domingo, 3 de janeiro de 2010

Dezembro & Sam Mendes: O quadro-síntese

Dezembro foi rico em Cinema. Uma viagem ao universo de um dos mais multifacetados realizadores do momento: Sam Mendes. Dos dramas suburbanos à comédia indie, o resultado final que perdura na nossa memória é o talento e competência do cineasta. Na iniciativa Dezembro & Sam Mendes, além da habitual colaboração do Split Screen, CINEROAD, Flavio's World e seeSAWseen, contou-se também com uma ajuda do outro lado do Atlântico, através do blogger Pedro Tavares do Cinema O Rama. Desde já agradecemos a participação curta, mas de grande qualidade.

Segue o quadro das classificações da filmografia de Sam Mendes:



No final, todas as cinco longas-metragens do realizador foram criticadas, num total de 20 críticas ao longo de toda a iniciativa.

Também na resposta à questão «Para si, qual é o melhor filme de Sam Mendes?» os nosso leitores tiveram oportunidade de indicar os seus favoritos. Numa participação recorde de 114 pessoas, o resultado foi renhido para os dois primeiros classificados.

O primeiro trabalho cinematográfico do realizador, American Beauty, reuniu 47% das preferências dos nossos visitantes, num total de 54 votos. O filme recebeu oito nomeações para os Óscares, dos quais acabou por arrecadar cinco.

Em segundo lugar, o drama suburbano dos anos 50, Revolutionary Road, acabou por ser o preferido de 42% do total dos inquiridos. O filme que recebeu 48 votos, quase foi esquecido na última cerimónia dos Óscares (conseguiu apesar de tudo, três nomeações), mas permitiu a Kate Winslet o Globo de Ouro por Melhor Actriz.

Em terceiro lugar, mas com apenas 6 votos, reunindo 5% da preferência dos votantes, surge o drama de guerra Jarhead. O filme é um dos que menos gera consenso dentro da filmografia de Sam Mendes.

Agradecemos mais uma vez a participação de todos. Continue connosco, continue com bom Cinema!

sábado, 2 de janeiro de 2010

Cinema: Classificações Novembro

Os Melhores Filmes de Ficção Científica da Década



O site SciFi Squad divulgou uma lista com as suas preferências dos melhores filmes de ficção científica da década. Os filmes encontram-se por ordem alfabética.

Retrospectiva 2009: Os Melhores Posters

Com 2009 a fazer parte do passado, eis a melhor ocasião para se iniciar uma série de retrospectivas em relação ao mesmo. O Split Screen começa com aqueles que considera os melhores posters de filmes de 2009. Os posters estão apresentados de forma perfeitamente aleatória, sendo que foram escolhidos por variados motivos, por vezes independentes entre si. Ou seja, os posters foram escolhidos tanto pela originalidade, como pelo classicismo, pelas cores ou pelos tons monocromáticos, pela emoção que transmitem ou simplesmente porque agradam.







Os posters escolhidos baseiam-se puramente no gosto pessoal.


Caminho para Perdição, por Tiago Ramos



Título original: Road to Perdition (2002)
Realização: Sam Mendes
Argumento:
David Self, Richard Piers Rayner e Max Allan Collins
Elenco: Tom Hanks, Tyler Hoechlin, Paul Newman, Liam Aiken, Jude Law, Jennifer Jason Leigh e Daniel Craig

O maior defeito que podemos aplicar a Road to Perdition é o facto de Sam Mendes ter conseguido realizar o filme de forma elegante, como se espera de um filme do género. Mas não conseguiu superar essa elegância padronizada. Reproduz correctamente os filmes de gangsters, mas não vai além disso.



Porém, pelo oposto, na componente estética, Sam Mendes nunca faz as escolhas comuns. Impressiona pela forma apurada com que constrói as imagens, não tem medo de filmar no escuro (a grande maioria das cenas são filmadas em lugares ou ocasiões escuras) ou do grão na imagem. É uma atmosfera muito fidedigna à novela gráfica em que se baseou, indo obviamente buscar inspiração aos desenhos à mão da banda desenhada. É uma moldura virtuosa e impecável que acaba por distrair o espectador do argumento recheado de lugares comuns e citações do género.

De facto, em Road to Perdition temos um início bastante bem conseguido fazendo relembrar The Godfather (1972) ou Once Upon a Time in America (1984). Porém rapidamente nos apercebemos que Sam Mendes não é Francis Ford Copolla ou Sergio Leone. De facto, aqui as personagens perdem o seu lado mais emocional e interessante em termos argumentativos, porque a moldura visual que os rodeia, retira-lhes o protagonismo. Peca pela elegância. É academismo puro e se em outras ocasiões resulta, aqui entra em conflito com o próprio filme e com o espectador.



Sam Mendes
rodeia-se daquela que viria a ser a sua mais habitual equipa: Thomas Newman a cargo da banda sonora dramática e violenta (excelsa, como de costume) e Conrad L. Hall na fotografia soberba. Uma estética de elegância, uma fruição artística do cinema, a distinção na forma como observa o que o rodeia.

Contudo, a composição de Tom Hanks e a sua relação-devoção com o seu chefe (excelente trabalho de Paul Newman), bem como a relação pai-filho, assume contornos demasiado moralistas, por vezes até plásticos. Uma ligação definida, mas muito aquém do desejado. O trabalho do actor não traz nada de novo ao género, repercutindo-se numa prestação demasiado sonolenta. Por seu lado, temos o desempenho de Jude Law como um regalo para os cinéfilos. Um assassino, que no fim é um iconoclasta, amante de uma estética clínica assumida, que fotografa as cenas dos seus crimes, para as vender aos jornais sensacionalistas. Uma personagem bizarra, mas interessante, num dos melhores trabalhos do actor.



No seu todo, nem Sam Mendes nem Road to Perdition desiludem. O filme é um conjunto de belos quadros, sequências estonteantemente frias, mas quando soma com o desequilíbrio narrativo (as lições de moral e o déjà vu argumentativo) não traz um resultado particularmente interessante. Falta-lhe mais calor humano.

Classificação:



sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Actividade Paranormal, por Carlos Antunes

http://trueslant.com/donovan/files/2009/11/paranormal.jpg

Título original:
Paranormal Activity
Realização: Oren Peli
Argumento: Oren Peli
Elenco: Katie Featherston, Micah Sloat, Mark Fredrichs, Ashley Palmer e Amber Armstrong

A eficácia deste pequeno filme de terror vem de dois factores evidentes, embora pareçam ambos em tempos correntes fonte de insucesso comercial.
O primeiro, a ausência de "sustos", mas a presença dos "silêncios". A expectativa é a fonte de maior medo aqui, a ausência de algo concreto contra o qual se possa argumentar ou raciocinar.
O segundo, a construção de um pedaço de narrativa sólido com personagens e contexto.
No fundo, tratam-se de dois factores clássicos do género em que se insere o filme, aplicados com precisão e inteligência a um mecanismos cinematográfico - e acima de tudo visual - recente.

http://gointothemovies.files.wordpress.com/2009/11/still-from-paranormal-activity.jpg

A utilização de uma câmara de vídeo como ponto de vista e ponto de progressão de um filme não é novo, como a repetida comparação a Blair Witch Project tem demonstrado.
No entanto é notável ver que o mecanismo aqui mantém a sua lógica interna, sem ceder a facilidades - truques visuais, se preferirem - que assustem o espectador mas destruam a coerência do filme.
Aqui o tratamento das imagens é a posteriori, permitindo que se compreenda que elas sejam manipuladas - aceleradas, por exemplo - ou que para as revermos tenhamos de assistir a uma revisão das mesmas feita pelo próprio casal.
Bastará contrapor Actividade Paranormal a [REC] para se constatar como neste caso o resultado pode ser discutido com lógica, enquanto no sucesso maior que continuará a ser [REC], com sequelas incluídas, isso não acontece.
Essa coerência ajuda muito a que nos deixemos envolver no filme, no seu mecanismo de voyeurismo da realidade.
Isso e, claro, a magnífica prestação de Katie Featherston. Ela, que está quase sempre no ecrã, poderia ser verdadeiramente a jovem estudante que acaba de comprar casa com o seu namorado. A verdade desta conjectura, dos comportamentos que toma e dos eventos que a afectam parece à prova de qualquer discussão.

http://thisguyoverhere.com/horror/wp-content/uploads/2009/10/paranormal.jpg

O resultado disto tudo é a compreensão de que se poderia tratar de qualquer um dos espectadores naquela situação e de como as relações podem ser minadas por uma situação inexplicável a que ninguém sabe realmente como reagir, assumindo posições pouco consentânias com o que o outro espera.
O filme torna-se mais importante para ele do que o bem estar da própria namorada, a relação desmorona-se sem nada de palpável contra o que lutar e a casa ganha um poder claustrofóbico a que não parece haver escapatória.
O espectador fica sozinho contra o vazio - a sala de cinema amplifica em muito essa sensação - que se estenderá para lá do final do filme.
Não há saltos na cadeira neste filme, mas um sentimento persecutório que se manterá mais algum tempo com o espectador.


http://screenrant.com/wp-content/uploads/paranormal-activity.jpg

Satellite Awards 2009: Os Vencedores



A Internacional Press Academy divulgou os vencedores dos Satellite Awards 2009, numa cerimónia no passado dia 20 de Dezembro.

CINEMA

Melhor Actriz (Drama)
  • Shohreh Aghdashloo (The Stoning of Soraya M.)

Melhor Actor (Drama)
  • Jeremy Renner (The Hurt Locker)

Melhor Actriz (Comédia ou Musical)
  • Meryl Streep (Julie & Julia)

Melhor Actor (Comédia ou Musical)
  • Michael Stuhlbarg (A Serious Man)

Melhor Actriz Secundária
  • Mo'nique (Precious: Based on the Novel Push by Sapphire)

Melhor Actor Secundário
  • Christoph Waltz (Inglourious Basterds)

Melhor Filme (Drama)
  • The Hurt Locker

Melhor Filme (Comédia ou Musical)
  • Nine

Melhor Filme Estrangeiro
  • The Maid (Chile)

Melhor Filme Animado ou Media Combinada
  • Fantastic Mr. Fox

Melhor Documentário
  • Every Little Step

Melhor Realizador
  • Kathryn Bigelow (The Hurt Locker)

Melhor Argumento Original
  • Scott Neustadter e Michael H. Weber (500 Days of Summer)

Melhor Argumento Adaptado
  • Geoffrey Fletcher (Precious: Based on the Novel Push by Sapphire)

Melhor Banda Sonora
  • Rolfe Kent (Up in the Air)

Melhor Canção Original
  • The Weary Kind, de Ryan Bingham e T Bone Burnett (Crazy Heart)

Melhor Fotografia
  • Dion Beebe (Nine)
TELEVISÃO

Melhor Série (Drama)
  • “Breaking Bad” (AMC)

Melhor Série (Comédia ou Musical)
  • “Glee” (Fox)

Melhor Actor (Drama)
  • Bryan Cranston (”Breaking Bad”)

Melhor Actor (Comédia ou Musical)
  • Matthew Morrison (”Glee”)

Melhor Actriz (Drama)
  • Glenn Close (”Damages”)

Melhor Actriz (Comédia ou Musical)
  • Lea Michele (”Glee”)

Melhor Mini-Série
  • “Little Dorrit” (PBS)

Melhor Actor Secundário em Mini-Série, Série ou Telefilme
  • John Lithgow (”Dexter”)

Melhor Actriz Secundária em Mini-Série, Série ou Telefilme
  • Jane Lynch (”Glee”)

Melhor Telefilme
  • “Grey Gardens” (HBO)

Programação dos canais FIC para Janeiro de 2010

Os canais do grupo FOX já anunciaram a sua programação para Janeiro de 2010 em Portugal.



O canal FOX (passa a fazer parte do pacote clássico da ZON) estreia a série de ficção científica Defying Gravity. Apelidada de "Anatomia de Grey do Espaço", a série passa-se em 2052 e conta a história de 8 astronautas, de cinco nacionalidades diferentes, que se encontram numa missão especial, cujo objectivo é explorar todo o nosso sistema solar durante 6 anos. A série foi cancelada de imediato na primeira temporada, mas estreará em Portugal a 5 de Janeiro, passando a ser exibida todas as terças, às 21h30. Na FOX estreia ainda a série policial Lie to Me, com Tim Roth como o protagonista capaz de reconhecer os sinais da mentira. A série estreia quarta-feira, dia 6 de Janeiro e será exibido no horário das 22h20. Dexter, com Michael C. Hall, passa do canal FX também para a FOX. O canal estreará a quarta temporada no dia 18 de Janeiro, passando a ser exibida às segunda-feiras, às 22h20.



Na FOX Life, como já tínhamos anunciado, estreará Dollhouse, de Joss Whedon, no dia 4 de Janeiro, às 21h25. Passará a ser exibida regularmente às segundas-feiras. Mercy, mais um drama hospitalar, desta vez sobre três enfermeiros será exibida na FOX Life, estreando na quinta-feira, dia 7 de Janeiro, às 22h15.



As novidades do canal FX passam pela estreia da terceira temporada de Californication, dia 18 de Janeiro, às 22 horas e da comédia da ABC, Better of Ted, dia 28 de Janeiro, às 22h. Serão exibidas todas as segundas e quintas, no mesmo horário.

Os 8 filmes preferidos de Quentin Tarantino em 2009



O The Hollywood Reporter perguntou a Quentin Tarantino quais os seus filmes preferidos de 2009 e o cineasta respondeu com um top de 8 filmes:

1. Star Trek de JJ Abrams
2. Drag Me To Hell de Sam Raimi
3. Funny People de Judd Apatow
4. Up in the Air de Jason Reitman
5. Chocolate de Prachya Pinkaew
6. Observe and Report de Jody Hill
7. Precious de Lee Daniels
8. An Education de Lone Scherfig

Na altura da entrevista, o cineasta referiu que ainda não tinha visto Avatar (2009), The Lovely Bones (2009) e Invictus (2009) e que ainda precisava de rever Bright Star (2009) e District 9 (2009), o que ainda poderia alterar tal lista.

Máquina Zero, por Tiago Ramos



Título original: Jarhead (2005)
Realização: Sam Mendes
Argumento:
William Broyles Jr. e Anthony Swofford
Elenco: Jake Gyllenhaal, Scott MacDonald, Peter Sarsgaard e Jamie Foxx

Jarhead - Máquina Zero é a história de uma guerra real que demora a chegar. É a história de um jovem que vive a vida na espera dessa mesma guerra, sem perceber muito bem os motivos que levam a tal guerra acontecer. É sobretudo um filme de guerra, sem tal acção, é a inactividade da guerra. Eles não vão à procura da guerra, esperam que ela lhes chegue.



No seu meio caminho encontramos a bizarra e irónica experiência de vida de Swofford, que se alistou no exército quase que por engano. É a sua experiência como recruta e o seu crescimento nesse campo que faz o filme. Jarhead não é mais nada que não ele, não tivesse o filme sido adaptado da autobiografia do fuzileiro Anthony Swofford. O filme é o seu retrato, a sua visão da guerra e do inimigo que por um pouco quase não tinha chegado a conhecer. É a sua experiência de passar pela máquina da guerra americana, o retrato da humilhação inicial, o tédio contínuo e a ansiedade crescente, os treinos duros e despersonalizados, o medo que sentia da guera que nunca tinha visto.

Jarhead é precisamente a experiência mais artística de Sam Mendes. O cineasta prescinde totalmente da acção para nos trazer uma visão original da guerra, surrealista, trágica e irónica. Um humor negro já habitual na sua filmografia, mas simultaneamente comprovativo da sua polivalência na indústria cinematográfica. É precisamente uma obra imparcial e realista, sem lados políticos e morais. Jarhead é Swofford e as suas expectativas. Nada mais.



As referências do género lá estão: desde Full Metal Jacket (1987) a Apocalypse Now (1979). A primeira mais óbvia, a segunda mais subtil. Mas é sobretudo na componente técnica - e não na argumentativa - que o filme ganha um novo fôlego. A fotografia de Roger Deakins é sublime e claramente o melhor de todo o filme. As suas oito nomeações para os Óscares confirmam o inegável talento deste excelente director de fotografia, já com duas colaborações com Sam Mendes. A segunda foi em Revolutionary Road.

Depois temos a banda sonora de Thomas Newman, que já trabalhou em quatro dos cinco filmes do cineasta e que nos traz uma íntima ligação da personagem à paisagem circundante. De resto a direcção artística é excelente, bem como o elenco de onde se destacam as boas interpretações de Jake Gyllenhaal, Peter Sarsgaard e Jamie Foxx.



Jarhead não é o melhor filme de Sam Mendes, mas é inegavalmente o que apresenta uma visão mais invulgar do cineasta. Um filme de guerra sem acção, suficiente para dizermos que nunca tínhamos visto nada assim.


Classificação: