Realização: Konstantin Bojanov
Argumento: Arnold Barkus e Konstantin Bojanov
Elenco: Angela Nedialkova e Ovanes Torosian
Avé foi um dos mais simples e cativantes filmes em competição no Fantasporto 2011. Uma pequena obra cheia de energia, um portento cinematográfico dentro da sua honestidade. A história simples desenvolve-se na estrutura de um road movie tradicional, construído na direcção da auto-descoberta. Uma viagem literal e simbólica, não original, mas profundamente tocante e que assume uma tendência do protagonismo de jovens marginais à sociedade no cinema indie dos últimos anos. Contudo, dentro dessa simplicidade há também grandes complexidades dentro do filme e personagens que permitem várias análises, veja-se por exemplo a curiosa e constante dicotomia do filme através do imagético uso da cor azul e vermelha (como até se constata no poster).
É uma história que se divide entre romance e temática da passagem de jovem a adulto, mas que não se resume apenas a isso. Especialmente porque as composições dos jovens protagonistas são tão magníficas que transmitem ao espectador uma sensação tão familiar e tão desarmante, o que não deixa de ser curioso num filme sobre confiança. Mesmo com poucos diálogos, há muita verdade e coração nestas interpretações das quais é inevitável destacar a jovem revelação que é Angela Nedialkova.
A honestidade com que o filme é escrito, realizado e protagonizado não deixa de ser curiosa já que a narrativa do filme se centra na mentira e na relação oposta que as personagens principais têm perante ela. E dizer a verdade nem sempre os leva adiante. O que não quer dizer que o filme de Konstantin Bojanov seja um hino à mentira, precisamente porque se há coisa que concluímos rapidamente é que não há forma de fugir da verdade. Trágico, mas honesto. E uma estreia magnífica do realizador búlgaro na ficção.
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