domingo, 2 de janeiro de 2011

Antonio Campos com dois novos projectos



Depois de Afterschool (2008) como a sua estreia na realização de longas-metragens e que depressa estabeleceu comparações com Gus Van Sant e Michael Haneke, Antonio Campos encontra-se neste momento com dois novos projectos cinematográficos.

Simon Killer, mais uma vez escrito e realizado pelo próprio, narra a história de um jovem de Nova Iorque que se refugia na cidade de Paris, depois uma atribulada separação amorosa, onde conhece uma rapariga que lhe proporcionará novas experiências. Brady Corbet (Funny Games US) dá nome ao filme no papel de Simon, enquanto que Mati Diop (35 Shots of Rhum) será a jovem Victoria. O filme encontra-se neste momento em pós-produção e é bem provável que veja a sua estreia acontecer no Festival de Cannes 2011.

A sua terceira longa-metragem intitular-se-á Momma e foca-se na relação entre uma mãe e o seu filho durante 30 anos. A produção do filme dever-se-á iniciar no Outono de 2011.

Encontros em Nova Iorque, por Carlos Antunes


Título original: Please Give
Realização: Nicole Holofcener
Argumento: Nicole Holofcener
Elenco: Catherine Keener, Oliver Platt, Rebecca Hall e Amanda Peet

Encontros em Nova Iorque ficará como um dos piores títulos de filmes em português de tempos recentes.
Não tanto pelo desencontro entre ele e o título original, como pelo desencontro entre ele e o próprio filme.


O filme não é sobre os acasos da serendipidade, palavra que se tornou sinónimo de Nova Iorque ao longo dos muitos filmes lá passados.
A sua força está na subtileza de se debruçar precisamente sobre o contrário, os resultados visíveis da inevitabilidade das relações que se criam.
A magia é invisível, apenas os seus efeitos se podem entender. Mas, acima de tudo, todos os "encontros" trazem consequências que são menos do que felizes.


Uma Nova Iorque mais sofrida, de tristezas, ressentimentos e culpas onde as personagens vivem como em qualquer outro local do mundo, desejando pela calada ultrapassarem os outros.
Que os outros sejam imperfeitos para conseguirem recuperar o namorado, que os outros morram para lhes ficarem com o apartamento, que os outros se sujeitem a eles para se sentirem novos e poderosos.
Talvez não o desejem abertamento, mas vivem com essa expectativa. Não são pessoas más, apenas pessoas com falhas de carácter. Muito humanas, portanto.


O "dar" subjacente ao título original não estará apontado a uma dádiva mas a uma expiação a que os personagens se sentem obrigados.
São imperfeitos e sabem-o. Sentem-se culpados pelos seus desejos e pelos seus sucessos porque no outro extremo deles ficam os desafortunados.
Não estão apontados a prosperarem na miséria dos outros e nem se deixam abater por completo por se sentirem culpados.
Vivem e lidam com os desequilíbrios do seu carácter e avançam numa cidade repleta de vida normal.


O filme é sereno e adulto. Não envolve estas personagens numa história que só sirva para as redimir, nem as usa para celebrar uma Nova Iorque que talvez nem exista.
É um filme sobre existências palpáveis e com as qual podemos sentir empatia. É um filme disposto a ser um pedaço de vida sem cortinas sobre as partes más.



Trailer de "La herencia Valdemar II: La sombra prohibida"



Aquele que para muitos poderá ser desconhecido é para os fãs do Fantasporto um dos filmes mais aguardados. Uma das provas que o cinema fantástico espanhol está na sua mais alta forma foi La herencia Valdemar que embora quase tenha passado despercebido na programação do Fantasporto 2010 foi um dos melhores filmes do género que por lá passou. A sequela do filme, La herencia Valdemar II: La sombra prohibida, ganhou o seu trailer completo:



Inspirado no universo de H. P. Lovecraft, o primeiro filme deixava antever um capítulo final recheado de mitologia fantástica, especialmente sobre o Cthulhu, um entidade fictícia dos contos de Lovecraft, utilizada como sinónimo de horror e mal extremo. Realizado por José Luis Alemán, o segundo capítulo estreia em Espanha a 28 de Janeiro de 2011, o que talvez poderá significar uma estreia no Fantasporto 2011.

Novidades no elenco de "J. Edgar", de Clint Eastwood



Clint Eastwood parece querer fazer notar-se, a par de Woody Allen, como um dos realizadores que mais realiza filmes. Woody Allen à proporção de um por ano, Clint Eastwood quase a seguir-lhe os passos. Depois de dois filmes em 2008, um em 2009 e outro em 2010 - os dois últimos com críticas mais negativas que o habitual para o realizador - em 2012 o realizador faz chegar aos cinemas uma biopic sobre John Edgar Hoover, considerado o patrono do FBI e seu chefe durante 48 anos.

O filme que este inicialmente para se chamar Hoover e que recebeu recentemente o nome de J. Edgar, terá Leonardo DiCaprio como protagonista, um quase-especialista em biopics de grandes figuras históricas. Rumores agora já desmentidos indicavam Joaquin Phoenix como o amante gay de Hoover, Clyde Tolson, que agora parece que será interpretado por Armie Hammer, que interpretou os gémeos Winklevoss em The Social Network. Mas pelo que se sabe agora, o argumento não se irá focar sobre essa faceta da sua vida, expondo-a apenas de uma forma subtil. Também o actor australiano Damon Herriman (Candy) se junta ao filme de Clint Eastwood, como Bruno Hauptmann, conhecido por ter executado o crime do século, ao sequestrar e assassinar o bebé do famoso piloto Charles Linderbergh e Anne Morrow Lindbergh e posteriormente condenado à morte.

Nos papéis femininos, Charlize Theron (Monster) será Helen Gandy, uma arquivista do Departamento de Justiça que acaba como secretária pessoal de Hoover durante mais de 50 anos. Também a britânica Judi Dench (Notes on a Scandal) já foi anunciada como fazendo parte do elenco do filme, mas não se sabe ainda qual será o seu papel.

O argumento de J. Edgar será escrito pelo jovem Dustin Lance Black, vencedor do Óscar de Melhor Argumento Original por Milk (2008).

"Toy Story 3", "The King’s Speech", "Another Year", entre outros, fora da corrida aos Writers Guild of America Award



O prémio do sindicato dos argumentistas americanos, o WGA (Writers Guild of America), é um dos principais indicadores do vencedor ao Óscar na categoria de Melhor Argumento Original e Melhor Argumento Adaptado. Contudo, as suas regras rígidas e pouco flexíveis, colocaram de fora, novamente este ano - tal como em anos anteriores - alguns dos melhores argumentos do ano, à corrida pelos WGA Awards.

Toy Story 3, apesar do seu excelente argumento, apenas por ser um filme de animação está automaticamente desqualificado dos prémios. Os restantes filmes que apresentamos a seguir ficaram de fora simplesmente por não corresponderem ao chamado "acordo mínimo básico" da organização e aos seus critérios. Ao contrário do que se passa com os prémios DGA (Directors Guild of America) ou SAG (Screen Actors Guild), para ser elegível aos prémios dos WGA o argumento de ser escrito por um membro do sindicato e seguir as suas normas. Segundo o seu presidente, John Wells, tais regras continuarão a existir para que todos se filiem à organização.

Deste modo filmes como Another Year, Biutiful, Blue Valentine, The Ghost Writer, The King's Speech, Made in Dagenham, Scott Pilgrim vs. the World e Winter's Bone não são elegíveis aos WGA Awards. Contudo e visto que a Academia não se rege por tais regras é bastante provável ver alguns destes filmes candidatos ao Óscar na categoria de Melhor Argumento correspondente. Mas na realidade e nos últimos anos, o vencedor da categoria de Melhor Argumento Original tem sido o mesmo da categoria equivalente dos Óscares, tal como foi o ano passado com o argumento de The Hurt Locker escrito por Mark Boal.

Split Screen Scenes (XXXVII)


The Moon's Our Home (1936), de William A. Seiter | Sugerido por Carlos Antunes

sábado, 1 de janeiro de 2011

Retrospectiva 2010: A melhor fotografia (1/2)

No que diz respeito à apreciação global de um filme, o trabalho do director fotográfico é um dos mais importantes para que o filme resulte. Quer seja no sentido de um aprimorado e elaborado sentido estético ou a um estilo mais minimalista e original. O ano de 2010 foi um ano rico nesse campo. Eis uma lista com os principais trabalhos fotográficos respeitantes a filmes estreados comercialmente em Portugal durante o ano, por ordem de estreia:

Segredos e Mentiras, por Carlos Antunes


Título original: Secrets & Lies
Realização: Mike Leigh
Argumento: Mike Leigh
Elenco: Timothy Spall, Brenda Blethyn e Phyllis Logan
Editora: Castello Lopes Multimedia

Segredos e Mentiras é um filme construído através dos seus actores, sustentado na criação permanente em vez de numa linha condutora pré-estabelecida.
Um método comum a Mike Leigh e que exige uma capacidade elevada de quem trabalha com o realizador.
Este é um filme de grupo e, por isso mesmo, não tem um elenco mas um verdadeiro ensemble em que todos os papeís têm, mais do que a mesma importância, a mesma qualidade.
Qualidade muito elevada, que dá vida mais do que verdadeira às personagens e ao argumento muito bem escrito.
E digo vida mais do que verdadeira pois esta é moldada pelo genuíno talento dos actores, com um ritmo de desenlace mais sedutor e mais surpreendente do que a vida costuma ter.
Os actores fazem o filme que não tem um argumento que se possa resumir pois a sua importância está na consciência e nos sentimentos que se geram na dinâmica falhada da profundamente disfuncional família.
Família que tanto gera risos como gera choros. A violência dos seus silêncios - muitos deles internos, tentando convencer-se a si próprios - chega a ser caricata, mas é realmente dura.
Há, provavelmente, uma lição social - a questão da raça, se nada mais - inserida no filme, mas inserida como se ninguém lhe ligasse nada.
Isso ajuda a que o que fica por revelar, motivo de muitos choros e dos silêncios que permanecem quando chega a cena final, verdadeira catárse de grupo, tenha um impacto sobre o espectador que permanece longamente, que sugere crimes e ódios mais medonhos do que aqueles que se perpetuavam entre aqueles elementos.
Toda a envolvência destas pessoas deixa-nos um pouco como coscuvilheiros convidados para uma existência demasiado convidativa para os nossos prazeres.
Somos falsamente convencidos que pertencemos à vida de uma família que não é nossa. Isso é o resultado mais extraordinário que um filme assim "esculpido".



Extras

Sem extras

Javier Bardem e Viggo Mortensen entre os candidatos ao protagonismo em "The Dark Tower"



Uma das aguardadas produções da Universal é a adaptação cinematográfica de The Dark Tower. A obra de Stephen King, que já se anunciou como sendo realizada por Ron Howard (Frost/Nixon) em três filmes e uma série televisiva, segue a história do misterioso Deschain num mundo pós-apocalíptico em busca da Torre Negra. Durante essa viagem encontra vários portais que lhe permitem entrar em contacto com o mundo actual e outras realidades.

O estúdio encontra-se à procura de protagonistas e entre os principais candidatos ao papel de Deschain incluem-se nomes como Daniel Craig (Casino Royale), Hugh Jackman (Australia) e Jon Hamm (Mad Men). Mas recentemente, o próprio realizador citou a popularidade de Viggo Mortensen (A History of Violence) entre os sites de fãs da obra, adicionando assim outra possibilidade ao leque de candidatos. Contudo e levando em conta que The Dark Tower deverá estrear em 2013 (17 de Maio), a hipótese desses candidatos encontra-se reduzida dado o seu envolvimento em outros projectos nessa data. Fontes ligadas ao filme em entrevista ao NY Post revelaram contudo que o espanhol Javier Bardem (No Country For Old Men) é o principal candidato ao papel do pistoleiro Deschain.

Akiva Goldsman (A Beautiful Mind) será o argumentista responsável por esta adaptação.

Leia também:

TV spot de "True Grit"



True Grit tem tido uma excelente recepção entre a crítica norte-americana, o que começa a confirmar todo o hype que o filme viveu desde há alguns meses para cá. Os irmãos Coen criam mais um clássico, neste caso inspirado no romance de Charles Portis e que já foi adaptado ao cinema: True Grit (1969).



Uma história de vingança e punição protagonizada por Jeff Bridges (Crazy Heart), Matt Damon (The Departed), Josh Brolin (Milk) e Hailee Steinfeld. Na corrida aos Óscares esperam-se nomeações para True Grit, entre as quais: Melhor Filme, Melhor Actriz Secundária (Hailee Steinfeld) e Melhor Argumento Adaptado.

O filme, com um orçamento de 38 milhões de dólares, já terá rendido mais de 60 milhões de dólares em receitas de bilheteira. Em Portugal, com o título de Indomável, o filme estreia a 17 de Fevereiro.