
Conclui-se assim uma das sagas mais lucrativas e mediáticas da história do cinema. Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 2 termina a saga que acompanhou uma geração e que cresceu com ela, quer seja no formato literário, cinematográfico ou em ambos. Eu que por mim aqui escrevo nunca me identifiquei com este universo mágico e peculiar que fascinou tantos outros (li apenas o primeiro livro), pelo que o visionamento dos filmes e as respectivas críticas se fizeram tardar no tempo. As opiniões que se seguem são reflexo desse conhecimento reduzido do contexto da saga Harry Potter e antecipam a estreia nacional do capítulo final da saga, a 14 de Julho.
Harry Potter and the Sorcerer's Stone (2001), de Chris Columbus 
½
O filme que iniciou a adaptação da saga escrita por J. K. Rowling acompanha o seu público alvo, pelo que é de notar o seu carácter mais infantil (os protagonistas são também eles crianças). Não é contudo um universo fácil para as mesmas crianças a quem é destinado, dado o seu ambiente negro, mas não deixa de ser também o produto mais familiar de todos os filmes realizados. Chris Columbus (realizador de Home Alone), sempre habituado a criar produtos destinados à família, apresenta Harry Potter e contextualiza-o junto das massas, mas tem como consequência um filme por vezes aborrecido para o restante comum dos mortais. O carisma dos protagonistas Daniel Radcliffe, Rupert Grint e Emma Watson é contudo louvável - especialmente na sua idade - e juntamente com o elemento qualitativo do restante elenco, aliado à sua capacidade técnica, contribuíram com certeza para o sucesso da saga.
Harry Potter and the Chamber of Secrets (2002), de Chris Columbus

Chris Columbus volta à direcção do segundo capítulo da saga. Tentando reproduzir o sucesso do primeiro tomo, o realizador cria também o filme mais fraco de todo o conjunto. Isto porque a sensação principal que fica é a que não consegue manter um aspecto coeso (tanto visualmente como narrativamente), deixando o espectador em mãos com uma manta de retalhos, com a sensação que o cineasta segmenta cada capítulo da história. História essa que também não é particularmente interessante. Nota-se porém um posicionamento mais adulto em relação ao primeiro filme. Embora mantenha o espírito familiar, intensifica as cenas de acção conferindo-lhes um tom negro menos visível em Harry Potter and the Sorcerer's Stone.
Harry Potter and the Prisoner of Azkaban (2004), de Alfonso Cuarón



Chris Columbus abandona a saga para dar o lugar ao mexicano Alfonso Cuarón e trazer-nos aquele que é o melhor filme da saga. Três anos antes, o cineasta tinha trazido Y Tu Mamá También (2001), um filme adulto e sexualizado, pelo que a sua escolha para a realização de uma saga infanto-juvenil pudesse ser questionável, mas na verdade, o tom adulto e praticamente autoral que imprimiu na trama do terceiro capítulo da saga foi uma lufada de ar fresco. A história torna-se densa e obscura - argumento adaptado extremamente atento aos pormenores - o que é intensificado pelo cuidado estético da fotografia de Michael Seresin, bem como da câmara de Alfonso Cuarón. Os efeitos visuais tornam-se menos intrusivos e facilmente o espectador se enquadra melhor no universo mágico de Hogwarts. A banda sonora de John Williams continua a ser das melhores coisas da saga.
Harry Potter and the Goblet of Fire (2005), de Mike Newell


A história do quarto capítulo da saga é bastante tenebrosa e parece que o realizador britânico de Four Weddings and a Funeral (1994) conseguiu equilibrá-la bem no grande ecrã. Não é tão bom como o seu predecessor, mas na verdade é um título bastante coeso e mantém a linha visual obscura que Alfonso Cuarón criou. Emma Watson começa agora a revelar-se como uma das estrelas mais promissoras deste fenómeno mediático. Robert Pattinson surge na trama, antes de outro fenómeno mediático que o levou para a ribalta anos mais tarde (a saga Twilight) e curiosamente aparenta ser um jovem promissor e a sua personagem garante dos momentos mais emocionantes da saga Harry Potter.
Harry Potter and the Order of the Phoenix (2007), de David Yates
½
O problema na realização do até então quase-desconhecido David Yates é que deita por terra todo o estilo autoral que os seus dois antecessores confirmaram e entra num ritmo muito mais convencional e hollywoodesco, de uma forma quase irreparável. A saga entra numa apatia que em Harry Potter and the Order of the Phoenix diferencia bem aqueles que são fãs da saga, dos que não são. Porém o surgimento de personagens como Dolores Umbridge (Imelda Staunton) e Bellatrix Lestrange (Helena Bonham Carter) compensa grande parte do resto.
Harry Potter and the Half-Blood Prince (2009), de David Yates


David Yates regressa à saga que depois seria convidado a finalizar. E aqui o cineasta resolve os erros do capítulo anterior. Abranda o ritmo, mas assume o tom sinistro e adulto da saga (as crianças que cresceram com Harry Potter, já não o são) e revela todo o potencial escondido do protagonista Daniel Radcliffe, que se entrega aqui de corpo e alma ao papel. A qualidade técnica intensifica-se, de onde se destaca a qualidade dos efeitos visuais, especiais, bem como todo o cuidado com o som e iluminação.
Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 1 (2010), de David Yates

½
A tão criticada decisão de dividir o último livro ao meio revelou-se afinal acertada. Esta primeira parte do último capítulo permite-nos respirar (tem menos cenas de acção) e adensa-se na construção das personagens, que são agora jovens adultos com uma difícil e tremenda pressão à sua volta. A história é negra e intensa, bem como tremendamente comovente. Destacam-se três brilhantes cenas: a cena inicial em que Hermione Granger utiliza um feitiço "obliviate" para que os seus pais não sofram pela sua ausência, bem como a cena da dança na tenda entre si e Harry Potter ao som de Nick Cave, que espelham muito bem o assumir da fase adulta da saga, bem como das personagens; e claro está, a cena de animação conhecida como o conto dos três irmãos que confirmam o poderio técnico, bem como a originalidade da equipa. Daniel Radcliffe, Rupert Grint e Emma Watson têm aqui as suas melhores interpretações da saga. Este só não é o melhor capítulo da saga, porque o visual convencional de David Yates (que se diferencia do já icónico terceiro capítulo) não o permite. Destaque negativo para a pouco inspirada banda sonora de Alexandre Desplat (que também pode ter sido menosprezada) e positivo para a fotografia marcante de Eduardo Serra.

½
O filme que iniciou a adaptação da saga escrita por J. K. Rowling acompanha o seu público alvo, pelo que é de notar o seu carácter mais infantil (os protagonistas são também eles crianças). Não é contudo um universo fácil para as mesmas crianças a quem é destinado, dado o seu ambiente negro, mas não deixa de ser também o produto mais familiar de todos os filmes realizados. Chris Columbus (realizador de Home Alone), sempre habituado a criar produtos destinados à família, apresenta Harry Potter e contextualiza-o junto das massas, mas tem como consequência um filme por vezes aborrecido para o restante comum dos mortais. O carisma dos protagonistas Daniel Radcliffe, Rupert Grint e Emma Watson é contudo louvável - especialmente na sua idade - e juntamente com o elemento qualitativo do restante elenco, aliado à sua capacidade técnica, contribuíram com certeza para o sucesso da saga.Harry Potter and the Chamber of Secrets (2002), de Chris Columbus


Chris Columbus volta à direcção do segundo capítulo da saga. Tentando reproduzir o sucesso do primeiro tomo, o realizador cria também o filme mais fraco de todo o conjunto. Isto porque a sensação principal que fica é a que não consegue manter um aspecto coeso (tanto visualmente como narrativamente), deixando o espectador em mãos com uma manta de retalhos, com a sensação que o cineasta segmenta cada capítulo da história. História essa que também não é particularmente interessante. Nota-se porém um posicionamento mais adulto em relação ao primeiro filme. Embora mantenha o espírito familiar, intensifica as cenas de acção conferindo-lhes um tom negro menos visível em Harry Potter and the Sorcerer's Stone.Harry Potter and the Prisoner of Azkaban (2004), de Alfonso Cuarón




Chris Columbus abandona a saga para dar o lugar ao mexicano Alfonso Cuarón e trazer-nos aquele que é o melhor filme da saga. Três anos antes, o cineasta tinha trazido Y Tu Mamá También (2001), um filme adulto e sexualizado, pelo que a sua escolha para a realização de uma saga infanto-juvenil pudesse ser questionável, mas na verdade, o tom adulto e praticamente autoral que imprimiu na trama do terceiro capítulo da saga foi uma lufada de ar fresco. A história torna-se densa e obscura - argumento adaptado extremamente atento aos pormenores - o que é intensificado pelo cuidado estético da fotografia de Michael Seresin, bem como da câmara de Alfonso Cuarón. Os efeitos visuais tornam-se menos intrusivos e facilmente o espectador se enquadra melhor no universo mágico de Hogwarts. A banda sonora de John Williams continua a ser das melhores coisas da saga.Harry Potter and the Goblet of Fire (2005), de Mike Newell



A história do quarto capítulo da saga é bastante tenebrosa e parece que o realizador britânico de Four Weddings and a Funeral (1994) conseguiu equilibrá-la bem no grande ecrã. Não é tão bom como o seu predecessor, mas na verdade é um título bastante coeso e mantém a linha visual obscura que Alfonso Cuarón criou. Emma Watson começa agora a revelar-se como uma das estrelas mais promissoras deste fenómeno mediático. Robert Pattinson surge na trama, antes de outro fenómeno mediático que o levou para a ribalta anos mais tarde (a saga Twilight) e curiosamente aparenta ser um jovem promissor e a sua personagem garante dos momentos mais emocionantes da saga Harry Potter.Harry Potter and the Order of the Phoenix (2007), de David Yates

½
O problema na realização do até então quase-desconhecido David Yates é que deita por terra todo o estilo autoral que os seus dois antecessores confirmaram e entra num ritmo muito mais convencional e hollywoodesco, de uma forma quase irreparável. A saga entra numa apatia que em Harry Potter and the Order of the Phoenix diferencia bem aqueles que são fãs da saga, dos que não são. Porém o surgimento de personagens como Dolores Umbridge (Imelda Staunton) e Bellatrix Lestrange (Helena Bonham Carter) compensa grande parte do resto.Harry Potter and the Half-Blood Prince (2009), de David Yates



David Yates regressa à saga que depois seria convidado a finalizar. E aqui o cineasta resolve os erros do capítulo anterior. Abranda o ritmo, mas assume o tom sinistro e adulto da saga (as crianças que cresceram com Harry Potter, já não o são) e revela todo o potencial escondido do protagonista Daniel Radcliffe, que se entrega aqui de corpo e alma ao papel. A qualidade técnica intensifica-se, de onde se destaca a qualidade dos efeitos visuais, especiais, bem como todo o cuidado com o som e iluminação.Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 1 (2010), de David Yates


½
A tão criticada decisão de dividir o último livro ao meio revelou-se afinal acertada. Esta primeira parte do último capítulo permite-nos respirar (tem menos cenas de acção) e adensa-se na construção das personagens, que são agora jovens adultos com uma difícil e tremenda pressão à sua volta. A história é negra e intensa, bem como tremendamente comovente. Destacam-se três brilhantes cenas: a cena inicial em que Hermione Granger utiliza um feitiço "obliviate" para que os seus pais não sofram pela sua ausência, bem como a cena da dança na tenda entre si e Harry Potter ao som de Nick Cave, que espelham muito bem o assumir da fase adulta da saga, bem como das personagens; e claro está, a cena de animação conhecida como o conto dos três irmãos que confirmam o poderio técnico, bem como a originalidade da equipa. Daniel Radcliffe, Rupert Grint e Emma Watson têm aqui as suas melhores interpretações da saga. Este só não é o melhor capítulo da saga, porque o visual convencional de David Yates (que se diferencia do já icónico terceiro capítulo) não o permite. Destaque negativo para a pouco inspirada banda sonora de Alexandre Desplat (que também pode ter sido menosprezada) e positivo para a fotografia marcante de Eduardo Serra.






