Título original: Thor
Elenco: Chris Hemsworth, Anthony Hopkins, Tom Hiddleston e Natalie Portman
Walt Simonson provou o contrário nos seus tempos de argumentista de The Mighty Thor (com space opera à mistura), mas para o cinema (sobretudo um primeiro filme), Thor é uma personagem limitada para ser protagonista.
Isso nota-se enquanto ele está no nosso planeta, servindo um humor básico de ET perante as convenções locais (mais o comic relief da personagem de Kat Dennings) que me parece francamente desrespeitoso para um Deus - e só piora lá para a frente quando os seus companheiros o buscam na Terra.
Tentou o estúdio seguir a pontuação de humor que serviu de fórmula a(os) Iron Man sem muito critério sobre as diferenças entre as duas personagens.
Isto é tanto mais evidente quanto as cenas passadas em Asgard são atractivas e inteligentes.
Aí, no triângulo dramático que se convenciona classificar como Shakespeariano, dois irmãos e o seu pai confrontam a divisão entre poder e responsabilidade, entre amor e aprovação.
Nesses momentos compreende-se a escolha de Kenneth Branagh para realizar este filme. As cenas em Asgard estão repletas de energia, um ritmo que depende apenas das personagens e, em geral, um salto qualitativo que traz Chris Hemsworth e Tom Hiddleston para o nível de Anthony Hopkins - que poderá não estar a dar o seu máximo, mas é sempre um fantástico actor.
Quando Branagh tenta cenas de acção, as coisas pioram. O seu estilo é pouco imaginativo e até se espera que as cenas sejam despachadas em menos tempo do que aquele que têm.
Contra o realizador joga, ainda, o argumento. O melhor que os argumentistas conseguiram foi copiar o que já havia sido feito em Iron Man, colocando Thor frente a frente com um robô gigante que, ainda para mais, os designers copiaram de The Day the Earth Stood Still.
Porque é que essa sequência é priveligiada (em duração) face ao combate entre os deuses e os Gigantes de Gelo seria difícil de perceber, não fosse a necessidade de introduzir um interesse romântico para o Deus Nórdico pois, de outra forma, este nunca chegaria a perceber o valor dos seres humanos a menos que se apaixonasse por uma...
Em geral, parece-me que o tratamento à personagem é sempre errado enquanto ele está em Midgarg, e os eventos terrenos desvalorizam as escolhas de Natalie Portman e Stellan Skarsgård para o elenco.
Ninguém se lembrou de investir a fundo num equilíbrio entre os dois planos do argumento, mas não deixaram de fora a aparição de alguns segundos do futuro Gavião Arqueiro (que nem chega a disparar uma seta). É a evidência concreta de que não estamos perante um filme mas perante uma máquina de dinheiro que não precisa de voltar a ser bem oleada (com talento e inovação) para continuar a funcionar.
A única expectativa que sobra daqui é que em The Avengers Thor consiga sobressair pelo que o diferencia dos restantes e, sobretudo, que revele algo de interessante como personagem que cative o público - algo além do corpo tonificado que mereceu os suspiros de algum público feminino.







