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sexta-feira, 6 de maio de 2016

Ratchet & Clank, por Telmo Couto


Título original: Ratchet & Clank (2016)
Realização: Kevin Munroe, Jericca Cleland
Argumento: T.J. Fixman, Kevin Munroe, Gerry Swallow
Género: Animação

Depois do jogo, o filme. Na realidade foram planeados e realizados em conjunto e contam a mesma história de diferentes perspetivas, ao contrário do que acontece em muitas adaptações de videojogos para filmes ou vice-versa. Ratchet & Clank não é uma adaptação, mas parte de um projeto transmedia que inclui jogo e filme como parte do reboot de um grande clássico da PlayStation 2 aos tempos modernos.

Ratchet & Clank é a história de um lombax especializado em mecânica, que se cruza com um robô "defeituoso" escapado de uma fábrica onde o vilão está a criar um exército destruidor. Ratchet ambiciona ser um herói, mas para isso terá primeiro de ser aceite na equipa de rangers intergaláticos, liderada pelo Capitão Quark cujo ego é superior ao tamanho dos músculos. É uma história simples e divertida, que falha apenas por ser demasiado apressada na primeira metade, sem dar tempo aos personagens para evoluir naturalmente. Há aqui um problema de ritmo, como se a necessidade de ter sempre alguma coisa a acontecer impedisse o filme de respirar e fluir melhor.

Visualmente, o filme está entre o melhor que se faz atualmente a nível de animação, com personagens muito detalhados e expressivos. Há ainda um conjunto de referências visuais que os fãs do videojogo irão apanhar, embora não seja necessário qualquer conhecimento para desfrutar do filme. A versão dobrada em Português sofre ainda com o mau tratamento de algumas piadas, que saem completamente ao lado, pelo que se recomenda a versão original caso o espectador não esteja a acompanhar crianças pequenas.

Embora esta animação proporcione uma boa experiência, não é tão gratificante para o espectador como é o jogo para o jogador, onde a história é melhor desenvolvida e os personagens têm mais profundidade. Vale principalmente pelo espetáculo visual e pelos sorrisos que vai provocando a toda a família.
Em colaboração com Meus Jogos

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Dylan Dog: Guardião da Noite, por Carlos Antunes


Título original: Dylan Dog: Dead of Night

Dylan Dog é um fumetto cujas histórias são impossíveis de serem enquadradas em categorias estanques. Tem tanto de policial como de horror, mas tem muito mais de pura criação Lovecraftiana das realidades possíveis e impossíveis. E tem, ainda, um humor irreverente à conta de um sidekick que é uma versão de Groucho Marx.
A indústria cinematográfica reduziu tudo isso a uma história com o ambiente policial, uma série de monstros a preencherem a quota de terror e um humor rançoso à conta de um parceiro zombie a necessitar de partes de substituição.
O argumento é tão pobre que até um produtor de uma versão série B de Constantine o teria rejeitado!
Há um artefacto poderoso em jogo, uns clãs antagónicos de vampiros e lobisomens (porque hoje em dia não há mais criaturas possíveis) e um confronto com um demónio como se fosse o nível final de um velho jogo de arcada.
O filme é interpretado por uma série de nomes que não deveríamos voltar a ouvir e por um infeliz Peter Stormare que já merecia voltar a ter um bom papel.
Entre o mau, Brandon Routh destaca-se por ser terrível quando tem um papel que exige algo dele - mesmo que pouco, como é o caso com esta história mal engendrada. O seu único talento é ser terrivelmente auto-paródico sem sequer o saber - daí que os seus momentos em Chuck e Scott Pilgrim vs. the World não sejam assim tão maus, porque pediam tal efeito.
Isto faz de Dylan Dog uma personagem rançoso numa trama bizantina apenas de tantas direcções seguidas de forma inconstante. Se alguém se interessar pela banda desenhada a partir disto será um milagre.
Mais estúpido que toda a destruição feita à personagem é o desperdício de referências cinematográficas e homenagens várias a géneros e criadores que preenchem a BD. Ou seja, havia todo o potencial para enriquecer o discurso cinematográfico de, ao menos, uma das adaptações de banda desenhada que continuam a invadir as salas, fazendo-a lembrar os monstros da Universal ou o terror humorado dos ano 1980.
Em vez disso temos direito a um gigante cliché insípido e idiota com cada piada que tenta fazer, que ainda piora por contar com mais uma aparição de Brandon Routh e do seu cabelo irrepreensível.