Mostrar mensagens com a etiqueta John Maybury. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta John Maybury. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Colete de Forças, por Carlos Antunes


Título original: The Jacket
Realização: John Maybury
Argumento: Massy Tadjedin
Elenco: Adrien Brody, Keira Knightley e Daniel Craig
Editora: Lusomundo Audiovisuais

Evocar as consequências psicológicas da Guerra num soldado que retorna a casa não necessita de artifícios ou complementos para resultar.
Por isso se estranha a necessidade de envolver o drama pessoal em complicações paranormais sobre viagens no tempo.


Complicações pois não são efeitos consistentes. Ha dúvidas claras sobre o que acontece, se é, de facto, viagem no Tempo, ou mera divagação no interior da mente do protagonista.
O mecanismo de deambulação é menos um motivo de thriller sobrenatural do que a forma de chegar à moralidade das segundas oportunidades e da necessidade de aproveitar o Presente quando ele surge.


Uma evidência inegável é que John Maybury se aplicou a fundo neste filme.
O trabalho de realização, de inovação visual, de fotografia e dos actores, foram todos trazidos ao seu melhor nível.
Há seriedade na forma como abordaram o filme, há uma vontade inegável de deixar um filme à posterioridade.
O problema era estrutural no argumento, uma tentativa um pouco falhada de conjugar géneros e de fazer um filme com pertinência sociológica.


A pena maior nisso é que tudo apaga a qualidade da interpretação de Adrien Brody, num papel com mais nuances do que outros tantos que lhe foram atribuídos depois de ter feito The Pianist.
Aliás, ele é o destaque no seio de sólidas performances de todos os actores envolvidos.
Isso apenas evidencia, afinal, que este é um filme com intenções melhores do que os resultados.





Extras

Um olhar sobre The Jacket - Curto mas interessante conjunto de depoiomentos sobre as opções estéticas e as influências do filme.

História do projecto e cenas eliminadas - Meia hora repleta de informação mas nem sempre bem articulada entre entrevistas e as cenas elas próprias.




quinta-feira, 18 de junho de 2009

No Limite do Amor, por Tiago Ramos



Título original: The Edge of Love (2008)
Realização: John Maybury
Argumento: Sharman Macdonald
Elenco: Keira Knightley, Sienna Miller, Cillian Murphy e Matthew Rhys

A questão dos rótulos é, por si só, demasiado enganadora. Anunciado como uma biopic do poeta britânico Dylan Thomas, No Limite do Amor não é mais que um romance de faca e alguidar, onde a suposta personagem principal é das mais secundárias.



No Limite do Amor torna-se quase uma peça tablóide sobre a suposta vida promíscua do poeta, focando-se num polémico e complexo triângulo amoroso, que pouco mais é um pretexto para assemelhar a película a algo semelhante a Atonement (2007). John Maybury tenta criar um ponto de vista poético e romanceado em tempos de guerra, neste caso, Segunda Guerra Mundial. O que resulta em sentido estético não resulta porém em termos narrativos, acabando por cingir-se a essa componente dramática, apenas como um complemento à vida pessoal de Dylan Thomas.

Não é seguramente uma biopic. A construção narrativa é instável e incoerente, principalmente à medida que não se foca no trabalho literário do poeta e dá primazia ao triângulo amoroso, que também não permite explicar correctamente as motivações das personagens por detrás das acções. Por conseguinte, acaba-se por transmitir uma perspectiva bastante subjectiva, simplista e de certa forma viciada, do contexto social e biografia de Dylan Thomas.



Esteticamente, No Limite do Amor está bem concebido. Mas o ângulo demasiado objectivo das câmaras acaba por impedir uma aproximação emocional às personagens. O guarda-roupa está adequado à época, sendo um dos pontos altos do filme, bem como a banda sonora que incute o espírito desolador da Segunda Guerra Mundial.

O elenco não é propriamente exímio na interpretação das suas personagens. Têm um trabalho satisfatório, mas entram demasiadas vezes em piloto automático, condicionados pelo argumento. Keira Knightley repete a fórmula habitual, já comum nos últimos filmes que integra. Sienna Miller tem um papel bastante interessante, a que não foi dado grande ênfase, de certa forma neurótico como em Factory Girl (2006). Matthew Rhys tem uma personagem superficial, o que é irónico, sendo supostamente o protagonista. Cillian Murphy é de longe a personagem mais interessante, principalmente na parte final da longa-metragem, com um desempenho competente.



No Limite do Amor é um romance básico e simplista, que vale apenas pelo valor estético.

Classificação: