Título original: Funny Games (1997)
Realização: Michael Haneke
Argumento: Michael Haneke
Realização: Michael Haneke
Argumento: Michael Haneke
Elenco: Susanne Lothar, Ulrich Mühe, Arno Frisch e Frank Giering
A violência é um dos assuntos por demais explorados na indústria cinematográfica. Mas em Brincadeiras Perigosas essa temática atinge proporções diferentes. Sim, aqui a violência é ela verdadeiramente gratuita. Justificada? Também. Mas não deixa de ser gratuita. Isto porque Michael Haneke – cineasta singular na forma visceral com que filme – entrega-nos um retrato da violência contemporânea, um ensaio visceral sobre as motivações humanas. Afinal precisaremos nós de motivação?
Afinal o motivo não é nada mais que entretenimento. Entretenimento violento a que somos submetidos, que nós próprios infligimos às vítimas, que nós próprios sofremos. Em Brincadeiras Perigosas não somos espectadores. Somos tanto os autores, como as vítimas. Fazemos sofrer e sofremos, como se vestíssemos duas peles simultaneamente, como se nos transfigurássemos perante o ecrã. Os responsáveis por tal violência nunca são claramente apontados – não interessa – porque o temos aqui é a visualização mais horrenda e crua de violência injustificada. Somos tão culpados quanto Paul e Peter. Todos reagimos às piscadelas no ecrã, todos correspondemos à aposta porque ficamos ali até ao fim para ver quem ganha. Quem sobrevive e quem morre. Porque no fim de contas todos gostamos de brincadeiras perigosas. Porque somos tão voyeurs quanto eles, porque nos sentimos culpados pela nossa passividade. Não há meias medidas: somos cúmplices!
Em Brincadeiras Perigosas a violência não é graficamente expressa. O pouco que vemos é prontamente ocultado. A violência a que assistimos é emocional, aguda e torturante. É manipulação das vítimas, é a nossa própria manipulação. Isto porque Michael Haneke permite às suas personagens o controlo da situação e corrigirem o desenrolar da narrativa à sua própria vontade, o que só contribui para a angústia do espectador. Sádico e humilhante.
Muita da culpa que carregamos às costas é-nos imputada pela câmara do cineasta. Fria, calculista, crua, reflexiva e irónica. Os planos são reais, estamos ali, a câmara empurra-nos para o centro da cena. Jürgen Jürges (Código Desconhecido) contribui por através do exercício da cinematografia, conseguir provocar no espectador uma sensação claustrofóbica e fria, tal como a estimulada pelo argumento. Susanne Lothar (O Laço Branco) é exemplar na construção do seu papel que demonstra bem a perda da sensação de segurança irredutível no seu lar. Bem como Ulrich Mühe (A Vida dos Outros) que confirmou o seu potencial enquanto actor, que poderia ter facilmente projecção internacional. Por fim, a dupla principal (Arno Frisch e Frank Giering) é magnífica na forma como opostos se complementam na falta de escrúpulos e no modo como brincam com os espectadores. Não são grandes exercícios de desempenho que enaltecem este filme, mas na verdade basta-nos a expressão escarnecedora com que encerram cada sua acção.
O final deixa-nos perturbados, incomodados. No fim de contas, tivemos tanta culpa quanto eles e ficámos até ao fim, fosse qual ele fosse. A reflexão exige-se e Brincadeiras Perigosas tinha muito por onde podíamos meditar.
Afinal o motivo não é nada mais que entretenimento. Entretenimento violento a que somos submetidos, que nós próprios infligimos às vítimas, que nós próprios sofremos. Em Brincadeiras Perigosas não somos espectadores. Somos tanto os autores, como as vítimas. Fazemos sofrer e sofremos, como se vestíssemos duas peles simultaneamente, como se nos transfigurássemos perante o ecrã. Os responsáveis por tal violência nunca são claramente apontados – não interessa – porque o temos aqui é a visualização mais horrenda e crua de violência injustificada. Somos tão culpados quanto Paul e Peter. Todos reagimos às piscadelas no ecrã, todos correspondemos à aposta porque ficamos ali até ao fim para ver quem ganha. Quem sobrevive e quem morre. Porque no fim de contas todos gostamos de brincadeiras perigosas. Porque somos tão voyeurs quanto eles, porque nos sentimos culpados pela nossa passividade. Não há meias medidas: somos cúmplices!
Em Brincadeiras Perigosas a violência não é graficamente expressa. O pouco que vemos é prontamente ocultado. A violência a que assistimos é emocional, aguda e torturante. É manipulação das vítimas, é a nossa própria manipulação. Isto porque Michael Haneke permite às suas personagens o controlo da situação e corrigirem o desenrolar da narrativa à sua própria vontade, o que só contribui para a angústia do espectador. Sádico e humilhante.
Muita da culpa que carregamos às costas é-nos imputada pela câmara do cineasta. Fria, calculista, crua, reflexiva e irónica. Os planos são reais, estamos ali, a câmara empurra-nos para o centro da cena. Jürgen Jürges (Código Desconhecido) contribui por através do exercício da cinematografia, conseguir provocar no espectador uma sensação claustrofóbica e fria, tal como a estimulada pelo argumento. Susanne Lothar (O Laço Branco) é exemplar na construção do seu papel que demonstra bem a perda da sensação de segurança irredutível no seu lar. Bem como Ulrich Mühe (A Vida dos Outros) que confirmou o seu potencial enquanto actor, que poderia ter facilmente projecção internacional. Por fim, a dupla principal (Arno Frisch e Frank Giering) é magnífica na forma como opostos se complementam na falta de escrúpulos e no modo como brincam com os espectadores. Não são grandes exercícios de desempenho que enaltecem este filme, mas na verdade basta-nos a expressão escarnecedora com que encerram cada sua acção.
O final deixa-nos perturbados, incomodados. No fim de contas, tivemos tanta culpa quanto eles e ficámos até ao fim, fosse qual ele fosse. A reflexão exige-se e Brincadeiras Perigosas tinha muito por onde podíamos meditar.
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