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sábado, 14 de novembro de 2009

O Dia da Saia, por Carlos Antunes

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Título original:
La Journée de la jupe
Realização: Jean-Paul Lilienfeld
Argumento: Jean-Paul Lilienfeld

Elenco: Isabelle Adjani, Denis Podalydès e Yann Collette

O tema de La Journée de la jupe é o da fractura do tecido social e educacional francês. Tal como em A Turma, mas inversamente, apaga o realismo para originar a discussão pela extrapolação da situação-limite. Assim encontramo-nos repentinamente perante um thriller tenso onde a causa única é social. Uma professora que um dia vê a sua bolha de medo e anti-depressivos estoirar quando tem uma arma na mão. Ela não é uma ameaça, ela é o ponto de escape das ameças que representam os alunos que tenta ensinar. Essa noção será, aliás, fonte de boa parte da tensão vivida para com o lado de fora da sala. Há humor a temperar o intenso drama, há uma sensação de cativante de imersão nos eventos.

Quem quiser deixar-se levar pela trama, sem se atirar à reflexão, poderá fazê-lo. Mas quem quiser analisar os pormenores que vão surgindo compreenderá o poder do comentário social. De como o isolamento de uma comunidade a levará a assumir uma atitude de domínio e manipulação para com aqueles que com quem ela têm de interagir. De como a subjugação daqueles interagem com essa comunidade para evitar serem mal tratados é fonte de menorização e não de aceitação. De como, finalmente, se desculpabiliza essa comunidade

http://www.lexpress.fr/medias/242/la-journee-de-la-jupe_487.jpg

Não é uma questão de atribuição de culpas, mas da constatação de que há demasiadas ideias erradas a servirem de engrenagens à relação social. Por isso mesmo há alunos a mudarem a sua percepção e a sua "lealdade" ao longo do sequestro. Por isso mesmo esta professora cala aquilo que lhe poderia ter valido de salvação perante os seus alunos, defendendo a escola laica e a elevação do professor à condição, apenas, de professor.

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O filme é todo ele uma soberba interpretação de Adjani, uma actriz fabulosa que faz do sequestro o retrato do sequestro pessoal que vivera até aí. O que ali sucede é a resposta aparentemente possível - embora muitos possam falar de exagero - ao que sucedeu antes. Mas Adjani dá-lhe plausibilidade e emoção, dá-lhe um recheio, dá-lhe fascínio, dá-lhe plenitude. Ela é a súmula das divergências de poder.


La Journée de la jupe é um falso entretenimento, uma reflexão disfarçada. O peso daquilo que contem debaixo da sua capa não é disfarçável, mas fica retido na nossa mente insinuando-se debaixo da sua capa mais americanizada. Um poder que o Cinema deve ter mais vezes.



http://www.linternaute.com/cinema/image_diaporama/540/la-journee-de-la-jupe-41884.jpg