke e Maggie Q.



New York, I Love You desilude porque é um conjunto de curtas-metragens potencialmente interessantes, mas enclausuradas na sua visão própria, fechadas. O que se pedia aqui era uma maior abertura, uma identidade, uma Nova Iorque mágica e plural.

Classificação:


segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

New York, I Love You; por Carlos Antunes

http://peliculas.labutaca.net/wp-content/uploads/2009/10/new-york-i-love-you-cartel.jpg

Título original:
New York, I Love You
Realização: Mira Nair, Natalie Portman, Brett Ratner, Joshua Marston, Shekhar Kapur, Wen Jiang, Shunji Iwai, Allen Hughes, Yvan Attal e Fatih Akin
Elenco: Bradley Cooper, Shia LaBeouf, Blake Lively, Natalie Portman, Christina Ricci, Robin Wright Penn, Eva Amurri, Hayden Christensen, Orlando Bloom e Ethan Hawke

New York, I Love You quer mostrar a cidade como um local de magia, encontros, enganos, entedimentos, pluralidade, risos, irritações, descobertas e fantasmagorias.
Uma cidade global, o mundo reduzido a uns quarteirões que nunca dormem e onde tudo é, portanto, possível, não importa em que ponto da cidade se esteja.
Quer mostrar uma cidade onde todas as hipóteses são válidas se nos dispusermos a olhá-las e tomá-las por nós mesmos.

http://www.filmofilia.com/wp-content/uploads/2008/04/shia_labeouf.jpg

O problema de tudo isto é que estas histórias poderiam estar a passar-se em qualquer lugar da América. Pior ainda, em qualquer outra cidade do mundo.
São histórias que em alguns casos até têm alma, mas que numa declaração de amor a uma cidade parecem habitá-la como alienados sem um lugar a que chamar seu.
Que sentido fazem então aqui?
Não fosse pelos interlúdios passados nos táxis nova iorquinos e nem se sentiria que estávamos na cidade.

http://www.collider.com/uploads/imageGallery/New_York_I_Love_You/new_york_i_love_you_movie_image_natalie_portman.jpg

Esses interlúdios são o melhor do filme, com aquela ideia de casualidade e encontro - serendipidade será o termo mais acertado e global - que só Nova Iorque parece ter.
O problema é que os interlúdios não chegam a agregar o restante, pequenos pedaços de ficções dispersos uns dos outros, incapazes de criarem uma outra visão da cidade.
Cada um dos realizadores filmou o que quis, fechando-se sobre a sua própria história, não permitindo que os espaços e a vida se infiltrassem.
Sem esses espaços comuns, como poderiam as histórias tocar-se senão artificialmente?
New York, I Love You tem alguns momentos interessantes, curtas-metragens que por si só poderiam ter interesse, mas é no total um puzzle descuidadamente montado que não nos dá uma imagem final distinguível.



http://blog.digitalcontentproducer.com/briefingroom/wp-content/uploads/2009/03/new-york-i-love-you-title.jpg