Título original: Two Lovers (2008)
Realização: James GrayArgumento: James Gray e
Ric MenelloElenco: Joaquin Phoenix,
Gwyneth Paltrow e
Vinessa Shaw"
Eu tenho dois amores que em nada são iguais (...) uma é loura outra é morena". Em termos populistas esta podia ser a máxima de
Duplo Amor, uma obra amadurecida de
James Gray que se anuncia como o derradeiro trabalho do actor
Joaquin Phoenix. Mas esse não é o único motivo pelo qual deverá o leitor ver este filme.
Amália Rodrigues serve de pano de fundo, várias vezes durante
Duplo Amor. Canta
Estranha Forma de Vida, como se tivesse sido escrita de propósito para o filme. É uma vida soturna, depressiva e francamente realista que
James Gray nos apresenta nesta longa-metragem nomeada no
Festival de Cannes e nos
César Awards.
É uma obra que pisca o olho aos românticos e classicistas, um bonito ensaio sobre o Amor com temáticas como o suicídio, a frustração, o consumo de drogas, os amores proibidos e o adultério. Temáticas nada simples, que figuram ao longo de
Duplo Amor com uma veracidade e honestidade como é raro no Cinema dos nossos dias.
James Gray entrega-nos um romance, com tudo menos floreados, um drama negativo com dores e angústias que nos parecem reais a todo o momento.
Joaquin Phoenix é, neste filme, a angústia em pessoa, a bipolaridade contida num único homem, a depressão que arrasta até ao fundo do poço. Como se de uma ameaça do fim da sua carreira se tratasse. Um excelente trabalho do promissor actor, que não lhe exigiu muita expressividade, é verdade, mas também isso era o menos importante no filme.
Já
Gwyneth Paltrow é o par improvável, o fruto proibido e selvagem. Um trabalho de qualidade que nos faz recordar os momentos altos da carreira da actriz. No lado oposto temos a morena
Vinessa Shaw, o lado estável e socialmente aceitável do triângulo amoroso, com um desempenho bastante positivo.
E é nestes contrastes e ambiguidades que
Duplo Amor se torna um filme sombrio e depressivo, por vezes monótono, como é francamente a nossa vida em determinadas alturas. Se fossemos a ver, este filme não é ficção, é a vida de muitos espelhada em contornos dramáticos e clássicos, é o estado caoticamente dividido em que nos encontramos muitas vezes. É um drama de escolhas que nos faz ansiosamente esperar que afinal este não seja o derradeiro trabalho de
Joaquin Phoenix.
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