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terça-feira, 13 de setembro de 2011

Mother's Day, por Carlos Antunes


Título original: Mother's Day
Realização: Darren Lynn Bousman
Argumento: Scott Milam
Elenco: Rebecca De Mornay, Jaime King and Patrick John Flueger

Não conheço o original este filme filme refaz, mas suponho que não há necessidade de ter visto o trabalho da Troma para melhor ou pior apreciar este.
Senti o filme como uma agradável surpresa, sobretudo considerando que tinha Darren Lynn Bousman como o responsável por uma sucessão de filmes que tocaram o execrável.
Aqui ele consegue dominar o ritmo do filme e a expectativa do público através de momentos de apaziguamento que confortam o espectador apesar deste saber que está perante um filme que caminhará para a violência, tal como com ela começou.
Em benefício deste efeito conta o realizador com a interpretação memorável de Rebecca De Mornay, que surge como a mãe que vem cuidar de todas as "crianças" da casa - tanto os seus filhos que a tomaram de assalto como as vítimas.
A sua calma vem dar amparo a todos. Surge como quem vem pedir desculpa pelo comportamento dos filhos que não dá conta da educação que lhes deu e como a negociadora que garantirá que tudo se desenrole sem incidentes.
Por ela chegamos a sentir empatia com aqueles filhos que só querem cuidar dela como ela cuidou deles, embora saídos de um assalto um deles tenha já ameaçado violar uma das mulheres da casa, outro tenha recorrido rapidamente à violência e o terceiro esteja a esvair-se em sangue mas controle o médico que o assiste na ponta da pistola.
A interpretaçãode Rebecca De Mornay é o que faz o filme e aquilo de que não gostamos que ele se desvie. Cresce para a crueldade determinada de uma mãe convicta da sua verdade e castigadora para o mau comportamento alheio mas tem nuances de dúvida pelas decisões tomadas e receio quando a verdade da sua relação e da sua forma de controlo dos filhos ameaça ser revelada.
Isso torna mais notado que à sua volta havia uma larga margem para o filme ser mais curto. Elementos como o tornado que se aproxima ou a cena inicial que em nada define o que vem depois - ou não mais do que a chamada telefónica que é clara na forma como esta mãe instrumentaliza os filhos quando lhe é necessário - deveriam ter sido explorados com afoiteza.
Outros elementos banais neste tipo de filme sobre um sequestro caseiro, como a cena de ida ao multibanco e interacção falhada com elementos exteriores à trama (que também estava em Secuestrados, por exemplo, para se ver o grau de repetição que tem) deviam, simplesmente, ter sido cortados.
As duas cenas mais notadas aquando dessa saída do espaço confinado da casa destoam do tom geral do filme. Apesar de uma - uma perseguição no meio de uma lavandaria - ser visualmente interessante, é tão dispensável como o jogo de crueldade humana que Darren Lynn Bousman parece ter recuperado de uma cena cortada de um dos seus Saw.
São imperfeições - não as únicas, mas exemplificativas - num percurso realmente assustador de uma personagem feminina que me fez ter uma lembrança saudosa da Nurse Ratched. E, por isso, imperfeições insuficientes para evitar o apreço pelo filme.


sexta-feira, 8 de maio de 2009

DVD: Saw 4 - A Revelação, por Tiago Ramos



Título Original: Saw IV (2007)
Realização: Darren Lynn Bousman
Argumento: Patrick Melton e Marcus Dunstan
Elenco: Tobin Bell, Lyriq Bent e Costas Mandylor

Poucas ou nenhumas são as sequelas de filmes que superam o original e este Saw IV não foge à excepção. Depois de tudo aquilo que nos foi apresentado no primeiro filme da saga, a fasquia ficou inalcançável.



Saw IV
pouco nos apresenta de novo. O sadismo latente, o jogo psicológico entre a vítima e o espectador, os quebra-cabeças e os mecanismos de tortura excêntricas mantêm-se os mesmos. Contudo, esta sequela apresenta-nos também o lado legítimo de Jigsaw, o motivo dos seus jogos e as razões intrínsecas por detrás de todo o argumento dos filmes anteriores. Toda a acção do filme é entrecruzada com base em flashbacks que visam o passado de Jigsaw e o aparecimento de outras personagens. Todavia, a nova abordagem, do lado mais humano de Jigsaw, consegue dar uma novo fôlego ao argumento, prejudicando, contudo, a continuação da saga.

De facto, este filme não conseguiu ser tão gore, como os anteriores. Há algo que falta, sem perceber o quê. Ou talvez seja o facto de o espectador já estar tão habituado ao horror comum dos filmes Saw que sentem uma necessidade crescente em termos de cenas de sangue, cujo argumento actual não consegue superar.

Tirando isso, podemos elogiar a excelente interpretação de Tobin Bell, que continua a dar cartas (mais uma vez), com a sua postura séria e impenetrável, mas ao mesmo tempo com uma actuação enigmática, que tanto nos leva a temê-lo, como a compreendê-lo.

A parte final do filme leva-nos a temer a continuação da saga, pelo menos ao nível da qualidade que nos habituou. Neste filme, a trama segue uma narrativa linear, que culmina numa conclusão demasiado objectiva e explícita: a revelação directa do novo discípulo de Jigsaw.

Longe de ser uma obra-prima do cinema, levando em conta os limites que a ocasião obriga não tem um argumento assim tão mau. E conseguiram o impensável: continuar a saga de Jigsaw, sem o mesmo e sem contudo se notar a sua ausência.

Classificação:

Leia também: Saw 5 - A Sucessão

Extras:



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