quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Produção de "The Good Wife" encerra na sétima temporada


O canal CBS optou por encerrar a produção de The Good Wife na sétima temporada, com um total de cento e cinquenta e seis episódios produzidos. O último episódio será exibido já no dia 8 de Maio.

O fim da série já era esperado, especialmente depois de Robert e Michelle King, criadores da série, terem anunciado que abandonariam o cargo de showrunner no final da actual temporada. Embora nunca tenha conquistado uma grande audiência para os padrões do canal, a série sempre foi uma das favoritas da crítica, tendo recebido quatorze nomeações aos Globos de Ouro (venceu um pela interpretação de Julianna Margulies) e trinta e cinco nomeações aos prémios Emmy (a protagonista venceu duas vezes, a série foi premiada mais três).

A sétima e última temporada de The Good Wife tem registado a média de 8,3 milhões de espectadores, abaixo dos 9,72 milhões da sexta temporada e dos 11,3 milhões de média do canal CBS.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Canal Syfy renova "The Magicians" para uma segunda temporada


O canal Syfy anunciou a renovação de The Magicians para uma segunda temporada. A série é adaptada da obra de Lev Grossman por Sera Gamble (Supernatural) e John McNamara (In Plain Sight).

A história segue um jovem apaixonado por uma série literária de fantasia situada num país encantado chamado Fillory. Ao ser recrutado para uma escola de magos em Nova Iorque, descobre que o mundo sobre o qual lia, existe mesmo.

Com três episódios exibidos a série tem registado cerca de 1,7 milhões de espectadores, somados os dados do DVR de três dias. A segunda temporada de The Magicians contará com treze episódios, com estreia marcada para 2017.

Emmanuel Lubezki vence prémio da American Society of Cinematographers pelo terceiro ano consecutivo


O director de fotografia Emmanuel Lubezki venceu, pelo terceiro ano consecutivo, o prémio da American Society of Cinematographers. O seu trabalho em The Revenant, sucede aos de Birdman e Gravity como o melhor do ano e poderá repetir o feito nos Óscares. Esta é a quinta vez que o mexicano é premiado pelo sindicato norte-americano de directores de fotografia.

CINEMA

Melhor Fotografia em Longa-Metragem
Emmanuel Lubezki por The Revenant

Prémio Spotlight
Adam Arkapaw por Macbeht & Mátyás Erdély por Son of Saul


TELEVISÃO

Melhor Fotografia em Episódio de Série
Vanja Cernjul por "The Fourth Step" (Marco Polo)

Melhor Fotografia em Telefilme, Minissérie ou Episódio Piloto
Pierre Gill por Casanova

Alejandro G. Iñárritu vence prémio do sindicato de realizadores pelo segundo ano consecutivo


O realizador mexicano Alejandro G. Iñárritu fez história ao vencer, pelo segundo ano consecutivo, o prémio de Melhor Realizador entregue pelo Directors Guild of America, o sindicato norte-americano de realizadores. Depois de Birdman, o realizador venceu o prémio este ano por The Revenant, reforçando a sua posição nos Óscares 2016. Apenas sete vezes desde a criação dos DGA, em 1948, é que o vencedor deste prémio não correspondeu ao Óscar de Melhor Realizador (a última foi em 2013, com Ben Affleck, que nem constava na lista de nomeados).

CINEMA

Filme de Ficção
Alejandro G. Iñárritu por The Revenant

Documentário
Matthew Heineman por Cartel Land

Realizador Estreante
Alex Garland por Ex Machina

TELEVISÃO

Telefilme ou Minissérie
Dee Rees por Bessie

Drama
David Nutter por "Mother's Mercy" (Game of Thrones)

Comédia
Chris Addison por "Election Night" (Veep)

Anúncio
Andreas Nilsson por "Time Upon a Once" (GE) & "Dad Song" (Old Spice)

Reality TV
Adam Vetri por Steve Austin's Broken Skull Challenge

"Inside Out" vence dez prémios Annie 2016


O filme Inside Out foi o principal vencedor dos prémios Annie 2016, os mais importantes prémios da animação mundial. O filme da Pixar venceu em dez das quatorze categorias para que estava nomeado, incluindo Melhor Filme de Animação. Com dez nomeações, outro filme da Pixar, The Good Dinosaur, saiu vitorioso apenas em uma categoria. O brasileiro O Menino e o Mundo venceu na categoria de Melhor Filme de Animação Independente.

Melhor Filme de Animação
Inside Out

Melhor Realizador
Pete Docter por Inside Out

Melhor Montagem
Kevin Nolting por Inside Out

Melhor Filme de Animação Independente
O Menino e o Mundo

Melhor Banda Sonora
Michael Giacchino por Inside Out

Melhor Argumento
Pete Docter, Meg LeFauve e Josh Cooley por Inside Out

Todos os vencedores podem ser conhecidos no sítio oficial da International Animated Film Society.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Amazon renova "Mozart in the Jungle" para uma terceira temporada


Depois de Mozart in the Jungle ter arrecadado dois Globos de Ouro 2016 para Melhor Série de Comédia e Melhor Actor em Série de Comédia (Gael García Bernal), o site de streaming Amazon anunciou a sua renovação para uma terceira temporada.

A série segue a vida do maestro Rodrigo, um ex-prodígio no auge da sua carreira. As filmagens da terceira temporada de Mozart in the Jungle terão início no segundo semestre deste ano, com incursões pela Europa, 

Netflix renova "Master of None" para uma segunda temporada


O site de streaming Netflix anunciou a renovação de Master of None para uma segunda temporada. A série, protagonizado, criada, realizada e escrita por Aziz Ansari (Parks and Recreation), segue um actor que segue a sua vida em Nova Iorque, abordando temas como racismo, sexismo, relações e imigração.

Os novos episódios de Master of None serão apenas distribuídos em 2017.

"The Big Short" e "Spotlight" vencem prémios 2016 do sindicato norte-americano dos argumentistas


Os prémios 2016 do sindicato norte-americano dos argumentistas (Writers Guild of America) premiaram The Big Short e Spotlight como o Melhor Argumento Adaptado e Original do ano, respectivamente. Em televisão, Mad Men, Veep, Fargo e Mr. Robot foram os premiados.

CINEMA

Argumento Original
Josh Singer e Tom McCarthy por Spotlight

Argumento Adaptado
Charles Randolph e Adam McKay por The Big Short

Argumento de Documentário
Alex Gibney por Going Clear: Scientology and the Prison of Belief


TELEVISÃO

Drama
Mad Men

Comédia
Veep

Nova Série
Mr. Robot

Argumento Original de Minissérie ou Telefilme
Saints & Strangers

Argumento Adaptado de Minissérie ou Telefilme
Fargo

Argumento Original Curto de Novo Media
Back to Reality (Weight)

Argumento Adaptado Curto de Novo Media
Chapter Two: Phoebe (Heroes Reborn: Dark Matters)

Argumento de Animação
"Housetrap", de Bob's Burgers

Episódio de Drama
"Uno", de Better Call Saul

Episódio de Comédia
"Sand Hill Shuffle", de Silicon Valley

Série de Comédia ou Variedades
Real Time with Bill Maher

Série de Sketches de Comédia
Inside Amy Schumer

Especial de Comédia ou Variedades
Jimmy Kimmel Live: 10th Annual After The Oscars Special

Quiz e Participação da Audiência
Hollywood Game Night

Daytime Drama
General Hospital

Episódio de Programa Infantil
"Gortimer, Ranger and Mel vs. The Endless Night", de Gortimer Gibbon's Life on Normal Street

Argumento de Minissérie Infantil
Descendants

Argumento de Documentário - Notícias Correntes
"American Terrorist", de Frontline

Argumento de Documentário - Outros
"The Great Math Mystery", de Nova

Argumento de Noticiário 
"Cuba", de 60 Minutes

Argumento de Noticiário - Análise ou Comentário
"The Storm After the Storm", de 60 Minutes

"The Revenant" acumula cinco prémios BAFTA 2016


Apesar de Carol e Bridge of Spies liderarem em número de nomeações, foi The Revenant que suplantou a concorrência nos prémios da Academia Britânica de Cinema. Venceu em cinco das oito categorias para as quais estava nomeado, incluindo Melhor Filme, Realizador e Actor. Dado que cerca de quinhentos membros da academia britânica fazem parte da AMPAS, estes números podem antecipar o melhor para o filme nos Óscares. Kate Winslet, Mark Rylance e Brie Larson venceram nas restantes categorias de interpretação.

Brooklyn foi considerado o Melhor Filme Britânico.

Melhor Filme
The Revenant

Melhor Filme Britânico
Brooklyn

Melhor Estreia de um Argumentista, Realizador ou Produtor Britânico
Naji Abu Nowar (argumentista, realizador) e Rupert Lloyd (produtor) por Theeb

Melhor Filme em Língua Não-Inglesa
Los relatos salvajes (Argentina)

Melhor Documentário
Amy

Melhor Filme de Animação
Inside Out

Melhor Realizador
Alejandro Gonzaléz Iñárritu por The Revenant

Melhor Argumento Original
Spotlight

Melhor Argumento Adaptado
The Big Short

Melhor Actor
Leonardo DiCaprio em The Revenant

Melhor Actriz
Brie Larson em Room

Melhor Actor Secundário
Mark Rylance em Bridge of Spies

Melhor Actriz Secundária
Kate Winslet em Steve Jobs

The Danish Girl: "Contra a hegemónica heteronormativa hollywoodiana"

Por Miguel Stichini.

Um filme que se preze tenta desenvolver uma ilusão de espelho da sociedade, oferecendo os seus pontos fortes e os seus pontos fracos ao escrutínio criterioso com a esperança de criar um mundo melhor. Ou simplesmente fornece um sentimento de entretenimento ultrajante que nos permite colocar de parte os nossos problemas por umas horas, enquanto nos deixamos deliciar pelas imagens e pela história.

O argumento adaptado de Lucinda Coxon, ao tentar desenvolver uma história que se enquadre no primeiro grupo, torna-se obediente às várias provocações e desafios que o casal de protagonistas enfrenta com a estrita linearidade da sua história. Diria mesmo que se torna rigidamente mais documental que ficcional. A sua estrutura narrativa aborda a progressiva jornada de mudança de Einar para Lili, mas sem nunca conseguir obter um ritmo orgânico que preencha os espaços em branco de um possível e convincente arco interno.

Por uma questão de foco e impulso, Lucinda Coxon poderia ter eliminado um conjunto de narrativas românticas paralelas que nunca chegam a lado algum. Existem momentos sucintos onde palavras são trocadas entre uma mulher atormentada e a pessoa que outrora fora o seu marido. A situação irretratável de alguém preso dentro do corpo errado surge com eximia exactidão. Depois, esse efeito rapidamente desvanece com one-liners que ameaçam neutralizar o factor surpresa.

É difícil entender de forma adequada a frustração e admiração que o filme de Tom Hooper tenta transmitir. Por um lado, a representação de um transgénero/transexual numa Europa na segunda década do século passado é algo refrescante, ainda que contido. No decorrer da acção não surgem inúmeros discursos de falso moralismo ou demasiadamente melodramáticos. Por outro lado, trata-se de uma história contada através de uma perspectiva de alguém que se pôde dar ao luxo de se submeter a uma intervenção de mudança de sexo e de estatuto social, sem grandes barreiras impostas pela sociedade.

Para um filme que retrata a história de uma das primeiras pessoas a transitar de sexo fisicamente, ela nunca nos transmite uma sensação de medo ou dificuldade face a algo que ainda hoje é extremamente difícil de concretizar. Não deveria ser uma história sobre o sofrimento, por si só, mas não deveria surgir como algo banal. As coisas nem sempre são cor-de-rosa para o protagonista, mas certamente que existirão momentos penosos e trágicos durante a sua jornada e esses nunca nos são apresentados.


Ainda assim, tecnicamente este é o trabalho do sobrestimado Tom Hooper que consegue atingir mais notas certas. O realizador opta por colocar de lado os seus floreados visuais mais irritantes de forma a criar um sentimento mais genuíno, mais imponente. O cineasta decide remeter sua tendência de recorrer a uma gama cinzenta e a espaços de uma negatividade inútil, que nos remetem para uma teatralidade amadora, a um canto deixando que aquelas pessoas ganhem vida e a história surja o mais natural possível.

Enquanto estudo de empatia o filme apresenta-se imparcial e inteligentemente evita tomar o partido de um dos protagonistas. Valentemente conta-nos uma história que precisava ser contada, ainda que o faça mais sobre a perspectiva de Gerda. A transformação de Einar em Lili não contém material suficiente para que se torne em algo profundo e que responda a todas as nossas perguntas. Contudo, é um testamento à versatilidade de Eddie Redmayne que consegue criar mais camadas a uma personagem que rapidamente se poderia ter tornado oca. O actor aceita novamente uma personagem que o desafia fisicamente. Ele consegue adoravelmente jogar com os seus traços andróginos e maneirismos femininos, criando duas personagens discretas, recatas e apaixonadas. Numa das cenas mais marcantes do filme, vemos Einar a visitar um peep-show, enquanto tenta duplicar os gestos da performer atrás do espelho.

O título do filme poderia estar no plural, pois o trabalho de Alicia Vikander não deve ser desvalorizado de forma alguma. A actriz consegue de forma exímia e repleta de nuances retratar uma mulher que se balanceia entre um sentimento de culpa auto-imposta, decepção e lealdade para com os desejos do marido. Argutamente o argumento não a transforma em algo unidimensional; ela suporta o marido de forma incondicional, ao mesmo tempo que o vê fugir-lhe por entre os dedos e com o decorrer da acção apenas a sua solidão persiste.


Dos actores secundários destacam-se três: Matthias Schoenaerts é sedutoramente viril e apresenta uma mentalidade bastante aberta para a época enquanto Hans Axgil, amigo de infância de Einar e futuro amante de Gerda; Ben Whishaw carrega uma sensibilidade intrigante como Henrik, o primeiro amor de Lili; e Amber Heard adiciona um toque de energia e frescura na pele de Ulla, uma bailarina de espírito livre e amiga próxima do casal de protagonistas.

The Danish Girl, tal como um grande artista, tenta ver o mundo a partir de inúmeras perspectivas. Enquanto tenta compreender a sua própria identidade, desenvolve em nós uma sensação de empatia para com a rebeldia e as normativas, os adaptados e os que não se deixam rotular, entre a ténue linha que separa os sexos socialmente estabelecidos.