Mostrar mensagens com a etiqueta Xavier Dolan. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Xavier Dolan. Mostrar todas as mensagens

domingo, 4 de janeiro de 2015

Vencedores do passatempo Xavier Dolan





Com Mommy actualmente no cinema, temos o prazer de anunciar o nome daqueles que vão receber a colecção dos filmes anteriores de Xavier Dolan.


Miguel Fonseca Gomes

Joana Sousa Castro

Tiago Barreiro de Magalhães


terça-feira, 21 de outubro de 2014

Passatempo Xavier Dolan




Tom, um jovem publicitário, viaja até ao campo a pretexto de um funeral. À chegada, dá-se conta que ninguém sabe quem ele é nem qual a sua relação com o falecido, cujo irmão rapidamente define as regras de um jogo doentio. De forma a proteger a honra da família e a mãe enlutada, Tom tenta manter a paz num lar cujo passado obscuro confere um negrume ainda maior a esta visita à quinta. Estradas compridas, grandes mentiras...

Nos anos 90, Laurence anuncia à namorada, Fred, que deseja tornar-se numa mulher. Contra todas as adversidades, e até contra si próprios, enfrentam o preconceito dos amigos, ignoram as advertências das suas famílias, e confrontam as fobias da sociedade que estão a ofender. Tentam, durante 10 anos, sobreviver a esta transição e embarcam numa viagem épica que, sem que o saibam, poderá custar a Fred e Laurence a sua relação.

Francis (Xavier Dolan) e Marie (Monia Chokri) são grandes amigos. Certo dia, durante um almoço, conhecem Nicolas (Niels Schneider), um jovem do campo acabado de chegar à cidade. À medida que os encontros se sucedem de forma perturbante – reais ou imaginários, os sinais são todos maus – os dois amigos mergulham cada vez mais em fantasias obsessivas em torno do mesmo objecto de desejo. E quanto mais mergulham, mais a sua amizade, que antes parecia inabalável, começa a desmoronar-se sob a pressão da competição pelo novo miúdo do bairro.




A propósito do lançamento de Tom na Quinta em DVD, a Alambique vem dar aos leitores do Split Screen a oportunidade de ganharem os três filmes de Xavier Dolan que já foram lançados comercialmente entre nós.

Assim, temos em jogo três prémios, cada um deles constituído por 3 DVDs, respectivamente de Amores Imaginários, Laurence para Sempre e Tom na Quinta.

Certamente um prémio muito apetecível para todos os que conhecem e gostam do trabalho de Xavier Dolan e a possibilidade de uma descoberta total para aqueles que ainda não tiveram oportunidade de ver qualquer dos seus filmes.

Convidamos todos os nossos leitores a participarem, relembrando que devem ter particular atenção às regras estipuladas.




Regulamento:

- O passatempo decorre até às 23:59 do dia 30 de Outubro, sendo excluídas todas as respostas que chegarem depois desse prazo.
- Cada uma das participações no passatempo deve conter dados únicos relativamente a todas as outras. No caso de se verificar utilização abusiva de dados, todas as participações em incumprimento serão excluídas do sorteio.
- Os premiados serão escolhidos entre todos aqueles que apresentarem uma participação válida e a escolha será definitiva a menos que se apresente um caso de fraude.
- A escolha é feita através de um sistema de selecção aleatória disponível online.
- O Split Screen reserva-se o direito de fazer uma selecção das respostas validadas quando se apresentarem circunstâncias duvidosas da legitimidade da origem das mesmas.
- Além da correcção das respostas às questões lançadas, também o preenchimento dos dados pessoais são factor de exclusão, devendo por isso corresponderem às normas como são solicitados.
- A morada usada para participação deve corresponder à morada de residência do participante. O Split Screen reserva-se o direito de exigir um comprovativo de morada aos vencedores para validar a entrega do prémio.
- O nome dos vencedores será publicado neste blogue e os mesmos serão avisados por email.
- Em caso de não concordar com alguma destas regras, deverá abster-se de participar.
- O presente regulamento não substitui o conjunto de regras gerais definido para todos os passatempos do blogue, que deve ser consultado na secção "Termos e Condições" para qualquer dado omisso ou qualquer caso de dúvida.


segunda-feira, 11 de março de 2013

Laurence Para Sempre, por Tiago Ramos


Título original: Laurence Anyways (2012)
Realização: Xavier Dolan
Argumento: Xavier Dolan
Elenco: Melvil Poupaud, Suzanne Clément, Nathalie Baye e Monia Chokri

Do rótulo adquirido de jovem-prodígio já muito se falou, mas é efectivamente notável que aos dezanove anos, o canadiano Xavier Dolan tenha produzido, escrito, realizado e protagonizado o seu primeiro filme J’ai tué ma mère e que este tenha sido seleccionado e premiado no Festival de Cannes. Os seus dois trabalhos subsequentes, incluindo este Laurence Anyways, tiveram basicamente o mesmo percurso, fazendo da sua figura de jovem realizador uma das mais interessantes da actualidade. Mas se em Les amours imaginaires (2010), evidenciava já uma excessiva dose de arrogância (talvez própria da idade), mas que implicava uma certa redundância no seu trabalho, as boas notícias são que em Laurence Para Sempre estamos perante um trabalho largamente superior. Trabalho este muito mais maduro e consistente e que prima sobretudo por um tema socialmente premente e bastante interessante do ponto de vista psicológico. Como enfrentar um corpo que não condiz com o seu interior? Mas o tema vai mais além de uma mudança de sexo de homem para mulher. O ponto de interesse e drástica complexidade envolve o relacionamento de uma personagem outrora homem, apaixonado por uma mulher, e que agora se torna também ele mulher. Amará essa mulher a mesma pessoa, apesar da mudança? Um tema complexo que o jovem realizador aborda com uma desenvoltura invejável para muitos e com uma noção de delicadeza e classicismo já habituais no seu cinema, com uma grande atenção aos detalhes de cenário, figurinos e fotografia. Entregue ao melodrama clássico, Xavier Dolan ensaia uma série de referências mais ou menos cinéfilas, mais ou menos contemporâneas, sempre com bom-gosto e apresentando cenas visualmente imponentes e extravagantes, de uma beleza rara. O habitual embrulho de maneirismos e afecções do seu cinema, mas dotado de noções mais adultas e maduras.

Mas com certeza aquilo que distinguirá Laurence Para Sempre das suas duas últimas longas-metragens envolve uma soberba direcção de actores. Melvil Poupaud tem o seu cargo uma personagem incrivelmente detalhada, tridimensional, repleta de ambiguidades, com uma segurança notável, convergindo nas próprias inseguranças e convicções de uma personagem que enfrenta o mundo de uma nova perspectiva. Suzanne Clément complementa este trabalho incrível, com uma personagem tão ou mais complexa, entregue a um dilema moral e de sentimentos, deixando para o espectador assistir às alterações de um relacionamento na década de 90, à medida que as alterações físicas e sociais influenciam positiva ou negativamente o percurso de ambas as personagens. Com um arco narrativo tão complexo, profundo, denso e detalhado, não deixamos de todo de lamentar a sua excessiva duração, quando por momentos o argumento precisava de ser fechado para que a história não se dispersasse em demasia.

Mas não deixamos de notar com bons olhos esta evolução no trabalho de Xavier Dolan, esperando que o seu arrojo visual e o seu fascínio quase obsessivo por um estilo pop acabe por se tornar cada vez menos intrusivo nas suas histórias. A verdade é que o seu olhar e o estilo são pequenos e magníficos acontecimentos no cinema contemporâneo e este Laurence Para Sempre é um melodrama notável, de uma importância e consciência sociológica interessantíssima.


Classificação:

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Les Amours Imaginaires, por Carlos Antunes



Título original: Les Amours Imaginaires
Realização: Xavier Dolan
Argumento: Xavier Dolan
Elenco: Xavier Dolan, Monia Chokri e Niels Schneider

Les Amours Imaginaires esteve, durante bastantes dias, perto de ganhar o prémio do público no festival e eu consigo dizer exactamente porquê.
Por ser um filme de uma juventude cool e de tendências (sexuais mais evidentes, mas não exclusivas) soltas e envolventes. Por ser um agradável filme à conta de escolhas musicais inteligentes, filtros de cor aplicados a contento e câmara lenta a aproximar-se do abuso. Por ser um filme belo, ao fim e ao cabo, mesmo que a espaços.
Dito isto, Les Amours Imaginaires não tem nada de tão singular como isso. Trata-se de um triângulo amoroso de um casal de amigos atraídos pelo mesmo rapaz. Casal que se afasta à medida que a inveja toma conta do tratamento que empregam um com o outro. E casal que se transforma, sem critério, na imagem dos ídolos datados da sua nova paixão, sem que isso contribua para que ele os olhe mais de forma acesa.
Quando a história se torna interessante, já Nicolas recusou tanto Francis como Marie, acaba tudo. Com Nicolas a tentar recuperar as amizades (que o preenchiam ou que eram o seu verdadeiro amor, ficamos sem saber) e com a promessa do mesmo círculo de vício para Francis e Marie que olham um novo Nicolas ao longe.
As verdadeiras dores dos três personagens tão vagos começariam a ver-se aí. As suas transformações, acidental a de Nicolas e intencionais dos restantes, em objectos de desejo ao gosto do outro são mera introdução mas acabam a ocupar o filme todo.
Ou quase, já que de permeio com o seu triângulo amoroso inconcretizável, o filme lança uma série de testemunhos filmados ao jeito de confissão a um psicólogo.
Alguns dos testemunhos - ou daquilo que conseguimos retirar dos seus fragmentos - são mais interessantes do que a história central. Outros são banais. Mas todos eles são estranhos à narrativa e a sua presença é uma forma fácil de acumular experiências que comprovem a epígrafe, "A única verdade é o amor para lá da razão.".
Só que nenhuma personagem no filme, apesar do seu comportamento tonto, está para lá de um comportamento razoável que passasse despercebido em sociedade.
Xavier Dolan tem talento para realizador mas ainda não tem um critério para o que fazer com esse talento - a citação da Nouvelle Vague chega a ser exagerada. Já como argumentista beneficiaria de uma ajuda externa.
Será um nome a seguir, mas a semi-apoteose precoce que vai recebendo parece exagerada e contraproducente.



quinta-feira, 5 de maio de 2011

Amores Imaginários, por Tiago Ramos


Título original: Les amours imaginaires (2010)
Realização: Xavier Dolan
Argumento: Xavier Dolan
Na sua primeira longa-metragem, J’ai tué ma mère, o jovem canadiano Xavier Dolan surpreendeu o mundo cinéfilo (o pouco que conseguiu ter acesso ao filme que viu a sua distribuição limitada, na sua maioria, ao circuito de festivais). As reacções fizeram-se chegar ambíguas, ora divididas entre o seu talento e a sua arrogância e narcisismo. Relembre-se que Xavier Dolan, com apenas 19 anos, produziu, escreveu, realizou e protagonizou o seu primeiro filme. A sua segunda longa-metragem chega agora a Portugal através do IndieLisboa 2011 (tal como o primeiro filme apenas estreou em Portugal na edição anterior do mesmo festival) e será provavelmente o primeiro filme do realizador a ter estreia comercial em no nosso país.



Ora Amores Imaginários é uma espécie de continuação do estilo que Xavier Dolan revelou em J’ai tué ma mère. Uma estética muito própria e estilizada que se assemelha a uma mistura entre o cinema do espanhol Pedro Almodóvar e do chinês Wong Kar-Wai. Encontramos aqui uma visão obsessiva e sentida sobre a paixão, em meio a cenas habilmente artísticas e estilizadas, com sequências repletas de cor ou monólogos – em jeito de confissão – a preto e branco, ou ainda o abuso de zoom e slow-motion em sequências musicais (como a brilhante versão de Bang Bang, cantada pela italiana Dalida). O que realmente se destaca não é tanto o argumento em si, que embora com as mais variadas nuances acaba por ser mais linear que o seu antecessor, mas sobretudo a forma como essa história é contada. Xavier Dolan é frequentemente atento aos detalhes, sedutor nato e amante dessa sedução no cinema, mas tem tendência em não se preocupar tanto em focar psicologicamente as suas personagens, porque o que lhe interessa é a demonstração física dos anseios e expectativas de cada personagem, através de olhares e pequenos gestos. Apresenta-se com uma sucessiva composição fetichista, numa visão burguesa onde os seus interesses são um reflexo da sua experiência de vida.



Não queremos dizer que Amores Imaginários seja um mau filme. Pelo contrário, cativa o espectador pela sua visão narcisista e poética de uma história obsessiva de paixão e rivalidade. As referências ao cinema e cultura pop são agradáveis, bem como o já referido detalhe com que somos brindados em grande parte das cenas, repleto de estética vintage e em alguns momentos kitsch. Mas o problema é a sensação que estamos perante uma manta de retalhos, altamente sensorial mas com um sentido oco. No entanto um leve sentimento de familiaridade e reconhecimento próprio em algumas das situações descritas pode despertar empatia no espectador - quem nunca rivalizou na paixão? É sobretudo um filme de sentimentos – não só juvenis, mas na sua generalidade – e polarizador de emoções. A nível de elenco, o próprio Xavier Dolan é um protagonista interessante – igual a si próprio, é verdade, mas suficientemente narcisista e egocêntrico para se encaixar bem no papel das suas personagens, claramente autobiográficas. Também Monia Chokri enquadra-se bem no ambiente recriado e prepara-se para trabalhar mais uma vez com o cineasta no seu próximo filme: Lawrence Anyways. Por fim temos dois actores recorrentes na sua curta filmografia: a talentosa actriz canadiana Anne Dorval que faz aqui um breve apontamento e Niels Schneider, claramente actor-fetiche com semelhanças a Louis Garrel, tanto na aparência como na expressão corporal que imprime nos seus papeis (embora com alguma inexperiência) a que o realizador não resiste em comparar repetidas vezes a um Adónis.



Porém, se o factor surpresa ajudou em J’ai tué ma mère (e mantenho a minha opinião sobre esta primeira longa-metragem: é de facto um bom e fascinante filme), na segunda vez torna-se mais monótono. Não deixa de ser uma perspectiva interessante de cinema – e menos vazia que outras que por aí andam. Xavier Dolan tem potencial para se tornar um interessante realizador no panorama cinematográfico internacional, mas necessita de crescer mais a nível psicológico e emocional, já que este nível de masturbação artística – por mais válido ou interessante que possa ser – acaba por tornar-se cansativo.

Classificação: