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sábado, 20 de abril de 2013

Ladrões com Estilo, por Tiago Ramos


Título original: Gambit (2012)
Realização: Michael Hoffman
Argumento: Ethan Coen e Joel Coen
Elenco: Stanley Tucci, Cameron Diaz, Alan Rickman e Colin Firth

Raras são as vezes em que os irmãos Coen assinam um argumento, sem que a realização do mesmo esteja também a seu cargo. Daí que pairava alguma curiosidade sobre esta readaptação do argumento do clássico homónimo dos anos 60, especialmente porque concederiam a oportunidade a outra pessoa de a realizar. Especialmente curioso visto que se trata de Michael Hoffman, realizador nem sempre particularmente interessante e que o último filme tinha sido o mediano The Last Station (2009) e que dificilmente se lhe adivinha uma verdadeira vertente irónica para este projecto. Vagamente familiar ao projecto a quem pede emprestada a inspiração, percebe-se porém na sua génese o porquê do interesse da dupla Coen no projecto: é uma comédia de enganos, com fraudes e esquemas mirabolantes, temas comuns à sua filmografia. Contudo essa familiaridade não chegou a ser suficiente para tirar o marasmo a um estilo já bastante comum, que teve o seu apogeu no cinema dos anos 80 e 90 e nem o argumento é trabalhado ao melhor nível, nem Michael Hoffman tem a mão suficientemente segura, apesar de sabermos (honestamente e sendo justos) que dificilmente conseguiria milagres de um trabalho francamente mediano.

Não quer isto dizer e apesar das severas e pouco poupadas críticas a este Ladrões com Estilo, que o filme acaba por ser tão mau quanto poderia chegar. Na verdade, é frequentemente divertido, portador de algum carisma clássico e cuja inspiração, apesar de cliché e esquematizada, permite ao espectador alguns momentos caricatos. Esta interessante reunião de actores (Stanley Tucci a um nível mais secundário - mas quase sempre rouba a cena nos poucos momentos em que entra -e com um enfoque maior em Cameron Diaz, Alan Rickman e Colin Firth) é também motivo para um olhar mais aberto sobre o filme, já que o seu carisma e talento podem ajudar a elevar o tom frequentemente medíocre da narrativa. É também infelizmente certo que, de um elenco do qual conhecemos sobejamente o seu talento e capacidades, esperava-se um maior nível, já que não raras vezes falta-lhes assumir o tempo certo no humor.

Porém, Ladrões com Estilo é um trabalho competente na sua vertente técnica (especialmente se falarmos na direcção de fotografia ou artística) e suficientemente lustroso para, no seu tom de comédia escapista, cativar em alguns pequenos momentos.


Classificação:

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

A Última Estação, por Carlos Antunes


Título original: The Last Station
Realização: Michael Hoffman
Argumento: Michael Hoffman e Jay Parini
Elenco: Helen Mirren, James McAvoy e Christopher Plummer

No ano em que passam 100 anos sobre a morte de Tolstoi é um erro de distribuição não aproveitar essa efeméride para promover um filme que conseguiu, ainda para mais, duas nomeações aos Oscares nas principais categorias de interpretação.
Lançar o filme no final do ano, apenas para garantir rotatividade, é condenar o filme a uma visibilidade menor do que aquela que merece e que poderia atingir.


Quem for, apesar de todas as contrariedades, ver o filme encontrará uma obra muito polida, uma produção de prestígio ao serviço dos seus dois actores principais, mas não um filme interessante.
As composições de Helen Mirren e Christopher Plummer são, de facto, fabulosas, como são sempre, mesmo que se limitem às suas vozes.
Ainda assim é Paul Giamatti quem mais se revela, certamente por ser um papel menos habitual para ele, mais delimitado e ao qual ele dá igual substância.


Sem brilho de outro tipo que não o dos seus actores, o filme falha em dar uma perspectiva rica sobre um homem determinante na História do seu século.
Limita-se a cruzar uma historieta de amor com a fase de ruptura de um longo e fértil casamento.
Manipulando boa parte da consciência dos espectadores entre os dois lados do conflito dentro da família Tolstoi, o filme nem se importa em ser abrangente e deixar a claro o quão preponderante era, naquela época, uma certa fixação pelo pensamento de um homem que conquistou o mundo como romancista.


Sem sentido crítico para o legado que o escritor deixou ao transformar-se em filósofo, o filme não tem realmente nada a dizer.
As incoerências reveladas e e as polémicas causadas por um homem maior que a sua vida apenas são afloradas.
O percurso de Tolstoi como pensador, por mais que tenha influenciado o mundo, tem na verdade de ser revista com sentido crítico.
Um filme que se limita a fazer um retrato polido do fim irrelevante de uma vida que marcou o mundo, não terá grande interesse, mas merecia ao menos mais respeito na hora da distribuição.