sábado, 28 de maio de 2011

Rubber, por Carlos Antunes



Título original: Rubber
Realização: Quentin Dupieux
Argumento: Quentin Dupieux
Elenco: Stephen Spinella, Roxane Mesquida e Wings Hauser

Um pneu, dolorosamente só olhando os seus irmãos pneus sendo queimados, stalker de uma mulher por quem se apaixona e o causador de uma série de assassinatos numa cidade do interior americano.
A série B que o filme usa como ponto de partida serve como forma de chamar o público que tem de aceitar, ao entrar na sala, a mais bizarra premissa de cinema.
Ou seja, o jogo de atracção e aceitação já foi jogado com o público antes da sessão e, a partir daí, conta-se com um público disposto a submeter-se à experiência.
Uma experiência sobre si mesmo, pois este é um filme que olha para o que é o espectador, a meio caminho entre a metáfora e a tradução física limite.
As perguntas que ficam no ar são sobre a resiliência do público perante o que o filme (não) lhe dá, sobre tudo o que aceita ver porque tal lhe é oferecido, a sua submissão ao que se vê, sobre a justiça sua exigência de uma narrativa linear.
Ver Rubber é o público a olhar para si mesmo e a ter de interrogar-se se estará em condições de continuar a ser público. Mas, nessa perspectiva, é também um filme cujo público, na maioria, será o errado, pois aqueles que vão ver o filme são já capazes de operarem como críticos (e críticos de si mesmos).
Aí regressamos à premissa,tão absurda que poderá levar um público sedento de novidades e estranhezas a ver algo inesperado.


 

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