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domingo, 22 de outubro de 2017

Kingsman: O Círculo Dourado, por Eduardo Antunes

https://splitscreen-blog.blogspot.com/2017/10/kingsman-o-circulo-dourado-por-eduardo.html

Título originalKingsman: The Golden Circle (2017)
Realização
Argumento: , Matthew Vaughn

Há uns tempos fizeram-me reparar que Matthew Vaughn nunca voltou aos seus filmes para fazer uma sequela, incluindo Kick-Ass ou X-Men: First Class, que tinham essa possibilidade. E, olhando para o que fez com Kingsman: The Golden Circle, só podemos olhar e pensar que teria uma boa razão para isso.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

X-Men: O Início, por Carlos Antunes


Título original: X-Men: First Class
Realização: Matthew Vaughn
Argumento: Ashley Miller, Zack Stentz, Jane Goldman e Matthew Vaughn 
Elenco: James McAvoy, Michael Fassbender, Kevin Bacon, Rose Byrne, Jennifer Lawrence, January Jones e Nicholas Hoult

X-Men: First Class é o único filme capaz de voltar a unir os espectadores à saga dos mutantes desde que Bryan Singer saiu da cadeira de realizador. Ou não fosse, igualmente, o seu regresso à escrita das histórias.
Aliás, creio mesmo que este filme está ao nível do primeiro, querendo com isto dizer que está longe de deslumbrar mas é altamente competente a preparar (neste caso, recuperar) um franchise.
Em muitos aspectos, até será mais agradável como filme de visionamento único do que X-Men. No outro era necessário montar um cenário que compusesse a totalidade das personagens de peso.
Aqui estamos perante diversas personagens que não chegarão à "idade adulta" da saga, podendo o filme focar-se nos dois amigos/adversários.
Magneto e Professor X e o arco narrativo da sua transformação de companheiros em adversários é a peça central do filme e a substância de drama humano no seio de um filme que acabará por se encher de (bons) efeitos à conta das suas personagens.
Com vantagem clara de Erik sobre Charles enquanto personagem composta como um todo - seja pelo seu passado mais duro, seja porque o vilão tem sempre predomínio na imaginação do público (a ferocidade de Ian McKellen ganha à serenidade de Patrick Stewart embora sejam actores de talento comparável), seja apenas porque Fassbender é melhor actor do McAvoy - este é um início rico para o "que virá a ser", mesmo sentindo-se que a pressa em fechar o arco num único filme foi inimiga de uma transformação mais demorada que daria gosto ver num próximo filme.
A par dessa relação há uma história inserida num mundo real cujo aproveitamente é perspicaz e efectivo. A crise dos misséis de Cuba vê-se aqui como um ponto fulcral que tornou a especulação dos anos 1950 na Guerra Fria, levando do medo exagerado a um descanso vigilante perante a ameaça nuclear legando ao mundo os "Filhos do Átomo".
A escolha do período histórico foi a melhor possível, estou em crer, e aquela que permitiu criar uma aventura com grande valor de entretenimento, mesmo se o público nada mais lhe quiser reconhecer.
Matthew Vaughn leva a aventura com estilo, salpicando a espionagem de James Bond nalguns ambientes e nos visuais e comportamentos dos seus personagens centrais.
Continua a ser um realizador de eleição para entretenimento com qualidade e a sua inserção no mainstream está concluída da forma mais rápida possível, o que agora dificulta que a irreverência retorne (ao contrário do que julgara em Kick-Ass) aos trabalhos do realizador.
Fica-se agradado com esta diversão e, não obstante os possíveis problemas cronológicos de manter duas sagas de mutantes em paralelo com uma delas progredindo em direcção à outra, com a expectativa de que ver o envolvimentos desta primeira equipa em outros eventos reais poderá ser muito interessante.
Tirando a primeira ida à lua de que Transformers 3 já se apropriou, há muito mais no cronologia da Guerra Fria disponível. Não se excluindo, quem sabe, uma equipa russa de mutantes.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Kick-Ass - O Novo Super-Herói, por Tiago Ramos



Título original: Kick-Ass (2010)
Realização: Matthew Vaughn
Argumento:
Matthew Vaughn e Jane Goldman
Elenco: Aaron Johnson, Christopher Mintz-Plasse, Chloe Moretz e Nicolas Cage

A maior ironia que encontramos desde o início de Kick-Ass é que estamos perante um filme de super-heróis, sem super-heróis. Baseado na banda desenhada homónima tida por muitos fãs do género como uma das mais bem conseguidas, mas também violentas de sempre, Kick-Ass brilha pela desconstrução que faz do mito do super-herói. É precisamente o sufixo português "O Novo Super-Herói" que dá de imediato a dica nesse sentido.



E se de início, toda a estética quase cartoonesca pode soar inadvertidamente bizarra para o espectador, a verdade é que depressa nos ambientamos no espírito subversivo que o filme destila largamente nos diálogos e em grande maioria das cenas. Propositadamente apelativo ao público teen, a ideia do anti-herói nascido de alguém com disfunções sociais e claramente com sentimentos de inadaptação (o verdadeiro adolescente) não é original, mas tem como propósito claro a identificação do espectador com a personagem. E resulta.

Embora pleno de estereótipos, na verdade Kick-Ass consegue manter o espírito inventivo e imaginativo por não esconder a sua veia amoral e subversiva. Moralmente condenável para muitos, a verdade é que apesar do bizarro da situação, a realidade a que somos submetidos diariamente não deixa de ser muito diferente da ficção do filme. De realçar a sátira com que somos brindados, em mais que uma cena do filme, aos mass media, à cultura youtube, aos noticiários e à forma explosiva com que os perfis sociais conseguem impulsionar alguém socialmente.

A violência explicitamente gráfica, os diálogos crus e sem filtros, fazem de Kick-Ass uma das maiores lufadas de ar fresco do ano cinematográfico. As sequências violentas são mais que muitas, mas também - dentro do burlesco de toda a situação - justificadas. Porque dentro do espírito do filme e que Matthew Vaughn consegue adaptar ao grande ecrã é do mais genuíno que temos visto. O realizador não deixou, em momento algum, que a sua criatividade (e claramente a obra original) fosse castrada, mesmo que isso tivesse acabado por lhe causar dificuldades na distribuição do filme.



Matthew Vaughn não é um realizador espectacular. A sua estética de videoclip em muitos momentos, pode acabar por irritar, bem como algum slow motion em demasia. É competente na câmara, mas melhor no argumento. A forma como constrói as personagens e as relações entre si é bastante boa, conseguindo criar comoção em momentos aparentemente impossíveis de tal acontecer. Mas é também - e sobretudo - o elenco que consegue elevar o filme. Falamos claro de Mark Strong, no papel de vilão mafioso, mas também de Nicolas Cage - numa sátira à figura do Batman, mas também do treino militar. Por outro lado, a revelação de todo o filme é a jovem Chloe Moretz. A sua personagem, Hit-Girl, é uma das melhores do ano e, arriscaríamos dizer dos últimos anos. Só ela faz jus ao título do filme e evoca em demasiadas alturas o espírito tarantinesco em Kill Bill. A forma extremamente dedicada e energética como a jovem actriz consegue fazer o espectador apaixonar-se pela sua personagem, faz de si alguém a ser seguido de perto nos próximos anos.

Também a banda sonora é igualmente boa e adequada, energética, divertida e explosiva, não esquecendo também e mais uma vez (especialmente com o tema de Ennio Morricone) a cultura pop e a visão e arrojo que tantas vezes evocam Quentin Tarantino.



Kick-Ass é certamente um dos filmes mais divertidos do ano, mas também competente na sua função. Pisca o olho a uma ou várias sequências e daqui se fica com o pensamento: será Matthew Vaughn (ou outro realizador) capaz de repetir o feito?

Classificação:

domingo, 25 de abril de 2010

Kick-Ass - O Novo Super-Herói, por Carlos Antunes


Título original: Kick-Ass
Realização: Matthew Vaughn
Argumento:
Matthew Vaughn e Jane Goldman
Elenco: Aaron Johnson, Christopher Mintz-Plasse, Chloe Moretz e Nicolas Cage

Kick-Ass começa por trazer os super-heróis ao nível realístico da ilusão inocente ou da meticulosa obsessão.
A sua reflexão parece pretender desconstruir as normas que durante décadas regem os super-heróis, banalizando as principais ideias de como estes surgem e da razão porque actuam.


Fá-lo, no entanto, sem deixar de se querer inscrever no universo reconhecível desses mesmo super-heróis, querendo radicalizar o discurso sobre os limites da conjugação , mas levando a forma a ultrapassar esses mesmo limites.
Não é uma desonestidade, é apenas uma limitação de quem não pode fugir - nem ofender - àqueles que seguem e pagam este tipo de produções.
Kick-Ass sofre a quebra de quem até pode ter algumas ideias sobre como o universo dos comics tem de ser enfrentado para se actualizar e superar como forma de arte, mas não tem coragem ou capacidade para o fazer ele próprio, arriscando assim tornar-se um objecto incompreendido.
Kick-Ass não parte do interior do universo de super-heróis para expandir os seus limites, antes tenta tocar essa quebra das normas não se deslocando um milímetro de uma zona segura de concretização.
O mesmo problema que já tinha Wanted, não por acaso do mesmo criador de Kick-Ass, Mark Millar.


O humor inicial de Kick-Ass, capaz de tornar um tiro à queima-roupa de um pai à própria filha num momento de ternura, tem a capacidade de nos colocar na disposição de seguir estes personagens desfasados da realidade por vontade própria.
O herói tosco que leu BD a vida toda e que acha que com o uniforme se transforma no que nunca foi e o pai que treinou a filha de 11 anos como (provavelmente) a melhor lutadora existente.
O grau de violência tem um traço de realismo burlesco, mais exagerado por ser cometido por uma miúda de peruca roxa contra criminosos da pior espécie.
Só lá mais para a frente é que o exagero da resolução da luta a tiro de bazuca deita abaixo muito do esforço inicial e põe em evidência que estes heróis são tão típicos como os outros, com a mesma história de vingança e a mesma predisposição para a sequela.


A viagem é, sem dúvida, repleta de adrenalina, mas insuficiente para quem queria o filme adulto que, dentro do mesmo género, The Dark Knight é, de um pessimismo e desprezo evidente pela realidade e pelo escapismo que deveria proporcionar, sem por isso garantir a atração do público.
Kick-Ass não tem a bitola ao nível primário de muitos filmes adolescentes - como acaba por se ver também através da classificação restritiva com que ficou - mas acaba em termos de estilo no mesmo ponto que no início atirou de cabeça contra um táxi.
Nada de mal em ser auto-crítico enquanto se trabalha de dentro do "sistema", mas é preciso ser subversivo de forma inteligente e assumi-lo, não fingir que se vai quebrar as regras para voltar ao ponto em que se estava.


São os actores que melhor saiem daqui, Mark Strong cada vez mais o vilão perfeito, Nicolas Cage extravagante até ao fim, Aaron Johnson numa revelação convincente e Chloe Moretz a roubar o filme sem esforço (veremos até que ponto pode ir nas mãos de Martin Scorsese).
De Matthew Vaughn continuar a ser mais memorável Stardust, mas se este filme lhe garantir a possibilidade de continuar a fazer filmes mainstream com alguma irreverência, não é mau resultado.
Só fica alguma dose de pena por Kick-Ass não ir mais longe.