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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Predadores, por Carlos Antunes


Título original: Predators
Realização: Nimród Antal
Argumento: Alex Litvak e Michael Finch
Elenco: Adrien Brody, Topher Grace, Alice Braga, Laurence Fishburne e Danny Trejo

Entramos directamente no meio da acção em Predadores, com os corpos a caírem sobre o terreno. Sem introduções desnecessárias, nem demoras inconsequentes.
Sabemos que boa parte do grupo que temos perante nós vai morrer em breve, portanto evitam quaisquer enquadramento dramático. Um breve currículo de cada personagem demonstrando as suas habilitações para estarem ali e depois iniciam-se as hostilidades.


A excepção a isto é, claro, a personagem de Adrien Brody que aproveita bem para dar algum carácter e fundo intrigante ao seu mercenário citador de Hemingway.
A sua relação com a mulher do grupo desequilibra pouco favoravelmente o seu apelo como protagonista mas ainda assim não seria mau volta a vê-lo como líder de mais um filme.
Mais dignidade "artística" ainda chega com as breves mas alucinadas - e focadas e precisas - cenas de Laurence Fishburne como o enlouquecido sobrevivente.
Se as restantes personagens são carne para canhão - exceptuando Topher Grace, a (semi-)incógnita que dura até a fim - é bom ter prestações de bom nível a balizar o nosso interesse para lá das cenas de acção.


Há ainda que levar em conta o imaginário de Robert Rodriguez cujo nome ganhou clara preponderância sobre o de Nimród Antal.
Nimród Antal comanda bem o ritmo do argumento, aproveitando ao máximo o suspense inicial e depois seguindo de forma despachada e sem restrições para as consecutivas cenas de acção.
Mas quando, no meio de uma perseguição, há tempo para um combate de lâminas numa clareira com a erva ao sabor do vento, claramente estamos perante inspirações diversificadas e, acima de tudo, inesperadas num filme como este.
Infelizmente a cena não sai tão bem quanto isso, pois não foi possível baixar-lhe o ritmo o suficiente para que o efeito fosse máximo.


Apesar das intenções de Rodriguez, Predators não tem o mesmo apelo que Aliens, mas também Predator não tinha exactamente a qualidade de Alien.
Mas ressuscitar esta saga a gosto tanto do público que não conhece o original como do que conhece as referências é um golpe preciso.
Claro que estes últimos se interrogarão como é que Predadores maiores e em maior número conseguem morrer mais facilmente, mas isso só mostra que ainda há quem aprecie realmente estas criaturas e a possibilidade de as ver de novo em acção.



segunda-feira, 30 de março de 2009

DVD: O Motel, por Tiago Ramos


Título original: Vacancy (2007)
Realização: Nimród Antal
Argumento: Mark L. Smith
Elenco: Kate Beckinsale, Luke Wilson e Frank Whaley

Se esperam de O Motel uma surpresa, vão ficar desiludidos. Afinal o realizador Nimród Antal revela ainda a sua inexperiência por trás das câmaras, apesar de ser conhecido pelo filme Kontroll, que foi um sucesso de crítica. Contudo, se virmos o filme sem grandes expectativas e como apenas mais um filme de série B, acredito que ficarão surpresos.

A narrativa é semelhante a tantas outras, mas a nível argumentativo percebe-se que Nimród Antal tentou piscar o olho a um remake de Psycho, de Alfred Hitchcock. Ao contrário de Saw e Hostel, O Motel não se reduz ao cliché do cinema gore tão em voga nos últimos tempos e consegue criar algum temor no espectador. Com tantos filmes e sequelas extremamente violentas, com uma abundância exagerada de cenas em que há derramamento de sangue de forma gratuita, é natural que o espectador vá ficando insensível a isso; no entanto, se há coisa que sempre gerou fãs e algum medo foi o suspense, o chamado terror psicológico. O próprio cenário, um quarto de motel, ajuda a criar esse mesmo suspense, a paranóia e o sentido claustrofóbico.

O Motel não é uma obra-prima e nem de perto consegue chegar-se ao patamar de Psycho, tal como o realizador não consegue fugir ao comum copy-paste de filmes do género; contudo, não é necessariamente um filme previsível e podemos contar com alguns rasgos de criatividade.

Se há algo que Nimród Antal consegue neste filme é criar personagens realmente interessantes, utilizando actores que, normalmente, são subestimados. É o caso de Kate Beckinsale, que consegue aqui um registo mais credível que o habitual, no papel de uma esposa deprimida e de Luke Wilson, num registo mais moderado e humilde do que normalmente o seu irmão Owen Wilson surge.

O Motel não sobrevive de um twist final, como é o caso de Saw ou Hostel, nem pretende competir nessa área, como é comum comparar-se. O Motel é um filme de suspense à antiga, sem grande novidade, mas que consegue cumprir o seu objectivo. E nisso está de parabéns.

Classificação:

Extras:


  • Sequência de início de filme alternativa
  • O elenco e a equipa técnica de “O Motel”
  • Curtas-metragens: snuff films
  • Cena adicional




Classificação dos Extras: