
O
trailer prometia diversão original. Uma comédia de riso fácil – não se esperava nada mais – mas com piadas divertidas que fariam as delícias dos fãs do género, mas também a piscar o olho aos (perdoem-me a expressão estereotipada)
geeks e fãs de viagens no tempo. Até o famoso crítico
Roger Ebert – de quem discordamos apenas pontualmente – apontava a este título uma expectativa agradável e tudo, menos falta de confiança por parte de quem o produziu e realizou. «
Eu não fiquei desapontado», disse na sua crítica. Por aqui, voltamos a um daqueles casos menos comuns em que de facto discordo com o crítico.
Se de facto a ideia de um
jacuzzi poder tornar-se numa máquina do tempo ser descabida, na verdade criava-se aqui a oportunidade de criar algo verdadeiramente curioso. Infelizmente o argumento escrito a três por
John Morris,
Sean Anders (trabalharam juntos para
She’s Out of My League) e
Josh Heald (criador da história original) perde a grande maioria das oportunidades em criar algo realmente hilariante. Se a ideia era um
mash-up entre
Back to the Future (1985) e
The Hangover (2009) o resultado ficou aquém do esperado. A concepção do filme não tem nem a originalidade de um e o divertimento do outro. As piadas são fáceis e especialmente com recurso a referência sexuais, que de facto poderiam ser bem-vindas (tal como resultavam bem em
The Hangover, ou seja, devidamente contextualizadas), se não acabassem por ser gratuitas e por fim, brejeiras.
Jacuzzi – O Desastre do Tempo pode ser minimamente interessante para os saudosistas e fãs dos anos 80. Não deixamos de nos rir com as piadas com referências a ícones e cultura
pop da década de 80, como a
Michael Jackson, aos
Poison… ao vestuário colorido e berrante, ao néon, ou ainda a objectos como o
walkman. Ou ainda à banda sonora revivalista da época (sabe mesmo bem ouvir
Joy Division, entre outros). Mas no fim de contas tais referências não são suficientes para salvar o filme da desgraça.
O elenco é minimamente competente.
Crispin Glover (havia entrado em
Back to the Future) garante algumas das melhores cenas do filme e sempre que surge, fica a expectativa do que realmente irá acontecer com a sua personagem. Um piscar de olho aos fãs da temática de ficção-científica. Ou ainda
Craig Robinson, que consegue a mais divertida cena do filme, quando canta um tema dos
Black Eyed Peas a uma plateia demasiado “nova” para tal. Já
John Cusack remete-se a figurante de luxo, sem grande impacto na trama e acabando por servir apenas como motivo para dar uma lição de vida e de moral no fim da história. O mesmo se passa com
Chevy Chase, que tenta imitar o carisma natural de
Zach Galifianakis (sem sucesso).
No geral, o filme é um dos mais fracos do ano. Mesmo avaliado à luz do género, dá pena ver boas ideias desperdiçadas, especialmente quando o filme é realizado por
Steve Pink, argumentista de
High Fidelity (2000) (que é um prodígio nas suas referências à cultura
pop). É mesmo uma pena que se tenha resumido a humor brejeiro e banal. No fim de tudo, o mais positivo no filme é a sua curta duração.
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