Mostrar mensagens com a etiqueta Joe Wright. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Joe Wright. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 29 de julho de 2022

Cyrano, por Eduardo Antunes


Título original: Cyrano (2021)
Realização: Joe Wright
Argumento: Erica Schmidt

É na dissonância entre a franca qualidade da obra original e a tentativa inusitada e preguiçosa de aplicação de uma determinada sensibilidade moderna que não nos conseguimos ligar a uma história tão simples na sua eficaz aplicação da palavra, como se lembrando o público do quão longe estamos de regressar a uma época de subtil expressão literária e representatividade de temáticas actuais segundo personagens universais na sua caracterização.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

A Hora Mais Negra, por Carlos Antunes



Título original: Darkest Hour
Realização: Joe Wright
Argumento: Anthony McCarten
Elenco: Gary Oldman, Kristin Scott ThomasBen Mendelsohn


Gary Oldman não necessita de confirmação estatuária para o seu percurso de perfomances extraordinárias. A acontecer, teria até sido mais elegante dar-lhe há seis anos atrás, quando a Academia não lhe opôs ninguém à altura do seu George Smiley.
O seu Winston Churchill deverá sair premiado apesar disso pois são estas construções que dão mais prazer a quem vota nos Oscars, o desaparecimento do actor no interior de uma figura pública. Sobretudo quando há materiais através dos quais comparar o original à sua reprodução.
Merecerá o prémio. Oldman deleita-se com a oportunidade de fazer de Churchill. Não pelo político larger-than-life recordado mas pelo homem pleno de teimosias e caprichos com que ele pode dar verve ao papel.
Este é o tipo de interpretação que "faz" um filme por si só. Apenas quando o filme não está a combatê-la cena a cena.
Devia ser Anthony McCarten a proporcionar cenas onde Churchill encontrasse matéria para se afirmar, pela personalidade vincada que Oldman faz sobressair, como o grande estadista que ousou defender uma posição mesmo quando esta era minoritária entre os seus colegas e divisiva para o país.
O argumento devia destacar-lhe a força de actuação e não contradizê-la como na já famosa - e ridícula ao máximo! - cena do metropolitano em que Churchill vai tomar o pulso à vox populi para saber como actuar.
Apagar a crença que Churchill tinha de saber responder ao que o Reino Unido precisava e não ao que queria apenas para culminar o filme com uma cena sentimentalista é um erro gigantesco para um filme que quer ser condigno com a História.
Como o é a personagem de Elizabeth Layton, bengala para que a composição de Churchill progrida no sentido de se tornar tocante. Como se fosse necessário nutrir carinho por Churchill para admirar a sua actuação ao longo daquele mês.
Havia, isso sim, de lhe ter sido dado um adversário digno de nota, para ser arrumado de forma virulenta. Ainda que a comicidade de um "importa-se de parar de me interromper quando o estou a interromper a si" seja parte daquilo com que Oldman se diverte a ser Churchill.
Em cima disso vem Joe Wright combater Oldman pelo destaque maior de cada cena, afirmando um discurso descoordenado com a interpretação, mas que lhe permite mostrar os seus dotes de executante.
A sua composição cénica é mais uma vez teatral, sempre dependente de um foco de luz que, mesmo quando pretende representar a luz natural grita com falsidade.
Churchill é a luz no meio das trevas. Isto quando não está claustrofobicamente enclausurado por elas.
Ou quando não é o único rosto lúcido por entre os alertas vermelhos que engolem o seu país... A menos que essa luzes vermelhas sejam já o anúncio do inferno que só ele prevê.
As metáforas de Wright permitem quase todas as interpretações dentro daqueles lugares-comuns que se têm de aplicar a Churchill.
Não permitem que se sinta vida nas cenas, cada vez mais estruturas isoladas entre si. Se antes Wright fazia uma cena de alto valor (artístico) acrescentado por filme que não se ligava com o restante que ele filmava, agora parece convencido a fazê-lo em todas as cenas. O resultado é cansativo, nada mais.
Argumento pífio e realização presunçosa. Muitas vezes contradizendo-se entre si e criando a confusão sobre o que o filme alguma vez pretendeu ser.
Admirável é que a interpretação de Oldman seja entretida e envolvente dentro de um filme que nunca vem em seu auxílio. (Só por isso Oldman vai merecendo a estatueta que no início se refere.)
Tenderá a ver-se nisso a forma de melhor expressar a isolada grandiosidade da figura de Churchill. A execução do filme como a expressão imprevista do que este queria dizer e não conseguiu.




domingo, 9 de dezembro de 2012

Anna Karenina, por Tiago Ramos


Título original: Anna Karenina (2012)
Realização: Joe Wright
Argumento: Tom Stoppard
Elenco: Keira Knightley, Jude Law, Aaron Taylor-Johnson, Matthew Macfadyen, Kelly Macdonald, Olivia Williams, Domhnall Gleeson, Alicia Vikander, Alexandra Roach, Susanne Lothar, Emily Watson e Michelle Dockery

Adaptações ao cinema do clássico Anna Karenina, de Leo Tolstoy, não são novidade. Daí que não seja de estranhar o surgimento de uma nova adaptação e muito menos pelo britânico Joe Wright, hábil na reconstrução de histórias de época. Mas o problema surge precisamente em como surpreender um público já saturado da narrativa e que já conhecerá a história (e o seu desfecho). Devido a esse conhecimento não é invulgar a forma como o argumento de Tom Stoppard vai desde o início revelando -umas vezes mais subliminarmente que outras - pequenas pistas que antevêem o trágico destino da protagonista, pequenos detalhes estéticos, close-ups ou objectos que prevêem o futuro das suas personagens. São também esses pequenos detalhes que contribuem para a reconstituição social de uma Rússia Czarista, com todas as convenções de uma aristocracia fascinada pela aparência e poder e que tanto o cineasta como o argumentista facilmente são capazes de captar. Embora não sendo necessariamente original no cinema, mas como forma de surpreender a audiência e captar o tom artificial da vida em sociedade em Moscovo e São Petersburgo no século XIX, Joe Wright decide optar por uma opção estética curiosa: a teatralização dos acontecimentos, abdicando das filmagens nos locais físicos e optando por uma sucessão de cenários que se alteram aos olhos do espectador, com palcos e décors em constante mudança. É essa opção estilizada que salva este Anna Karenina de cair no completo marasmo que a dada altura se inicia. É aquela teatralidade coreografada, com uma fotografia esplendorosa de Seamus McGarvey, bem como uma produção de design e direcção artística primorosas, aliadas ao habitual engenho de conjugar perfeitamente a banda sonora de Dario Marianelli com a montagem (desta vez de Melanie Oliver) que produz um completo fascínio no espectador, capaz de o fazer esquecer de todo o vazio que começa a imperar em contraste com todo o esplendor luxuoso que o rodeia.

Joe Wright tenta captar toda aquela crise de identidade em que viviam as personagens da época. E se o consegue esteticamente há falhas claras na forma como os actores as interpretam, sendo os casos mais flagrantes precisamente os dos protagonistas: Aaron Taylor-Johnson e Keira Knightley. Dificilmente ambos conseguem captar toda a falta de esperança e tragédia, envolvida naquela paixão supostamente arrebatadora, que as personagens deveriam transportar consigo a todo o momento. Ambos são claros erros de casting que, mesmo assim, poderiam ter sido bem aproveitados se essa falha fosse usada para evidenciar ainda mais, a sensação de inadaptação das personagens, essencialmente a de Anna Karenina que se sente um erro naquele casamento e naquela sociedade crítica e julgadora. Felizmente existe ainda quem é capaz de suplantar esse desequilíbrio, especialmente Jude Law no papel de Karenin, em toda a sua forma melancólica e soturna de agir ou toda a paixão de Domhnall Gleeson na composição da sua humilde e persistente personagem.

Dentro de todo o esplendor visual, o cineasta não consegue evitar que esse funcione, a dada altura, como factor de distracção de toda a complexidade da história de Tolstoy, criando uma falta de profundidade que deveria ser evitada a todo o custo. É também, no entanto, essa extravagância e artificialismo que evita que o espectador se aborreça das personagens, enquanto permanece visualmente fascinado. Ou seja, uma intenção e composição exemplares a nível estilístico mas que tem uma função dupla e que desequilibra tudo o resto e o que deveria necessariamente importar: a história humana e trágica daquelas personagens.


Classificação:

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Hanna, por Carlos Antunes


Título original: Hanna
Realização: Joe Wright
Argumento: Seth Lochhead e David Farr
Editora: Pris Audiovisuais

Hanna transmite uma sensação esquizóide que começa logo na sua macroestrutura que, no bloco central, se desvia quase por completo da acção para a comédia de traços adolescentes.
A própria definição da identidade da história sofre desse mal, tentando ser um thriller consciencioso, um conto de fadas em que o mundo moderno faz o papel da floresta desconhecida e perigosa, uma reflexão sobre o antagonizante grau de maturidade mostrado por homens e mulheres e um retrato da passagem à vida adulta polarizado entre violência e inocência extremas. Nem todas essas intenções combinam e mesmo as que combinam raramente são usadas em conjunto
Tais cisões reflectem-se visualmente naquilo que parece mais uma aglutinação de cenas - algumas assumidamente bem concebidas - do que uma concepção coerente do princípio (muito seco) ao fim (recheado de simbolismos e cenários irrealistas).
Algo patente naquela que será a cena mais recordada do filme (ou, pelo menos, a mais sublinhada), passada nos túneis da estrutura onde Hanna escapa. A cena mergulha numa ciativa concepção labiríntica que vai adicionando uma vertigem psicadélica à força da intermitência das luzes e da montagem que transformam aqueles minutos num (mau) videoclip que se submete à função ilustrativa da música.
Noutras cenas há uma justa integração da música, não por acaso cenas em que os sons sugerem ambientes - concepções infantis da realidade em grande parte - e são intervalados com silêncios em que a psicologia activa das personagens complementa os sentimentos que a música tem de transmitir.
Como tudo o resto, a interessante banda sonora dos Chemical Brothers tem de se passear por extremos, com tanto de hiperactividade como de expectativa sonoras.
A banda sonora sujeita-se à mesma busca de ritmo e sintonia que permitam ao filme explicar como funciona em conjunto o realismo encorpado do thriller retro-futurista, o afecto do núcleo familiar casualmente constituído em viagem e os elementos mágicos que sugerem o confronto o confronto entre a jovem princesa e a velha bruxa em formato de acção actual.
O realizador nunca é iluminado para resolver esse elemento essencial de coerência, pelo que a memória do filme se transforma numa procura de construção própria de uma estrutura de camadas em que não se encontra um núcleo mas em que todas elas parecem, na verdade, dispersarem-se para o exterior.
Só dois elementos do filmes estão perfeitos. As sugestões calmas de placidez e terror de, respectivamente, Saoirse Ronan e Tom Hollander são fascinantes. Deixassem-nos a sós, presa e perseguidor - sem certezas de qual é o papel de cada um - e teríamos um filme inesquecível.




Extras

O Comentário com o Realizador é, certamente, a peça mais importante entre os extras. A abertura com que Joe Wright fala das suas intenções é notável porque o deixa exposto tanto a admiração como a frustação. Admiração pelo que tentou e frustação por ver o grau do seu falhanço ao mesmo tempo.
Anatomia de uma Cena: The Escape from Camp G é breve mas elucidativo na forma como foi montada a cena mais impactante do filme (embora não a mais interessante).
Um Final Alternativo que pouca diferença faria mas que ficou, de facto, melhor fora da montagem final, a par de Cenas Eliminadas cujo efeito é o mesmo, complementam a edição.


domingo, 26 de junho de 2011

Hanna, por Tiago Ramos



Título original: Hanna (2011)
Realização: Joe Wright
Argumento: Seth Lochhead e David Farr
Elenco: Saoirse Ronan, Cate Blanchett e Eric Bana

Quem esteve atento à curta, mas interessante, filmografia de Joe Wright, certamente lhe terá parecido que o seu foco deveria estar no género de época. Este pensamento, talvez irreflectido e precipitado, terá que ver com a comparação entre duas interessantes obras do género - Pride & Prejudice (2005) e Atonement (2007) - e uma menos bem conseguida e altamente criticada - The Soloist (2009). Por isso é natural que quando pensámos em Hanna como a sua incursão ao universo dos filmes de acção, a sensação era um misto de curiosidade e temor. Temor nada mais que injustificado, já que Hanna não fica a dever a alguns dos filmes de acção que inundam as bilheteiras durante o ano, com o bónus de introduzir alguma novidade na forma como a exibe, deixando a marca de Joe Wright como autor.

É precisamente a forma como assume as rédeas da história, que torna Hanna num dos improváveis grandes filmes do ano. O cuidado visual confirma a direcção tomada com os seus filmes anteriores, mas o experimentalismo e o arrojo visual são uma novidade. A banda sonora dos The Chemical Brothers celebra a adrenalina da protagonista em simultâneo (destaque para um remix de In the Hall of the Mountain King). A música acompanha a tensão intensa, tal como a câmara de Joe Wright se multiplica em movimentos abruptos e arrojados. Slow motion, shaky cam, split screens, planos curtos e música intensa podem ser escolhas cliché quando falamos num filme de acção, mas nas mãos de Joe Wright adquirem em simultâneo alguma sensibilidade rara no género. Ainda para mais porque a fotografia - agora em parceria com Alwin H. Kuchler também auxilia nessa sensibilidade, algo que já é apanágio no cinema do cineasta.

Mas embora o cineasta tenha muito mérito, poderia não ter resultado não fosse a competência de Saoirse Ronan, uma das mais promissoras actrizes da sua geração e que já tem uma nomeação ao Óscar de Melhor Actriz Secundária no seu currículo, precisamente em conjunto com Joe Wright. Além de assumir perfeitamente o papel de protagonista badass - que garante uma sensação cool ao espectador - a actriz consegue também oscilar entre uma ingenuidade comovente, assim como cenas de grande comic relief. Cate Blanchett e Eric Bana não estão mal, mas não chegam sequer perto da qualidade do desempenho da jovem. Um destaque para a subvalorizada Olivia Williams. Apesar da sua personagem ser secundária e sem grande importância para a história, o seu charme e inteligência são impossíveis de descurar.

O único problema é que o filme é longo demais para o argumento que tem em mãos. Uma história de acção high-tech à mistura com alguma ficção-científica, potencialmente interessante, mas que deixa demasiadas pontas soltas que, se bem utilizadas, poderiam servir para aumentar o mistério em redor da trama, mas que neste caso, a tornam inconclusiva. Porque se a primeira metade da história traz-nos uns interessantes rasgos de acção, quando equilibrada com uma narrativa mais ligeira e algo cómica, a dada altura, torna-se vazio e repentino. O que é pena porque se temos aqui um bom filme, poderíamos ter tido um excelente.

Classificação:

´

domingo, 15 de novembro de 2009

O Solista, por Carlos Antunes

http://filmfork.files.wordpress.com/2009/08/the-soloist-movie.jpg

Título original:
The Soloist
Realização: Joe Wright
Argumento: Susannah Grant e Steve Lopez
Elenco: Jamie Foxx, Robert Downey Jr. e Catherine Keener

O Solista tem a pior das motivações escondida sob a sua história simples de um tema de coluna tornada amizade.
Essa motivação é a mesma que as novelas actuais apresentam, um moralismo pretencioso e vácuo, que dura o tempo necessário para impigir aos espectadores os sentimentos mais básicos que os mantenham agarrados ao ecrã.

http://matchcuts.files.wordpress.com/2009/07/37858480.jpg

Isso mesmo custa ao filme o seu foco, resultando numa falta de linha condutora que seja reconhecível.
A história daquela amizade é insuficiente para quem pretendeu fazer o filme pois os sentimentos que a conduzem a maior parte do tempo não são dignos ou não são capazes de imprimir a elevação pretendida, por isso é preciso reduzi esta amizade a meros episódios
E, ao mesmo tempo, explora-se os pedaços mais escabrosos da vida pessoal do jornalista ou as justificações mais básicas para o estado actual do músico.

http://cinemapoaching.files.wordpress.com/2009/05/the-soloist.jpg

A tal motivação pedagógica e moralista revela-se depois num olhar que parece demasiado falso, um olhar que se estende sobre uma Los Angeles empobrecida e desprezada, a braços com todo o género de doença mental.
Uma Los Angeles que precisa de atenção, por isso se apresenta ali sem tacto, tornada numa colecção de aberrações (e uso a palavra sem pretender desrespeito algum) cuja culpa de existirem quer ser imputada à sociedade que vai apenas ver o filme.

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi8otn1GNVY8kaKg1QJyFj-1WR3BfHLf8Zgig3e2pUko75ZbNXTbx83W8yiS0uk_5TI2T-mnCNhBKGsiwj_8dpfO-WhmGsUdzZSSr-MWMkh4IMaFGFIeuNhtZALmOnPCjG3haa4zTvwSNs/s400/TheSoloist_7L.jpg

Seria necessário ter maior capacidade para fazer cinema disto mesmo, seria preciso disfarçar as intenções num bom trabalho ficcional e artístico.
Não é o caso, com Joe Wright a não apresentar uma ideia relevante, chegando mesmo ao ponto de lidar com a música do filme como mera justificação para planos aéreos da cidade ou efeitos visuais que poderiam ter sido feitos pelo Windows Media Player.
Os actores, no seio de tudo isto, parecem igualmente perdidos, como se estivessem a postos para algo que nunca se concretiza.
Jamie Foxx tem uma personagem composta de forma exagerada e deixada à solta sem controlo, como se a loucura se representasse por simples libertação de qualquer plano lógico.
Robert Downey Jr. pelo contrário tenta apagar-se, mas deixando rasto dos maneirismos a que não consegue escapar.

http://fataculture.files.wordpress.com/2008/10/the-soloist1.jpg

Nada parece ter saído bem, nada parece ter substância suficiente para ter chegado a dar um filme.
Podia ser um pequeno documentário recriado para um qualquer canal de televisão a capitalizar nas emoções dos espectadores.
Continuaria a não ter interesse, mas pelo menos estaria mais de acordo com o que se esperaria dele.



http://blogs.bet.com/entertainment/whattheflick/wp-content/uploads/2008/08/zz5c12637f.jpg

terça-feira, 14 de abril de 2009

DVD: Expiação, por Tiago Ramos



Título original: Atonement (2007)
Realização: Joe Wright
Argumento: Ian McEwan e Christopher Hampton
Elenco: Saoirse Ronan, Brenda Blethyn, James McAvoy, Keira Knightley, Romola Garai e Vanessa Redgrave

Há qualquer coisa em Expiação, de Joe Wright (Orgulho e Preconceito) que o torna um épico maior que a vida. Há qualquer coisa nos olhos e na perspectiva da jovem Briony que nos inquieta, que soca o estômago e nos deixa indecisos entre maldade ou ingenuidade. Afinal há qualquer coisa perturbadora na visão e (in)compreensão do amor, na mente fértil de uma prodigiosa menina.



Expiação é um belo produto cinematográfico, do melhor que o Cinema de Hollywood nos ofereceu nos últimos anos. A realização de Joe Wright é impecável, com uma articulação soberba entre espaços e ângulos distintos. É um filme académico, não há duvidas, há uma realização agarrada a uma cartilha rígida de normas, mas que resultam num projecto grandioso e comovente.

Em termos técnicos, a fotografia é soberbamente perfeita, com tons vivos e delicados, numa sumptuosidade latente a cada esquina do argumento, com cenas virtuosas e de construção inteligente. A delicadeza verificada no ínicio da história, contrasta com a crueldade e os tons acizentados de uma França na II Guerra Mundial. A banda sonora de Dario Marianelli, vencedora de um Óscar da Academia é uma das mais fantásticas obras do cinema e do género. O som das teclas, que remetem para o sentido literário da história e da personagem principal, conjugam-se com a veracidade de cada nota produzida pelo compositor, que se torna arrepiantemente comovente em dadas alturas.



A presença de Keira Knightley é compreensível. A delicadeza do seu aspecto remete-nos para os filmes de época, tendo já trabalhado com o realizador no seu projecto anterior, mas convenhamos que o seu desempenho está longe de ser perfeito. Pedia-se um pouco de mais vivacidade e até dramatismo. James McAvoy torna-se uma revelação neste casting, mas a meu ver peca pela mesma falta que Knightley apresenta.

A grande surpresa porém é, de longe, a jovem actriz Saoirse Ronan, que esteve inclusive nomeada para o Óscar de Melhor Actriz Secundária. Já o mencionámos na início, mas há qualquer coisa inquieta na sua presença e postura, no olhar com que penetra inquietantemente as outras personagens, na forma como parece esconder-se por detrás da sua aparência de menina. A jovem será certamente uma das actrizes mais promissoras de Hollywood no futuro. De destacar também a presença das outras duas actrizes que interpretam o mesmo papel em alturas distintas: Romola Garai e Vanessa Redgrave.



Há qualquer coisa distinta em Expiação. A dada altura, a meio do argumento, perde-se o encanto do filme, há qualquer coisa que falha. Mas tudo se perdoa, a cada plano, a cada fotografia, a cada efeito sonoro, a cada emoção, a cada expressão. O twist final é excelente e perfeitamente bem concebido. Existe uma linha muito ténue entre o certo e o errado. A redenção por erros cometidos é complexa, difícil e morosa. Mesmo que às vezes apenas a imaginação possa expiar as consequências nefastas do passado.

Classificação:


Extras:



  • Cenas Cortadas
  • Making Of
  • Comentário do Filme com o Realizador Joe Wright




Classificação dos Extras: