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quarta-feira, 6 de maio de 2009

Os Estranhos, por Carlos Antunes



Título Original: The Strangers
Realização: Bryan Bertino
Argumento: Bryan Bertino
Elenco: Liv Tyler, Scott Speedman, Glenn Howerton e Laura Margolis

Os Estranhos teve o poder de sugerir a sua própria banalidade no seu trailer.
O que, confesso, foi bom para poder encontrar um inteligente e sugestivo filme de terror.



Ao invés do que parecia ser um exercício de violência contra um isolado casal revela-se, pelo contrário, um discreto jogo de sugestão.
O casal central é acossado, sujeito a tensões que lhes sugerem todas as possibilidades, mas contra eles nada é concretizado até quase ao final do filme.
É como um jogo de violência mental, de expectativa tenebrosa que causam a si mesmos.
Executado à base de um conjunto de sons e de espera, de imagens que sugerem sem quase nada concretizar, o jogo acossa tanto o espectador como os próprios protagonista.
É essa a sua sagacidade, que torna um filme aparentemente igual a tantos outros que vieram antes num eficaz thiller de horror que, sem explorar a exposição do horror, produz fortes efeitos a esse nível.



Vale a pena reconhecer o talento, sobretudo na realização, de Bryan Bertino.
O seu argumento, reduzido ao essencial, permite-lhe a liberdade de realização para criar o ambiente tenso e claustrofóbibo, altamente sugestivo.
Lá está, novamente, a sagacidade com que Bertino preparou o espaço para se revelar no seu primeiro filme.
Esperemos, então, pelo próximo projecto.




quinta-feira, 9 de abril de 2009

Os Estranhos, por Tiago Ramos



Título Original: The Strangers (2008)
Realização: Bryan Bertino
Argumento: Bryan Bertino
Elenco: Liv Tyler, Scott Speedman, Glenn Howerton e Laura Margolis

Inicialmente previsto para estrear em Portugal a 11 de Setembro do ano passado, Os Estranhos foi alvo da (contínua) má gestão da distribuidora portuguesa ZON Lusomundo e só agora chegou aos nossos cinemas. O interesse perante o filme chegou através do trailer que prometia bastante, principalmente um regresso aos verdadeiros clássicos de terror e suspense.



A primeira meia hora do filme deixa antever um enorme potencial e curiosamente chegamos ao fim do mesmo com a noção que Os Estranhos não é um mau filme. No entanto, é daqueles que perdem por toda a expectativa elevada que geram.

Os Estranhos assemelha-se a Vacancy, realizado por Nimród Antal, no género de suspense psicológico que habitualmente é melhor recebido pela crítica, do que os actuais sanguinários géneros de terror como o da saga Saw. Próximo das origens, a câmara de Bryan Bertino inicialmente capta de forma competente o sentido claustrofóbico do espaço físico, mas também a claustrofobia em que as personagens se encontram no momento.

O problema é que a inexperiência de Bryan Bertino repara-se de imediato após uns minutos de filme. A premissa é bastante boa e prima pela simplicidade, o problema é que aparenta e transperece um vazio narrativo imperdoável. Diálogos escassos, incompreensão da sequência narrativa e dos acontecimentos que antecederam ao drama do casal. O facto de ser vazio em conteúdo provoca cansaço no espectador, apesar de não ser uma película demasiado extensa.



O facto de ser inspirado em factos verídicos reflecte-se na perspectiva com que vemos o filme e imprime medo, mas a falta de motivos para manter intacta a essência do mesmo reflecte o sentido contrário. Os Estranhos tem um dos argumentos mais redutores de que há memória, onde se inclui a linearidade das personagens.

O regresso de Liv Tyler (Armageddon) não foi também o esperado. A actriz limita-se a gritar em grande maioria das cenas e por vezes não consegue transmitir a expressividade exigida para a sua personagem. Também Scott Speedman (Underworld) deixa bastante a desejar, num momento baixo da sua carreira onde também as cenas deixadas a seu critério não eram, também, muito exigentes.

Bryan Bertino é melhor realizador que argumentista. A realização é capaz e funcional, a caracterização e construção dos cenários simples, mas eficaz. O argumento é redutor, linear e enfadonho, apesar de todo o potencial que podia ter libertado.



Os Estranhos promete mais do que consegue e isso é decepcionante.
Classificação: