Mostrar mensagens com a etiqueta Jay Roach. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Jay Roach. Mostrar todas as mensagens

sábado, 8 de fevereiro de 2020

Bombshell - O Escândalo, por Eduardo Antunes


Título original: Bombshell (2019)
Realização: Jay Roach 
Argumento: Charles Randolph 
Elenco: Charlize Theron, Nicole Kidman, Margot Robbie, John Lithgow

Aproveitando a boa vontade por trás do movimento feminista que cresceu na América do Norte, este é um filme que arrisca muito pouco, retirando, ainda assim, todo o seu potencial das interpretações que enchem as próprias imagens promocionais. Não ficará na memória para além do reportar da situação a quem não a conheça a fundo.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

"Trumbo": Perseguidos por um pensamento livre

Por Miguel Stichini.

Inúmeras vezes a indústria de Hollywood abordou a história da chamada Lista Negra. Dedos foram apontados àqueles que elencaram nomes, numa época onde fascistas tremiam perante os comunistas, ainda que sem grande razão aparente. Vários artistas foram vítimas desta caça às bruxas, sendo impedidos de trabalharem em frente ou atrás das câmaras. Contudo, na sua maioria, essas dramatizações de uma época negra de McCarthy, onde a pergunta ‘têm ou alguma vez teve ligações a’ surgia em tom histriónico pelos corredores do Congresso Americano.

O argumento de John McNamara, baseado na biografia de Bruce Cook, vai mais longe afirmando que todas as audiências da altura foram feitas enquanto teatro político, originando apenas uma indústria que vivia sob o medo de se ser banido e que via o número de desempregados a aumentar diariamente. No momento em que Hollywood e a Guerra Fria colidem é que o trabalho do argumentista nos apresenta algo de novo.

A obra de Jay Roach encontra o balanço perfeito entre entretenimento e representação de assuntos sérios de foro político, tal como seria de esperar por parte do cineasta que anteriormente tinha sido responsável pelo drama político Recount (2008) e pela trilogia sobre um homem internacional envolto em mistério, Austin Powers. Desta vez o realizador segue a vida de Dalton Trumbo, um dos dez argumentistas que constavam na lista negra de Hollywood por apoiar a ideologia comunista.

O cineasta, conhecido pelos seus trabalhos em comédias, deu o primeiro passo em caminhos dramáticos com o referido telefilme. De certa forma, podemos considerar este filme como a sua primeira tentativa de desenvolver um verdadeiro objecto de prestígio. Contudo, as suas predisposições cómicas colocam em causa grande parte das suas dignas ambições.

Desenvolver um argumento sobre a vida de um argumentista que documenta a sua luta contra a indústria cinematográfica através das suas obras vencedoras de um Oscar, parece torna-se em algo tão intrincado quanto Inception. Contudo, John McNamara fá-lo na perfeição, documentado a longa luta que actores, escritores, realizadores e produtores empreenderam durante mais de uma década contra a opressão governamental de alguns dos seus mais básicos direitos. Através de rápidos e impressionantes recursos léxicos da língua inglesa, a veia cómica e hilariante da história percorre toda a narrativa de forma a enfatizar os ridículos crimes pelos quais os protagonistas foram acusados. O argumento é impecável por entre momentos de raciocínio rápido e outros que nos colocam pensar. Existem alguns diálogos memoráveis que nos levam a questionar os nossos pensamentos, a nossa perspectiva face ao assunto e até nós mesmos.


Bryan Cranston é simplesmente incrível enquanto protagonista desta história. Ele eleva de tal modo a fasquia que o restante elenco não teve outro remédio que não segui-lo. O actor transforma- se em Dalton Trumbo perante os nossos olhos, encarnando verdadeiramente a personagem. O elenco secundário é igualmente soberbo. O comediante Louis C.K. é colocado contra o protagonista nas cenas iniciais, provando a existência de uma faceta do actor desconhecido do público. Helen Mirren consegue desenvolver alguém que é totalmente deplorável enquanto ser humano. Os actores que tiveram a cargo retratar pessoas tão conhecidas como John Wayne, Kirk Douglas e Otto Preminger submergem de tal forma nos seus personagens que criam a sensação de que estamos perante os verdadeiros. Todos estes actores em muito contribuem para criar profundidade e dimensão ao mundo em que habitam.

Apesar de grande parte do elenco ter em mãos personagens interessantes, algumas foram mal desenvolvidas e rapidamente percebemos que não levarão a lado algum. Existem narrativas paralelas como a que envolve a intriga entre o protagonista e a intolerante personagem de Adewale Akinnuoue-Agbaje, que não deviam existir. A única narrativa paralela importante, a que envolve a família de Dalton Trumbo, acaba por nos passar ao lado. Diane Lane é praticamente negligenciada, tendo apenas uma cena memorável enquanto esposa do protagonista.

O filme tem um esquema de iluminação e um humor musical familiar, que claramente invoca de forma nostálgica um Hollywood antigo, mas que acaba por dar ao produto final um tom caricatural. A introdução de figuras históricas da indústria torna-se num acto auto-congratulatório e os momentos de excessiva ode à indústria surgem como rebuscados uma vez que o foco principal do filme é um dos momentos mais negros da mesma.


É interessante verificar o frisson existente em torno deste filme, numa tentativa de nos recordar que os argumentos de Dalton Trumbo continham mensagens socialistas, como se isso revelasse o seu grau de cumplicidade num esquema magistral que não o absolve totalmente. Considerando os iniciais filosóficos do comunismo, parece questionável que alguém os incluísse no acto de contar uma história. Se as pessoas que tentam denegrir o nome do argumentista tivessem o mesmo grau de sensibilidade para com o filme de temas bíblicos, poucas seriam as obras cinematográficas a não serem consideradas propaganda.

Trumbo sente-se frequentemente como se se tratasse de uma história repetida inúmeras vezes. A forma como dramatiza um dos capítulos mais negros da história do cinema não produz nada de revelador sobre a indústria, ou sobre o seu protagonista, mas ainda assim consegue ser um retrato preciso de uma personagem central a uma trágica injustiça social.

domingo, 5 de junho de 2011

Jantar de Idiotas, por Carlos Antunes



Título original: Dinner for Schmucks
Realização: Jay Roach
Argumento: David Guion e Michael Handelman
Elenco: Steve Carell, Paul Rudd, Zach Galifianakis e Stephanie Szostak
Editora: ZON Lusomundo

A aparição de Steve Carell neste filme traz-nos logo à memória Jerry Lewis e algumas das suas personagens mais emblemáticas (de As Noites Loucas do Dr. Jerryll e Jerry no Grande Hotel).
Cultiva-se aqui a comédia do exagero, do comportamento absurdo inconsciente.
Valoriza-se o humor da composição das personagens, daquelas que poderiam ser recorrentes em longas metragens dos mais variados temas.
Com isto, ainda que seja o remake de um filme francês, Dinner for Schmucks consegue ser uma comédia americana típica.
Não só evoca a tradição como se aproxima dos novos caminhos do género, explorando personagens a solo que poderiam ficar na lembrança da cultura popular mas que são, também, daqueles modelos agora recorrentes de uma masculinidade inadaptada e desconfortável na sua relação mútua.
Falo em masculinidade porque, como não poderia deixar de ser, é em torno da amizade que se estranha que o filme funciona e na qual Paul Rudd tem de ceder à tocante bizarria da existência de Steve Carell.
Paul Rudd é um comediante pouco valorizado, mas ele é o rebate com qualidade de protagonista e a seriedade possível ao exagero de Carell. É dele boa parte da eficácia das piadas do filme pela sua reacção feita de incredulidade.
Já Carell tem uma composição brilhante que vence as dos restantes pelo tempo que tem a mais. Mas tal como gostaria de ver a sua personagem retornar ao grande ecrã, também queria que acontecesse o mesmo com as de Zach Galifianakis (um enorme grau de espanto por quanto é crédulo de si mesmo) ou Lucy Punch (submete-se com classe às mais desconfortáveis situações).
Cada idiota merecia o seu próprio filme e assim se vê como é rica esta comédia.






Extras
Os maiores idiotas do mundo é o elogio da qualidade dos comediantes escolhidos, do maior ao menor papel. Mais meritório do que possa parecer por esse resumo, tem ainda o benefício de ter David Walliams a continuar a ser o comediante brilhante em vez de dar uma entrevista séria.
Ao longo dos Schmuck Ups e das Cenas Eliminadas podemos ver exemplos da improvisação dos actores e de algum excelente humor que, infelizmente, teve de ficar de fora pois a cada cena só podia funcionar uma piada.